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fevereiro 19, 2011 / rodaecruz

Religião e Organização Sócio-Política

Religião e Organização Sócio-Política

[Trechos do livro A Roda e a Cruz: Uma Introdução ao Cristianismo Budista. 2010. Arnaldo Sisson Filho com Viviane Pereira] 

Viviane: Qual a ligação entre religião e organização da sociedade?

Arnaldo: Embora hoje haja a tendência para se considerar a religião e a organização sócio-política como coisas relativamente separadas, por muito tempo foram quase uma coisa só, caminhando juntas. Isso porque uma influencia decisivamente a outra ao longo de toda a história.

            O que hoje temos como o chamado Cristianismo, como disse, essa interpretação materializada e idólatra dos ensinamentos de Jesus, com os seus antecedentes, é o que está na base de nosso cruel modelo civilizatório. Naturalmente, não estamos ignorando a tradição greco-romana, ou a judaica. Porém, essas tradições foram modificadas por uma dada interpretação dominante dos ensinamentos de Jesus. É isso que se constitui no que o mundo chama de Cristianismo. E é esse conjunto que está na base da civilização ocidental e de suas principais instituições de organização sócio-política.

            Com o colapso do Império Romano Ocidental, ao longo de toda a Idade Média, foram os mosteiros e depois as primeiras universidades que exerceram essa influência civilizatória de base. Durante toda essa época a religião tinha papel cultural evidentemente dominante. Depois, aos poucos, esse domínio foi enfraquecendo, com todas as transformações que marcaram o advento da chamada Idade Moderna, até que ocorreram as reformas protestantes, e foi ocorrendo o desenvolvimento do que chamamos de ciência moderna.

            Mas a base do pensamento ainda tem sua origem nessa tradição religiosa deturpada. Na Idade Moderna e Contemporânea, a tradição religiosa foi se modificando; agora está mesclada e, em boa medida, está em conflito e sendo subjugada pelo pensamento dito científico.

            Na verdade, foi justamente a materialização, a idolatria religiosa – seja a dita católica, seja a dita protestante – que gerou esse tipo de ciência que hoje é dominante. Uma coisa é filha da outra. A base, a matriz de toda essa civilização continua sendo aquela religião principal do Ocidente, que é o que o mundo chama de Cristianismo.

            Apenas, na Idade Moderna e Contemporânea, essa influência se tornou menos explícita e mais indireta, com a intermediação do pensamento laico. Mas ainda a religião dominante no Ocidente é o Cristianismo, isso que se chama de Cristianismo. Muitos chamam a isso de tradição judaico-cristã – e na verdade é, tanto judaico como greco-latina e cristã. E, se falamos também em tradição judaica e em tradição greco-latina, estamos falando daquelas tradições que influenciaram o Judaísmo e a cultura greco-romana. Chegamos então nas culturas da Mesopotâmia e do Velho Egito.

            Tudo isso está na base da civilização ocidental, a qual está amplamente dominando o mundo, como é tão claro.

                         “A fé cristã é a herdeira direta da velha fé romana. Roma foi a herdeira da Grécia, e a Grécia do Egito, de onde se originaram o legado de Moisés e o ritual hebraico.                        O Egito foi apenas o foco de uma luz cuja verdadeira fonte e centro era o Oriente em geral – Ex Oriente Lux. Pois o Oriente, em todos os sentidos, geograficamente, astronomicamente e espiritualmente, é sempre a fonte de luz.

                        Mas, embora originalmente derivada do Oriente, a Igreja de nossos dias e de nosso país é modelada diretamente a partir da mitologia greco-romana, e de lá retira todos os seus ritos, doutrinas, cerimônias, sacramentos e festivais.

(…)

                        Extraindo sua essência-vital diretamente da fé pagã do velho mundo Ocidental, o Cristianismo mais proximamente se parece com seus pai e mãe imediatos, do que com seus ancestrais remotos, e será, então, melhor exposto com referência a suas fontes da Grécia e de Roma, do que com referência a seus paralelos bramânicos e védicos”. [The Credo of Christendom (O Credo do Cristianismo), pp. 94-95]

             Foi essa civilização ocidental – com todas essas influências, mais o pensamento laico científico moderno – que resultou no Liberalismo e no Marxismo, que até hoje são as principais e dominantes filosofias sociais e que, portanto, são as principais matrizes dos modelos de organização sócio-política.

            Essas filosofias, materialistas e materializadas, criaram um novo sacerdotalismo, que até certo ponto combate e domina, como disse, o sacerdotalismo religioso. Sabemos, inequivocamente, que elas são dominantes porque são elas que estão formatando as instituições, as principais instituições que organizam a vida sócio-política dos principais países, isto é, dos países que dominam a maior parte do mundo. Isso tudo, como disse, tem como base essa degeneração da verdadeira religião cristã, que está fundamentalmente ligada ao Budismo, assim como aos ensinamentos de Pitágoras.

            O Cristianismo como está hoje – dominado pela idolatria literalista do sacerdotalismo – com o modelo civilizatório por ele influenciado, com a violência crescente entre os humanos e para com os animais, com a destruição de elementos importantes do meio ambiente natural, está levando o mundo direto para a colisão com o iceberg das catástrofes ambientais e sociais, que talvez se iniciem com as pandemias que, até mesmo segundo o relato de trabalhos científicos, podem ocorrer em um futuro não muito distante.

            Chegamos nesse ponto porque esse falso Cristianismo, com seu sacerdotalismo, com seu literalismo, com sua superficialidade e com sua idolatrização das Escrituras Sagradas gerou, direta ou indiretamente, e continua apoiando, instituições incapazes de organizar o mundo de uma forma satisfatória, equilibrada e justa.

            Então, é urgente uma re-interpretação, um resgate do verdadeiro Cristianismo, o qual, segundo a Dra. Anna Kingsford, é uma continuação e compõe uma unidade, um todo harmônico, com a base dos ensinamentos sagrados que o antecederam, especialmente, repito, com os ensinamentos genuínos e corretamente interpretados do Buda Gautama e de Pitágoras.

            Admitindo essa última afirmação como verdadeira, teremos, necessariamente, que resgatar, que restaurar a verdadeira religiosidade dessa tradição una, pois disso dependeriam as possibilidades de novas instituições, de novos instrumentos de organização sócio-política que nos permitiriam evitar e superar o iceberg que se aproxima, se é que isso ainda é possível; se é que é possível, depois de tanta crueldade, evitar essa colisão.

            Mas, mesmo que isso não seja mais possível, ainda assim, temos o dever e a necessidade de nos preparar para o day after, o dia seguinte. Pois tudo continuará após o iceberg, e temos que trabalhar por tão esperados melhores dias, com ou sem colisão com o iceberg. Temos que, queiramos ou não, semear as boas sementes para antes, durante e depois, pouco importa, das catástrofes, que hoje se afiguram como quase inevitáveis, mais cedo ou mais tarde. Mas, quando os profetas falam essas coisas, quem lhes dá ouvidos? E é justamente essa surdez que torna as catástrofes tão inevitáveis. Paciência e oração…

            Repetindo, e tentando resumir, para melhorarmos as bases da civilização ocidental precisamos melhorar o Cristianismo que aí está. Precisamos resgatar, precisamos restaurar, como fizeram Kingsford e Maitland, o verdadeiro Cristianismo, o qual, segundo esses profetas, compõe uma totalidade com o Budismo e com os ensinamentos de Pitágoras. Com esse resgate poderemos ter uma verdadeira visão de Deus, de ser humano, de caminho espiritual e de valores éticos. E, ao externalizarmos essa visão em nossa maneira de viver, individual e coletivamente, ela irá se converter em novas instituições sociais: jurídicas, políticas, educacionais, econômicas e assim por diante. Disso, segundo os profetas Kingsford e Maitland, “nascerá a esperada redenção do mundo”. (The Perfect Way, p. 252)

Viviane: O Oriente parece ter uma tradição mais ligada aos símbolos do que o Ocidente. Vemos, por exemplo, a dança indiana, que é toda simbólica. Os orientais aparentemente têm essa ligação maior com os simbolismos religiosos. Esse contato maior com os símbolos facilita seu entendimento?

Arnaldo: Acredito que a maioria do povo oriental, quando interpreta os símbolos, não o faz bem, inclusive os seus próprios símbolos. Por isso a religião oriental está como vemos. O que acontece é que eles aceitam mais – não que entendam mais – porque isso faz parte da sua cultura rigidamente estratificada.

            Gostaria de ressaltar que estratificação rígida é diferente de um simples e natural escalonamento. Na sociedade humana não é algo benéfico essa rígida estratificação, no sentido de impor que a pessoa que está aqui não possa chegar ali mais adiante, como ocorre nas degeneradas castas indianas. Nessa cultura, quem é de uma casta deve viver e morrer nessa casta.

            Essa é uma degeneração de um princípio sagrado, de uma lei verdadeira e da maior importância que é o ensinamento que deu origem às castas, mas que estão desde tanto tempo degeneradas. Esse escalonamento social não é mais entendido como reflexo do caráter, dos níveis evolutivos das Almas, mas, na degeneração atual, é determinado pela casta em que a pessoa nasceu. Na verdade, o valor interno, o caráter, é que deve determinar o escalonamento; é de dentro para fora e, idealmente, depende do nível de maturidade da Alma. E não determinado de forma rígida, pelo grupamento social em que o ser humano nasceu.

                         “Acima o céu, abaixo o lago: a imagem da CONDUTA.                        Assim o homem superior discrimina entre o alto e o baixo e fortalece desse modo a mente do povo.

                        O céu e o lago evidenciam uma diferença de altitude inerente à essência dos dois, e que, por isso, não desperta inveja. Assim também entre os homens há, necessariamente, diferenças de nível. É impossível chegar a uma igualdade universal. Porém, o que importa é que as diferenças de nível na sociedade não sejam arbitrárias e injustas, pois nesse caso a inveja e a luta de classes inevitavelmente se seguiriam. Se, ao contrário, às diferenças de nível externo corresponderem diferenças de capacidade interna, e o valor interno for o critério para a determinação da hierarquia externa, a tranqüilidade reinará entre os homens e a sociedade encontrará ordem”. (p. 56) [Lu – A Conduta (Trilhar) – Hexagrama nº. 10 do I CHING: o Livro das Mutações]

 Viviane: Parece difícil para o ser humano, com o conhecimento que tem, na forma como vê o mundo, fazer essa distinção, determinar o nível externo, social, a partir do interno, do caráter dos indivíduos.

Arnaldo: Realmente é difícil, mas sua importância é decisiva se quisermos uma ordem social justa e com chances de superar os imensos problemas que aí estão, pois disso depende a possibilidade de uma boa escolha dos dirigentes, sem o que não há qualquer possibilidade de uma ordem social harmônica.

            No Humanitarismo, o sistema que temos proposto, derivado logicamente de uma razoável base filosófica e religiosa cristã-budista, isto é, católica, universal, resolvemos esse problema da excessiva estratificação, ou do excessivo igualitarismo, aceitando um escalonamento sem rigidez, mostrando que podem ser definidos níveis com liberdade, através de eleições, como, em alguma medida, faziam os soviets russos – só que de uma forma mais satisfatória, mais digna, mais coerente com a dignidade humana, porque lá não havia liberdade e nossa proposta é baseada na liberdade. Não numa falsa liberdade absoluta, não na liberdade do tipo “raposa dentro do galinheiro”, porém na liberdade irmanada à fraternidade, que implica num escalonamento harmônico da liberdade e da responsabilidade, de forma proporcional e pertinente.

            Como isso é possível, ou seja, criar-se uma ordem harmônica, sem ignorar que existe o escalonamento e sem excessivo igualitarismo? Dando liberdade para as pessoas escolherem seus representantes, só que em pequenos grupamentos sociais, a partir de pequenas populações, ou de uma base micro-distrital. Dessa forma as pessoas podem se conhecer pessoalmente e se cria um primeiro colégio de representantes com liberdade, igualdade de oportunidades e adequação entre as capacidades e os níveis de responsabilidade.

            Desse modo, esses primeiros representantes micro-distritais vão escolher seus representantes municipais (pequenas municipalidades); esses representantes das pequenas municipalidades vão escolher os representantes das micro-regiões; a partir daí, analogamente são escolhidos aqueles das regiões (ou estados), e assim chegando às Assembléias Nacionais e, futuramente, até um Governo Mundial.

            Em um sistema assim, primeiro você faz a adequação à estrutura da maturidade das Almas, construindo um escalonamento, mas não despoticamente. As pessoas escolhem em liberdade, dentro dos diferentes níveis escalonados. Entre outros fatores cruciais, somente assim se preserva a igualdade de oportunidades, tanto quanto possível, em nosso mundo de tantas limitações.

Viviane: Quem determina quem é de que nível?

Arnaldo: A própria população, os próprios indivíduos, ao escolherem livremente seus representantes, em cada nível do escalonamento social, como sinteticamente descrevemos.

Viviane: As pessoas mesmas se qualificam?

Arnaldo: Naturalmente haverá regras eleitorais pertinentes a esse novo modelo de escolha dos dirigentes. O decisivo é entendermos a importância fundamental dos pequenos grupamentos humanos e o absurdo das escolhas de grandes massas humanas.

            Quando um pequeno grupo social escolhe livremente seus representantes – por exemplo, os representantes de um pequeno micro-distrito, onde os indivíduos possam se conhecer pessoalmente sem muita dificuldade – escolhe as pessoas que considera mais capazes de representá-lo, para fazer as leis etc.. Quando se trabalha com uma população eleitoral grande, com muitos milhares, ou mesmo milhões, isso se torna uma imoralidade, é algo injusto e incompetente, porque a igualdade de oportunidades desaparece, entre outros problemas. A injustiça se instala no seio da ordem social. Não se consegue mais harmonia entre o nível interno de maturidade e o nível externo no escalonamento social. A partir disso é só conflito, corrupção, violência, maus exemplos, más decisões. Não há mais solução possível, o conflito segue-se de forma inevitável, como na passagem citada do antiquíssimo I Ching. É só olhar para nossa sociedade, para nosso país. Ou para o mundo.

Viviane: Para eleger esse tipo de representante o grupo escolhe entre “x” pessoas que se autodeclararam com capacidade para tal função. Mas essa declaração individual não impede que alguém não capaz seja candidato e eleito, mesmo sem ser capaz. Você acha que o ser humano tem capacidade para fazer esse escalonamento?

Arnaldo: Com certeza tem essa capacidade, desde que haja justiça, ou seja, liberdade e igualdade de oportunidades no processo de escolha. Por isso é humano, por isso a liberdade de escolha é um valor fundamental. O Humanitarismo, como o radical da própria palavra indica, é uma afirmação de confiança no humano. A verdadeira humanidade é divinamente inspirada, pois foi feita à imagem e semelhança de Deus.

            O Humanitarismo se preocupa, antes de qualquer outra questão de organização sócio-política, em oferecer um processo correto e justo de escolha dos representantes. Sim, a humanidade tem essa capacidade, repito, desde que o processo seja justo, ou seja, desde que se preserve a liberdade, a igualdade de oportunidades e a adequação entre níveis de capacidade e níveis de escolha ou responsabilidade social.

            O gradiente das consciências e algo como uma pirâmide. E no topo da humanidade estão almas bem próximas da divindade, da verdade e do amor. E esse topo também faz parte da família humana. Assim, como já falava o velhíssimo I Ching – que é considerado como talvez sendo o livro mais antigo conhecido – a questão é a harmonia entre o poder externo e as capacidades internas.

            O cerne do problema político, o primeiro problema em ordem de importância, é como escolher bem os representantes, e a solução desse problema crucial, como explica o Humanitarismo, como também já explicava o tão antigo I Ching, entre tantas outras Escrituras inspiradas divinamente, depende necessariamente da existência de um escalonamento digno, que não ofenda a dignidade divina do ser humano. Uma verdadeira religião deve inspirar a solução desse primeiro e mais importante problema político. Pois disso depende vitalmente o bem estar coletivo.

            O segundo principal problema político é como dotar esses representantes de suficiente poder para tomarem e sustentarem as decisões necessárias. Podemos ter um bom governante e ele pode não ter em suas mãos o necessário poder. Ou ter alguém com muito poder que é um déspota, que não é um bom governante. O objetivo maior, a primeira e mais importante questão da organização sócio-política é, como dissemos, escolher bem os nossos representantes. E, depois disso, dotar esses representantes, escolhidos com justiça e competência, do necessário poder para sustentar suas decisões.

Viviane: Como fazer isso?

Arnaldo: Já dissemos que o primeiro passo é garantir a liberdade. Sem liberdade as pessoas olham e com razão se questionam: “Quem escolheu isso?” Liberdade é essencial. Até mesmo para uma criança é preciso dar uma boa dose de liberdade – mas não pode ser liberdade absoluta. Esse parece ser o ponto crucial de toda a questão da organização sócio-política: a liberdade deve estar adaptada ao nível de consciência de cada um. E isso é impossível sem um digno e justo escalonamento. Sem isso, todo o mais fica corrompido, não há mais solução possível.

            Em segundo lugar, como também já foi dito, precisamos ter igualdade de oportunidades. Sem a igualdade de oportunidades, é como se em um exame um candidato recebesse o gabarito das respostas e os outros não. Se não houver igualdade de oportunidades o processo está viciado, é injusto, é corrupto e corruptor, como no caso do nosso sistema sócio-político baseado nos princípios equivocados do Liberalismo, ou daqueles sistemas baseados no Marxismo.

            E por último, mas não menos importante, tem que haver adequação entre o nível de escolha e o nível de compreensão daquela população. Por exemplo: em 1993 houve um plebiscito para escolher entre os sistemas de governo presidencialista e parlamentarista. Naquela ocasião, a metade da população eleitoral brasileira não sabia distinguir entre um e outro. Assim, não tem sentido fazer uma escolha desse tipo, ainda mais com voto obrigatório.

            O povo não estava capacitado para decidir diretamente sobre aquela questão macro-social. Mas estava e está preparado para saber, em sua pequena comunidade, quem pode representá-lo para defender seus interesses em sua vizinhança, ou micro-distrito. Toda a vida da organização sócio-política, necessariamente, deve iniciar por ali, de forma natural, adaptada aos níveis das consciências, de forma digna, justa e competente.

            Se não for assim, pode preparar o bote salva-vidas, pois o choque com o iceberg será inevitável. É “simples, doce e lógico”, como na frase atribuída ao Buda Gautama. Mas nossas elites, nossos irmãos de maior poder intelectivo, parecem preferir, por assim dizer, a injustiça, a crueldade e o delírio. Isso acontece, como vimos, por terem suas mentes dominadas pelos sacerdotalismos, quer o sacerdotalismo dito religioso, quer o sacerdotalismo dito cientifico.

            É muito mais fácil, lógico e justo poder escolher numa pequena comunidade quem tem capacidade para lutar por nossos interesses. Se nem isso for possível, muito menos será possível decidir sobre questões muito mais abrangentes. É tão evidente e lógico. É, certamente, um processo de escolha dos dirigentes muito melhor do que os que aí estão. E talvez seja o melhor que possamos fazer em nossa época.

            Retornando para uma imagem religiosa, podemos ler no Livro de Jó que: “En los ancianos está la sabiduría, y en largura de días el entendimiento”. Ou seja, a sabedoria está com os “mais velhos” – com aqueles que possuem maior “idade”, e assim maior capacidade da Alma. (Jó, 12:12) Naturalmente, trata-se de uma alegoria àqueles de maior maturidade interna, ou de Alma, e não à mera idade cronológica do corpo, como podemos ler no Livro da Sabedoria: “Velhice venerável não é longevidade, nem é medida pelo número de anos; as cãs do homem são a inteligência, e a velhice uma vida imaculada”. (Sabedoria, 4:8-9)

            Mas isso só pode ser julgado de forma digna, justa e competente pela comunidade se houver a necessária liberdade e a necessária igualdade de oportunidades. Fora disso, onde poderemos encontrar dignidade e justiça? E sem dignidade e justiça, podemos esquecer a harmonia e a paz. Na Bíblia, entre outras passagens, isso também está implícito no ensinamento da Filosofia Perene contido na passagem que diz: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. (Mateus, 6:33) Naturalmente, essa frase tem muitos níveis de significado, mas ela também se aplica às condições fundamentais da organização social, da organização política das sociedades e, portanto, de um processo justo de como escolher os dirigentes.

            Nesse processo, repito, é importante levar em consideração que o colégio eleitoral precisa ser pequeno – se for grande, o dinheiro, os bens e o poder material, a máquina eleitoral, a comunicação de massa e seus vendilhões sempre falarão mais alto.

            O colégio eleitoral precisa não ferir a justiça da igualdade de oportunidades, e precisa estar adaptado ao nível de consciência das pessoas, isto é, os problemas e as questões a serem examinadas e decididas precisam não extrapolar a abrangência do nível de compreensão ou do alcance das consciências daquele colégio eleitoral. E isso não pode ser alcançado fora de colégios eleitorais pequenos e gradualmente escalonados, onde essa adequação possa ser mantida, junto com a liberdade e a igualdade de oportunidades. Fora disso, ou seja, sem justiça, podemos esquecer a harmonia social.

            Se me permite, vou repetir, por ser tão importante, esse ponto de que, na prática, cada um dos colégios de representantes escolherá os representantes do nível superior – toda a vida política se iniciando, naturalmente, no nível mais básico, no nível do que podemos chamar de micro-distritos eleitorais.

            Todo o escalonamento inicia com um microdistrito, como, por exemplo, um conjunto de quadras de uma cidade, onde os indivíduos possam se conhecer pessoalmente sem máquinas eleitorais e perversões desse tipo. A partir daí segue-se para o nível de uma pequena municipalidade, daí segue-se para o nível que não existe em nosso país, mas é importantíssimo para a administração pública, que é o nível microrregional. Ou seja, a base, os níveis da base da pirâmide do escalonamento sócio-político são os microdistritos, as pequenas municipalidades e as microrregiões.

            Nos países economicamente mais avançados há esse nível político-administrativo após a municipalidade, que é chamado, no caso dos EUA, de condado. Um nível político-administrativo intermediário entre o município e os estados. Na França, apenas para citar outro exemplo, entre o município e o país há os départements – e o tamanho da França não é muito diferente do tamanho do nosso estado de São Paulo, por exemplo.

            Todo esse processo vai qualificando naturalmente os representantes e cria um sistema que é lógico, justo, que não fere mortalmente a igualdade de oportunidades, e que segue o escalonamento que é inerente às diferenças das idades das Almas humanas. Como já dissemos, é condição sine qua non para a justiça que haja igualdade de oportunidades na escolha dos representantes – igualdade de oportunidades nas disputas eleitorais.

            Há outro aspecto complementar importantíssimo – que muitos não compreendem claramente – que é a consideração desse sistema em relação ao poder das grandes corporações que hoje dominam o mundo, ao dominarem os principais países do mundo.

            Esse poder das grandes corporações é simplesmente avassalador na atualidade. Se examinarmos, por exemplo, os Produtos Internos Brutos, os PIBs dos 100 maiores países e compararmos com o Produto gerado pelas maiores corporações econômicas, veremos que há no mundo muitas corporações com Produtos maiores do que muitos desses países, que figurariam nessa lista dos 100 maiores. Isso, é claro, significa um enorme poder de influência, sobretudo em um sistema tão injusto e que privilegia o dinheiro e as máquinas eleitorais.

            Nesse sistema, das ditas “democracias” liberais da atualidade, as grandes corporações possuem um poder descomunal e o Estado se torna uma organização à mercê dessas grandes corporações. Os estados, as organizações estatais, em nossos dias, não têm como equilibrar e regular o poder dessas corporações que defendem interesses privatistas, e não públicos, não o bem estar de todos.

            O sistema proposto pelo Humanitarismo tem a propriedade de organizar a população inteira de um modo que, por exemplo, dificilmente possa ser reprimido. Da forma que o sistema está hoje, se as corporações militares apoiadas pelas grandes organizações econômicas privadas quiserem intervir com golpes de estado, não há defesa contra isso, como se tem visto em tantos exemplos.

            A população está mal organizada, fragmentada, frouxa, pois a distância dos colégios eleitorais é imensa. Há um enorme abismo entre o povo e os representantes nacionais, sem falar na qualidade dos dirigentes. Ou seja, além de escolher muito mal os representantes, que é sua maior falha e fraqueza, esse sistema, ao deixar a população tão distante dos seus representantes, gera uma debilidade diante, sobretudo, das grandes corporações.

            No sistema aqui proposto não há esse vazio, esse vácuo. As assembléias são pequenas, podem se reunir praticamente em uma sala; os representantes e os representados estão sempre próximos e, assim, cria-se uma coesão social, uma força sócio-política que é capaz de fazer frente, de equilibrar e regular o poder das grandes corporações.

            Novamente, é tão simples e lógico. Pelo menos deveríamos compreender que se esse sistema proposto pelo Humanitarismo não for capaz de selecionar lideranças competentes, e de gerar o vigor, a força política suficiente para regular o poder das grandes corporações, muito menos o será o atual sistema, injusto, incompetente e débil.

Viviane: Do modo como você desenha o panorama, vemos que a política reinante é a do poder econômico. Você acredita que no sistema atual é difícil para o povo se defender, para os governantes se defenderem. Não teria como, de algum modo, adaptar essa situação?

Arnaldo: Do modo como os países estão hoje organizados o mundo não tem nenhuma possibilidade de evitar as grandes catástrofes, de superar a imoralidade e a violência na qual vivemos. Os grandes problemas mundiais não têm soluções consistentes e os governantes são bedéis das grandes corporações. O mundo hoje é, já disse, como um Titanic, orgulhoso de seus inegáveis avanços científicos e técnicos, porém seguindo firme em direção ao iceberg das catástrofes, e não temos sequer os instrumentos organizacionais para evitar isso. É a situação do mundo hoje.

            Nesse sistema proposto, que é a derivação lógica de todos esses princípios filosófico-religiosos, encontra-se o esboço de um instrumento social, de instituições sociais capazes de gerar soluções consistentes para os grandes problemas.

            Não sei se conseguiremos impedir o desfecho das grandes catástrofes, porque muitas vezes o ser humano precisa ir ao fundo do poço para então buscar sua regeneração. O fato, contudo, é que hoje não existe uma solução consistente para os grandes problemas, e a tendência clara é que esses aumentem, até chegarmos às situações catastróficas.

            Assim, precisamos melhorar, resgatar a verdadeira base filosófico-religiosa, porque essa base religiosa que hoje predomina está grandemente corrompida pela idolatria e pelo materialismo dos sacerdotalismos, quer religiosos propriamente, quer ditos científicos.

            O estado atual das religiões não permite o advento de instituições justas e das consequentes soluções consistentes; são idólatras e materializaram os símbolos sagrados. Pegam uma frase como aquela de Jesus “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João, 14:6) e personalizam, dizendo que aquele ser que viveu na Palestina é o único caminho, a única verdade e a única verdadeira vida. Não compreendem que esses ensinamentos referem-se a questões muito maiores. Não compreendem, como disse São Paulo, que “a letra mata” (Coríntios, 3:6) – mata primeiro espiritualmente, depois fisicamente, porque gera instituições que levam à morte como as que dominam e formatam o mundo de nossos dias. Estamos, em resumo, caminhando para grandes crises, devido a estarmos semeando dor, violência e destruição. E sem chances, dentro do quadro atual, de evitarmos essas consequências.

            O mundo é dominado, hoje, pelas grandes corporações e elas lutam entre si pelos ganhos privatistas. Quando a situação fica difícil, elas então se aliam: é a lei do lucro, do mais forte, é a lei da selva. E quem hoje pode contra isso? Ninguém. Essas organizações são o que há de mais forte no planeta. Por isso é fundamental que criemos as condições para o nascimento de instituições decentes, justas, dignas e competentes, que possam disciplinar os macroagentes que hoje dominam de forma privatista. Instituições que reflitam e que defendam os valores do bem-estar da humanidade coletivamente considerada, ou seja, instituições humanitaristas, pois essa palavra – humanitarismo – quer dizer isso, preocupação com o bem estar de todos, mesmo no dicionário.

Viviane: Você fala em igualdade de oportunidades e da necessidade de levar em conta o nível de maturidade das Almas. Como é feita essa diferenciação?

Arnaldo: A incapacidade do mundo atual de fazer isso, que não é coisa tão complicada afinal, repousa nas falhas de interpretação, nas equivocadas interpretações de seus símbolos e alegorias religiosas e filosóficas. A matriz, a base de nossos principais problemas está justamente nessa carência de corretas interpretações desses principais símbolos e alegorias.

            Essa dificuldade existe porque não vemos a humanidade como ela realmente é. Não percebemos a família humana com seus diferentes níveis de maturidade das Almas, como na alegoria do sonho da escada de Jacó. Não percebemos, em resumo, nem a diversidade de capacidades, nem a Unidade Divina subjacente. E sem isso não há soluções consistentes possíveis. É tão simples, mas talvez para ver com clareza essa simplicidade seja necessária certa profundidade, certa elevação na visão. Aí, não havendo essa elevação, havendo, como hoje, o domínio dos sacerdotalismos idólatras ou materialistas, parece que poucos alcançam compreender a importância decisiva desses aspectos simples e fundamentais, como os que transparecem do sonho de Jacó, ou seja: “a Unidade na Diversidade”.

                         “Partiu, pois, Jacó de Beer-Seba e se foi em direção a Harã; e chegou a um lugar onde passou a noite, porque o sol já se havia posto; e, tomando uma das pedras do lugar e pondo-a debaixo da cabeça, deitou-se ali para dormir.                        Então sonhou: estava posta sobre a terra uma escada, cujo topo chegava ao céu; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela; por cima dela estava o Senhor”. (Gênesis, 28:10-13)

             Outro exemplo, entre outros tantos, dessa simplicidade fundamental decisiva, está naquela parábola, já citada aqui, do senhor que ia viajar, chamou seus servos e deu a cada um talentos (dinheiro, recursos, poder etc.), a cada um, diz a parábola, segundo suas capacidades. (Mateus, 25:14-29) Quando voltou, cobrou de cada um segundo suas conquistas da Alma, segundo suas capacidades.

            Não vemos com clareza, nos símbolos das religiões, essa diferenciação, essas diferenças, com a necessária Unidade subjacente. O sacerdotalismo, quer religioso, quer científico, tem sido vitorioso, até aqui, na sua luta contra os profetas, como o foram, na época, contra o Cristo Jesus. Tem sido vitorioso até aqui, embora, parece, seus dias trevosos estejam caminhando para um final. Até hoje, contudo, tem sido dominante na sua deturpação literal e idólatra dos símbolos sagrados, e em seus sermões vão dando os mesmos falsos conselhos a todos, como nos igualitarismos dominantes.

            Na mitologia grega temos a história de Procrustes, mencionado em citação, que ilustra esse mesmo aspecto. Ele recebia peregrinos em sua hospedaria e depois de lhes alimentar, convidava para dormir em sua cama, onde só podiam deitar os que fossem exatamente do mesmo comprimento. Os menores do que a cama de Procrustes eram esticados pelas pernas e braços; os maiores tinham as extremidades cortadas para ficar do mesmo tamanho. Essa é uma representação muito boa das idéias dominantes em nosso atual momento de civilização. Vemos esse comportamento reproduzido nas religiões, na ciência, na política e na educação, que exigem das pessoas a mesma capacidade. É tão cruel quanto real.

            A conscientização dessa diferenciação começa com a interpretação correta dos símbolos filosófico-religiosos. Pois a verdadeira religião é a ligação com o Elevado, com o Centro, com o Buda e o Cristo em nós, ou, se quisermos, é a ligação com o Alto e o Profundo, que é o mesmo que Deus.

            A base do ensinamento budista, pelo menos dentro do Cristianismo Budista – uma vez que deveria tratar com clareza do Carma e da Reencarnação, que são as duas colunas que nos explicam os diferentes níveis de maturidade das Almas – deveria cumprir essa finalidade fundamental, quanto à interpretação dos símbolos sagrados nessa tradição, que é ao mesmo tempo cristã e budista. Essa que, como vimos, precisa restaurar a sua forma degenerada, a qual está na base da civilização ocidental, que hoje domina o mundo, para o bem e para o mal.

Viviane: O Carma e a Reencarnação são a resposta para essa incógnita, da diferenciação dos níveis das Almas?

Arnaldo: Exato. Essa é a base do Cristianismo verdadeiro, o Cristianismo que está unido numa mesma corrente ao Budismo. Que pode, assim, interpretar corretamente o Sermão da Montanha, as alegorias do Gênesis, dos Profetas, do Novo Testamento, das Cartas e do Apocalipse. É preciso a base do Budismo para entender a linguagem dos profetas, do Gênesis ao Apocalipse. Sem a base filosófica do Budismo, não é possível entender satisfatoriamente as Escrituras cristãs. E sem esse complemento do Cristianismo essa tradição fica incompleta. Fica carente, sobretudo, dos ensinamentos acerca dos Mistérios e das Iniciações, que são como pontes que unem, de forma razoável e lógica, as etapas finais da evolução das Almas, até a fusão consciente com a Realidade Divina, ou, com o Reino de Deus. Por essas razões, iniciamos essa obra com a citação dos profetas que foram a Dra. Kingsford e Maitland, citação que nos diz, na sua simplicidade, que: “Da união espiritual na fé una do Buda e do Cristo nascerá a esperada redenção do mundo”. (The Perfect Way, p. 252)

Viviane: Sem essa complementação tudo fica muito literal.

Arnaldo: E se fica literal, como ensina São Paulo, “a letra mata”.

Viviane: Você acha que a globalização facilita para as pessoas entenderem essa ligação cristã budista? Tempos atrás parece que era mais difícil.

Arnaldo: Como instrumento, como ferramenta, a globalização deve facilitar. As coisas não são por acaso – tudo tem seu momento. Mas eu não estou falando, como os materialistas, que por causa da globalização o entendimento possa acontecer. A globalização está gerando meios, instrumentos, ferramentas, por assim dizer. E como toda ferramenta, tanto pode ajudar quanto pode atrapalhar. Quanto mais poderosa é a ferramenta, mais perigosa ela é. E como a globalização é um processo que está gerando ferramentas muito poderosas – tanto pode ajudar muito, quanto prejudicar muito. Não é o que podemos observar em nossos dias?

http://www.anna-kingsford.com/portugues/outras_obras_relacionadas/obras_relacionadas/OOR-P-RodaeCruz/index.htm

fevereiro 19, 2011 / rodaecruz

‘O Que Há de Errado com a Política?’

 

Acima o céu, abaixo o lago: a imagem da CONDUTA.

Lu – A Conduta (Trilhar) – Hexagrama nº. 10 do I Ching

 

A unidade subjacente à humanidade 

As diferenças de capacidades entre os seres humanos 

O liberalismo: premissas e sistema político 

As falhas da democracia liberal 

As premissas e as falhas do modelo marxista 

Os problemas mundiais e os modelos políticos dominantes 

A democracia do futuro

A sociedade humanitarista e a importância da cooperação

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1 – INTRODUÇÃO

            Os fatos da vida política brasileira, bem como dos demais países do mundo, deixam pouca dúvida de que existe algo de bastante errado na forma da organização política desses países.

            Os muitos episódios de corrupção de diferentes tipos que atingiram um grande número de políticos nos postos mais altos das nações, além, é claro, da persistência ou mesmo do agravamento dos terríveis problemas econômicos, sociais e ambientais (desemprego, criminalidade, violência, exaustão dos recursos naturais, desequilíbrios ambientais e poluição crescentes, etc.), compõem um quadro desalentador que requer uma explicação mais profunda, do mesmo modo que o encaminhamento de uma solução eficaz.

            Casos de corrupção envolvendo dirigentes políticos do mais alto nível não são, de modo algum, típicos apenas de países pobres. Eles têm ocorrido em grande número também nas nações mais ricas a exemplo dos Estados Unidos, do Japão, da Alemanha e da Itália. Esse fato demonstra que também há algo de muito errado na organização política desses países, que costumam ser apontados como exemplos para os demais.

            Mas o que torna mais dramática essa constatação no caso dos países pobres é a situação de miséria e desamparo em que se encontra grande parte da população desses países – situação que por si só exige para ser superada uma grande eficiência e probidade na direção dos assuntos políticos. Assim sendo, esses defeitos aparentemente comuns nos sistemas políticos, tanto das nações ricas quanto das pobres, se tornam absolutamente intoleráveis dentro da realidade das nações pobres.

Os Sistemas Políticos Dominantes

            Ao longo deste texto procuraremos demonstrar que os sistemas políticos dominantes na atualidade são estruturalmente incompetentes e que, portanto, não é de causar qualquer surpresa que tantos problemas aconteçam. Isto é, procuraremos demonstrar que tanto os sistemas políticos chamados de democracias liberais (como o que hoje está vigente no Brasil), quanto os sistemas de inspiração marxista (que até pouco tempo predominavam na ex-União Soviética e no leste europeu, e que ainda predominam em países como a China ou Cuba), apresentam falhas muito sérias, as quais estão na base da grave situação mundial de nossos dias.

            Isto para falar apenas dos sistemas dominantes na segunda metade do século XX, pois os exemplos do Fascismo italiano e do Nacional Socialismo (Nazismo) alemão, que foram importantes na primeira metade do século XX, são ainda piores devido, entre outras coisas, ao acirramento do nacionalismo e do racismo.

A Necessidade de um Novo Sistema Político

            Francis Bacon, o grande sábio inglês do final do século XVI e início do século XVII – que é tido como sendo talvez o maior dentre os pioneiros do método científico, que se tornou tão importante no desenvolvimento dos últimos séculos – escreveu em sua obra Novum Organum (“Novo Órgão”) de 1620 que:

            “Seria algo insensato, em si mesmo contraditório, estimar poder ser realizado o que até aqui não se conseguiu fazer, salvo se se fizer uso de procedimentos ainda não tentados.”

            Essa citação de Francis Bacon se aplica perfeitamente ao argumento central da presente obra, o qual diz respeito à necessidade imperiosa de que se desenvolva um novo sistema político. Isto porque este livro objetiva contribuir para a realização de algo que até aqui não se conseguiu fazer, que é a superação da situação de terrível miséria, tanto econômica quanto política, ambiental e moral, em que se encontra grande parte da humanidade, especialmente aquela parte que habita nos países pobres, nos quais vivem 2/3 da população mundial. Em resumo, este texto afirma, sobretudo, que essa situação dos países pobres não poder ser superada se não “se fizer uso de procedimentos ainda não tentados”, especialmente quanto ao desenvolvimento de um novo sistema político.

            Nesse sentido, precisamos perceber claramente o fato de que os sistemas políticos atuais fundamentam-se em premissas básicas a respeito dos seres humanos, e que não é possível defender-se teses como as aqui apresentadas sem levar-se em conta determinadas idéias filosóficas ou metafísicas (idéias que dizem respeito a coisas que estão além da existência meramente física, isto é, que dizem respeito a questões ético-morais e psico-espirituais), especialmente em relação às nossas concepções a respeito da natureza e das capacidades dos seres humanos.

            O professor C. B. Macpherson da Universidade de Toronto no Canadá – em sua conhecida obra A Democracia Liberal: Origens e Evolução – refere-se da seguinte maneira à importância destes pressupostos a respeito dos seres humanos ao considerarmos os sistemas políticos:

            “Para mostrar que um modelo de sistema político ou de sociedade, existente ou ainda não existente, mas desejado, é praticável, isto é, para que se possa esperar que atue bem por longo prazo, deve-se admitir alguns pressupostos sobre os seres humanos, pelos quais e com os quais se há de contar. De que tipo de conduta política são eles capazes? Trata-se, evidentemente, de uma questão fundamental. Um sistema político que exigisse, por exemplo, que os cidadãos tenham mais racionalidade ou mais zelo político do que têm ostensivamente agora, e mais do que se poderia esperar em qualquer circunstância social a que se chegue, não mereceria muita defesa.” (p. 12)

            Por isto, ao criticarmos os sistemas políticos atuais como sendo equivocados e incompetentes para gerar uma ordem social justa e, portanto, como estando na base da situação de miséria em que se encontra grande parte da população mundial, bem como ao propormos novas regras para a organização política das sociedades, muito especialmente para aquelas do Terceiro Mundo, não poderemos deixar de criticar os atuais pressupostos a respeito da natureza e das capacidades dos seres humanos.

            Há uma passagem de E. F. Schumacher, em sua obra O Negócio É Ser Pequeno, que foi um grande best-seller anos atrás, na qual ele afirma essa conexão lógica entre a adesão a idéias falsas e a miséria daí resultante. Vejamos esta interessante passagem:

            “Todas as matérias, não importa quão especializadas, ligam-se a um centro; são como raios emanando de um sol. O centro é constituído por nossas convicções mais básicas, pelas idéias que realmente têm força para nos mover. Por outras palavras, o centro consiste de Metafísica e Ética, de idéias que – gostemos ou não disso – transcendem o mundo dos fatos. Por transcenderem este mundo, não podem ser provadas ou reprovadas pelo método científico comum. Isto não quer dizer, contudo, que elas sejam puramente “subjetivas” ou “relativas”, ou meras convenções arbitrárias. Têm de ser fiéis à realidade, embora transcendam o mundo dos fatos (…) Se não forem fiéis à realidade, a adesão a tal conjunto de idéias tem de conduzir inevitavelmente a uma catástrofe.” (p. 80)

            O argumento central deste texto está relacionado exatamente com isso: – que a miséria física a que está submetida grande parte da população mundial está ligada aos equívocos dos sistemas políticos dominantes, os quais, por sua vez, são derivados de pressupostos metafísicos e éticos equivocados, especialmente no que diz respeito à natureza essencial e às capacidades dos seres humanos.

            Há outra passagem, nessa mesma obra citada de E. F. Schumacher, que a nosso ver situa e sintetiza muito bem o cerne dos equívocos metafísicos e éticos da época atual, dos quais se derivam as atuais regras do jogo político:

            “Apesar das idéias do século XIX negarem ou eliminarem a hierarquia de níveis no universo, a noção de uma ordem hierárquica é instrumento indispensável à compreensão. Sem o reconhecimento de “Níveis de Ser” ou de “Graus de Significação” não podemos tornar o mundo inteligível (…) Talvez a tarefa do homem – ou simplesmente, se se preferir, a felicidade do homem – seja alcançar um grau superior de realização de suas potencialidades, um nível de ser ou “grau de significação” mais elevado do que o que lhe advém “naturalmente”: mas não podemos sequer estudar essa possibilidade sem o reconhecimento prévio de uma estrutura hierárquica. Na medida em que interpretarmos o mundo através das grandes e centrais idéias do século XIX permaneceremos cegos a essas diferenças de nível, por termos sido cegados.” (p. 82)

            Ao longo da obra tentaremos evidenciar que essa insuficiência na percepção das “diferenças de níveis”, de fato, está na raiz dos principais equívocos das correntes de pensamento sócio-político dominantes em nossa época, isto é, o Liberalismo e o Marxismo.

            A luta entre essas duas correntes e os sistemas políticos e econômicos delas derivados marcaram, centralmente, a segunda metade deste século XX, com todo o processo da chamada “Guerra Fria”. No atual momento, contudo, já no início do século XXI, a democracia liberal alcançou uma avassaladora hegemonia, especialmente após as mudanças ocorridas na ex-União Soviética e em todo o leste europeu.

O Humanitarismo

            Segundo a visão de mundo que orienta o desenvolvimento deste livro – uma perspectiva ético-filosófica do ser humano que denominamos de Humanitarismo – os erros fundamentais tanto do Liberalismo quanto do Marxismo residem justamente na falha de uma apropriada percepção dos aspectos da unidade e da diversidade inerentes à espécie humana. Em vista disso, parece oportuno colocar que toda a visão ético-filosófica do Humanitarismo está centrada em apenas quatro grandes princípios, que são os seguintes:

1 – Todos os seres humanos constituem uma FRATERNIDADE;

2 – Todos os seres humanos possuem uma mesma origem e uma mesma natureza essencial e, portanto, IGUAL VALOR;

3 – Não obstante a sua unidade e igualdade essenciais, os seres humanos apresentam CAPACIDADES DIFERENCIADAS;

4 – Em vista destes princípios, a norma que deve presidir a justiça e a harmonia possíveis entre os seres humanos é a da IGUALDADE DE OPORTUNIDADES para o desenvolvimento de suas capacidades individuais diferenciadas.

O Plano Geral da Obra

            Nos capítulos posteriores examinaremos, ainda que sinteticamente, quais são os pressupostos gerais a respeito dos seres humanos dentro do Liberalismo e do Marxismo. Procuraremos, em síntese, mostrar de que modo essas duas correntes, embora sob diferentes premissas, tendem a nivelar os seres humanos dentro de um mesmo padrão uniforme. O Liberalismo baseado na concepção do ser humano como um agente essencialmente egoísta, e o Marxismo em uma concepção materialista e historicista do ser humano.

            A existência simultânea de uma unidade fundamental e de uma grande diversidade de capacidades não tem sido percebida em nossa época como sendo as características básicas da humanidade. E essa falha marcante de nossa época está relacionada ao grande predomínio do Liberalismo e do Marxismo, com suas concepções fragmentadoras e niveladoras.

            Por essa razão se faz necessário iniciarmos com uma apresentação a respeito desses dois aspectos – da unidade e da diversidade humanas – a fim de que possamos ter um panorama mais claro da concepção de ser humano que está sendo usada para criticar as premissas do Liberalismo e do Marxismo.

            Mais adiante, então, apresentaremos e criticaremos as premissas e os modelos políticos derivados do Liberalismo e do Marxismo. Depois, procuraremos mostrar através de uma rápida análise de alguns dos mais graves problemas do Brasil, como esses problemas estão, de fato, relacionados com as falhas do sistema político atual.

            Acreditamos que, por analogia, os principais elementos desta análise possam ser aplicados a muitos outros países, especialmente àqueles mais pobres ou do Terceiro Mundo.

            Finalmente, sugeriremos um modelo político alternativo derivado da visão de humanidade aqui apresentada. Como essa visão está ligada ao Humanitarismo, concluiremos com um capítulo a respeito do Humanitarismo e da Sociedade Humanitarista, a qual encerra uma proposta prática e de transformação social baseada nos princípios e no modelo de organização aqui defendidos.

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2 – A UNIDADE SUBJACENTE À HUMANIDADE

Unidade e Diversidade nas Tradições Religiosas

            Uma visão a respeito da humanidade que contemple simultaneamente uma unidade fundamental e uma grande diversidade de capacidades não é absolutamente nova. Ela está presente em praticamente todas as grandes tradições religiosas, embora mesmo dentro dessas tradições ela tenha sido corrompida de inúmeras maneiras, a exemplo do sistema de castas do Hinduísmo, ou da ordem estratificada do feudalismo relacionada com o Cristianismo, entre tantos outros exemplos.

            De fato, essa degeneração ocorrida no campo das religiões está na raiz das falhas de percepção, hoje dominantes, acerca da natureza e das capacidades dos seres humanos. Porém, uma análise dessas questões no campo das religiões nos levaria muito além dos limites a que nos propusemos nessa obra. Ou seja, a obra ficaria muito acrescida em seu número de páginas, o que traria dificuldades adicionais para sua leitura.

            No entanto, o fato de não analisarmos nessa obra a degeneração das interpretações religiosas acerca da natureza e das capacidades humanas não quer dizer que os equívocos filosóficos dominantes na atualidade (as teses centrais do liberalismo e do marxismo) não sejam decorrentes, justamente, das falhas e idolatrias materialistas que dominavam e que ainda dominam no campo das grandes tradições religiosas.

            Apesar disso, esse conhecimento fundamental está presente, como dissemos acima, nas grandes tradições religiosas, muito embora hoje ele esteja, via de regra, encoberto por grossas camadas de superstição e de idolatria materialista.

            Tendo em mente esse alerta, vejamos, mesmo assim, algumas citações extraídas dos textos de várias tradições religiosas, com o propósito de evidenciarmos, por meio do método comparativo, a existência milenar deste conhecimento dos dois aspectos fundamentais acima referidos – a unidade e a diversidade. Pois, como está escrito num dos Vedas (da tradição hinduísta): “A verdade é uma só, mas os sábios falam dela sob muitos nomes”.

            Estas citações são meros exemplos, entre uma quantidade muito grande de outras passagens que podem ser encontradas nessas tradições religiosas. Elas foram agrupadas dentro dos aspectos “Unidade” e “Diversidade” para facilitar a visualização desses dois aspectos fundamentais. A seqüência das religiões segue tão somente à ordem alfabética.

Budismo

Unidade:

            “Na Essência (no Absoluto) não há olhos, nem ouvidos, nem nariz, nem língua, nem audição, nem olfato, nem gustação, nem tato, nem processo mental, nem objetos desse processo mental, nem conhecimento, nem ignorância. Não há destruição de objetos ou cessação de conhecimento, nem cessação de ignorância.

            “Na Essência (no Absoluto) não há as Quatro Nobres Verdades: não há Dor, nem causa da Dor, nem cessação da Dor, nem Nobre Caminho que leva à cessação da Dor. Não há decadência ou morte, nem destruição da noção de decadência e morte. Não há o conhecimento do Nirvana, não há obtenção do Nirvana, nem não-obtenção do Nirvana.” (Maha-Prajna-Paramita)

Diversidade:

            “Poucos são os homens que chegam à outra margem do rio; a maioria deles se contenta em permanecer na mesma margem, subindo-a e descendo-a.” (Dhammapada, 49a)

            “O néscio pode associar-se a um sábio toda a sua vida, mas percebe tão pouco da verdade como a colher do gosto da sopa. O homem inteligente pode associar-se a um sábio por um minuto, e perceber tanto da verdade quanto o paladar do sabor da sopa.” (Dhammapada, 64-65)

            “Contempla este mundo, adornado como uma carruagem real! Os néscios estão encarapitados nele, mas os sábios não estão presos a ele.” (Dhammapada, 171)

            “Que grandes, pequenos e médios façam todos o melhor ao seu alcance.” (Játacas, 121)

Confucionismo

Unidade:

            “Deus produziu o que há de bom em nós.” (Analectos, VII)

Diversidade:

             “O homem superior pensa em seu caráter; o homem inferior pensa em sua posição. O homem superior busca o que é correto; o inferior, o que é lucrativo.” (Analectos, IV)

            “O bom e o mau governo dependem dos dirigentes. Os cargos devem ser confiados, não aos favoritos do príncipe, porém somente aos homens capazes. As funções devem ser confiadas, não aos homens viciosos, porém aos homens eminentes por suas virtudes e por seus talentos.” (Chu-King, VIII, II, 5)

Cristianismo

Unidade:

            “Deus é amor; aquele que permanece no amor permanece em Deus, e nele permanece Deus.” (João, 4:16)

            “Mente quem diz “amo a Deus”, mas odeia seu irmão. Quem ama a Deus ama também a seu irmão”. (João, 4:20-21)

            “De um só sangue Ele fez todas as gerações humanas.” (Atos, 17:26)

            “Em verdade vos digo que o quanto fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mateus, 25:40)

Diversidade:

            “Porque assim é (o Reino dos Céus) como um homem que, ao ausentar-se para longe, chamou seus servos e lhes entregou os seus bens. E deu a um cinco talentos, e a outro dois, e a outro deu um, a cada um segundo a sua capacidade, e partiu logo.” (Parábola dos Talentos, Mateus, 25:14-15)

            “Eis que o semeador saiu a semear. Quando semeava, uma parte das sementes caiu à beirada do caminho, e vieram as aves e a comeram. Outra parte caiu nos lugares pedregosos, onde não havia muita terra; logo nasceu, porque a terra não era profunda, e tendo saído o sol, queimou-se; e porque não tinha raízes, secou-se. Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram. Outra caiu na terra boa e deu frutos, havendo grãos que rendiam cem por um, outros sessenta, outros trinta por um. O que tem ouvidos para ouvir, ouça.” (Parábola do Semeador, Mateus, 13:3-8)

Hinduísmo

Unidade:

            “O verdadeiro conhecimento é ver uma vida imutável em todos os seres, e ver nos seres separados o Uno Inseparável.” (Bhagavad-Gita, XVIII)

            “Amar todas as coisas, grandes ou pequenas, tal como Deus as ama, eis a verdadeira religião.” (Hitopadexa Upanishade)

Diversidade:

            “O mundo dos homens, achando-se sob o domínio da ilusão dessas três qualidades da natureza (“gunas”), não compreende que Eu sou superior a elas, e conservo-Me intacto e imutável no meio dos inúmeros acontecimentos e mudanças.

            “Esta ilusão é muito forte, e tão denso é o seu véu que é difícil aos olhos humanos penetrá-lo. Somente aqueles que a Mim se dirigem e se deixam iluminar pela chama que está detrás da fumaça, vencem a ilusão e chegam até Mim.

            “Malfeitores e tolos não me procuram, nem aqueles que nutrem pensamentos baixos, nem aqueles que vêem, no vasto espetáculo da natureza, somente o jogo das forças, sem diretor; nem aqueles que extinguiram em si a centelha da vida espiritual e se tornaram plenamente materialistas.

            “Há quatro classes de gente que a Mim se dirigem: – os infelizes, os que investigam a verdade, os bondosos e os sábios.” (Bhagavad-Gita, VII)

Islamismo

Unidade:

            “Ó Povo! Servi Alá, que vos criou, a vós e aos que vos precederam. Ele fez a terra para vosso assento e o céu para vosso dossel. E ele faz cair chuva do céu para produzir os frutos com que vos sustentais.” (Corão, 2:20)

Diversidade:

            “Fala aos homens segundo suas capacidades mentais; se lhes falares de coisas que não podem compreender, poderão incidir em erro.” (Hadith ou Máximas de Maomé, 143)

Judaísmo

Unidade:

            “Não temos todos nós um mesmo Pai? Não nos criou um mesmo Deus?” (Malaquias, 2:10)

            “Toda sabedoria vem de Deus, e com Ele está e esteve sempre, antes de todos os séculos.” (Eclesiástico, 1:1)

Diversidade:

            “Quando os justos governam, o povo se regozija; mas quando no poder estão os perversos, o povo geme.” (Provérbios, 29:2)

            “Entre os homens se distinguem quatro tipos de caráter. O neutro, que é daquele que diz: – ‘o que é meu é meu, e o que é teu é teu’. O rústico, que é daquele que diz: – ‘o que é meu é teu, e o que é teu é meu’. O santo, que é daquele que diz: – ‘o que é meu é teu, e o que é teu é teu’. E o perverso, que é daquele que diz: – ‘o que é meu é meu, e o que é teu é meu’.” (Máximas dos Pais, 5:13)

Taoísmo

Unidade:

            “Há uma coisa que existia antes do começo da terra e do céu, e o seu nome é o Tao [o grande princípio de ordem universal, sintetizador e harmonizador do “Yin” e do “Yang”]. O homem adapta-se à terra; a terra adapta-se ao firmamento; o firmamento adapta-se ao Tao; o Tao adapta-se à sua própria natureza.” (Tao-Te-King, 25)

            “O Tao é inominável e oculto, e contudo todas as coisas se realizam nele.” (idem, 41)

Diversidade:

            “É fácil seguir o grande Tao, mas o povo vagueia pelas veredas.” (Tao-Te-King, 53)

Xintoísmo

Unidade:

            “Todos os homens são irmãos; todos recebem as bênçãos do mesmo céu.” (Provérbio do Kurozomi Kyo)

Diversidade:

            “Para todas as coisas, grandes ou pequenas, cumpre descobrir o homem certo, e elas serão bem administradas.” (Nihongi ou Crônicas do Japão, cap. 22)

            Como vemos, podemos encontrar nas várias tradições religiosas ensinamentos que corroboram a perspectiva contida nos princípios do Humanitarismo a respeito da existência de uma unidade essencial e de uma grande diversidade de capacidades manifestadas.

            A seguir examinaremos essas duas características básicas da humanidade à luz de informações oriundas das ciências contemporâneas. Inicialmente, no restante desse capítulo, reuniremos alguns conhecimentos científicos que esclarecem e corroboram o aspecto da “unidade”. No seguinte capítulo faremos o mesmo em relação ao aspecto da “diversidade”.

A Unidade nas Ciências Contemporâneas

            Fritjof Capra, físico de renome internacional e autor do best-seller O Tao da Física, situa muito bem nessa obra a questão da unidade sob o ponto de vista da física contemporânea, inclusive em comparação à visão religiosa ou mística.

            No capítulo “A Unidade de Todas as Coisas” ele examina como a teoria quântica e recentes experimentos no campo da física das partículas subatômicas tendem a corroborar e se aproximam muito da visão de mundo dos místicos.

            Não é necessário repetirmos aqui tais desenvolvimentos científicos, os quais já são bem conhecidos pelas pessoas da área e podem ser complicados para os leigos no assunto. Citaremos apenas um parágrafo em que Fritjof Capra resume sua posição a respeito desse assunto:

            “A física moderna, é claro, trabalha numa perspectiva muito diferente e não pode ir tão longe (quanto à visão do místico) na experiência da unidade de todas as coisas. Mas na teoria atômica ela deu um grande passo na direção da visão de mundo dos místicos. A teoria quântica aboliu a noção de objetos fundamentalmente separados, introduziu o conceito do participante para substituir aquele do observador, e pode até mesmo achar necessário incluir a consciência humana em sua descrição do mundo. Ela passou a ver o universo como uma rede interconectada de relações físicas e mentais, cujas partes são definidas somente através de suas conexões com o todo.” (The Tao of Physics, p. 129)

            Essa básica e estreita interconexão de todas as coisas na natureza parece ser o limite a que podemos chegar com o auxílio da ciência, no que diz respeito ao reconhecimento de uma unidade subjacente à humanidade. Como podemos ler na obra de Capra, ela se deriva muito naturalmente da teoria quântica. Contudo, essa estreita interconexão pode ser observada sob uma perspectiva científica em muitas outras áreas. Um outro exemplo muito iluminador está no campo da astrofísica, ao observarmos a nossa completa dependência do Sol na manutenção de toda a vida que hoje conhecemos, e de onde também podemos inferir muito da unidade subjacente a toda a natureza. Vejamos, a esse respeito, uma passagem do Dr. I. K. Taimni (PhD. em Química, Universidade de Londres), retirada de sua obra Gayatri, na qual lemos:

            “O Sol é o centro do sistema solar, em torno do qual todos os planetas estão girando. A ciência demonstrou que o Sol é a fonte de todos os tipos de energia que são necessários para a vida no sistema solar. Mas a ciência considera o Sol apenas como uma enorme bola de fogo cuja energia está sendo mantida pela conversão de Hidrogênio em Hélio, a reação termonuclear subjacente à produção da bomba de Hidrogênio. Esse potente centro de energia física está continuamente liberando todos os tipos de energia e vibrações no sistema solar, como o calor, a luz e os outros tipos de energia que são utilizados na manutenção da vida em nosso planeta, em todas as suas formas. A forma maravilhosa como estão bem ajustadas e reguladas essas várias forças operando no sistema solar pode ser percebida pelo fato de que se a temperatura do Sol se elevasse apenas um por cento, todos nós seríamos reduzidos a cinzas instantaneamente, e se ela caísse um por cento, seríamos congelados na mesma hora.” (p. 80)

            Ao menos no que diz respeito ao sistema solar, a citação acima nos mostra claramente como, mesmo no plano material que conhecemos cientificamente, todas as formas de vida possuem um centro único do qual elas dependem completamente, fazendo-nos lembrar da famosa afirmação da tradição de Hermes Trimegistro de que: – “Assim como o grande é o pequeno, tal como o que está no alto é o que está embaixo, e tal como o que está dentro é o que está fora”. Essa citação do Dr. Taimni também evidencia a estreita interdependência existente na natureza, bem como sugere belamente que toda a corrente da vida possui uma única fonte.

            Os conhecimentos oriundos de outras áreas da ciência também corroboram esta estreita interdependência das formas de vida no nosso planeta. A Biologia, e dentro dela especialmente a Ecologia, conhece cada vez mais precisamente que a poluição e a destruição do ambiente natural de uma parte do planeta podem ocasionar desequilíbrios catastróficos não apenas naquele lugar, mas também em outras áreas muito distantes.

            É quase desnecessário mencionar exemplos a este respeito, uma vez que alguns deles são conhecidos por quase todas as pessoas medianamente informadas em nossos dias. Nos referimos aos desequilíbrios climáticos provocados pela destruição das florestas, a extensão transcontinental dos efeitos de desastres atômicos como o de Chernobyl, as chuvas ácidas provocadas pela poluição industrial, o efeito estufa que produz um aumento da temperatura do planeta – com resultados potencialmente catastróficos – e que é devido à poluição oriunda, sobretudo, das várias formas de combustão e liberação de gás carbônico, ou ainda do buraco na camada de ozônio da atmosfera terrestre, ao que tudo indica em franco crescimento, e também de gravíssimas conseqüências, entre outras tantas formas de poluição e devastação do ambiente natural.

            Mesmo no campo das ciências sociais, políticas e econômicas essa interdependência torna-se cada vez mais aparente. Apenas para darmos um exemplo, os efeitos da desorganização político-econômica que resultam na miséria de muitos, dentro ou fora de um mesmo país, não se restringem somente àqueles que são diretamente afetados pela miséria, mas repercutem inexoravelmente sobre a qualidade de vida até mesmo dos mais abastados, sob a forma de aumentos assustadores na criminalidade: nos roubos, assaltos, seqüestros, latrocínios, terrorismo, na proliferação das drogas e de outras tantas formas de violência social. Tudo isso significando uma enorme perda na qualidade de vida mesmo daquelas pessoas aparentemente não atingidas pela miséria, ou mesmo das mais ricas. Esse simples exemplo da interconexão na área social já é suficiente para mostrar a total impossibilidade de considerarmos que os destinos de alguns seres humanos podem estar dissociados dos destinos dos demais seres humanos.

            Como dissemos, a comprovação da existência dessa estreita interconexão entre todas as coisas na natureza, humanas ou não humanas, talvez seja o limite até onde a ciência possa nos auxiliar, no sentido de corroborar o aspecto da existência de uma unidade subjacente a todos os seres humanos. Mas o fato é que já se trata de algo muito significativo. E, sob todos os ângulos que se possa analisar, os avanços dos conhecimentos científicos somente têm reforçado e apontado na direção de uma unicidade cada vez mais aparente entre todas as coisas e fenômenos da natureza. E a espécie humana, como vimos, certamente não se constitui em nenhuma exceção a essa regra. O pólo da unidade subjacente à família humana pode encontrar, portanto, dentro dos conhecimentos científicos hoje ao nosso dispor, muitos argumentos e inferências em seu favor.

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3 – AS DIFERENÇAS DE CAPACIDADE ENTRE OS SERES HUMANOS

            Passemos, agora, a um exame científico desse segundo aspecto fundamental da humanidade, que é o da grande diversidade de capacidades entre os indivíduos. Trataremos dessa questão com o auxílio de informações oriundas, sobretudo, da ciência política, as quais nos revelam o perfil da abrangência da consciência social da população.

            Os grandes avanços na área dos computadores, a partir da metade do século XX, permitiram uma facilidade muito maior na realização de pesquisas amostrais abrangendo grandes populações, ou até mesmo nações inteiras com muitos milhões de habitantes, a exemplo dos EUA. Desse modo, pesquisas visando obter um panorama preciso e com base empírica (isto é, com base em informações obtidas através de pesquisas de campo) a respeito da realidade ideacional e da consciência social da população começaram a ser realizadas regularmente em vários lugares, sobretudo em centros ligados às grandes universidades. Um dos centros desse tipo, talvez o que acumule maior experiência e goze de maior prestígio internacional, é o “Survey Research Center” (Centro de Pesquisas Amostrais) ligado ao Instituto de Pesquisas Sociais da Universidade de Michigan, nos EUA.

Os Estudos de Philip E. Converse

            Um pesquisador bastante conhecido, que durante vários anos trabalhou nesse Centro, é Philip E. Converse, o qual, juntamente com mais três colegas, publicou em 1960 uma obra – que se tornou um clássico na área – chamada The American Voter (O Eleitor dos Estados Unidos da América). Philip Converse e seus colegas possuem vários trabalhos nesse campo de investigação. Dois dos textos bastante conhecidos de Converse são The Nature of Belief Systems in Mass Publics (A Natureza dos Sistemas de Crença na Massa), 1964, e Public Opinion and Voting Behavior (Opinião Pública e Comportamento Eleitoral), 1975, o primeiro deles também tendo se transformado em um clássico na área.

            Nesses trabalhos Converse e seus colegas nos apresentam um perfil bastante preciso de algumas das principais características da consciência social da população norte-americana como um todo. Esses trabalhos estimularam pesquisas análogas em outros países, a exemplo de Political Experience and Electoral Politics in Brazil (Experiência Política e Política Eleitoral no Brasil), 1977, dissertação de doutorado (Connecticut), de Judson M. De Cew Jr., da minha própria dissertação de mestrado (UFRGS), A Consciência Política na Massa, 1984, e Political Representation in France (Representação Política na França), 1986, do próprio Converse em parceria com Roy Pierce.

            No presente capítulo nos valeremos de alguns aspectos teóricos desses trabalhos, a exemplo da conhecida tipologia (categorias de classificação) a respeito dos níveis de abrangência conceitual na população, empregada por Philip Converse e seus colegas de Michigan. Também utilizaremos dados empíricos extraídos em sua maioria também desses trabalhos, sobretudo da minha dissertação de mestrado, na qual me preocupei especialmente em precisar e detalhar as diferenças entre os níveis de abrangência da tipologia de Michigan, a aplicando à realidade brasileira e comparando-a com os dados dos EUA.

            O exame comparativo de dados relativos a um país rico, ou desenvolvido, como os EUA, com os dados a respeito de um país pobre, como o Brasil, contribuirá para nos oferecer uma visão mais completa da humanidade como um todo, especialmente em vista do fato que dois terços da população mundial encontram-se nos países pobres, ditos subdesenvolvidos.

As Diferenças de Alcance na Consciência Social da População

            Através do exame desses dados empíricos procuraremos, por um lado corroborar e, por outro, dar maior precisão quantitativa ao aspecto da diversidade inerente à concepção de humanidade que procuramos apresentar.

            Interessam-nos, muito especialmente, as diferenças existentes entre os níveis de abrangência constatados, de um lado, naquela parcela da população que podemos denominar de “elite”, isto é, a porção mais intelectualizada da população, e de outro lado, no grosso da população, que podemos denominar de “massa”, a qual está enquadrada na esfera de influência da elite, conforme será evidenciado à luz dos dados que examinaremos a seguir.

            É um fato bem conhecido pelos institutos de pesquisa de opinião pública, ou pelas agências de publicidade que trabalham com diferentes segmentos da população, e que foi muito bem apanhado nos trabalhos pioneiros de Philip Converse e seus colegas, que os diferenciais existentes entre as quantidades de informação abarcadas pelos indivíduos da elite e pela massa em geral são simplesmente impressionantes. Dentro de uma amostra global da população, essas quantidades variam desde um número muito grande de informações bem organizadas ao nível da elite, até ínfimas porções entre os indivíduos de menor abrangência ou entendimento dos fatos sociais.

            Com base nos dados oriundos dos “surveys” (pesquisas amostrais) aplicados à população norte-americana como um todo, Converse revela em seus textos que muitas coisas importantes ocorrem à medida que se desce nessa escala de quantidades de informação abarcadas pelos indivíduos.

As Diferenças: a Inter-Relação nos Sistemas de Crença

            Em primeiro lugar, ele mostra que rapidamente desaparece a compreensão, ainda que genérica, a respeito das principais e mais comuns correntes político-ideológicas. Para se ter uma idéia inicial, essa compreensão se desvanece mesmo antes de se atingir 10 % da população norte-americana, ou seja, o percentual dos que no início dos anos 60 possuíam grau universitário. E que, a partir daí, um número cada vez maior de informações importantes estão ausentes, resultando em um declínio crescente daquilo que Converse chamou de “inter-relação” entre os diferentes elementos, informações ou idéias que compõem os sistemas de crença dos indivíduos.

            Além disso, que a amplitude desses sistemas de crença vai se tornando cada vez mais estreita e que, ao invés de grandes quantidades de informações bem organizadas ao nível da elite, logo passamos a “encontrar uma proliferação de aglomerados de idéias entre os quais pouca inter-relação é sentida, mesmo, freqüentemente, em casos de inter-relação puramente lógica.” (Converse, 1964, p. 213)

            A respeito desse conceito de “inter-relação” Converse esclarece que:

            “No caso estático, a “inter-relação” pode ser tomada como significando o sucesso que teríamos ao predizer, dado o prévio conhecimento de que um indivíduo sustenta uma determinada atitude, que ele sustentará certas outras idéias e atitudes. Dependemos implicitamente de tal noção de inter-relação ao julgar, por exemplo, que se uma pessoa se opõe à expansão dos benefícios sociais, que ela provavelmente é conservadora e que também se opõe a qualquer nacionalização de indústrias privadas, auxílios federais à educação, imposto de renda fortemente progressivo, e assim por diante. A maioria das discussões sobre ideologias se valem de suposições relativamente elaboradas sobre tais inter-relações. A inter-relação deve ser tratada, é claro, como uma questão de grau, e esse pode ser facilmente medido, pelo menos como uma média entre indivíduos.

            “No caso dinâmico, a “inter-relação” ou “interdependência” se refere à probabilidade que uma mudança no status percebido (verdade, desejabilidade etc.) de um elemento ou idéia iria requerer psicologicamente, do ponto de vista do indivíduo, alguma(s) mudança(s) compensatória(s) no status de outros elementos ou idéias em outras partes da configuração do sistema de crença desse indivíduo.” (idem, p. 207)

As Diferenças: os Elementos de Maior Centralidade

            Por outro lado, o caráter dos objetos de maior centralidade nos sistemas de crença dos indivíduos também sofre notáveis e sistemáticas mudanças ao descermos na referida escala de quantidade de informações. Esses objetos mais centrais mudam, segundo Philip Converse, desde o “remoto, genérico e abstrato para o crescentemente simples, concreto, ou “perto de casa”.” (idem, p. 213) Essa mudança, em termos de conteúdos de maior centralidade, tende a se dar, por exemplo, dos princípios ideológicos abstratos para os grupos ou categorias sociais mais conhecidos (classe social, categoria econômica, religião etc.). E desses grupos para os líderes carismáticos e, finalmente, para temas da vivência imediata dos indivíduos, tais como a família, o trabalho e as amizades.

            Como dissemos, a maior parte dessas mudanças são de um modo geral bem conhecidas, a exemplo de certas características do mundo ideacional dos indivíduos de mais baixa renda e/ou escolaridade, tais como a predominância do pensamento concreto e de perspectivas temporais de curto prazo. Contudo, Converse vai além desse conhecimento genérico ao ressaltar que:

“a maioria das coisas em política – particularmente aquelas que se desenrolam nos palcos nacionais e internacionais – são, por sua própria natureza, distantes e abstratas. No que tange à política, portanto, tais mudanças ideacionais começam a ocorrer logo abaixo do estrato extremamente fino da população dos que já tiveram oportunidade de fazer pronunciamentos públicos sobre assuntos políticos. Em outras palavras, as mudanças nos sistemas de crença que falamos não são uma patologia limitada a uma fina e desorientada camada de miseráveis e marginais; elas são imediatamente relevantes para a compreensão do grosso do comportamento político da massa.

            “É esse último fato que parece ser repetidamente mal compreendido pelos analistas sofisticados que comentam, de uma forma ou outra, sobre o significado da política de massa.” (idem, p. 213)

O Papel Organizativo dos Conceitos Abstratos

            A partir de observações fundamentais como essa acima, Converse tratou de examinar mais detalhadamente a realidade e o perfil dessas mudanças de alcance na consciência sócio-política da população em geral.

            O estudo cuidadoso das entrevistas trazidas pelos surveys, os quais incluíam tanto questões fechadas, isto é, com respostas previamente estruturadas, quanto farta quantidade de questões abertas, isto é, com possibilidade de respostas totalmente livres por parte dos entrevistados, revelou a esses pesquisadores que a quantidade e a organização das informações abarcadas pelos diferentes indivíduos em seus sistemas de crenças estão intimamente relacionadas com o que eles chamaram de “dimensões ideológicas de avaliação”.

            Isto é, que certas idéias abstratas funcionam como conceitos organizadores que permitem a inter-relação entre os elementos e conjuntos de informações em um sistema de crenças, e permitem que o indivíduo, nas palavras de Philip Converse, “localize e dê sentido a uma mais ampla gama de informações sobre um domínio particular do que lhe seria possível sem tal organização.” (idem, p. 214)

            Um exemplo desse tipo de dimensões ideológicas de avaliação, o qual é muito usado nos EUA, e que é muito útil para sintetizar e organizar eventos e informações não apenas nos EUA, mas em muitos países, nos é dado pelos conceitos de “liberal” e de “conservador”. No Brasil, bem como em muitos outros países, essa classificação de “liberal-conservador” é freqüentemente substituída pela de “progressista-conservador” ou ainda pela classificação “esquerda-direita”, a qual abordaremos mais adiante quando examinarmos os dados empíricos.

            Converse observa que essas dimensões ideológicas de avaliação não são usadas apenas pelos indivíduos para economia interna de seus sistemas de crença, mas que elas também são freqüentemente utilizadas pelos analistas que as empregam na caracterização de eventos e, inclusive, na classificação das atitudes da população como um todo.

            Em vista disso, Converse chama a atenção para o fato de que dimensões de avaliação dessa natureza se constituem em abstrações de alta ordem se considerarmos a população como um todo e que “tais abstrações não são ferramentas conceituais típicas do “homem da rua”.” (idem. p. 215)

            Mais do que isso, que a parcela da população que domina e utiliza tais dimensões ideológicas de avaliação se constitui em uma pequena minoria, conforme logo constataremos ao examinarmos os dados empíricos.

Os Níveis de Abrangência da Classificação de Philip Converse

            A partir dessas constatações, Converse e seus colegas se preocuparam em definir algumas categorias que pudessem revelar, com certa precisão, o perfil dessas mudanças ideacionais na população. A esse respeito Converse relata que:

            “O exame das próprias entrevistas sugeriu vários estratos de classificação, os quais foram hierarquicamente ordenados como “níveis de conceitualização” com base em avaliações prévias acerca da abrangência da apreensão contextual do sistema político que cada estrato parecia representar.” (idem, p. 215)

            Esses estratos, então, se constituíram na tipologia de análise que será descrita a seguir, a qual foi amplamente utilizada nas obras mencionadas acima, e que será o nosso principal instrumento para a constatação empírica do aspecto das diferenças dentro da humanidade, bem como para dar-lhe maior precisão e detalhamento.

Nível I: Os Ideólogos

            Em primeiro lugar, constituindo o nível mais elevado de abrangência conceitual, foram selecionados os entrevistados que, nas palavras de Philip Converse:

“de fato confiaram de alguma forma ativa em dimensões conceituais relativamente abstratas e de amplo alcance como uma medida pela qual os objetos político-sociais e seus significados variáveis ao longo do tempo foram avaliados. Esse primeiro estrato foi com certa liberdade denominado de “ideólogo”.” (idem, p. 216)

Nível II: Os Quase-Ideólogos

            No segundo estrato dessa classificação foram selecionados:

“aqueles entrevistados que mencionaram tais dimensões de avaliação de uma maneira periférica, mas que pareciam não depender muito das mesmas em termos avaliativos, ou que usaram tais conceitos de uma forma que deixou dúvidas acerca da amplitude de sua compreensão quanto ao significado do termo. Esse segundo estrato foi denominado “quase-ideólogo”.” (idem, p. 216)

Nível III: “Interesse de Grupo”

            Foram classificados no terceiro estrato aqueles entrevistados que não se valeram de quaisquer de tais dimensões abrangentes, ainda que avaliassem ações sociais, políticas ou econômicas, bem como partidos e candidatos em termos de suas repercussões e relações com os grupamentos sociais com os quais se identificam, tais como categorias econômicas, religiosas, raciais e assim por diante. Em vista disso, esse nível foi denominado de “interesse de grupo”, sendo que os indivíduos mais sofisticados nesse estrato “demonstraram um apercebimento da existência de um conflito entre “grandes empresas” ou “ricos”, de um lado, e “trabalho” ou “trabalhadores” de outro, sendo os partidos e os candidatos situados nessa perspectiva.” (idem, p. 216)

            As características desse terceiro estrato podem gerar, à primeira vista, certa confusão em relação às diferenças existentes entre esse nível de conceitualização e os primeiros mais ideológicos, em vista da argumentação de que esse conflito entre grandes grupamentos sociais, sobretudo entre “grande capital” e “trabalhadores”, se constitui, segundo certas perspectivas teóricas, no cerne da questão ideológica. Entretanto, independente do mérito teórico dessas perspectivas ideológicas, as diferenças entre esses estratos são bem marcantes. Um exemplo dessas diferenças marcantes diz respeito ao fato de que a menos que uma questão se relacione de uma forma quase obviamente punitiva ou recompensadora em relação aos interesses dos grupamentos com os quais os indivíduos desse estrato se identificam “lhes falta a apreensão contextual do sistema sócio-político para perceber como deveriam responder a essas questões sem que lhes seja informado pelas elites que gozam de sua confiança.” (Converse, idem, p. 216)

            Mais ainda, o seu interesse por questões relativamente abrangentes não é suficientemente forte para prestarem muita atenção nas informações relativas a essas questões, e se acontecer de não receberem tais comunicações “o conhecimento de suas afiliações grupais pode ser de pouca valia para predizer suas respostas.” (idem, p. 216) Philip Converse esclarece, entretanto, que essa falta de comunicações quanto a essas informações não é muito comum. Converse denominou esse comportamento típico dos indivíduos desse estrato de “ideologia por procuração”.

Nível IV: “Natureza dos Tempos”

            O quarto estrato de classificação foi definido, em boa medida, de uma forma residual. Nele foram selecionados os entrevistados que fizeram em suas avaliações considerações sócio-políticas de algum tipo ou de outro, mas que não se valeram de argumentos ou atitudes que pudessem ser classificadas em qualquer dos estratos anteriores. Esse estrato foi denominado de “natureza dos tempos” porque os principais modos de avaliação dessa categoria dizem respeito a um relacionamento entre eventos sociais, políticos ou econômicos, bem como partidos e candidatos, com momentos ou estados sócio-econômicos gerais de depressão ou de prosperidade.

            Um outro modo principal de avaliação também característico dos indivíduos selecionados nesse grupo é o relacionamento de eventos, partidos etc., com questões particulares pelas quais sintam gratidão ou indignação pessoal, sem indicação alguma de que as vejam como representativas de posturas ideológicas, ou mesmo como estando relacionadas aos grupamentos sociais mais amplos.

Nível V: “Sem Conteúdo Tipicamente Político”

            Finalmente, o quinto estrato enquadrou aqueles indivíduos cujas avaliações do cenário sócio-político não apresentaram qualquer relação com questões tipicamente políticas, sendo por essa razão denominados de “sem conteúdo tipicamente político” ou, para simplificar, “sem conteúdo político”. Entre os indivíduos selecionados nesse estrato alguns até mesmo declararam simpatia por algum partido, mas sem conhecer qualquer coisa de suas posições ideológicas, ou mesmo questões mais concretas que pudessem caracterizar o seu programa ou plataforma.

            Exemplos típicos desse estrato são os indivíduos que nos processos eleitorais se guiam meramente pelas qualidades pessoais dos candidatos, não raro por qualidades bastante singulares tais como a beleza física, a voz, a simpatia, a popularidade ou mesmo o clube esportivo com qual o candidato esteja relacionado. Ainda foram selecionados nesse estrato, é claro, todos os entrevistados que declararam prestar tão pouca atenção às questões políticas que não se sentiam capazes de dizer qualquer coisa sobre plataformas políticas, ou mesmo sobre partidos e candidatos.

A Pesquisa Utilizada

            Antes de entrarmos no exame dos dados empíricos, parece oportuno tecer alguns comentários quanto ao rigor estatístico das obras citadas, das quais obtivemos a maioria dos dados que a seguir serão examinados. Em primeiro lugar, cabe ressaltar que as técnicas amostrais empregadas nestes estudos são extraordinariamente confiáveis, seguramente exemplos do que há de melhor em amostragem estatística, e que os resultados obtidos para muitas variáveis que também são acompanhadas por censos demográficos (levantamentos que pesquisam todos os indivíduos de uma população) foram comparados entre si. O perfil obtido pelas amostras sempre foi muito parecido com o do censo. Um exemplo dessas comparações é dado abaixo em relação à variável “religião dos porto-alegrenses” retirado da minha dissertação de mestrado:

Religião No Censo (1980) Na Pesquisa (1982)

Católicos 83 % 79 %

Protestantes 6 8

Umbandistas 3 4

Espíritas 2 3

Outras 2 2

Sem religião 4 4  

            Outras comparações desse tipo, bem como uma detalhada descrição das rigorosas metodologias amostrais utilizadas, podem ser encontradas nessa dissertação de mestrado. É certamente difícil para as pessoas que não conhecem de perto estudos como os citados avaliarem o quão detalhadamente os questionários aplicados investigam as atitudes e o alcance da consciência política dos entrevistados, tanto em relação ao sistema sócio-político como um todo, quanto em relação a um grande número de questões mais específicas.

            Não se tratam de estudos rápidos com meia dúzia de questões fechadas, como não raro são realizados por institutos dedicados a aferir vários aspectos da opinião pública. São estudos cujos questionários incluem muitas questões abertas, e que são aplicados por pessoas treinadas para realizarem essas entrevistas.

            Passemos, então, ao exame dos dados empíricos selecionados, os quais são apenas uma pequena parcela da grande quantidade de dados apresentados nas obras mencionadas. Essas obras, por sua vez, também tiveram que selecionar uma pequena parcela dentre a totalidade dos dados brutos relevantes gerados pelos levantamentos amostrais.

O Perfil dos Níveis de Consciência nos EUA

            A distribuição da população norte-americana dentro dos cinco estratos ou níveis de abrangência conceitual resultante das pesquisas de Converse e seus colegas, e que aparece nas publicações mencionadas publicadas em 1960 e 1964 (que se tornaram clássicos nessa área de estudos), encontra-se no quadro mostrado a seguir:

            – Distribuição da População Eleitoral Total e dos Votantes nos EUA, por Níveis de Abrangência Conceitual (a distinção entre população total e votantes deve-se ao fato do voto não ser obrigatório nos EUA; o voto obrigatório é uma prática usada em alguns países, geralmente do Terceiro Mundo, a exemplo do Brasil).

Níveis População Total Votantes

(1) Ideólogos 2,5 % 3,5 %

(2) Quase-Ideólogos 9 12

(3) Interesse de Grupo 42 45

(4) Natureza dos Tempos 24 22

(5) Sem Conteúdo Político 22,5 17,5  

            Uma compreensão mais plena da enorme relevância teórica e prática dos dados revelados por esse quadro talvez somente seja possível após o exame do conjunto de outros dados que examinaremos mais adiante. Ou, até mesmo, somente após as análises dos próximos capítulos acerca da importância das premissas a respeito dos seres humanos aqui apresentadas, ou seja, da sua relevância para a solução dos graves problemas enfrentados pela humanidade.

            Mesmo assim, se apenas levarmos em conta que essa é uma distribuição que revela o perfil do alcance da consciência política da população dos EUA – que é uma das nações mais ricas do planeta – e que as nações mais pobres certamente apresentarão uma distribuição bem mais carregada nos estratos de mais baixa consciência (como veremos para o caso do Brasil), então, somente esse primeiro vislumbre já nos mostra que apenas uma pequena parcela da população possui um nível relativamente alto de informações e de alcance conceitual abstrato.

            Esse simples fato significa uma fortíssima corroboração acerca da existência de grandes diferenças de abrangência na compreensão da realidade social entre diferentes grupos da população como um todo.

            Vimos, no quadro anterior, que apenas 2,5 % da população norte-americana podem ser considerados como tendo um nível razoável de compreensão quanto às principais correntes de pensamento sócio-político, ou quanto às grandes questões políticas de âmbito nacional e internacional.

            Quem conhece bem essas pesquisas sabe, perfeitamente, que mesmo isso implica em uma substancial dose de boa vontade na classificação. Contudo, mesmo que essas pesquisas, da maior seriedade e rigor quantitativo, estivessem muito erradas, e que esse percentual fosse duplicado para 5 %, ou mesmo quadruplicado para 10 % (o que, certamente, já se constitui em um exagero absurdo), ainda assim teríamos uma proporção de 1 para 9 (10 % contra 90 %), o que não alteraria fundamentalmente o panorama.

            Portanto, esses dados sobre os níveis de conceitualização da população dos EUA são, desde logo, muito instrutivos. Segundo Philip Converse os dados desse quadro deveriam ser “contracenados com a suposição usual da elite de que uma significativa maioria do público apreende os principais aspectos da realidade sócio-política de forma semelhante aos mais altamente educados.” (Converse, 1964, p. 218)

            Esses dados também devem ser contracenados com as teorias que supõem que essas diferenças ideacionais podem ser substancialmente transformadas com relativa facilidade. Nos referimos, sobretudo, à concepção marxista para a qual a consciência humana é um mero produto das circunstâncias históricas e materiais a que estiver submetida. Ora, esses dados, em se tratando de um país como os EUA, dos mais opulentos e com um sistema educacional que abrange praticamente a totalidade da população, são reveladores de como essas transformações ideacionais não ocorrem com a facilidade que essa corrente de pensamento acredita.

A Influência das Circunstâncias Materiais

            Embora não disponhamos de dados empíricos sobre a realidade ideacional da população da União Soviética (agora extinta), não é difícil afirmar que essa realidade não seria em hipótese alguma melhor do que a da população dos EUA. Isso depois de sete décadas de uma organização político-econômica de inspiração marxista. Ora, não pode haver melhor demonstração histórica do que esta de que as mudanças ideacionais na massa são processos temporais lentíssimos.

            Com isso, não estamos procurando negar que as circunstâncias materiais exercem uma influência significativa sobre o desenvolvimento da consciência humana. Trata-se, isto sim, de afirmar que existem outros fatores psicológicos que estão na base das grandes diferenças de consciência que observamos na população e que os pensadores materialistas não costumam considerá-los apropriadamente. E que, em relação a estas grandes diferenças de consciência, esses outros fatores psicológicos são os principais (não importa o quão pouco sejam conhecidos cientificamente). Assim, quanto às grandes diferenças ideacionais na população, as circunstâncias materiais se constituem em fatores que, embora influenciem, não são os principais.

            Cabe relembrar a esse respeito a parábola bíblica do semeador, já anteriormente citada. Se a semente cair sobre as rochas ou em terra pouco profunda, ela não pode ter um desenvolvimento favorável. Isso diz respeito, é claro, à influência inegável do meio ambiente material. Mas, mesmo entre aquelas que caírem em terra fértil e profunda, umas darão frutos a trinta por um, outras a sessenta por um, e ainda outras a cem por um.

            Ou seja, mesmo quando as condições do ambiente material forem muito boas para todos – e evidentemente o Humanitarismo luta por isso – ainda assim há fatores psicológicos (ou intrínsecos às qualidades latentes da semente, que simboliza a realidade psico-espiritual do homem) que implicariam na manifestação de grandes diferenças de capacidades, sobretudo intelectuais e morais, entre os membros da coletividade humana.

As Características dos Diferentes Níveis de Consciência

            Antes de examinarmos os dados sobre o percentual de cada um desses estratos no Brasil, analisaremos alguns quadros que visam mostrar, mais claramente, o perfil das diferenças ideacionais (de abrangência da realidade sócio-política e da quantidade de informações sobre essa realidade) entre os cinco estratos dados por Converse e seus colegas, que foram descritos acima. Esses quadros são apenas alguns dos vários apresentados na minha dissertação, antes mencionada, que trabalhou especialmente sobre essas diferenças ideacionais.

            A pesquisa de campo que gerou os dados brutos dessa dissertação foi realizada simultaneamente em várias capitais do Brasil. Ela foi elaborada e aplicada por pesquisadores de um grupo das principais universidades desse país. Os dados que apresentaremos a seguir dizem respeito a Porto Alegre, e ali os dados brutos foram gerados pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

            Os níveis de abrangência conceitual de Converse aparecem, por economia de espaço, apenas como numerais romanos, de I a V; na ordem de maior para menor abrangência conceitual. Ou seja: (I) Ideólogos; (II) Quase-Ideólogos; (III) Interesse de Grupo; (IV) Natureza dos Tempos; (V) Sem Conteúdo Político.

Quantidade de Informações Sobre Política

            O primeiro quadro abaixo nos mostra, em termos percentuais, a freqüência com que os indivíduos de cada um desses cinco níveis de abrangência costuma ler, nos jornais, notícias sobre política:

Níveis Com muita

freqüência De vez em

quando Nunca lê

sobre política

(I) 100 % 0 % 0 %

(II) 81 19 0

(III) 58 26 16

(IV) 29 30 41

(V) 7 23 70

            Esse primeiro quadro já se constitui em um indicador muito nítido a respeito do grau de interesse e de informação sobre a realidade sócio-política nos estratos dos diferentes níveis de consciência na população. Esses percentuais mostram claramente o rápido declínio desse interesse e da quantidade de informações, à medida que descemos na escala de abrangência conceitual. Eles confirmam o que Converse chamou de “agudo e constante declínio”, na seguinte citação:

            “A classificação dos níveis realizada em bases algo a priori foi corroborada por análises adicionais, as quais demonstraram que medidas independentes de informação política, educação e interesse político, todas mostraram agudo e constante declínio à medida que se descia nos níveis na ordem sugerida.” (Converse, 1964, p. 217)

            Os percentuais, é claro, são relativos a cada um dos níveis, e isso confere aos dados desse e dos seguintes quadros uma relevância que praticamente independe do local em que foram pesquisados. Eles dizem respeito às características de cada estrato e, por essa mesma razão, se constituem em muito boas aproximações para revelar o perfil de cada um desses estratos em qualquer lugar do mundo. Também por essa razão são tão reveladores a respeito das diferenças existentes dentro da humanidade. O que mudará apreciavelmente entre os diferentes países será o percentual relativo de cada um dos estratos dentro da população como um todo, conforme veremos depois ao compararmos os dados dos EUA com os dados de Porto Alegre.

Graus de Interesse por Política

            O “agudo e monotônico declínio” fica mais gráfico ainda ao examinarmos o quadro seguinte, que mostra as respostas obtidas para uma pergunta direta:

            – “De um modo geral, o(a) Sr.(a) se interessa por política?”

Níveis Muito Pouco  Não se Interessa 

(I) 89 % 11 % 0 %

(II) 41 47 12

(III) 23 55 22

(IV) 7 43 50

(V) 2 2 86

            Poucos quadros poderão ser mais esclarecedores do que esse acima, a respeito das diferenças existentes dentro do perfil da consciência sócio-política da população como um todo.

            Se somarmos os dados das colunas dos que declararam ter pouco interesse pela realidade política do seu país, com os dados dos que responderam não ter nenhum interesse pela mesma, o crescimento do desinteresse por essas questões que geralmente, como disse Converse, são abrangentes e abstratas, cresce de forma muito aguda de 11 % entre os Ideólogos, para 59 % entre os Quase-Ideólogos, 77 % no nível Interesse de Grupo, 93 % no nível Natureza dos Tempos e, finalmente, 98 % no nível Sem Conteúdo Tipicamente Político.

Votaria se Não Fosse Obrigatório?

            O seguinte é outro quadro revelador, pois mostra as respostas à questão de se a pessoa iria votar mesmo que o voto não fosse obrigatório. Cabe esclarecer a algum leitor de fora do Brasil que em nosso país o voto é obrigatório, como um imposto que o cidadão deve recolher compulsoriamente. Estando sujeito a uma multa e outras sanções caso falte com essa obrigação.

Níveis Sim, votaria Não votaria

(I) 100 % 0 %

(II) 97 3

(III) 82 18

(IV) 65 35

(V) 34 66

            É quase desnecessário dizer que essa prática do voto obrigatório é muito nociva para o país. Ela desqualifica ainda mais o eleitorado que, mesmo sem ela, já é tremendamente desqualificado em se tratando de questões abrangentes, conforme esses quadros estão a mostrar de forma clara. Essa questão do voto obrigatório já é um bom exemplo, dentre outros tantos que posteriormente examinaremos, de problemas que têm sua origem na ausência de uma correta perspectiva acerca das principais características humanas.

            No entanto, não deveria causar surpresa o fato do voto obrigatório ter sido apoiado por tanto tempo quer pela elite de direita, quer pela elite de esquerda nesse país, uma vez que a perspectiva sobre os seres humanos que estamos apresentando é conflitante tanto com a filosofia liberal, quanto com a filosofia marxista. Podemos admitir que em alguns casos o voto obrigatório tenha sido defendido por interesseira esperteza, mas, ao que tudo indica, na grande maioria dos casos, esse apoio se deveu à mera ignorância dos seus efeitos líquidos da maior nocividade.

Conhecimento Sobre Eleições Diretas

            Outro quadro revelador dos limites da abrangência da compreensão dos eventos sócio-políticos pela massa é o seguinte, o qual tabula as respostas à questão:

            – “Este ano nós vamos ter eleições diretas para governador. O(a) Sr.(a) poderia me dizer o que entende por eleição direta?”

Níveis Resposta correta Resposta errada

e não sabe

(I) 100 % 0 %

(II) 78 22

(III) 57 43

(IV) 50 50

(V) 26 74

            Em 1982 estávamos no Brasil em pleno período da chamada abertura política. Um período de transição entre a ordem do autoritarismo ou ditadura militar para a ordem democrática-liberal, e até então os governadores dos estados não eram eleitos pelo voto direto.

            Nesse ano, pela primeira vez depois do regime militar, os governadores seriam eleitos diretamente. Era, portanto, um fato político da maior notoriedade e importância dentro da moldura política da nação. Não obstante, os números desse quadro mostram que grande parte da população falha em estar informada mesmo sobre uma questão politicamente tão trivial quanto essa.

            Se somarmos todos os que declararam não saber com os que arriscaram responder mas deram uma resposta errada, chegamos a um percentual de 46 % da população eleitoral, contra os 54 % que responderam corretamente. Isto é, quase a metade da população não possuía uma informação tão elementar.

Conhecimento Sobre Esquerda e Direita

            Naturalmente, quando a questão é mais abstrata o número total dos que desconhecem é bem maior ainda. Isto é o que podemos ver no quadro seguinte com os dados sobre a questão:

            – “O que o(a) Sr.(a) entende por esquerda e direita em política?”

Níveis Resposta correta Resposta errada

e não sabe

(I) 100 % 0 %

(II) 97 3

(III) 75 25

(IV) 30 70

(V) 9 91

            No caso dessa questão, somando-se todos os que declararam não saber com os que deram uma resposta errada chegamos a um percentual de 61 % da população. Portanto, apenas 39 % possuíam esse tipo de informação em 1982 em Porto Alegre, que é uma das capitais com melhores índices de escolaridade no Brasil. É importante observarmos as diferenças que aparecem nesse quadro entre os dados dos grupos I, II e III, em relação aos grupos IV e V. Enquanto nos grupos I e II quase ninguém desconhece o que é esquerda e direita em política, no grupo III ainda apenas 25 % desconhecem. Mas a situação é completamente diferente a partir do grupo IV onde já 70 % desconhecem, ou no grupo V onde 91 % desconhecem.

As Diferenças Entre EUA e Brasil (Porto Alegre)

            Essa grande diferença entre esses três primeiros grupos e os dois últimos é muito importante para podermos ter um perfil realístico da abrangência da consciência sócio-política da população. Isso nos permite compreender, por exemplo, porque nos países ricos a população parece ter um grau de racionalidade muito maior do que em países como o Brasil.

            Acontece que nesses países o voto não é obrigatório, e já vimos anteriormente que nestas condições os grupos nos quais um grande percentual não vai votar são apenas os grupos IV e V. Se somarmos a isso o fato de que nesses países a proporção dos três primeiros grupos é significativamente maior, sobretudo o terceiro, o do “Interesse de Grupo”, como podemos observar na comparação do quadro seguinte, então entenderemos claramente porque nos países ricos, como os EUA, o comportamento eleitoral e, conseqüentemente, os resultados eleitorais apresentam uma racionalidade bem maior.

            Não estamos pretendendo, nem de longe, afirmar que o mero instituto do voto obrigatório é a causa de todos os nossos problemas. De modo algum! Estamos apenas tomando esse fato para exemplificar que a perspectiva aqui apresentada, a qual leva em conta a unidade essencial dos seres humanos, bem como suas grandes diferenças de capacidades manifestadas, nos permite uma visão muito mais clara a respeito da realidade sócio-política das nações.

            Vejamos, então, qual o perfil da distribuição do eleitorado de Porto Alegre dentro desses cinco grupos de alcance conceitual. Para facilitar as comparações repetiremos nesse quadro os dados relativos à população dos EUA, já apresentados anteriormente:

Níveis Nos Estados Unidos No Brasil (Porto Alegre)

Ideólogos 2,5 % 2 %

Quase-Ideólogos 9 8

Interesse de Grupo 42 21,5

Natureza dos Tempos 24 31,5

Sem Conteúdo Político 22,5 37

            Antes de examinarmos os números desse quadro precisamos comentar dois aspectos. Em primeiro lugar, cabe observar que os dados para os EUA publicados por Converse e seus colegas (1960), e por Converse (1964) dizem respeito ao final dos anos cinqüenta. Já os dados da minha dissertação (1984) dizem respeito ao início dos anos oitenta (1982). Essa diferença de um período de mais de duas décadas pode alterar um pouco a situação em favor dos EUA.

            A segunda observação é que os números para Porto Alegre são certamente melhores do que seriam os números de uma distribuição desses grupos para o Brasil como um todo. A análise de outras pesquisas de diferentes fontes nos permite estimar que os números para Porto Alegre devam ser semelhantes aos das outras grandes capitais brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte etc., e que a situação nestas capitais é significativamente melhor do que a situação do Brasil como um todo.

            Tomemos, como exemplo, apenas um dado a esse respeito. Em 1986, ano em que se elegeu uma Assembléia Constituinte no Brasil, o Instituto IBOPE realizou várias pesquisas para aferir o conhecimento da população a respeito da Constituinte. Numa delas, publicada no jornal Zero Hora (07/05/1986), o percentual de pessoas que não sabia responder o que era a Constituinte chegou, no Rio Grande do Sul, a 70,5 %. Na mesma época, o IBOPE realizou pesquisa semelhante no Nordeste e este percentual alcançou os 90 %, e para a média nacional o IBOPE encontrou que 82 % da população não sabiam explicar o que era a Constituinte. Esses números são suficientes para exemplificar a observação feita acima de que a situação para o Brasil como um todo será menos favorável do que aquela de Porto Alegre apenas.

            Com essas duas observações em mente, voltemos, então, para a análise dos números do quadro com os dados para os EUA e para Porto Alegre. A que conclusões de caráter geral esse quadro nos permite chegar? O exame desses números nos permite observar dois fatos principais. O primeiro é que realmente existem diferenças para melhor a favor das nações ricas, como seria de se esperar. E que essa situação mais favorável resultou em uma camada média expressivamente maior do que aquela que podemos observar para Porto Alegre, e por extensão para o Brasil.

            A soma dos dois grupos de maior abrangência dá 11,5 % para os EUA, e dá 10 % para Porto Alegre. É claro que essa não é uma diferença importante. Muito diferente, contudo, é a situação observada quanto ao terceiro grupo (Interesse de Grupo), o qual é o grupo intermediário. Enquanto nos EUA esse grupo alcançou 42 %, em Porto Alegre esse número foi de apenas 21,5 %. Essa sim é uma diferença da maior importância, a qual joga muita luz sobre a realidade política destes países, sobretudo se levarmos em conta o que já mencionamos antes sobre o voto não ser obrigatório nos EUA, e ser obrigatório no Brasil.

            Ou seja, os grupos I, II e III já somam a maioria da população dos EUA (53,5 %) e se acrescermos a isso o fato de que boa parte do grupo IV e a maioria do grupo V não vão votar, uma vez que o voto lá não é obrigatório, então fica claro porque o comportamento eleitoral em países como os EUA apresenta maior racionalidade; maior do que já apresentaria se o voto no Brasil também não fosse obrigatório.

            Voltando às nossas conclusões gerais, essa melhor condição observada para os EUA mostra que melhores condições de riqueza, bem como um sistema educacional mais abrangente, podem de fato melhorar substancialmente o perfil do alcance conceitual na população como um todo.

            Mas a segunda conclusão de caráter geral é que, apesar de ser significativamente melhor a distribuição desses grupos nos países ricos, as diferenças de abrangência persistem como um dado fundamental dentro da população, mesmo nos países ricos, que como dissemos somam apenas 1/3 da população mundial. Que dizer, então, da sua importância no que diz respeito aos países pobres, que somam 2/3 da família humana?

            Como já dissemos, os dados aqui apresentados se constituem apenas de uma pequena parcela dos dados existentes nos trabalhos citados. Contudo, eles já são suficientes para corroborar amplamente o aspecto da diversidade como uma característica básica, absolutamente necessária, dentro de qualquer representação satisfatória dos seres humanos coletivamente considerados.

O Papel Decisivo das Elites

            Uma outra conclusão de caráter geral, também da maior importância tanto teórica quanto prática, é a de que os grupos de consciência social mais abrangente (as chamadas elites) possuem um papel decisivo no desenvolvimento dos processos sócio-políticos em geral, fato que lhes imputa uma enorme responsabilidade, a qual quase sempre não é suficientemente bem reconhecida.

            Philip Converse se referiu a essa imensa responsabilidade nos seguintes termos:

            “Os amplos contornos das decisões da elite ao longo do tempo podem depender de uma maneira vital das correntes naquilo que é vagamente chamado de “a história das idéias”. Tais decisões por sua vez têm efeitos sobre a massa de cidadãos mais comuns. Mas, de qualquer participação direta nessa história das idéias e no comportamento por ela moldado, a massa é notavelmente inocente.” (Converse, 1964, p. 255)

            Até aqui esse aspecto já encontrou uma razoável corroboração, bastando nos lembrarmos da afirmação de Converse de que mesmo os integrantes do grupo III já não conseguem reconhecer os efeitos de uma dada política sobre os seus próprios grupos de interesse, a menos que se trate de uma questão muito elementar ou óbvia. Ou seja, mesmo os indivíduos do grupo III necessitam, para se posicionarem politicamente, que membros da elite de sua confiança apontem os efeitos das políticas de maior alcance – configurando o que Converse denominou de “ideologia por procuração”.

            Alguns dados adicionais, no entanto, podem corroborar mais fortemente essa enorme influência da elite sobre a massa. Em primeiro lugar retomemos a questão já mencionada do voto obrigatório no Brasil. Até a presente data, infelizmente, não há nenhum movimento consistente dentro do Congresso visando modificar este instituto tão nocivo da nossa vida política. Contudo, alguns anos atrás o IBGE em uma pesquisa amostral de enorme abrangência (cuja base atingiu 300.000 entrevistados) revelou que apenas 34,5 % da população era a favor do instituto do voto obrigatório; enquanto 56,9 % eram contra; e 8,6 % não sabiam ou não declararam. (Publicado em Zero Hora, em 29/10/1989)

            Portanto, embora a maioria da população seja contra, as elites pouco se importaram e, até agora, quatro anos após a publicação dessa pesquisa, nada se passou, mesmo tendo nesse período ocorrido a desastrosa eleição de Fernando Collor.

            Felizmente, essa influência avassaladora da elite nem sempre se dá no sentido nocivo, como podemos observar num outro exemplo bem conhecido, que é o da questão da pena de morte. Várias pesquisas já mostraram que a maioria da população é a favor desse instituto. As elites políticas, no entanto, até agora não se curvaram a este vil aspecto da consciência da massa, muito embora já haja um movimento de vários congressistas nessa direção. Não que na prática já não exista a pena de morte em nosso país. Ela existe, ao menos para os pobres ou miseráveis, uma vez que o extermínio de delinqüentes, sobretudo bem jovens, é uma prática freqüente.

            Outro exemplo nesse sentido, mas que ainda é mais gráfico, foi o da legalização dos partidos comunistas. Quando esses partidos foram legalizados, no início dos anos oitenta, após o processo chamado de “abertura política”, uma grande maioria da população era contra esta legalização.

            Esse exemplo é revelador em um duplo sentido. Em primeiro lugar, porque ele revela como a elite pode e, de fato, condiciona a opinião pública quando assim o decide. Isso porque essa atitude da população é resultado de anos de propaganda contrária aos comunistas, e resultou em que uma grande maioria (como abaixo veremos) se posicionasse contra a legalização dos partidos comunistas. Esse exemplo é muito impressionante porque, como já vimos, a grande maioria da população não tem sequer uma noção precisa do que seja esquerda e direita em política, que dizer a respeito dos programas dos partidos comunistas.

            O outro sentido impressionante desse exemplo acerca da enorme influência da elite é que quando esse se decidiu pela legalização destes partidos eles foram legalizados tranquilamente e nada, mas nada mesmo, se passou em contrário. Não obstante, a grande maioria era contra, como atestam os números do quadro que segue para a população de Porto Alegre, com as respostas à questão:

            – “O(a) Sr.(a) é a favor ou contra a legalização do Partido Comunista?”

Níveis A favor Contra Não sabe ou

não respondeu

(I) 67 % 11 % 22 %

(II) 48 48 4

(III) 26 62 12

(IV) 8 74 18

(V) 5 56 39

            Somando-se o total dos que foram a favor chegamos apenas a 15 % da população! Os que foram contra totalizaram 61,4 %, enquanto 23,6 % declararam não saber ou não responderam. Mas, igualmente importante no quadro acima é que ele mostra que tão somente no nível I, dos Ideólogos, a maioria foi a favor da legalização, pois mesmo no nível II já houve um empate. Os números são muito ilustrativos, portanto, sobre a influência avassaladora da elite. Entre os Ideólogos uma forte maioria era a favor, e a legalização acabou ocorrendo, sem que nem um pequeno protesto fosse ouvido, a despeito de uma vigorosa maioria da população se declarar contra.

            Esses números ensejam a oportunidade para mostrar um exemplo a respeito da fidedignidade, da seriedade e da precisão dos dados aqui apresentados sobre as atitudes e a abrangência da consciência sócio-política da população. Isso porque outra fonte, completamente independente, de pesquisa (IBOPE, Isto É, Gazeta Mercantil e TV Bandeirantes) realizou um levantamento dois anos depois (em 1984), nas regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro, e entre as questões aplicadas havia uma igual, assim formulada:

            – “É a favor ou contra a legalização dos partidos comunistas no Brasil?”. Nessa pesquisa chegou-se aos seguintes números:

A favor 21,5 %

Contra  59,8 %

Nem a favor, nem contra 14,1 %

Não sabem / não opinaram 4,6 %

            Esses números foram publicados na revista “Isto É” nº. 407, de 10/10/1984. A semelhança entre os dados é impressionante: – 61,4 % foram contra na pesquisa da UFRGS em Porto Alegre, 1982; e 59,8 % declararam-se contra na pesquisa do IBOPE para São Paulo e Rio de Janeiro, em 1984.

A Atualidade dos Dados

            Outra observação pertinente é que muitas pessoas, por ignorarem a natureza dos fatos aqui apresentados, sempre tendem a pensar que nos últimos anos as coisas podem ter mudado muito, em termos da consciência social da população. Não raro dizem que como tudo tem mudado tão rapidamente hoje em dia, ou então, que como ocorreu tal ou qual evento importante, ou ainda que como o país tem se tornado cada vez mais urbano e industrializado, e que, em vista dessas razões, informações de dez ou vinte anos atrás não merecem muito crédito.

            Ora, os números sobre a realidade da consciência sócio-política da população de um país como os EUA já deveriam ser suficientes para nos mostrar que essas realidades ideacionais não mudam, senão em escala relativamente limitada, e que mesmo essas mudanças limitadas ocorrem lentamente. Isso porque o patamar de riqueza, urbanização e industrialização alcançados pelos EUA trinta anos atrás, o Brasil como um todo somente alcançará sabe Deus daqui a quantas décadas.

            Uma simples projeção pode nos auxiliar a visualizar melhor essa questão. Se projetarmos um crescimento econômico nacional bem razoável de 4 % ao ano, com um crescimento populacional bem modesto para os nossos padrões de 1,5 % ao ano, teremos um incremento real de riqueza média per capita/ano próximo dos 2,5 %. Ou seja, levaríamos mais de 80 anos para sair dos cerca de 4.000 dólares de renda per capita/ano do Brasil de nossos dias, para alcançarmos os 30.000 dólares per capita/ano que os EUA atingiram tempos atrás.

            Mesmo assim, talvez seja oportuno apresentarmos alguns dados bem recentes e de outras fontes que mostram como essas coisas, feliz ou infelizmente, não mudam quase nada em questão de poucos anos. Vejamos os números de uma pesquisa da DataFolha, que entrevistou 5.260 pessoas em dez capitais brasileiras, em outubro de 1987, publicada na Folha de São Paulo, em 1/11/1987. A pergunta era:

            – “Você sabe qual foi o primeiro país a fazer uma revolução socialista?”

Respostas Percentuais

Rússia/URSS 24 %

Outros países errados 9 %

Não sabe/não lembra 67 %

Total  100 %

            Ou seja, em dez capitais, apenas 24 % é que sabiam a resposta correta para essa questão. Pode-se argumentar que se trata de uma questão um tanto sofisticada, e que mede muito pouca coisa. Mesmo assim, ela nos permite perceber claramente (ao compararmos esse coeficiente de acerto com os cerca de 30 %, no Rio Grande do Sul, que em 1986 sabiam o que era uma Constituinte; ou com os 39 %, em Porto Alegre, que em 1982 sabiam o significado de esquerda/direita em política) que todos esses números repetem um desenho muito constante, e que não se tratam de números fantasiosos ou pinçados aleatoriamente, mas sim de números que revelam uma severa realidade, sobre a qual muito poucas pessoas se dão ao trabalho de ponderar seriamente.

            Vale a pena adicionar um outro quadro, mais recente ainda, resultado de uma pesquisa do IBOPE, que entrevistou 2.000 pessoas, em maio de 93. Esse quadro foi publicado na revista Veja de 2/6/1993, com as respostas para a pergunta:

            – “O(a) Sr.(a) lembra do nome do candidato e do partido em que votou para deputado federal nas últimas eleições (final de 1989)?

Respostas Percentuais

Lembra candidato e partido 12 %

Votou só na legenda 14 %

Lembra só do candidato 8 %

Votou em branco/nulo  17 %

Não lembra em quem votou p/ dep. fed. 49 %

Total 100 %

            Ou seja, metade da população não lembrava, pura e simplesmente, em que candidato ou partido votou naquela que é a eleição mais importante da nação. Da Câmara dos Deputados dependem todas as grandes leis do país, ou todas as principais decisões legislativas, ou mesmo, como já ocorreu na história recente, o impedimento do presidente, o chefe máximo do poder executivo, além de tantos outros encargos da maior responsabilidade e importância para o país. Pois bem, com tudo isso em jogo, apenas 12 % da população lembrava tanto do candidato quanto do partido em que votou para deputado federal nas últimas eleições.

            Se somarmos os 49 % que declararam não lembrar, com os 17 % que votaram em branco ou anularam o voto, e mais os 8 % que só lembram do candidato e, portanto, têm um nível de informação tão baixo que nem sequer sabem a que partido pertencia o candidato em quem votaram, chegaremos a 74 %! Sem falar dos que votaram apenas em uma legenda partidária. Isto em maio de 1993. Dificilmente poderia haver corroboração melhor do que esta a respeito da validade e atualidade dos dados gerais aqui apresentados.

            Tendo apresentado esse panorama acerca da unidade inerente à espécie humana, bem como acerca das diferenças que caracterizam a consciência política da população, podemos agora partir para a etapa seguinte de nossa argumentação.

            Nos próximos capítulos contracenaremos esse panorama com as premissas das correntes de pensamento dominantes na atualidade, bem como com os modelos de organização política derivados dessas correntes.

            Daremos mais ênfase à crítica do modelo derivado do Liberalismo – a democracia liberal – pois esse é aquele mundialmente dominante em nossos dias, além de ser o modelo que hoje está organizando a vida política brasileira.

            Procuraremos evidenciar que os grandes problemas enfrentados pela humanidade estão, de fato, relacionados com os equívocos inerentes às premissas das correntes de pensamento dominantes (Liberalismo e Marxismo) e à conseqüente incompetência de seus modelos de organização política.

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4 – O LIBERALISMO: PREMISSAS E SISTEMA POLÍTICO

As Correntes de Pensamento Dominantes

Não há dúvida quanto ao fato de que, pelo menos, desde a segunda metade do século XX as correntes de pensamento que podemos genericamente referir como Liberalismo e Marxismo são aquelas dominantes. Com a vitória dos Aliados e a derrota do Nacional-Socialismo (Nazismo) alemão, do Fascismo italiano e do regime autoritário japonês na Segunda Guerra Mundial, o Liberalismo e o Marxismo passaram a dominar amplamente o cenário mundial das idéias sócio-políticas.

            No Brasil, após a Segunda Guerra, com o término do regime autoritário do Estado Novo de Getúlio Vargas (que durou de 1937 a 1945) instaurou-se uma ordem liberal que perdurou até o golpe de 1964, quando se iniciou um período de cerca de vinte anos de uma ordem militar autoritária. Mesmo nesse período autoritário, contudo, o discurso dominante era de que a ordem militarista visava garantir a preservação dos valores culturais do Ocidente, como a liberdade e a democracia, os quais estariam ameaçados pelo totalitarismo de cunho marxista ou comunista, bem como construir as pré-condições para o funcionamento de uma democracia liberal. Essa corrente de pensamento que deu sustentação ao período de autoritarismo militar ficou conhecida como Ideologia da Segurança Nacional.

            A partir, então, de meados dos anos 80 instaurou-se novamente um regime democrático-liberal, com a eleição de uma assembléia constituinte em 86, cujos trabalhos foram concluídos em 88. Esse processo culmina com a eleição direta de um presidente em fins de 1989.

            Durante essa segunda metade do século XX existiu no Brasil uma oposição minoritária de cunho socialista, influenciada em maior ou menor escala pela corrente de pensamento marxista, a exemplo dos partidos socialistas e comunistas. Como sabemos, essa corrente de pensamento também é expressiva dentro de outros partidos a exemplo do Partido dos Trabalhadores (PT), do mesmo modo que no meio cultural e acadêmico. A corrente do pensamento marxista, portanto, também merece ser aqui examinada.

            No presente momento da realidade política brasileira (2009), mesmo com as mudanças ocorridas no leste europeu e o desmembramento e as transformações liberalizantes da antiga URSS e com a conseqüente hegemonia avassaladora do pensamento e dos modelos de organização política de cunho liberal, podemos observar que o pensamento marxista ainda é praticamente a única alternativa ao pensamento liberal, embora uma alternativa bastante debilitada na atualidade.

            O pensamento marxista também exerce uma certa influência dentro das posturas de cunho social-democrata, as quais aqui estão incluídas dentro da vertente liberal, uma vez que não questionam as instituições fundamentais da democracia liberal, porém apenas lutam por políticas econômicas e sociais de caráter menos excludentes ou mais distributivistas, dentro das regras do jogo democrático-liberal.

Premissas Equivocadas

            A hipótese central desta obra, como dissemos antes, é a de que tanto o Liberalismo quanto o Marxismo estão fundamentados em premissas falsas a respeito dos principais atributos do ser humano. Convém ressaltar que isso também é verdadeiro em relação às outras correntes de pensamento que foram importantes no século passado (XX), a exemplo do Fascismo e do Nacional-Socialismo nazista, cujas premissas falsas não serão aqui criticadas pelo simples fato de não serem hoje muito expressivas.

            São essas falsas concepções acerca do ser humano, como já foi dito, que se projetam sob a forma de princípios ético-morais equivocados, bem como sob a forma de modelos de organização política que estão na base dos grandes problemas enfrentados pela humanidade. Por essa razão devemos fazer um esforço de síntese a fim de compreendermos a essência das concepções de ser humano e de humanidade que nucleiam as correntes de pensamento, os valores ético-morais e os modelos de organização política do Liberalismo e do Marxismo, em torno das quais se desenvolvem as demais principais instituições sociais da maioria dos países na atualidade.

            Nos alongaremos um pouco mais no exame das premissas e das instituições centrais do Liberalismo do que naquelas do Marxismo, pela simples razão de que em nossos dias as instituições derivadas do Liberalismo tornaram-se amplamente dominantes no mundo.

Os Primórdios do Liberalismo

            O Liberalismo, tanto como uma ampla corrente na história das idéias sociais, quanto como um conjunto de instituições sociais derivadas dessas concepções fundamentais, trata-se de um fenômeno, infelizmente, um tanto complexo. Mesmo num Dicionário de Política escrito por grandes acadêmicos como Norberto Bobbio, o verbete “Liberalismo” inicia-se com a observação – “Uma Definição Difícil”.

            Talvez a principal dificuldade para compreendermos os fundamentos do Liberalismo resida no fato de que se trata de uma corrente de pensamento com cerca de três séculos de existência (John Locke, por exemplo, publica o seu Ensaio sobre o Governo Civil em 1690) e que, portanto, atravessou períodos de marcantes transformações do cenário mundial, como as Revoluções Industriais. Naturalmente, ao longo desse dilatado período tanto o pensamento quanto as instituições liberais sofreram significativas transformações, em diferentes países e em diferentes momentos no tempo. Essas transformações, então, é que tornam difícil uma definição precisa e sintética.

            Em nossos dias, não é muito difícil percebermos que as grandes instituições políticas derivadas do Liberalismo dizem respeito à democracia-liberal, a qual analisaremos adiante. Contudo, no início do Liberalismo os seus princípios foram aplicados sob regimes onde as instituições monárquicas ainda eram dominantes e deram origem a regimes onde somente tinham direito de acesso aos mecanismos de representação política aqueles que atendessem certas exigências ou franquias, como o fato de possuírem propriedades ou uma renda mínima. Os regimes influenciados pelo Liberalismo em seus primeiros tempos, portanto, não eram democráticos no sentido hoje usualmente atribuído à palavra democracia, onde se supõe uma participação de praticamente toda a população adulta.

O Homem é o Lobo do Homem

            No entanto, um núcleo de premissas teóricas e de instituições propriamente liberais deve ter perdurado ao longo de todas essas transformações, de modo que o modelo político hoje dominante no mundo ainda denomine-se “democracia liberal”. A seguir, então, procuraremos expor sinteticamente esse núcleo, o qual, como dissemos antes, em termos teóricos deve necessariamente estar relacionado com uma determinada concepção acerca das características fundamentais do ser humano.

            O Liberalismo surge como uma reação à ordem absolutista, sendo que um dos últimos grandes teóricos do Absolutismo foi Thomas Hobbes (autor da famosa obra O Leviatã), o qual concebia o ser humano como naturalmente egoísta, senão violento, conforme podemos ler na citação que segue:

            “Para chegar a justificar o governo absoluto, Hobbes parte da descrição do estado de natureza que, segundo se acreditava comumente por essa época, teria precedido o estado social. Encontra-se, sem nenhuma dúvida, no curso dessa descrição, traços do primeiro livro de história de Tucídides, no qual esse autor conta que numa época longínqua os gregos viviam de rapinagens e de violências, e que a única lei era a do mais forte.

            “Tais eram, segundo Hobbes, os costumes de todos os homens primitivos. Dessa forma, no seio desses povos, nem os homens nem os bens gozavam jamais de segurança. Cada um devia se defender contra a violência dos outros, e cada homem era lobo para os outros homens, homo homini lupus. Por toda parte irrompia a luta de cada um contra todos – bellum omnium contra omnes.

            “A fim de sair desse estado caótico, todos os indivíduos teriam cedido todos os seus direitos ao Estado. Cada qual teria colocado suas forças ao serviço estatal, a fim de que esse tivesse a possibilidade de por termo às violências de todos e remediar esse estado de coisas insuportável.” (G. Mosca e G. Bouthoul, História das Doutrinas Políticas, p. 189)

            “Leviatã” trata-se do nome de um animal feroz e muito poderoso, ao que tudo indica o crocodilo do Nilo, que é descrito na Bíblia, nos cap. 40 e 41 de Jó, e sobre o qual ele escreve: “Não há poder sobre a terra que se lhe compare, pois foi feito para que não temesse a nenhum.” (Jó, 41:24). É claro que Hobbes, ao valer-se da figura do Leviatã, sustenta que um papel benigno é desempenhado por um poder assim (o do monarca absoluto) o qual, ao atemorizar a todos, pode “por termo às violências de todos e remediar esse estado de coisas insuportável”.

            Nos primórdios da corrente do Liberalismo, a exemplo do que se encontra nos escritos do inglês John Locke – considerado como um dos grandes formuladores das origens do Liberalismo – parte-se da mesma concepção de homem como um ser basicamente egoísta, mas chega-se a conclusões exatamente opostas e, diga-se de passagem, muito mais lógicas que as de Hobbes. Ou seja, se todo o homem é lobo dos demais homens, então de pouco nos adianta termos um Leviatã, pois, logicamente, esse também será um lobo, preocupando-se apenas com os seus interesses e dos que lhe são caros, às expensas do bem-estar de muitos outros que seriam por ele explorados em benefício do grupo detentor do poder central. De fato, após tantos anos de predomínio das idéias liberais, quase ninguém mais associa o Leviatã com um poder que exerce um papel socialmente benéfico, mas sim com um monstro aterrador de grande malignidade.

Os Três Poderes: Uma Ordem de Contrapesos

            E é exatamente isso que muitos dos primeiros liberais denunciavam, e contra o que se insurgiam, pois o que podiam observar era justamente uma corte muito luxuosa e cheia de privilégios, enquanto que a situação era de miséria entre a população menos favorecida. Os primeiros liberais enfrentaram, desse modo, uma espécie de dilema: se não houvesse um poder central maior os homens logo cairiam na barbárie, mas caso houvesse um poder maior, esse (também sendo lobo) acabaria explorando os seus semelhantes.

            A resposta desses pensadores a esse dilema deu forma às instituições liberais fundamentais, as quais, depois de muitas lutas, finalmente resultaram amplamente vencedoras. E embora tenham se transformado significativamente, conforme antes mencionamos, em seus traços essenciais essas instituições perduram até os nossos dias. Que resposta foi essa? Foi a de criar-se o que na ciência política chama-se de uma ordem de “contrapesos”. Ou seja, alguém apenas faria as leis, outro apenas seria responsável pela execução dessas leis, e um terceiro apenas ficaria responsável por julgar se essas leis estavam sendo cumpridas ou não. Uma ordem, como vemos, fundamentada numa desconfiança básica do homem e da humanidade, onde o primeiro e o segundo controlam o terceiro; o segundo e o terceiro controlam o primeiro; e assim por diante, formando um equilíbrio racional, como que de contrapesos.

O Estado Mínimo

            Temos aí a origem da concepção dos três poderes fundamentais separados; hoje denominados legislativo, executivo e judiciário. Temos aí também a origem da concepção de um “estado mínimo”, que até hoje encanta os liberais. Já que existe a necessidade de um poder central maior, que ele seja o menor possível. E, mesmo esse, sempre dentro de um esquema de contrapesos. Tudo isso logicamente embasado numa desconfiança fundamental, que visa garantir que ninguém empunhe um poder muito grande, porque se todo homem é lobo de todo homem, então, “todo o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”, que é uma das máximas preferidas dos liberais até os nossos dias.

            Vejamos outra citação da História das Doutrinas Políticas, antes citada, a qual corrobora o panorama sintético recém apresentado sobre os primórdios do Liberalismo:

            “John Locke, nascido em 1632, morto em 1704, personificou as tendências liberais opostas às idéias absolutistas de Hobbes. Seu Ensaio sobre o Governo Civil foi publicado em 1690, menos de dois anos depois da segunda revolução inglesa, que havia ocorrido no fim de 1688. Compreende-se que, escrevendo em seguida a um acontecimento dessa importância, um escritor político tivesse necessidade de tomar posição e de tornar conhecida sua opinião a respeito da questão. Locke justifica a revolução.

            “O Ensaio sobre o Governo Civil é dividido em duas partes. Na primeira ele se dá ao trabalho de refutar Filmer. Na segunda, partindo das mesmas hipóteses que Hobbes, ou seja, admitindo um estado de natureza seguido de um pacto social (idéia comum a vários escritores dos séculos XVII e XVIII), chega a conclusões opostas às sustentadas por Hobbes. (…)

            “É a Locke que se deve a elaboração quase completa da teoria dos três poderes fundamentais, mais tarde desenvolvida por Montesquieu.” (idem acima, p. 191-192)

Um Homem, Um Voto

            É importante notarmos que ao longo de sua história a principal modificação que podemos observar na prática dos modelos de inspiração liberal foi a gradual expansão das franquias que de início eram exigidas para o exercício do voto, até que se chegou, geralmente já em pleno século XX, ao chamado voto universal, o qual é hoje uma das características das democracias liberais. Essa gradual expansão em grande medida deveu-se às transformações pelas quais passavam as sociedades nacionais na Europa e na América do Norte, cada vez mais industrializadas, e que desencadearam movimentos operários sufragistas (que lutavam pelo direito de votar) no século XIX e nas primeiras décadas do século XX.

            Porém, quanto às suas outras instituições básicas, a exemplo dos três poderes fundamentais, da ordem jurídica gerada por um pacto social, da economia de mercado (com ampla liberdade para os agentes econômicos), e da garantia de direitos individuais e de outras liberdades consagradas pela tradição liberal (a liberdade de palavra, de associação, da qual decorre uma ordem pluralista onde existem vários partidos políticos etc.), todas essas instituições encontram-se até os nossos dias preservadas sem modificações essenciais.

            No século passado (XX), então, devemos acrescentar a essas principais instituições liberais a do voto universal, não mais limitado por franquias pecuniárias, pelo sexo, ou quaisquer outras restrições. Isso desde muitas décadas se constitui em outro dos pilares dos modelos de organização de cunho liberal, ou seja, a noção de que todos são iguais em direitos e deveres e que, portanto, a cada indivíduo deve corresponder um voto (“um homem, um voto”).

Mudanças com Permanência das Premissas Fundamentais

            C.B. Macpherson, autor da conhecida obra A Democracia Liberal: Origens e Evolução, tenta apanhar sinteticamente esse grande movimento de transformação no Liberalismo na passagem de sua obra que temos a seguir:

            “Os liberais do século XVII e XVIII, que não eram absolutamente democratas (a partir de, digamos, Locke até Burke), admitiam plenamente as relações capitalistas de mercado. O mesmo se pode dizer dos democratas-liberais do início do século XIX, e veremos (no capítulo II) até que ponto isso se aplica aos casos de Bentham e James Mill. Depois, a partir de meados do século XIX, como veremos, os pensadores liberais tentaram combinar a aceitação da sociedade capitalista de mercado com uma posição ética humanista. Isso ensejou um modelo de democracia consideravelmente diferente do de Bentham, mas ainda implicando aceitação da sociedade de mercado.” (p. 27)

            Vemos, portanto, que apesar das grandes transformações ao longo de sua história, o Liberalismo consegue preservar o núcleo de suas premissas fundamentais, bem como de suas principais instituições, embora elas tenham se enquadrado dentro da moldura de teorias um tanto diferentes. É importante notarmos, sobretudo, que todas essas transformações ficam dentro da concepção fundamental do homem como um ser em última análise egoísta, o qual, por maior que sejam as suas capacidades e a sua inteligência, sempre tratará de maximizar as suas satisfações pessoais.

            Essa é a concepção genérica de ser humano que até os nossos dias predomina dentro do pensamento liberal. Na verdade, fora desse pano de fundo conceitual a sua instituição básica de uma ordem de contrapesos torna-se inconsistente e ilógica. Ou seja, fora dessa matriz conceitual não faz muito sentido uma ordem baseada em uma desconfiança universal acerca do poder estatal, com os seus poderes fundamentais independentes entre si, bem como com a noção de um estado mínimo, isto é, um poder central mínimo (devido à noção de que “todo poder corrompe”).

            Ora, se todo o poder corrompe é porque todos os seres humanos são corruptíveis. E isso ocorre porque em todos os seres humanos predomina inexoravelmente, sobre todas as outras características fundamentais de comportamento, a defesa dos seus interesses particulares. Os seres humanos, portanto, por mais inteligentes que possam ser, são essencialmente egoístas – permanecendo assim verdadeira para os liberais a generalização da máxima homo homini lupus.

            Em vista desse estado de coisas, que faz com que todos se inclinem, sobretudo, a buscar a satisfação dos seus interesses privados, muitos pensadores liberais argumentaram que um modelo de organização social composto por essas principais instituições liberais significa a garantia de que será atingida a maior felicidade para o maior número de pessoas, e daí a coerência dessa visão de ser humano com o discurso da excelência insuperável do mercado capitalista, bem como da excelência de uma ética de cunho utilitarista.

            Isto é, dessas premissas do pensamento liberal a respeito do ser humano deriva-se logicamente a defesa de uma moral, ou valores de conduta, centrada no princípio da busca pelo maior prazer e satisfação individual. Cabe lembrar que o Utilitarismo é uma corrente de filosofia social, importantíssima na sustentação teórica do modelo liberal, e que define “como fundamento das ações humanas a busca egoística do prazer individual, do que deverá resultar maior felicidade para maior número de pessoas, pois se admite a possibilidade dum equilíbrio racional entre os interesses individuais.” (do verbete “utilitarismo”, no Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, 1986, p. 1745).

 O Fim das Ideologias

            Convém salientar que tanto a ética quanto o modelo de organização política do Liberalismo são coerentes com suas premissas e que, caso essas premissas a respeito do homem fossem verdadeiras, essa ética e esse modelo, de fato, seriam o melhor que se poderia esperar para a humanidade.

            Em vista disso, e da enorme predominância alcançada pela democracia liberal, alguns teóricos liberais de nossos dias chegam a defender a idéia que chegamos ao que chamam de “fim das ideologias”. Ou seja, uma vez que este é o modelo mais perfeito para a humanidade, aquele que assegura a maior felicidade possível para o maior número e, como, se não bastasse, é aquele que se encontra em aplicação na grande maioria dos países e, certamente, nos mais poderosos – que em vista de tudo isto, teríamos chegado a um modelo definitivo. A partir desse momento todo o desenvolvimento futuro da humanidade se daria dentro desse modelo significando, desse modo, um fim das lutas entre filosofias e modelos políticos alternativos, um “fim das ideologias”.

            Certamente deve causar boa dose de mal estar a esses pensadores tão otimistas o fato de que, apesar de termos alcançado uma visão definitiva (e, assim, verdadeira) do ser humano e da humanidade, bem como de termos chegado a um modelo permanente de organização político-social (e, portanto, bom e cientificamente consistente), que apesar de tudo isso a humanidade se encontre no estado terrível em que se encontra, onde se destacam, de um lado, os problemas do chamado subdesenvolvimento e, de outro, as ameaças crescentes de desequilíbrios ambientais catastróficos. Mas talvez a sua faceta mais triste seja o fato de que a humanidade de nossos dias se encontra sem qualquer perspectiva concreta de superação desse quadro num horizonte previsível. Na realidade, o que temos bem claramente previsível à nossa frente é um agravamento crescente de problemas e desafios colossais.

            Tendo em mente esse panorama global, ainda que muito sintético, a respeito das premissas e do modelo de organização política do Liberalismo, passemos agora a analisar as falhas desse modelo. Iniciaremos essa análise, contudo, procurando situar e enfatizar a importância decisiva dos modelos de organização política em relação ao bem-estar dos países em geral.

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5 – AS FALHAS DA DEMOCRACIA LIBERAL

            A fim de podermos perceber claramente como os problemas mundiais estão relacionados com as falsas concepções de ser humano que fundamentam tanto o Liberalismo quanto o Marxismo (por não apreenderem satisfatoriamente os aspectos da unidade e da diversidade inerentes à humanidade), faz-se necessário criticarmos seus modelos de organização política.

            Isto é necessário porque, como dissemos, estas falsas concepções se relacionam com os problemas concretos da humanidade por meio das principais instituições que organizam a vida social. Estas instituições se constituem em aplicações práticas, ou modelos que estruturam concretamente as nossas vidas diárias, que são, estes sim, diretamente derivados destes pressupostos abstratos, ou destas premissas filosóficas a respeito do ser humano.

            Se quiséssemos ser um pouco mais precisos deveríamos dizer que esta intermediação ocorre em primeiro lugar através da influência sobre o comportamento da elite, na medida em que este comportamento é afetado por uma determinada visão de mundo e, conseqüentemente, por um determinado conjunto de valores éticos. E é este comportamento da elite que, por ser ela tão dominante (conforme vimos no capítulo sobre as diferenças de capacidade), se projeta inevitavelmente sobre o todo da sociedade, sob a forma de suas principais instituições (a exemplo do sistema de organização política).

A Importância da Forma de Organização do Poder

            Entre todas as principais instituições de uma sociedade, concretizadas através das idéias e dos padrões de comportamento que são dominantes ao nível da elite, a mais nevrálgica ou vital, aquela da qual necessariamente dependem as outras grandes instituições de uma sociedade, é o modelo ou a forma como o poder é organizado e distribuído dentro deste corpo social.

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            É claro que todas as grandes instituições de uma sociedade (econômicas, educacionais etc.) interagem e influenciam-se mutuamente e, portanto, a importância de nenhuma delas deve ser negligenciada. No entanto, todas as leis fundamentais, que em grande medida balizam a existência destas outras instituições, bem como os processos de tomada de decisões que envolvem imensas quantidades de recursos, dependem vitalmente da forma como o poder é organizado.

            Isto porque é a estrutura política que regulamenta a maneira como serão escolhidos os principais legisladores e governantes. E são eles que decidirão a respeito das principais leis constitutivas, bem como são eles que decidirão a respeito da aplicação prática de gigantescos volumes de recursos.

Efeitos da Não Compreensão da Unidade e das Diferenças

            A forma como se estrutura ou se organiza o poder é, portanto, crucial para o bem-estar de qualquer sociedade. A compreensão deste ponto não parece ser muito difícil e, talvez, seja uma coisa razoavelmente bem conhecida. No entanto, mesmo ao nível da elite as pessoas encontram enormes dificuldades para perceber que as grandes instituições que organizam e distribuem o poder, isto é, os sistemas políticos, tanto do Liberalismo quanto do Marxismo, são muito inconsistentes, ou muito incompetentes no cumprimento de sua função básica de organizar o poder numa sociedade. E, assim sendo, a maioria da elite falha em perceber que é precisamente a incompetência destas instituições que é diretamente responsável por grande parte dos graves problemas enfrentados por estas sociedades.

            Essa dificuldade generalizada de perceber claramente o fracasso destes modelos tem como explicação o fato de que somente é possível esta percepção quando se leva em conta tanto a unidade quanto as enormes diferenças de capacidades mentais e morais (ou de caráter) – os dois aspectos absolutamente fundamentais em qualquer visão realista dos seres humanos coletivamente considerados – e que são justamente os pontos aonde, como vimos, falham tanto o Liberalismo quanto o Marxismo.

            Por essa razão é tão importante a perspectiva da humanidade como uma fraternidade, uma vez que é a única que engloba e harmoniza estes dois aspectos fundamentais e aparentemente contraditórios da unidade e da diversidade. Também por esta razão nos preocupamos tanto em apresentar um claro panorama acerca da unidade e das diferenças entre os seres humanos.

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As Duas Funções do Sistema Político

            Quando levamos em conta esses aspectos, fica muito claro que o sistema de organização política em qualquer sociedade deve responder, sobretudo, a duas grandes necessidades relativas à organização do poder. A primeira delas é oferecer um processo de escolha dos principais legisladores e governantes, por meio do qual possam chegar a estes cargos de maior responsabilidade dentro de uma sociedade os indivíduos realmente mais capacitados, tanto em termos ético-morais, quanto em termos técnicos. E a segunda necessidade é garantir que estes dirigentes sejam dotados dos meios de coerção adequados, isto é, de uma quantidade suficiente de poder ou força, de modo que eles sejam capazes de impor o respeito à norma legal, a qual é resultado das decisões emanadas destes legisladores e governantes.

            É indispensável que haja uma compreensão bem clara a respeito da importância decisiva destas duas funções principais de um sistema político. Isto é decisivo tanto para que se possa elaborar um bom diagnóstico das falhas dos sistemas atuais e, assim sendo, para que se entenda como são gerados os problemas mundiais, quanto para que se vislumbre a possibilidade da construção de uma ordem social satisfatoriamente harmônica. Por esta razão examinaremos a seguir cada uma destas funções.

O Processo de Escolha dos Governantes

            A primeira necessidade, portanto, é a de um eficaz processo de escolha dos governantes. Se levarmos em conta as enormes diferenças de capacidade e, assim sendo, de níveis de abrangência da consciência social dos seres humanos (expostas anteriormente) perceberemos imediatamente que este aspecto é absolutamente essencial e não pode deixar de ser equacionado com muita competência, sob pena de acarretar conseqüências simplesmente desastrosas.

            Um competente processo de escolha das lideranças é imprescindível porque as questões atinentes a uma nação inteira, e ao seu relacionamento com outras, são muito vastas e complexas, tanto assim que apenas muito poucas pessoas, apenas aquelas mais capacitadas e mais altruístas é que estarão aptas para enfrentá-las apropriadamente. Ou seja, os requerimentos inerentes ao exercício competente dos cargos de maior responsabilidade em uma nação são muito grandes e, deste modo, exigem que o processo de escolha assegure que

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chegarão até estes cargos os indivíduos realmente capacitados, que serão certamente muito poucos. Tudo isto evidencia o fato de que este sistema de escolha dos dirigentes deve ser excepcionalmente bem estruturado, sob pena de facilmente comprometer o bem-estar de toda a sociedade que em torno dele vive.

            Se examinarmos o exemplo muito mais simples de uma empresa, perceberemos com muita facilidade que o fato de não se colocar os mais capacitados nos postos de chefia implica num desperdício enorme de recursos. Que dizer então para o caso das nações, que são realidades muito mais complexas e, geralmente, muito mais vastas? Neste caso, não escolher aquelas poucas pessoas qualificadas para estas funções e responsabilidades, significa a certeza não apenas de imensos desperdícios, mas de catástrofes físicas e morais, que é bem o quadro que podemos observar no panorama mundial atual.

A Necessidade de Um Grande Poder de Coerção

            Quanto à segunda necessidade apontada – isto é, a da presença não apenas de pessoas capacitadas, mas também de suficiente poder de coerção em suas mãos, a fim de que suas decisões possam ser realmente postas em prática – isto também é algo de fundamental importância por causa, sobretudo, de uma das características básicas do mundo atual, que é a existência de gigantescas organizações, públicas e privadas, que detêm um poder incrivelmente grande em suas mãos, e que o usam para a realização dos seus interesses e objetivos privatistas (de corporações ou de grupos privados).

            Como não é muito difícil de constatar, mesmo as organizações públicas desenvolvem um “espírito de corpo”, isto é, interesses corporativos, e usam o seu poder enorme em prol destes interesses. Dentro deste cenário, se os dirigentes do Estado não estiverem dotados de um enorme poder de coerção, não haverá a menor chance de que estes interesses gigantescos possam ser regulados e harmonizados em prol dos interesses maiores do bem-estar coletivo.

            O modelo de organização política do Liberalismo, a chamada democracia liberal, oferece respostas muito pouco satisfatórias a qualquer uma destas duas necessidades examinadas. De um lado, oferece um processo de seleção aos postos de maior responsabilidade que nem de longe seleciona aqueles poucos realmente capacitados para o exercício destas elevadas e pesadas responsabilidades. E, de outro, gera uma estrutura estatal débil, totalmente à mercê dos grandes interesses corporativos, isto é, das gigantescas organizações públicas e privadas, cuja

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existência, como vimos, é uma das características mais salientes das sociedades atuais.

A Liberdade

            Tentemos entender porque isto é assim. Imaginemos inicialmente um processo de seleção qualquer, um concurso público, por exemplo. Se quiséssemos que ele fosse um processo de seleção sério, justo e competente, isto é, que realmente tivesse uma boa chance de escolher os melhores de uma dada população, quais seriam as condições necessárias? Em primeiro lugar deveria existir liberdade para qualquer pessoa participar, a fim de que ninguém fosse de antemão excluído do concurso. Se uma parte da população fosse excluída a priori, digamos aqueles que têm a pele vermelha, nada nos garantiria que entre aquela parcela, pequena ou grande, da população que possui a pele vermelha, não houvesse alguém muito qualificado. Assim sendo, a liberdade é um ingrediente indispensável de um processo justo e competente de seleção.

A Igualdade de Oportunidades

            Em segundo lugar, não deveria haver privilégios no processo de escolha, isto é, deveria haver igualdade de oportunidades na disputa, pois se alguém, por exemplo, tivesse o privilégio de saber antecipadamente as questões da prova, esta pessoa certamente obteria o primeiro lugar, mas isto não teria valor algum, não provaria coisa alguma. Isto viciaria irreparavelmente o processo de seleção, o tornaria injusto e incompetente em relação ao seu verdadeiro propósito que é selecionar os realmente capacitados.

A Adequação Entre Funções e Capacidades

            Finalmente, deveria haver uma grande adequação entre o grau de dificuldade da prova, a função para a qual ela está selecionando, e a qualificação ou o nível de compreensão da população em questão. Se, por exemplo, a prova estivesse selecionando auxiliares de escritório, de nada adiantaria uma prova que contivesse apenas questões de cálculo integral. De um lado, este conteúdo não está adequado ao grau de dificuldade, ao tipo e à responsabilidade da função e, de outro, a população alvo pouco entenderia das questões, tornando o processo

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de seleção muito pouco significativo. Isto quer dizer que deve haver uma adequação entre o nível de dificuldade e responsabilidade da função e o nível de compreensão da população.

            Essas condições são praticamente universais em relação a qualquer processo de seleção de recursos humanos, e o caso de um sistema político que busque ser justo e competente não se constitui em nenhuma exceção a estas regras. Examinemos, então, cada uma destas condições em relação ao processo de seleção das democracias liberais.

O Equívoco das Eleições de Grandes Massas

            A liberdade de participação e expressão é um valor universal, inerente à dignidade humana, e qualquer cerceamento a priori da possibilidade de alguém, ou de algum grupo, participar do processo político viciará o processo de escolha por parte da população, e assim por diante. Falando apenas em termos gerais, a garantia desta liberdade de participação, de expressão, de organização etc., costuma ser razoavelmente bem atendida nas democracias liberais. Esta condição, portanto, não é um grande problema neste tipo de modelo de organização política.

            Mas que dizer da segunda condição, que é da igualdade de condições na disputa pelos postos de maior responsabilidade política do país? Haveria igualdade de condições nas eleições de grandes massas que caracterizam os processos de escolha para os principais postos políticos nas democracias liberais? Evidentemente que não, nem de longe!

            Os processos eleitorais de grandes massas, que geralmente chegam à casa dos milhões de pessoas, não raro muitos milhões de pessoas, caracterizam-se por campanhas caríssimas, as quais envolvem vultosos recursos (humanos, materiais, financeiros etc.) e envolvem necessariamente acesso aos meios de comunicação de massa. Ora, a maioria da população possui poucos recursos, e os meios de comunicação de massa são detidos por grupos privados! O que acontece na realidade deste cenário injusto é que a grande maioria fica completamente excluída de qualquer chance concreta de sucesso em uma disputa tão flagrantemente desigual.

            E o resultado disto é bem evidente. A esmagadora maioria daqueles que se elegem pertencem a algumas categorias bem visíveis. Elegem-se, sobretudo, os ricos, ou aqueles financiados pelos que detêm grandes recursos materiais; elegem-se também aqueles que aparecem com freqüência nos meios de comunicação

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de massa, sejam artistas, atletas ou comunicadores de massa de vários tipos. Cabe repetir que sendo os meios de comunicação empresas privadas, os interesses privados dessas empresas exercem uma “natural” censura, não apenas sobre aquilo que veiculam, mas muito especialmente sobre aqueles que empregam como seus comunicadores de todos os tipos.

            Alguém já viu um comunicador do SBT criticando os interesses econômicos, ou políticos, ou de qualquer outro tipo do Sr. Sílvio Santos? Ou coisa análoga em relação à Globo e o Sr. Roberto Marinho? Bem ao contrário, o que se sabe é de comunicadores, artistas etc., que perdem seus empregos por discordarem das idéias de seus patrões. Do que se sabe bem, igualmente, é do poder imenso dos meios de comunicação de massa, sejam as redes de televisão, ou de rádio, ou mesmo dos grandes jornais e revistas, que em conjunto são freqüentemente denominados de “quarto poder”.

            A última categoria que tem bastante “sorte” neste sistema são os demagogos de todos os tipos. São aqueles que, consciente ou inconscientemente iludem a massa com promessas que não poderão cumprir. É claro que alguns conseguem combinar duas destas categorias, ou mesmo as três, e aí então temos os fenômenos eleitorais.

            Muitas pessoas não percebem claramente que este quadro tão injusto fica ainda muito agravado quando consideramos a terceira das condições de um bom processo de escolha, que diz respeito à necessária adequação entre o nível da função ou responsabilidade, e o nível de consciência da população. As informações do capítulo sobre as diferenças de capacidades nos mostraram o real perfil dos níveis de abrangência da consciência social da população.

            O grau de inocência de grande parte desta população foi ali mostrado de forma clara. Sem uma visão nítida deste perfil e das enormes diferenças de abrangência na consciência social da população não é possível um diagnóstico sério acerca do quão injustas e incompetentes são as regras para a seleção dos governantes nos processos eleitorais das democracias liberais.

            Tomemos um exemplo concreto. Qual o sentido da população inteira ser obrigada a escolher os constituintes, através do sufrágio direto universal e obrigatório, quando de acordo com uma pesquisa do IBOPE, antes mencionada, poucos meses antes das eleições, no Rio Grande do Sul, que é um dos estados com melhores índices educacionais do país, 70,5 % da população não sabia sequer o que era uma Constituinte?

            Seria de causar qualquer surpresa que num processo de escolha dos dirigentes deste tipo a população eleja um presidente corrupto? Que ela eleja

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como deputado federal, um dos postos de maior responsabilidade, um traficante de drogas, e assim por diante? E não se diga que isto é apenas no Terceiro Mundo. Basta ver o exemplo recente da Itália, com tantos escândalos de corrupção etc. E o do Japão, onde mais de um primeiro ministro foi deposto porque descobriram que haviam sido subornados por grandes empresas, como a Lockheed dos EUA. Ou o caso de Nixon nos EUA. Os exemplos são tantos e tantos que se tornam enfadonhos. E isto que são apenas os conhecidos.

            O quadro abaixo, a respeito da credibilidade dos políticos, é bem nítido acerca dos resultados deste processo de escolha dos dirigentes políticos numa democracia liberal. Estes dados são sobre a credibilidade merecida por aqueles que deveriam ser o que uma nação tem de melhor, pois ocupam os postos de maior responsabilidade. A pesquisa é do IBOPE e foi publicada em Zero Hora, em 09/08/87. A pergunta apresentada foi a seguinte:

            – “Você concorda ou discorda das afirmações abaixo usadas para descrever a atuação dos políticos?” A tabulação apresenta percentuais.

Afirmações  Concorda Discorda Não sabe/

não opinou

Só fazem política em interesse próprio 80 % 17 % 3 %

Se preocupam com os interesses do povo 30 67 3

Mesmo os mais honestos acabam se corrompendo 66 26 8

Não cumprem o que prometem na campanha 89 9 2

Só defendem aqueles que os ajudaram a se eleger 73 23 4

Desfrutam de muitas mordomias 92 6 2

Só se lembram do eleitor na hora da eleição 93 6 1

            Esse quadro é um claro atestado acerca da incompetência deste sistema de escolha dos dirigentes políticos. Talvez apenas o agravamento nos últimos dez

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anos do quadro de excludência social, de miséria e violência na sociedade brasileira (que já era intolerável) seja um atestado ainda mais inequívoco acerca da incompetência geral deste modelo de organização política.

O Poder das Grandes Organizações

            No entanto, não apenas quanto ao processo de escolha dos governantes este modelo resulta incompetente. Também este modelo resulta incompetente no que diz respeito à sua capacidade de prover os governantes da necessária força de coerção, sobretudo, como vimos, para fazer frente ao enorme poder das grandes organizações.

            Por que essas grandes organizações são tão poderosas? Em última análise, porque conseguem reunir de forma coesa os esforços de muitos milhares de pessoas, por vezes centenas de milhares de pessoas. Graças a esta reunião coesa de esforços, ainda que por motivações de cunho eminentemente privatista, estas organizações apropriam-se de imensas quantidades de recursos econômicos, financiam e subornam dirigentes políticos, e assim por diante. E estas façanhas organizacionais são possíveis porque os seus departamentos de pessoal, entre outros, aplicam com muita eficácia o conhecimento acerca das diferenças de capacidades!

            Alguém conseguiria imaginar uma grande empresa, com dezenas de milhares de funcionários, escolhendo seus principais executivos, seu conselho de administração, enfim, seus postos de maior responsabilidade, por meio de um processo de eleições diretas com um voto para cada funcionário? Absolutamente não! Ou um exército escolhendo seus generais por eleições diretas de todos os componentes da força? De forma alguma! A própria Igreja Católica Romana, que do ponto de vista meramente organizacional é um dos exemplos mais bem sucedidos da história, e cujos bispos e cardeais, FORA DE CASA, apóiam a democracia liberal, não aplica, é claro, em sua própria casa um sistema tão ineficiente. Os seus fiéis não elegem o Papa, nem sequer os padres, e nem mesmo todos os bispos. Apenas os cardeais procedem à escolha do chefe da Igreja.

            Ora, os problemas de uma grande nação são muito mais complexos do que os problemas administrativos de uma grande empresa, de uma força armada, ou de uma organização religiosa. Mas os mesmos líderes empresariais, militares, religiosos etc., que para fora de suas organizações pregam as maravilhas do modelo democrático liberal, jamais pensariam em aplicá-lo nas realidades muito

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mais simples de suas corporações! Esta é a miséria das elites. Isto é, a miséria das idéias que dominam ao nível das elites e que se projetam como as grandes instituições dos países e do mundo.

            A fraqueza do Estado organizado sob a forma de uma democracia liberal foi atestada, várias vezes, na história recente do Brasil, e de tantas outras nações do Terceiro Mundo, ou mesmo da América Latina. Por que foram possíveis tantos golpes de estado, e por que serão possíveis tantos outros no futuro? Porque se trata de um modelo de estado débil, impotente ante a força das grandes organizações, das quais ele geralmente não passa mesmo de um fantoche. E o mesmo fator que explica a força destas corporações explica a fraqueza deste modelo.

            Vimos que a força destas corporações reside no fato de conseguirem reunir, ou organizar, de forma coesa muitos milhares de pessoas. E perante a colossal força destas corporações unicamente a força gerada por uma boa organização de toda a população de um país poderia impor-se. E é exatamente isto que o modelo democrático-liberal não faz, pois nos sistemas de eleições de grandes massas a organização política é muito frouxa e a população permanece fragmentada, ou “atomizada”, devido à grande distância que separa os representantes dos representados. E é a boa organização, a coesão, ou a união como se diz popularmente, aquilo que gera a força – não a fragmentação, a frouxidão quase amorfa.

            Quando milhões de pessoas elegem diretamente um governante, seja legislativo ou executivo, este mesmo processo, além de muito incompetente como processo de escolha dos mais capacitados, gera um abismo entre a população e os seus dirigentes, do qual advém a fraqueza deste tipo de estado, em relação às gigantescas corporações, privadas ou públicas. Porque mesmo estas últimas desenvolvem um espírito de corpo e interesses privatistas, os quais, em um estado tão fraco, não há força capaz de controlar.

            Desnecessário seria dizer que esta fraqueza apenas é reforçada pela ordem de contrapesos dos três poderes, cuja separação, de fato, enfraquece ainda mais o poder central. Este enfraquecimento, como vimos, é na realidade o objetivo visado, o qual é derivado da concepção de um “estado mínimo”. Nestes pontos, em resumo, residem as falhas do modelo liberal.

            Conforme citamos de Philip Converse anteriormente, são as correntes de pensamento que constroem a vida das nações. E do mesmo modo são elas que constroem a vida dos indivíduos – poderíamos acrescentar. Aquilo que domina as

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mentes da elite, aquilo que os líderes e os intelectuais proferem, aquilo que o poeta canta etc., nisto se converterá a vida de uma nação, uma vez que estes pensamentos também serão inevitavelmente aplicados como as principais instituições ou, no caso, como os modelos de organização sócio-política.

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6 – AS PREMISSAS E AS FALHAS DO MODELO MARXISTA

            Qual a visão de homem que nucleia a filosofia social do Marxismo? A consciência humana é vista nesta filosofia como resultado do entrechoque dialético de forças materiais, sobretudo relacionadas às formas de produção e distribuição dos bens econômicos.

            Em seu materialismo dialético e historicista, Marx pretende ter descoberto a lei de conflito dialético (tese, antítese e síntese) ligada às disputas pelas riquezas econômicas, a qual explicaria todo o desenvolvimento material e psico-espiritual (intelectual, jurídico, filosófico-religioso etc.) da humanidade.

A Lei do Conflito Fundamental

            Esta lei pode ser resumida como o conflito existente em todas as sociedades históricas (exceto num suposto comunismo primitivo) entre exploradores (tese) e explorados (antítese), ricos e pobres, dominadores e dominados. Este conflito sempre tem como resultante uma nova síntese, a qual determina um novo padrão de exploração, que passa a se constituir em uma nova tese, gerando uma nova antítese e assim por diante. Em nosso momento histórico do capitalismo esse conflito dá-se centralmente entre a classe detentora dos bens e equipamentos de produção econômica (os capitalistas, ou a burguesia) e a classe trabalhadora que possui apenas a sua força de trabalho.

            Este conflito fundamental é que, em resumo, geraria e explicaria a enorme diferenciação existente ao nível das consciências. Os explorados devido à pobreza, à ignorância e ainda à cultura dominante, que surge para justificar esta exploração (cultura esta chamada por Marx de “ideologia”), tornam-se alienados ou inconscientes de seus direitos e possibilidades de desenvolvimento. Os exploradores, devido à riqueza e à educação que lhes confere um maior

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descortino e abrangência mental, reproduzem as formações culturais que justificam a exploração, isto é, as visões de mundo ideológicas ou de dominação.

A Consciência Determinada Pelo Meio Material

            Mas, ao contrário do Liberalismo que vê o homem com uma desconfiança fundamental, o Marxismo é uma filosofia que vê o homem através de certo tipo de otimismo fundamental. Isto porque o Marxismo defende a premissa de que esta diferenciação entre exploração e alienação, que caracteriza a consciência da humanidade até os nossos dias, trata-se apenas de um período na evolução da espécie humana (definido como “pré-história” da humanidade), uma fase que estaria próxima do seu final.

            Deste modo, devido ao avanço e à complexificação cada vez maior (industrialização, urbanização, revoluções científicas e técnicas etc.), desencadeados pelo modo de produção econômica característico do capitalismo, a exploração estaria chegando a um máximo e se tornando cada vez mais aparente. Marx afirma, fiel aos seus pressupostos, que os seus próprios estudos (os quais identificaram esta lei mestra do conflito dialético-material-econômico, que explicaria a alienação etc.) já foram frutos do desenvolvimento material do modo de produção característico dessa época.

            Assim sendo, o Marxismo acredita que está chegando o momento evolutivo no qual os explorados, que são a maioria, estão se conscientizando desta exploração, e que através de suas organizações (elas mesmas resultado dessa nova consciência social), imporão uma nova ordem, não mais baseada na propriedade privada dos bens de produção e, portanto, na exploração, mas sim na socialização destes bens de produção.

            Este período de transição implicaria, segundo Marx, no uso da força, e num regime temporariamente ditatorial (a ditadura da classe operária). Outros autores, reformadores do pensamento marxista original, acreditam que esta transição pode, ou até mesmo deve, se dar dentro dos processos eleitorais típicos das democracias liberais. Mas isto não muda a essência desta filosofia, e por isso se definem ainda como marxistas, ou neomarxistas.

            Mas o mais importante é que, feitas estas transformações e superada a exploração, as enormes diferenças de abrangência das consciências humanas desapareceriam quase que completamente. Todos os homens saudáveis se tornariam plenamente conscientes em termos sociais. Adviria daí uma era (a verdadeira

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“história” do homem, posto que ele agora pela primeira vez estaria consciente e senhor das leis que determinam a sua história) na qual reinaria uma grande igualdade econômica, bem como uma igualdade de abrangência na consciência social dos indivíduos. Os bens econômicos necessários seriam acessíveis de forma livre e comum a todos, daí o termo “comunismo”. Restariam apenas as diferenças de tipos psicológicos, temperamentos etc., mas não mais grandes diferenças de níveis de consciência social, uma vez que o fenômeno da alienação teria deixado de existir.

O Ser Humano no Marxismo

            O homem no Marxismo, ao contrário do Liberalismo, não é visto como um ser basicamente egoísta. Ele é um ser que está em vias de superar para sempre a exploração (o egoísmo cruel), bem como a sua contrapartida que é a alienação. O homem é assim potencialmente bom, desde que as circunstâncias ou o meio ambiente social sejam bons, uma vez que a sua consciência é função do ambiente que a envolve. Por isto classificamos o Marxismo como uma perspectiva de certo modo otimista. Mas, em comum com o Liberalismo, esta filosofia também procede a um nivelamento da espécie humana. Não no que diz respeito à situação atual (onde a existência de diferenças seria resultado da exploração), mas sim em termos potenciais. Potencialmente todos são igualmente capazes, apenas o meio histórico-material (caracterizado pela exploração) é que ainda não permite que essa igualdade se expresse.

            Forçando um pouco a comparação, apenas para auxiliar a compreensão, podemos dizer que o Liberalismo nivela a humanidade por baixo (“todo homem é lobo do homem”), e o ser humano, portanto, é visto sempre como basicamente dentro de um padrão egoístico. Enquanto que o Marxismo nivela a humanidade por cima, ao menos em termos potenciais, na medida em que acredita que tão logo se transforme o meio histórico-material todos os seres humanos verão suas consciências superarem a alienação, dentro de uma ampla e desimpedida consciência de cidadania.

A Ética Marxista

            Não é necessário avançarmos mais neste exame dos fundamentos do Marxismo. Do mesmo modo que o Liberalismo, também o Marxismo é uma

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construção lógica, e dificilmente poderia não ser assim numa época de predomínio da lógica cientificista. E assim, seus métodos de ação, suas concepções éticas e de deveres, bem como seu modelo de organização social, derivam-se logicamente de suas premissas fundamentais.

            Da mesma forma que no caso do Liberalismo, o Marxismo também deu origem a uma ética, a valores morais coerentes com sua filosofia materialista e igualitarista, bem como a uma estratégia de transformação social. Na verdade, ao menos no que diz respeito a alguns aspectos, trata-se de uma ética tanto ou mais cruel que a ética utilitarista e a excludência social que caracterizam o Liberalismo. Isto porque, sendo a consciência considerada como fruto do meio ambiente material, todas as maneiras de se alcançar um ambiente material livre da exploração de uma classe sobre a outra tendem a ser justificadas.

            E a partir daí legitima-se a aplicação dos métodos mais violentos de transformação social. Os horrores gerados pelo regime soviético, e por outros países que adotaram um modelo marxista, são hoje conhecidos e dispensam maiores comentários, mas podem ser grosseiramente resumidos como uma ética do tipo “os fins justificam os meios”. Examinemos agora, ainda que brevemente, o modelo de organização política diretamente derivado desta filosofia, que é aquele relativo à chamada ditadura do proletariado.

As Falhas a as Virtudes do Modelo Marxista

            O modelo tipicamente derivado do Marxismo é uma ordem totalitária muito pouco flexível que exclui da disputa política partidos e candidatos que não apóiem este modelo. Geralmente temos um quadro de partido único, ou pelo menos de um partido ampla e inflexivelmente dominante, como podemos observar ainda hoje, por exemplo, na China ou em Cuba.

            Ali o sistema de representação, ou de escolha das chefias políticas, o qual como dissemos se dá geralmente dentro do partido único, não segue a norma das eleições de grandes massas como nas democracias liberais, porém ocorre através de um sistema do tipo piramidal, também conhecido como “árvore invertida”.

            Neste sistema a representação ocorre escalonadamente em alguns níveis de amplitude crescente. Assim, a representação começa em pequena escala, com a eleição de representantes em uma “célula”, que é o primeiro nível de organização, o qual corresponde a um local de trabalho (uma fábrica, por exemplo), ou uma pequena circunscrição geográfica. A representação segue a partir daí,

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indiretamente, através de outros níveis de abrangência geográfica cada vez maior (seções, federações, ou denominações análogas), até chegar a um conselho superior da república, isto é, um Congresso Nacional, o qual por sua vez escolhe um Comitê Central, o qual designa um Secretariado e outras comissões que se fizerem necessárias às funções governamentais de maior responsabilidade política do Estado.

            Analogamente à análise aplicada ao modelo liberal, vejamos como o modelo marxista responde às necessidades essenciais de um processo de escolha dos dirigentes justo e competente que são: 1) liberdade, 2) igualdade de condições na disputa política e, 3) adequação entre níveis de responsabilidade e níveis de compreensão ou capacidades. Em segundo lugar, vejamos se gera a força de coerção política necessária para uma atuação eficaz dos governantes.

            Não é difícil perceber que a questão da liberdade, que é o ponto forte do modelo liberal, é o ponto mais crítico do modelo marxista, o qual em termos gerais também compromete totalmente o aspecto da igualdade de oportunidades.

            Neste modelo aqueles que divergem substancialmente das idéias dominantes não podem sequer participar do processo político. Ficam automaticamente excluídos deste processo. Neste cenário, é claro, desaparece a igualdade de oportunidades, pelo menos em relação àqueles que se opõem às idéias e ao sistema dominante.

            No que diz respeito ao aspecto da adequação entre nível de responsabilidade da função e nível de compreensão dos indivíduos, por paradoxal que isto soe à primeira vista (uma vez que se trata de um modelo derivado de uma filosofia que apregoa a igualdade de capacidades de todos os seres humanos, pelo menos em termos potenciais), este modelo se mostra claramente superior ao modelo liberal.

            Isto porque o seu modelo de escolha dos dirigentes que, como vimos, é do tipo piramidal (ou “árvore invertida”), garante, de um lado, uma maior igualdade de oportunidades, uma vez que as eleições se dão sempre em grupos muito menores do que no caso do sufrágio de massa, embora esta maior igualdade de oportunidades seja relativa, pois se dá apenas dentro do partido. De outro lado, este sistema permite uma grande adaptação entre função e capacidades, uma vez que as eleições para os sucessivos níveis de representação vão gradualmente aumentando tanto os níveis de responsabilidade quanto a qualificação da população envolvida, porém, o que é mais importante, sem nunca implicar em eleições de massa.

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            E justamente por não se valer do sufrágio de massa, este modelo, finalmente, organiza muito melhor a população envolvida no processo político, graças exatamente a esta estrutura de representações escalonadas, onde dentro de cada um destes níveis existe uma proximidade muito maior entre os representantes e os representados. Deste modo, ele tende a gerar uma coesão social muito maior do que os sistemas de eleições diretas de massa, os quais, como vimos, devido à grande distância entre representantes e representados, enfraquecem muito a coesão da organização social.

            Não obstante, uma vez que se trata de um sistema rígido e que não permite a liberdade de participação etc., ele acaba excluindo uma expressiva parcela da população e, deste modo, acaba gerando resistências e conflitos muito prejudiciais, além de uma inflexibilidade tão grande que acaba por minar a criatividade e, portanto, a vitalidade ou a dinamicidade de todo o sistema.

            Seja lá como for, o fato é que este sistema, embora pagando um preço totalmente inaceitável quanto à liberdade e à igualdade de oportunidades, o que no longo prazo decreta o seu fracasso, consegue gerar uma maior adaptação entre funções e capacidades em comparação com o modelo liberal e, ao menos por algum tempo, devido à inexistência do sufrágio de massa, gera uma coesão social que garante aos dirigentes um grande poder de coerção, o que historicamente lhes permitiu implantar profundas transformações sócio-econômicas dentro dos países onde este modelo foi aplicado, transformações estas que seriam impossíveis dentro da ambiência de um modelo liberal. A China é exemplo disso.

            Concluiremos nosso breve exame das limitações e dos pontos favoráveis do modelo marxista trazendo em corroboração à nossa análise duas passagens de Maurice Duverger, seguramente um dos maiores cientistas políticos deste século XX. Ao final da segunda citação Duverger deixa claro que também tem fortes reservas a este modelo como um todo, mas não deixa de reconhecer que possui méritos organizacionais, pois afirma que os marxistas:

“(…) desenvolveram uma estrutura ainda mais original, repousando em grupos bem pequenos (de empresa, bairro, etc.), fortemente reunidos pelos processos do “centralismo democrático”, e contudo fechados graças à técnica de ligações verticais: esse admirável sistema de enquadramento das massas tem contribuído ainda mais para o êxito do comunismo que a doutrina marxista ou o pobre nível de vida das classes operárias.” (Os Partidos Políticos, p. 40)

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            “Podemos pensar muitas coisas do Partido Comunista: porém devemos reconhecer que os mecanismos forjados por ele são de notável eficácia, e que não lhes podemos recusar certo caráter democrático, por causa deste cuidado constante de manter o contato da base, de estar “à escuta das massas”. (…) A força do Partido Comunista é a de haver estruturado um método científico que permite alcançar esses resultados, com a dupla vantagem do método científico: maior exatidão; e possibilidade de emprego por todos após uma formação satisfatória. Ainda mais profundamente, o valor desse método vem do fato de que esta força não é puramente passiva, não se limita a registrar as reações das massas, mas permite agir sobre elas, canalizá-las suavemente, prudentemente, porém profundamente. Pode-se deplorar o emprego da ferramenta: deve-se admirar sua perfeição técnica.” (Os Partidos Políticos, p. 93)

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7 – OS PROBLEMAS MUNDIAIS E OS MODELOS POLÍTICOS DOMINANTES

            Após termos examinado as correntes de pensamento dominantes nesta segunda metade do século XX, bem como as limitações das suas principais instituições, especialmente seus modelos de organização política, devemos agora examinar a ligação direta destes sistemas políticos com os problemas mundiais, ainda que isto já possa ter sido vislumbrado ao longo das análises apresentadas anteriormente.

            Iniciemos, então, explicitando quais os principais problemas mundiais em nossa época, os quais por certo devem estar relacionados, ou mesmo em grande medida devem ter sido gerados por estas correntes e seus modelos, uma vez que elas dominaram o panorama das idéias neste século.

            Dizemos “em grande medida” porque a bem da justiça não podemos ignorar que as alternativas que se apresentaram ao mundo, especialmente na primeira metade do século, isto é, o Nazismo e o Fascismo, constituem correntes e modelos ainda mais tragicamente equivocados do que os dois examinados e que hoje são hegemônicos. Do mesmo modo, os exemplos alternativos nos dias de hoje, embora de menor significância no contexto mundial, são ainda piores do que os examinados. Nos referimos, sobretudo, aos fundamentalismos religiosos, a exemplo do caso do Irã. Todos estes também contribuíram ou ainda contribuem para a miséria deste século e, portanto, não podemos atribuir todos os males do século ao Liberalismo e ao Marxismo. Na verdade, é certo que devamos sentir certa gratidão a estas duas correntes, pois foram elas que nos salvaram de uma tragédia muito maior, que seria um domínio mundial nazi-fascista.

Os Principais Problemas Mundiais

            Feita esta ressalva, passemos à análise dos principais problemas mundiais

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que dizem respeito, de um lado, ao abismo de riqueza existente entre as nações, isto é, ao contraste entre os assim chamados países desenvolvidos e subdesenvolvidos, e de outro, às agressões e desequilíbrios do meio ambiente natural, com os desastres ecológicos que podem daí resultar.

            O subdesenvolvimento tem por trás de si a miséria, a violência e o abandono de milhões e milhões de seres humanos. Este é um quadro completamente inaceitável, o qual cedo ou tarde gerará uma indignação e uma revolta incontrolável, trazendo consigo o risco inclusive de guerras nucleares. E as crescentes formas de poluição e de destruição impostas ao meio ambiente natural apontam para desastres que já são cientificamente previsíveis em um horizonte não muito distante. Por que as diferenças entre a riqueza das nações aumentou tanto ao longo dos dois últimos séculos? O que é que está por detrás das crescentes agressões ao ambiente natural?

A “Modernização” Como Causa Imediata dos Problemas

            A seguinte citação de Alberto Guerreiro Ramos, um dos poucos cientistas sociais brasileiros de renome internacional, aponta na direção de uma resposta para estas questões. Guerreiro Ramos, é importante salientar, teve seus direitos políticos cassados durante o autoritarismo militar e foi também criticado e marginalizado pela esquerda. Ele faleceu na década dos anos 80 (após lecionar na Universidade do Sul da Califórnia). Vejamos a citação:

“Os resultados atuais da modernização, tais como a insegurança psicológica, a degradação da qualidade da vida, a poluição, o desperdício à exaustão dos limitados recursos do planeta, e assim por diante, mal disfarçam o caráter enganador das sociedades contemporâneas. A autodefinição das sociedades industriais avançadas como portadoras da razão está sendo diariamente solapada. Esse clima de perplexidade pode viabilizar uma reformulação teórica de enorme magnitude.” (A Nova Ciência das Organizações, p. 22)

            Ou seja, estes problemas são os resultados da chamada modernização. E o que está por detrás desta corrida insana entre as nações pela dita modernização? Ora, o próprio significado da palavra “modernização” alude, sobretudo, à

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capacidade de competir economicamente em termos internacionais. O que está por detrás da verdadeira compulsão pela modernização, portanto, é a desenfreada ou incontrolável competição entre as nações, numa espécie de guerra econômica de todos contra todos no cenário internacional. E por que é tão incontrolável (e, assim, tido como necessário) este processo, cujo único fim previsível são as catástrofes? Por que não existe força capaz de controlá-lo?

Por Que a “Modernização” Torna-se Necessária?

            A resposta é simples e diz respeito ao fato de que, como vimos anteriormente, não existe no mundo de hoje força capaz de regular, de controlar ou de harmonizar a atuação das grandes organizações. E elas, por sua vez, não podem deixar de buscar sempre ganhos de produtividade (que significa a capacidade de produzir mais e melhor com a mesma quantidade de recursos, ou até com menos recursos), e outras melhorias deste tipo, isto é, de buscarem a modernização, o que significa uma maior competitividade econômica internacional.

A Competição Entre as Grandes Organizações

            As grandes organizações estão obrigadas à dita modernização, ou seja, aos ganhos de produtividade etc., porque elas sabem que se deixarem de agir assim serão destruídas, na medida em que serão derrotadas na competição com as outras gigantescas organizações com as quais disputam. E como também vimos, são elas que têm como fantoches os governos, pelo menos dentro da debilidade e da imoralidade que são absolutamente inerentes ao modelo liberal. Elas arrastam, deste modo, irresistivelmente os países para esta guerra econômica.

            Esta guerra tem inclusive forçado a criação de grandes blocos econômicos de países, pois as grandes organizações dos países pequenos e médios necessitam de uma dimensão de mercado que lhes possibilite ganhos de escala, a fim de que sejam capazes de competir de igual para igual com aquelas dos grandes países.

A Fraqueza do Modelo Liberal

            Assim sendo, vemos que no mundo se estabelece esta espécie de corrida incontrolável pela modernização. O importante é compreendermos que, dentro do

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cenário dos atuais modelos de organização política, nada nem ninguém possui a força suficiente para controlar ou impedir este processo. Isto porque, como vimos, estes modelos, quer liberais ou marxistas, não garantem ao mesmo tempo liberdade, oportunidades iguais e adequação entre funções e capacidades, nos processos de seleção dos governantes. E, assim sendo, não promovem uma boa seleção dos governantes.

            Isto ocorre, sobretudo, em relação aos dirigentes do Estado, pois nas grandes empresas a busca pela competitividade impõe que se atenda à regra da adequação entre funções e capacidades, pelo menos em termos técnicos (pois em termos ético-morais a seleção das empresas também é questionável). Isto as torna ainda mais poderosas em relação aos governos estatais, porque seus dirigentes são freqüentemente mais capazes, pelo menos tecnicamente, do que os dirigentes políticos das nações. Um verdadeiro absurdo, porém real.

            A esta inerente e inescapável incompetência dos governantes, soma-se no caso do modelo liberal a fraqueza ou debilidade de uma organização social frouxa, fragmentada. Neste modelo, como vimos, os governantes não raro são fantoches que têm suas caríssimas campanhas eleitorais financiadas pelas grandes organizações. Isto, é claro, é um dos principais mecanismos geradores da imensa corrupção que é absolutamente inerente às democracias liberais. E a corrupção em grande escala resulta em uma deformação de todo o processo de desenvolvimento, pois as grandes decisões políticas, econômicas etc., acabam sendo viciadas e desviadas por causa dos interesses privatistas de indivíduos e grupos que as influenciam.

            Nas vezes em que isto aparenta não ocorrer, e chega ao governo algum tipo de demagogo-populista, que é a única outra possibilidade dentro de regras políticas tão incompetentes quanto corruptoras, então este governo demagógico-populista, mesmo que pretendesse tomar medidas realmente saneadoras, seria totalmente impotente ante a força avassaladora das grandes corporações (públicas e privadas). A história recente apresenta claros exemplos deste tipo, a começar pelo Brasil, com suas cíclicas rupturas constitucionais e seus golpes militares.

A Incompetência do Modelo Marxista

            Os países que adotaram o modelo marxista, a exemplo da ex-União Soviética, também não evitaram o destino de serem tragados pela força desta

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guerra pela competitividade imposta pelos países mais industrializados organizados de forma democrático-liberal. Esta derrota, no entanto, deve-se menos aos méritos destes últimos, e muito mais ao colapso interno gerado pela rigidez e pela excludência da falta de liberdade, a qual afronta a dignidade e embota a criatividade, somente podendo resultar, portanto, numa insatisfação e numa ineficiência generalizadas.

            É importante que se perceba que este processo, que como vimos é incontrolável dentro do quadro dos atuais modelos, é o responsável tanto pelas crescentes agressões ao ambiente natural, quanto pelo quadro de excludência econômica e social do subdesenvolvimento. Examinemos um pouco mais detalhadamente como isto se dá, tomando para análise exemplos concretos.

O Exemplo da Destruição da Floresta Amazônica

            Consideremos o caso da crescente destruição da floresta Amazônica, um dos maiores crimes ecológicos contra a natureza e contra a humanidade, e também o caso da miséria em que se encontram, pelo mínimo, cerca de trinta milhões de brasileiros, isto é, examinemos o caso do subdesenvolvimento brasileiro. Estes exemplos, é claro, por analogia servirão para explicar o caso de outras graves agressões ecológicas, bem como a miséria, até mesmo bem maior que a do Brasil, que avilta tantas outras nações.

            Quais os agentes imediatos da destruição da floresta Amazônica? Uma combinação da miséria de muitos imigrantes que afluem para aquela região em busca de empregos ou de um pedaço de terra que lhes permita sobreviver, com a busca pela riqueza por parte de indivíduos e empresas que se deslocam para aquelas terras para explorar a madeira, criar gado, plantar, explorar minérios, e assim por diante. O motivo de muitos é a sobrevivência, que estava ameaçada pela miséria e falta de empregos em suas regiões de origem, e de outros são as oportunidades de lucros maiores do que obteriam em suas regiões de origem. Estes são os agentes diretos da exploração mal planejada, que resulta na destruição talvez irreparável de espécies animais e vegetais, que compõem aquele ambiente natural cuja riqueza e importância ecológica não têm par no planeta.

            E por que este processo destrutivo tão grave não é impedido em seus aspectos criminosos? Por que não é ordenado e controlado de forma científica e planejada quanto à exploração possível e devida da floresta, dentro de um critério de desenvolvimento sustentável? Obviamente, por causa da incompetência e da impotência dos

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governantes, cuja causa, conforme já mostramos antes, é a incompetência e a desonestidade inerente ao processo eleitoral de escolha dos governantes, acrescida da organização frouxa (e, portanto, que não gera suficiente força política ou de coerção), que caracterizam as principais instituições do sistema político liberal.

            Se poderia argumentar que tivemos longos períodos intercalados de autoritarismo militar. Mas o que prova isto? Apenas, de um lado, reforça o argumento exposto da enorme fraqueza e da incompetência do modelo liberal, e de outro, que os comandantes militares em questão, certamente também influenciados pelas idéias dominantes, não honraram suas corporações, suas missões, nem seus juramentos de proteger e zelar pelos interesses maiores da nação. De qualquer modo, as ditaduras militares não são modelos que dominem o pensamento das elites, nem sequer das elites militares, e quando inevitavelmente ocorrem, sobretudo nos países pobres, ocorrem muito mais pela incompetência e crise das instituições liberais (ou mesmo marxistas), e não por se constituírem modelos acabados e duradouros. Prova disto é que acabam sempre refluindo para os modelos dominantes. Os quais novamente se mostram incompetentes, geram crises etc., e dão espaço para novos golpes ditatoriais.

            O exemplo concreto em questão, da destruição da floresta Amazônica, portanto, está clara e diretamente ligado à incompetência e à fraqueza dos governantes, que é característica central das democracias liberais. E que dizer então da miséria, da corrupção e da violência que caracterizam o subdesenvolvimento brasileiro? A sua perpetuação, isto é, a incapacidade da nação superar este quadro trágico, ano após ano, década após década, também está, é claro, diretamente ligada à incompetência e à debilidade dos governantes gerada pelo modelo liberal, conforme vimos anteriormente ao analisarmos os efeitos desvirtuadores e nocivos da influência das grandes organizações sobre o processo de desenvolvimento. No caso brasileiro fica patente a relação deste quadro com o modelo liberal, até mesmo porque neste país ainda não tivemos a aplicação de um modelo marxista de organização.

As Origens do Subdesenvolvimento

            Mas, a questão de como se gerou inicialmente esta miséria exige uma análise mais ampla, sobretudo porque há países que aplicam o modelo liberal e que são ricos, e onde a miséria absoluta foi praticamente abolida, ou existe em uma dimensão muitíssimo menor do que nos países pobres. E, assim sendo, estes

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países são freqüentemente apresentados como modelos a serem copiados. Em outras palavras, a questão que se impõe aos subdesenvolvidos, e que poucos parecem compreender claramente é: se este modelo deu certo lá, por que não consegue dar certo aqui?

            Ou seja, por que estes países ricos venceram no passado e continuam vencendo no presente a corrida pela modernização, isto é, pela produtividade e pela qualidade de suas economias, e não raro até mesmo aumentando a vantagem relativa que os separa dos países pobres?

            A resposta para a questão do início destas grandes diferenças de riquezas entre os países está, evidentemente, ligada ao período de exploração colonialista. Com o advento das grandes navegações e, sobretudo, com o advento da revolução industrial alguns países passaram a exercer pela força um domínio econômico e de outros tipos sobre outros países ou regiões do planeta. Estas nações estabeleceram “colônias”, as quais serviram tanto como fontes de matérias primas baratas, quanto como mercados consumidores cativos para a crescente industrialização das metrópoles.

            Aqui no Brasil, por exemplo, havia leis durante o período colonial que proibiam o estabelecimento de qualquer tipo de indústria, coisa que só mudou a partir do momento em que a família real, expulsa de Portugal pelos exércitos de Napoleão, veio estabelecer-se por algum tempo no Brasil. A razão da existência destas leis visava, é claro, garantir que o Brasil permanecesse apenas como um mercado consumidor de produtos manufaturados pela metrópole, ou pelo menos comercializados através dela.

A Industrialização e a Geração do Valor Agregado

            Por que isto é tão importante? Precisamos perceber claramente que, a menos que um país possua excepcionais riquezas naturais (por exemplo, os países que possuem muito petróleo em seu território, ou uma população pequena em relação a uma dimensão territorial muito grande), não existe outra maneira de alcançar-se o patamar de riqueza atingido pelas nações mais ricas do planeta senão através de um intensivo processo de industrialização. Isto porque, a cada vez que uma matéria prima passa por um processo de transformação industrial de qualquer tipo, é agregado a ela um valor adicional que inclui o ganho com o lucro obtido neste processo de transformação. Em economia dá-se o nome de “valor agregado” a esse diferencial obtido em cada momento do processo

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produtivo. A industrialização permite, portanto, a geração de uma estrutura econômica muito mais complexa, com mais etapas de transformação no processo produtivo, sendo que a cada uma destas etapas mais valor é adicionado.

            Esta maior complexificação industrial gera vários efeitos positivos quanto à geração de maiores riquezas. Por exemplo, gera uma taxa de ocupação maior da força de trabalho; gera uma complementação inter-industrial que permite processos produtivos com um número cada vez maior de etapas de transformação; gera a necessidade da complementação de uma gama muito ampla de serviços de todo o tipo; e esta complementação entre os setores da agricultura e da exploração de outras matérias primas, da indústria e dos serviços e comércio gera ganhos de produtividade impressionantes, sobretudo, através da crescente mecanização dos processos produtivos de todo tipo.

            Tudo isto aconteceu primeiro em algumas nações e graças, principalmente, às vantagens obtidas sobre as outras, a ferro e a fogo, através da dominação colonialista. Quando este processo já estava bastante avançado, então o discurso dominante passou a ser diferente, e chegamos, após duas grandes guerras mundiais (que, no fundo, foram guerras entre nações ricas pela disputa de espaços coloniais ou neocoloniais), a este período de globalização econômica caracterizado pela “livre” competição internacional.

A Relativa e Conveniente Liberdade Econômica

            Esta ampla e “livre” globalização econômica, ou seja, esta guerra com as armas da “modernização” (produtividade etc.) se caracteriza por alguns aspectos ilusivos e muito perversos. Primeiro, a dita “liberdade” vale apenas para alguns fatores econômicos, isto é, vale de um modo geral para os produtos primários, produtos industrializados, inclusive máquinas, e para os serviços. Mas, não vale para o fator trabalho. Este fator econômico não goza da liberdade de deslocar-se à vontade. Isto, evidentemente, visa garantir que as vantagens obtidas por alguns, não sejam ameaçadas por movimentos migratórios em busca de melhores salários, oportunidades de emprego etc. A liberdade da “modernização”, portanto, é mais interessantemente “moderna” para alguns do que para outros.

            Em segundo lugar, esta liberdade seletiva (que existe apenas para determinados fatores econômicos) inerente à globalização e à modernização, é um processo do tipo “raposa dentro do galinheiro”. Vejamos se não é bem o caso. Como vimos, trata-se de uma luta por produtividade etc., entre competidores que

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não partiram em condições de igualdade, uma vez que não podemos ignorar o período anterior a este, de séculos de exploração colonialista. Hoje, portanto, a competição se estabelece entre forças muito desiguais e num jogo de guerra como este, no qual o que pode mais sofre menos, esta liberdade seletiva apenas tende a manter as diferenças iniciais, e muitas vezes até mesmo a acentuá-las, o que caracteriza claramente um processo no qual os mais fracos não têm chance alguma de vitória. Vemos, portanto, que esta liberdade é como a liberdade da raposa dentro do galinheiro, muito interessante apenas para um dos lados.

A Finitude dos Recursos Naturais

            Até mesmo do ponto de vista meramente relacionado ao consumo das principais matérias primas é possível perceber que os mais pobres jamais poderão alcançar, dentro das atuais regras do jogo, o padrão de riqueza alcançado pelos mais ricos. Apenas para citar um exemplo conhecido, examinemos uma projeção para a população mundial do nível de consumo per capita de petróleo, que ainda hoje é um gerador de energia indispensável.

            Se levarmos em conta o consumo médio per capita dos EUA, do Canadá, ou mesmo da Alemanha e do Japão, que são exemplos de países ricos, que aconteceria? Esta questão não é nem um pouco absurda, uma vez que se imaginamos que os países pobres devem imitar o exemplo dos países ricos, então estes também desenvolverão um padrão de consumo e uma matriz energética bastante parecidos. Neste caso, aconteceria que todas as reservas conhecidas de petróleo seriam consumidas em pouco mais de seis anos, segundo os dados da “British Petroleum” (BP – Statistical Review of World Energy, 06/85 e 06/87).

            Examinemos um pouco estes dados. As reservas mundiais de petróleo seriam de 95.200 milhões de TEP’s (toneladas equivalentes de petróleo). A população dos EUA é de cerca de 250 milhões e seu consumo em 1986 foi de cerca de 750 milhões de TEP’s. Enquanto sua população é vinte vezes menor do que a população mundial, seu consumo de petróleo é apenas quatro vezes menor que o consumo mundial, que em 1986 era de cerca de 3.000 milhões de TEP’s. Portanto, se projetamos seu consumo per capita (750 dividido por 250 = 3), pela população mundial que é de 5.000 milhões (cinco bilhões) de pessoas, teremos um consumo mundial cinco vezes maior, ou seja, de 15.000 milhões de TEP’s. Ora, dividindo as reservas mundiais pelo que seria o consumo mundial (95.200 por 15.000 = 6,3) vemos que em pouco mais de seis anos teríamos esgotado as reservas mundiais.

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            Assim sendo, mesmo que estes dados possam ser discutidos, e que as reservas a serem descobertas dobrassem, isto nos daria um horizonte de apenas doze anos, o que não mudaria muito o panorama que queremos demonstrar. Ou seja, que obviamente não é possível que todos os países pobres reproduzam o padrão de desenvolvimento e riqueza dos países ricos. Isto é uma impossibilidade material, pura e simplesmente. Deste modo, mesmo por este ângulo, podemos ver que a liberdade e a modernização que “deu certo” para os países ricos não tem a menor chance de dar igualmente “certo” para os países pobres nos quais, é sempre bom lembrar, vivem duas terças partes da população mundial. A maioria, no entanto, parece não ter conhecimento destes duros fatos da realidade mundial.

“Dar Certo” Por Meio da Exploração

            Portanto, estes países que são exemplos de lugares onde o modelo liberal “deu certo”, estabeleceram uma prosperidade que só se tornou possível à custa da miséria de grande parte da população mundial, e continuam “dando certo” à custa de formas neocolonialistas de exploração, que lhes garantem uma vitória na guerra ou, como dissemos, na “corrida maluca” da modernização, que garante a manutenção deste estado de coisas tão injusto.

            Muitas pessoas, em vista destas condições gerais, afirmam que o Brasil é um país que ainda pode “dar certo” ou um país de futuro. Isto porque devido aos seus recursos naturais, às suas dimensões territoriais etc., o Brasil poderia ser uma espécie de último vagão no trem dos países que se beneficiam da exploração dos demais. Mesmo que isto fosse verdade, deveríamos chamar a isto de “dar certo”? Isto é, estabelecermos um belo nível de vida à custa da miséria da Bolívia, do Paraguai etc.? Podemos chamar a isto “dar certo” se quisermos, mas não podemos deixar de reconhecer que do ponto de vista do bem-estar da humanidade como um todo, este é um modelo fracassado, que implica na impossibilidade de uma solução global para o problema do subdesenvolvimento e, portanto, implica em uma imoralidade imensa.

            Estando claro, deste modo, como se deu a origem do enorme diferencial de riqueza entre as nações, e como este quadro de exclusão e injustiça se perpetua, podemos agora perceber que, especialmente no que diz respeito às possibilidades de superação da miséria dos países pobres (dentro de um cenário como este, cuja realidade apenas os inocentes ou os espertos podem ignorar, ou pretender ignorar)

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fica ainda mais evidente o fracasso do modelo liberal.

            Um modelo de organização sócio-política como o liberal que, como vimos, se caracteriza por um péssimo processo de escolha dos governantes e pela fraqueza e pequena capacidade de coerção (ou força política) destes dirigentes, significa na melhor das hipóteses a manutenção do atual estado de coisas. Em vista disso, não é de surpreender que os países ricos o considerem tão interessante.

A Necessidade de Um Novo Modelo Político

            Os países pobres, no entanto, têm como sua única esperança o advento de novas instituições, sobretudo de um novo modelo político que garanta a seleção de governantes moralmente confiáveis e tecnicamente competentes, bem como que garanta a estes governantes uma grande capacidade de coerção, a fim de que possam controlar, disciplinar e harmonizar em prol do bem-estar coletivo o poder das gigantescas organizações, capacidade esta que só poder advir de forma natural e benigna através de uma boa organização de toda a população.

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8 – A DEMOCRACIA DO FUTURO

Requisitos Para Um Modelo Alternativo Competente

            Tendo deixado claro o fracasso dos modelos dominantes e porque eles não poderão assegurar jamais, especialmente em relação aos países pobres do mundo, uma ordem social justa e competente, que possa significar a superação do quadro de exclusão e miséria de tantos milhões que assistimos em nossos dias, chegamos agora ao momento em que devemos apontar pelo menos algumas diretrizes gerais a respeito de como seria um modelo político alternativo, que tivesse pelo menos a chance de alterar substancialmente este panorama.

            Já vimos anteriormente que a premissa, isto é, a visão de humanidade por detrás deste modelo deve ser aquela que nos mostra a humanidade como uma fraternidade, o que implica no reconhecimento da unidade essencial dos seres humanos, bem como das suas grandes diferenças de capacidades. Quais, então, seriam as características principais de um novo modelo de organização política, que atendesse às necessidades antes expostas para um processo justo e competente de seleção dos governantes, bem como à necessidade de dotar estes governantes do suficiente poder de coerção?

            Como vimos anteriormente, os requisitos essenciais que devem existir simultaneamente para um competente processo de escolha dos dirigentes são: 1) liberdade; 2) igualdade de oportunidades ou de condições nas disputas políticas; e 3) uma boa adequação entre a responsabilidade ou o grau de dificuldade das funções e as características da consciência social (ou dos níveis de capacidade) da população. Já no que diz respeito à geração do necessário poder de coerção pelo sistema, de modo que os governantes possam disciplinar a atuação das grandes organizações, o requisito necessário é que o modelo político promova uma organização coesa de toda a população.

            Em vista, sobretudo, das características dos diferentes níveis de

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consciência da população e da simultânea necessidade de que a liberdade de escolha seja preservada, bem como garantida uma igualdade de oportunidades na disputa política, a primeira conclusão é a da total inviabilidade de eleições diretas envolvendo grandes populações.

Representação em Cascata: a Democracia do Futuro

            À primeira vista nos encontramos em um beco sem saída. Mas, na realidade, um pouco mais de reflexão nos mostra que há uma solução consistente para este aparente paradoxo. Trata-se de um modelo que contemple eleições muito menos diretas, e que garanta que estas eleições nunca impliquem em processos de escolha envolvendo diretamente grandes massas, muito embora preservando a liberdade e uma rigorosa proporcionalidade entre as várias pequenas circunscrições eleitorais.

            Deste modo, este sistema teria como base circunscrições eleitorais bastante pequenas, a exemplo de vilas, vizinhanças, pequenos bairros ou municipalidades bem pequenas, de preferência jamais ultrapassando uma dimensão bastante humana, na qual o conhecimento pessoal entre os indivíduos não fosse uma coisa impossível ou mesmo extremamente difícil. A que número de pessoas estaríamos aproximadamente nos referindo? Este número poder variar significativamente em se tratando de áreas rurais ou urbanas, uma vez que nas áreas urbanas de grande concentração populacional as distâncias físicas entre um número expressivo de pessoas são bastante pequenas, com grandes edifícios etc., e nestas condições de comunicação interpessoal muito mais facilitada, o número da população desta primeira circunscrição político-eleitoral poderia ser significativamente maior do que em áreas de grande dispersão populacional, onde as pessoas tenham dificuldades muito maiores de estabelecerem contatos face a face.

            Estas diferenças de número de pessoas neste primeiro nível eleitoral não têm importância alguma, uma vez que sempre se manterá uma rigorosa proporcionalidade entre representantes e representados. Se, apenas por hipótese, o coeficiente for de 50 para 1 neste primeiro nível, então, se numa circunscrição houver 1.000 eleitores, haveria 20 representantes do primeiro nível. Se outra circunscrição básica contar com apenas 200 eleitores, ela elegerá apenas quatro representantes do primeiro nível, e assim por diante. A rigorosa proporcionalidade sendo um óbvio requisito para a igualdade de oportunidades.

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            O modelo de representações sucessivas se estreitaria gradualmente como uma pirâmide, através do nível dos Distritos, das Micro-regiões, dos Estados (ou Províncias), e daí para o Congresso Nacional, o qual escolheria um gabinete com um chefe executivo, tal como um primeiro-ministro em um sistema parlamentarista. Convém notar, no entanto, que este sistema assemelha-se ao sistema parlamentarista convencional apenas no topo da pirâmide, sendo todo o processo de escolha e seleção completamente diferente dos sufrágios de massa até chegar ao nível do Congresso Nacional.

            Se levarmos em conta as enormes vantagens deste sistema em relação aos atuais torna-se quase inacreditável que um sistema assim não tenha sido experimentado seriamente em nenhum lugar, ao menos que tenhamos conhecimento. Examinemos um pouco estas vantagens, em comparação com os atuais sistemas dominantes: a democracia liberal e o totalitarismo marxista.

A Liberdade é Garantida

            Em relação ao totalitarismo marxista a sua grande vantagem é que a liberdade é absolutamente preservada neste sistema, enquanto que nas chamadas ditaduras do proletariado a liberdade é sacrificada. Neste contexto, é claro, só existe igualdade de oportunidades para os membros do partido, se tanto. Ou seja, não existe igualdade de oportunidades no totalitarismo marxista, enquanto que neste sistema proposto ela existe, e é quase tão grande quanto é possível humanamente imaginar-se.

            Quanto aos outros aspectos esta democracia do futuro, conforme nos referimos no título, não perde em nada para o totalitarismo marxista, o qual tem na adequação entre funções e capacidades e na organização coesa de toda a população os seus pontos fortes. Ora, estes pontos são igualmente fortes nessa democracia do futuro, uma vez que ela é muito parecida nestes particulares aspectos, sendo, na realidade, ainda superior ao totalitarismo marxista, pois este exclui do processo de escolha muitas pessoas inteligentes e capazes, apenas porque elas não pertencem ao partido comunista, ou assemelhados.

Um Processo com Igualdade de Oportunidades

            Que dizer então da comparação com o sistema hoje hegemônico no mundo que é a democracia liberal? A liberdade que é o ponto forte das

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democracias liberais também é plenamente preservada nesta democracia do futuro. Sob alguns aspectos, de fato, há até mesmo mais liberdade nesta do que nas democracias liberais, porque nestas últimas por vezes o voto é obrigatório, enquanto na primeira é livre; nas últimas geralmente os candidatos devem estar filiados a algum partido, na primeira os candidatos podem ou não, dependendo de suas livres escolhas, estarem filiados a algum partido; nas últimas para ser candidato quase sempre a pessoa depende da escolha dos partidos, mas nesta democracia do futuro a decisão depende apenas de sua livre escolha. Vemos, assim, que mesmo sob este aspecto que é o forte das democracias liberais, este novo modelo de democracia não lhe fica devendo nada, e talvez até mesmo tenha algumas vantagens.

            Quanto a todos os outros aspectos esta democracia do futuro é muito superior às democracias liberais. Ela garante uma imensa igualdade de oportunidades nos processos eleitorais, enquanto que nas democracias liberais apenas os privilegiados materialmente, os comunicadores de massa e os demagogos é que têm chance de serem eleitos para os cargos de maior responsabilidade.

A Harmonia entre Funções e Capacidades

            Quanto à adequação entre funções e capacidades quase não há necessidade de comentários, tamanhas são as vantagens do modelo sugerido em relação aos sufrágios de massa das democracias liberais. Nesta democracia do futuro há uma gradual qualificação dos eleitores, que foram os eleitos no nível imediatamente inferior. É quase ridícula a comparação, mas qual seria o percentual dos que elegeriam os representantes para o Congresso Nacional neste novo modelo que não saberiam sequer dizer o que é uma Assembléia Constituinte? Certamente este percentual seria zero, ou seja, nenhum dos representantes deste nível desconheceria uma questão tão elementar! Comparemos isto com os 70,5 % que no Rio Grande do Sul não sabiam responder a esta questão tão elementar, mas que constituíram o próprio eleitorado que escolheu os constituintes em 1986! Haveria necessidade de outras comparações? Haveria alguma dúvida de que nesta democracia do futuro teríamos um Congresso Nacional extraordinariamente mais qualificado?

A Geração do Poder Necessário

            Finalmente, também quanto à capacidade de gerar o suficiente poder de

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coerção nas mãos dos dirigentes o modelo aqui defendido é muitíssimo superior às democracias liberais. No modelo proposto a população está toda ela muito bem organizada, não de forma frouxa e atomizada como nas democracias liberais. É quase impossível reprimir-se violentamente um sistema como este. Se, por hipótese, uma força militar impedisse o funcionamento do Congresso Nacional, ainda assim todo o resto da população continuaria politicamente organizada, em uma cascata de pequenas assembléias, na maioria dos casos tão pequenas que poderiam se reunir em uma ampla sala de estar. Como reprimir uma organização assim? É algo quase impossível.

            Tudo isto sem mencionar o fato evidente de que talvez a maior força política nesta democracia do futuro seja a grande e incomparavelmente maior qualificação (em relação à democracia liberal) dos seus dirigentes mais elevados, o que lhes garantiria, apenas por este aspecto, enorme apoio popular. Que diferença dos exemplos recentes da política brasileira, onde vemos casos e mais casos de corrupção, de incompetência, e assim por diante.

Necessita-se de Um Exemplo para as Nações

            O país que conseguir em primeiro lugar adotar o modelo de organização política desta democracia do futuro, na qual existe, de fato, uma real chance para que a necessária sabedoria chegue até os cargos de maior poder e responsabilidade, estará, deste modo, servindo aos mais elevados interesses do seu próprio povo, e estará também dando um exemplo que certamente ajudará e inspirará outros povos.

            Em vista das análises anteriores, parece desnecessário compararmos ainda mais este modelo com os atualmente dominantes no mundo inteiro. Ele parece sob todos os aspectos muito mais eficaz do que os atuais, tanto em termos de competência do processo de escolha dos dirigentes, quanto em termos de gerar um poder de coerção muito maior nas mãos dos dirigentes, de modo que eles possam disciplinar a atuação das gigantescas organizações de caráter privatista, pois este novo modelo organiza de forma muito mais coesa toda a população de qualquer sociedade.

            Tanto a diferença na qualificação dos governantes, quanto na coesão organizacional, mudariam substancialmente o quadro caótico e perpetuador de injustiças de todo o tipo que hoje temos. E isto é de importância difícil de exagerar, sobretudo para as nações pobres, que hoje não têm esperança alguma, dentro dos atuais modelos, quer liberais, quer marxistas, de superarem o círculo vicioso da

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miséria e do subdesenvolvimento.

O Humanitarismo como Instrumento de Transformação

            À luz da compreensão de todos os aspectos que foram expostos – acerca da realidade ideacional do mundo e, conseqüentemente, da realidade político-econômica dela derivada – podemos agora perceber claramente o imenso valor teórico e prático dos princípios fundamentais do Humanitarismo.

            A Sociedade Humanitarista é uma organização que tem como objetivo difundir estes princípios e se constitui em um exemplo prático de aplicação dos princípios do Humanitarismo. Deste modo, ela oferece um exemplo concreto do modelo de estrutura organizacional que pode tornar possível as soluções para os grandes problemas do mundo. Este aspecto de oferecer um exemplo concreto é absolutamente necessário ao Humanitarismo enquanto movimento de transformação social, até mesmo porque predicar sem viver aquilo que se professa não é mais do que uma farsa.

            Tão somente a constituição de uma organização com estas características é que, de um lado, assegura para a Sociedade Humanitarista o direito moral de pregar as soluções para os grandes problemas do mundo e, de outro, pode algum dia gerar a força necessária para a realização desta gigantesca tarefa, em face dos tremendos obstáculos e antagonismos de toda ordem a serem enfrentados. Por estas razões parece oportuno concluirmos este texto com um capítulo a respeito do Humanitarismo e do projeto da Sociedade Humanitarista.

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9 – A SOCIEDADE HUMANITARISTA E A IMPORTÂNCIA DA COOPERAÇÃO

“De cada um segundo suas capacidades,

a cada um segundo suas necessidades.”

A Responsabilidade da Cooperação

            Em vista da seriedade e da brutalidade da atual situação mundial, muito especialmente a situação dos países pobres (ditos subdesenvolvidos), é muito evidente a responsabilidade de toda e qualquer pessoa capaz de alguma ação inegoísta no sentido de fazer aquilo que estiver ao seu alcance, por pouco que seja, visando cooperar com atividades que promovam melhoramentos eficazes das condições miseráveis nas quais padecem tantos e tantos seres humanos.

            O Humanitarismo, enquanto doutrina sócio-política, afirma de forma categórica a existência de capacidades suficientes dentro da família humana para superar esta atual situação de miséria e desespero. A própria palavra – humanitarismo – procura aludir a esta presença de forças beneficentes em quantidade suficiente dentro da humanidade. Ela é uma afirmação vigorosa a respeito da existência destas forças benignas dentro da humanidade. Mas não é uma afirmação ingênua ou romântica, que desconhece o fato de que a maioria dos seres humanos ainda é preponderantemente egoísta. Já enquanto um movimento, o Humanitarismo é uma tentativa prática de demonstrar a viabilidade da superação da situação atual, bem como de auxiliar substancialmente nesta tarefa.

            Embora afirme que a responsabilidade pela situação atual seja dividida por todos os seres humanos, o Humanitarismo também afirma o fato de que esta responsabilidade não toca a todos com igual peso (em vista da diversidade de capacidades entre os indivíduos). Ela é muito maior no caso das pessoas que se

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encontram em condições mais favoráveis e no caso das pessoas que possuem maior capacidade de compreensão. Estas pessoas de maior capacitação somente encontrarão paz e felicidade em suas vidas na medida em que responderem apropriadamente a esta responsabilidade.

A Necessidade da Cooperação

            Neste sentido, há um fato decisivo que deve ser ponderado e refletido com muito vagar. Este fato é a necessidade de uma ação cooperativa entre muitas e muitas pessoas, todas trabalhando em prol deste objetivo de superação das reais causas geradoras da situação atual. Como mostramos, o domínio das gigantescas organizações é uma característica central do mundo de nossos dias, para o bem e para o mal. E somente a união ou a cooperação inteligente de um número maior ainda de pessoas é que poderá, algum dia, fazer frente ao poder, hoje sem rival, das grandes organizações.

            É necessário que se compreenda que organizações que se dediquem a problemas específicos jamais serão suficientes. Na verdade, ao fragmentarem as forças que deveriam necessariamente estar unidas, estas organizações tornam-se parte do problema que elas mesmas procuram resolver. Isto porque elas dividem e assim enfraquecem os recursos e as energias escassas, os quais apenas estando unidos podem gerar o poder suficiente para uma transformação realmente eficaz.

O Efeito Nocivo das Organizações Parciais

            Os vários problemas específicos a que estas organizações fragmentárias se dedicam somente poderão ter solução efetiva quando um grande número de pessoas reconhecerem a necessidade de uma solução global e, portanto, se reúnam em uma organização que englobe e contemple como um todo a solução destes vários problemas específicos (a exemplo das causas da superação da miséria e da fome, da igual dignidade das mulheres, dos direitos dos povos indígenas e de todas as minorias étnicas e de outros tipos, da conservação do ambiente natural, da proteção aos animais etc.).

            Do contrário, ao promoverem a fragmentação, estas organizações isoladas alimentam a própria causa dos males que elas procuram combater. Transformam-se em causas combatendo os seus próprios efeitos, numa espécie de círculo vicioso que não poderá jamais alcançar os objetivos visados. Isto

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porque, conforme apontamos, a falta de uma força ou poder que possa fazer frente às grandes organizações é uma das causas principais de todos os males específicos da situação mundial atual.

A Necessidade de Um Exemplo Prático

            Além desta necessidade de que seja formada uma grande organização de caráter global, existe também a necessidade de que esta organização exemplifique praticamente uma solução para a outra causa principal dos problemas atuais que, como vimos, é a inexistência de um bom processo de seleção dos dirigentes. Uma organização forte mas mal dirigida também se converterá em uma causa a combater os seus próprios efeitos. Estes dois aspectos em conjunto são condições necessárias para a superação do quadro atual.

            A Sociedade Humanitarista foi criada para ser uma organização com estas características. De um lado, é uma organização de caráter global e, de outro, ela corporifica na prática um competente e justo processo de escolha de seus dirigentes. Ela visa oferecer, portanto, não um mero paliativo, mas uma solução real, que combata as verdadeiras causas dos vários problemas específicos.

            A Sociedade Humanitarista nasceu para ser uma organização internacional, embora seu primeiro ramo tenha surgido no Brasil (a SHB – Sociedade Humanitarista no Brasil). A SHB foi fundada em 20 de julho de 1986, na cidade de Porto Alegre, como uma sociedade civil sem fins lucrativos. Tem seu Estatuto registrado nesta mesma capital, o qual, como dissemos, exemplifica concretamente o novo processo de seleção dos dirigentes que o Humanitarismo propõe.

Difusão de Novos Valores e Idéias

            Suas linhas básicas de atuação desenvolvem-se ao redor de três eixos ou colunas principais. O primeiro é o da Cultura, entendida no sentido da criação de oportunidades para o desenvolvimento das capacidades humanas, tanto em termos técnicos, quanto (e principalmente) em termos da transmissão de valores éticos derivados dos princípios do Humanitarismo. Esta primeira linha implicará em reuniões, livros, cursos, palestras etc. Estes deverão ser adaptados aos diferentes níveis de capacitação pessoal, sem comprometimento das verdades fundamentais expostas pelo Humanitarismo, do mesmo modo que o ensino das quatro operações não compromete a verdade da álgebra ou do cálculo superior.

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A Política Como Instrumento de Transformação

            O segundo eixo é o da Organização Política no sentido restrito da formação de um movimento político humanitarista, o qual poderá implicar inclusive na futura formação de um partido político. Nos primeiros tempos este movimento servirá mais para divulgar amplamente as idéias do Humanitarismo, do que como uma alternativa real de transformação social. Mesmo assim sua importância não é pequena, pois há poucos instrumentos mais eficazes para a difusão de idéias do que um partido político.

A Economia Como Instrumento de Transformação

            O terceiro eixo é o das Atividades Econômicas Visando (a prática efetiva do) Auxílio Mútuo. Concretamente, objetiva-se a criação de vários empreendimentos e organizações econômicas, todas pertencentes ou ligadas à Sociedade Humanitarista. Estas empresas deverão por em prática nas relações de trabalho os princípios do Humanitarismo, criando oportunidades para que muitos possam ganhar a vida retamente, ao mesmo tempo em que auxiliam a promoção de uma causa da maior importância. Estas atividades serão geradoras de bem-estar tanto para os trabalhadores diretos, quanto para todos os associados que terão acesso a muitos bens e serviços a preços muito reduzidos, através de descontos etc.

            Serão empreendimentos tais como editoras, escolas, muitos serviços, e mesmo indústrias e produção agrícola, que serão criados à medida que a Sociedade Humanitarista for se desenvolvendo. Estas empresas poderão tanto gerar recursos para a promoção dos ideais humanitaristas, quanto aproximar e viabilizar a cooperação de muitas pessoas que de outro modo dificilmente se aproximariam da Sociedade Humanitarista. Estes empreendimentos não deverão produzir ou explorar serviços e produtos supérfluos, obedecendo ao princípio ético de que o luxo transforma-se em algo indevido quando muitos não dispõem sequer do essencial na vida.

Unidade na Diversidade

            O lema da Sociedade Humanitarista é UNIDADE NA DIVERSIDADE. Seu símbolo é uma figura humana com os braços abertos, simbolizando a

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irmandade de todos os seres humanos. As cores da Sociedade Humanitarista são o branco, o azul, o verde e o vermelho. O branco simbolizando a unidade, a integração de todas as cores. E as cores azul, verde e vermelho (que são as cores primárias do espectro-luz) simbolizando a diversidade. Das combinações destas três surgem todas as outras cores, como no exemplo de uma televisão a cores.

A União Faz a Força

            A Sociedade Humanitarista, conforme indicam seus símbolos e suas atividades propostas, tem como objetivo concreto integrar cooperativa e harmoniosamente um grande número de pessoas. Estas isoladamente, ou divididas em pequenas organizações, muito pouco poderiam fazer de realmente transformador neste mundo, regido por gigantescas organizações de cunho privatista, isto é, que visam lucros privados, interesses grupais, corporativos, sectários, regionais, nacionais etc.

            A Sociedade Humanitarista afirma e visa demonstrar praticamente que os seres humanos são capazes de cooperar harmoniosamente, desde que organizados inteligentemente, ou seja, sobre os fundamentos de princípios simples e verdadeiros. Não há nada de novo neste propósito. As antigas tradições religiosas já nos transmitiram esta orientação e este ensinamento, a exemplo da seguinte passagem dos antiqüíssimos Vedas:

“Pequenos esforços engenhosamente combinados

Tornam-se extraordinariamente poderosos.

Elefantes furiosos são amarrados

Por um cordão de fibras de grama entrelaçadas.”

Os Princípios Fundamentais

            Como uma doutrina ou como uma filosofia sócio-política o Humanitarismo está fundamentado em apenas quatro grandes e simples princípios, cuja importância os capítulos anteriores procuraram demonstrar. Estes princípios foram apresentados na Introdução, mas cabe repeti-los:

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1 – Todos os seres humanos constituem uma FRATERNIDADE.

2 – Todos os seres humanos possuem uma mesma origem e uma mesma natureza essencial e, portanto, IGUAL VALOR.

3 – Não obstante a sua unidade e igualdade essenciais, os seres humanos apresentam CAPACIDADES DIFERENCIADAS.

4 – Em vista destes princípios, a norma que deve presidir a justiça e a harmonia possível entre os seres humanos é a da IGUALDADE DE OPORTUNIDADES para o desenvolvimento de suas capacidades individuais diferenciadas.

Uma Deliberada Simplicidade Doutrinária

            As pessoas que se associam à Sociedade Humanitarista declaram sua adesão tão somente a estes princípios, intencionalmente simples, uma vez que esta organização visa demonstrar, na prática, a possibilidade de uma cooperação e de uma convivência harmoniosa entre pessoas muito diferentes, tanto em termos culturais, religiosos etc., quanto em termos de capacidades individuais, desde que elas possam concordar quanto a alguns poucos princípios amplos e universais.

            A simplicidade destes princípios fundamentais, deste modo, visa não colocar obstáculos desnecessários ao relacionamento harmonioso ou à cooperação frutífera entre indivíduos pertencentes às várias tradições culturais e de diferentes níveis de compreensão.

            Além deste objetivo de não criar obstáculos indevidos à aproximação de pessoas de diferentes tradições e capacidades, há outras razões muito importantes porque o Humanitarismo como uma doutrina busca evitar, tanto quanto isto for possível, uma desnecessária complexidade. Estas razões estão relacionadas com os perigos do intelectualismo. Isto é, com o perigo de se atribuir uma importância exagerada às atividades meramente intelectuais.

Os Perigos do Intelectualismo

            O intelectualismo é outro dos terríveis equívocos ou falsidades que dominam o mundo de nossos dias. Ele também brota muito naturalmente das visões de ser humano hoje dominantes, na medida em que elas não reconhecem claramente o fato e a decisiva importância da existência, pelo menos em uma minoria, de capacidades supra-intelectuais (de poder de conhecimento intuitivo, ou seja, de uma verdadeira capacidade de realização interior da Unidade por detrás de toda a diversidade), que são inerentes ao nível de desenvolvimento alcançado pelo menos por aqueles seres humanos de maior nível de capacidades.

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            O mundo de hoje, em conseqüência disso, valoriza e premia exageradamente o intelectualismo. Não percebendo que o conhecimento meramente intelectual, embora tendo o seu lugar e a sua importância (que não devem ser de modo algum desprezados), também apresenta severas limitações.

            O conhecimento meramente intelectual baseia-se na memória e na comparação. Ele está aprisionado, portanto, dentro do campo da dualidade e da separatividade e, deste modo, tende a negar a existência da Unidade, bem como a menosprezar ou mesmo a ignorar a existência da sabedoria, do altruísmo e da virtude genuína entre os seres humanos (ainda que estes preponderem de forma marcante apenas numa pequena minoria). Isto, por sua vez, resulta inevitavelmente em valores éticos e em concepções de deveres bastante equivocadas. Sem o claro reconhecimento da Unidade e da simultânea extraordinária diversidade de capacidades entre os seres humanos, como procuramos demonstrar antes, não existe a menor chance de soluções eficazes para os grandes problemas humanos duais, a exemplo da dualidade entre liberdade e despotismo (autoritarismo ou exacerbação da autoridade).

            Apenas por estas razões o intelectualismo deve ser reconhecido como um grave problema e como uma das grandes tragédias derivadas das falsas concepções de ser humano hoje dominantes no mundo. Como escreveu Francis Bacon, a ciência é um instrumento que pode auxiliar muito aos seres humanos e que precisa ser desenvolvida, mas ela não pode orientar, por exemplo, nem sequer o seu próprio desenvolvimento. Isto porque este desenvolvimento depende de uma clara e justa avaliação de prioridades, a fim de que se possa discernir em quais as áreas devem ser concentrados os recursos sempre relativamente escassos à disposição dos projetos de pesquisa científica.

A Necessidade da Verdadeira Sabedoria

            Esta orientação do desenvolvimento da própria ciência, portanto, depende de uma verdadeira sabedoria a qual, por sua vez, está necessariamente ligada a valores éticos. E estes valores éticos não dependem de qualquer processo meramente mecânico ou quantitativo, mas sim do que Bacon chamava de “uma outra ciência”, estes valores dependem de processos de natureza interior ou intuitiva (do latim in-tueri, isto é, olhar (tueri), sobre ou para dentro (in)) ou, se quisermos usar as palavras do próprio Francis Bacon, dependem da “contemplação e da meditação”.

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            Esta verdadeira sabedoria que é capaz, por exemplo, de discernir com segurança as prioridades, não pode existir sem noções éticas, e estas por sua vez só podem ter como fundamento seguro e real a fusão entre conhecimento e virtude, isto é, o genuíno altruísmo etc. Esta fusão implica numa transcendência da dualidade e da separatividade, que são características essenciais do conhecimento meramente intelectual. Isto porque o conhecimento intelectual está baseado na comparação, na memória, no dualismo – razão pela qual os filósofos gregos o chamaram de “di-alética”, ou seja, processo de conhecimento que implica em separar a alma em duas partes, pois toda a comparação implica em duas partes.

            Estes limites do conhecimento intelectual tornam-se claramente perceptíveis ao observarmos o fato de que todo conhecimento intelectual é como um instrumento, o qual pode ser usado tanto para construir quanto para destruir, tanto para curar quanto para ferir, tanto para o bem quanto o para o mal. A sabedoria necessita vitalmente, deste modo, da superação desta dualidade, isto é, necessita da realização da Unidade. E também por esta razão a afirmação filosófica da Unidade é um conceito essencial do Humanitarismo.

            Para muitos estas questões acima serão excessivamente abstratas, o que é perfeitamente normal. Mas quase todos podem perceber que os estudos e as discussões meramente intelectuais tendem a se encerrar em “torres de marfim”, produzindo uma sofisticação lingüística cada vez mais complexa, nas quais se estabelece com extraordinária facilidade uma desproporcional ou excessiva importância às atividades e disputas intelectuais, quase como se fossem um fim em si mesmas.

            O resultado disto, ainda que inconsciente, como é tão fácil de constatar em alguns casos, é um descolamento, uma alienação, um perder de vista da relação com os problemas mais urgentes e que mais atormentam o mundo. É bem ilustrativo o fato de que os homens conseguiram resolver tantos problemas muito sofisticados, como aqueles das viagens espaciais, da bomba atômica, do desenvolvimento de velocíssimos computadores etc., mas não conseguiram sucesso em questões nada complexas, mas muito mais urgentes, como a simples alimentação ou a moradia para todos os seres humanos. Se isto não é uma demonstração do enorme intelectualismo de nossa época, então o que poderá ser?

            Este segundo aspecto da opção por uma relativa simplicidade doutrinária, portanto, prende-se ao fato de que há graves e urgentes problemas, dos quais a nossa atenção não pode ser desviada. Este desvio implica na quase certeza de uma

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perda do senso de prioridades, de quais são os problemas que devemos resolver em primeiro lugar. Há a necessidade de alguma elaboração intelectual ou doutrinária, é claro. Como há a necessidade de mapas. Mas são tão graves os problemas que desafiam a humanidade de nossos dias, tão vastas as suas conseqüências, que se faz necessária uma especial ênfase na solução efetiva de problemas simples, porém absolutamente prioritários. E para facilitar uma ação cultural, política e social radicalmente diferente, isto é, comprometida com a solução consistente dos mais urgentes problemas humanos é que o Humanitarismo optou por uma voluntária simplicidade doutrinária, que diminua os riscos do intelectualismo – de se atribuir exagerada importância à sofisticação intelectual e ao mero acúmulo de conhecimentos.

Uma Rara Oportunidade de Cooperação

            Aquelas pessoas que compreenderem a importância dos princípios do Humanitarismo para o bem-estar de toda a humanidade, e, sobretudo, para o bem-estar dos países e das populações mais pobres deste mundo, não poderão deixar de sentir a seriedade do apelo aqui feito sobre a importância de darem a sua cooperação, dentro de suas próprias capacidades, grandes ou pequenas, ao trabalho da organização ímpar no mundo que é a Sociedade Humanitarista.

            As pessoas que concordarem com o que aqui foi transmitido, que graças a esta visão passarem a entender melhor a vida social, política e econômica de seus países e do planeta e, portanto, passarem a entenderem melhor a sua própria vida e o seu próprio lugar dentro da realidade social, não continuarão a apoiar posturas, discursos e organizações medíocres e geradoras de mais miséria no mundo. Estas pessoas não poderão deixar passar a oportunidade raríssima de auxiliar nos momentos iniciais e mais difíceis da trajetória do Humanitarismo e da Sociedade Humanitarista. Elas refletirão sobre a pobreza de uma vida que não encontrou um movimento com o qual cooperar que vá até as causas, que não fique nas conseqüências, nos efeitos dos problemas mundiais. E com

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imensa alegria elas compreenderão e responderão de forma positiva e prática à importância desta cooperação.

            Desde logo manifestamos o nosso sincero respeito aos que não puderem concordar com as visões que aqui foram expostas. Também solicitamos que, se isto for possível, nos apresentem suas críticas e sugestões, pelo que ficaríamos muito agradecidos.

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fevereiro 17, 2011 / rodaecruz

Assessing The Capacity of Mass Electorates [Philip E. Converse, 2000]

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Assessing The Capacity of Mass Electorates
Philip E. Converse 
Department of Political Science, University of Michigan, Ann Arbor, Michigan

Key Words – elections, issue voting, political information, democratic theory, ideology

Abstract: This is a highly selective review of the huge literature bearing on the capacity of mass electorates for issue voting, in view of the great (mal)distribution of political information across the public, with special attention to the implications of information heterogeneity for alternative methods of research. I trace the twists and turns in understanding the meaning of high levels of response instability on survey policy items from their discovery in the first panel studies of 1940 to the current day. I consider the recent great elaboration of diverse heuristics that voters use to reason with limited information, as well as evidence that the aggregation of preferences so central to democratic process serves to improve the apparent quality of the electoral response. A few recent innovations in design and analysis hold promise of illuminating this topic from helpful new angles.  
Never overestimate the information of the American electorate, but never  underestimate its intelligence.
(Mark Shields, syndicated political columnist, citing an old aphorism)
  
  
  
INTRODUCTION
………………………………….
       Being revolted by the question formulation, I instantly declined to participate. Long ago I had written two essays (Converse 1964, 1970) to convey limitations on political information in the electorate. Consequently, I found myself typecast, in some quarters at least, as an apostle of voter ignorance. Hence my aversion.
       Shortly, however, I decided that with a change of title I could take the assignment. (…)
fevereiro 16, 2011 / rodaecruz

The Nature of Belief Systems in Mass Publics [Philp E. Converse, 1964]

Critical Review

Publication details, including instructions for authors and subscription information:

http://www.informaworld.com/smpp/title~content=t778142998

The nature of belief systems in mass publics (1964)

Philip E. Converse

a Professor Emeritus, Department of Political Science, University of Michigan, Ann Arbor, MI

To cite this Article Converse, Philip E.(2006) ‘The nature of belief systems in mass publics (1964)’, Critical Review, 18: 1, 1

………….

THE NATURE OF BELIEF SYSTEMS IN MASS PUBLICS (1964)

Belief systems have never surrendered easily to empirical study or

quantification. Indeed, they have often served as primary exhibits for

the doctrine that what is important to study cannot be measured and

that what can be measured is not important to study. In an earlier period,

the behaviorist decree that subjective states lie beyond the realm

of proper measurement gave Mannheim a justification for turning his

back on measurement, for he had an unqualified interest in discussing

belief systems.1 Even as Mannheim was writing, however, behaviorism

was undergoing stiff challenges, and early studies of attitudes

were attaining a degree of measurement reliability that had been

deemed impossible. This fragment of history, along with many others,

serves to remind us that no intellectual position is likely to become

obsolete quite so rapidly as one that takes current empirical capability

as the limit of the possible in a more absolute sense. Nevertheless,

while rapid strides in the measurement of “subjective states” have

been achieved in recent decades, few would claim that the millennium

has arrived or that Mannheim could now find all of the tools

that were lacking to him forty years ago.

This article makes no pretense of surpassing such limitations. At the

same time, our substantive concern forces upon us an unusual concern

Critical Review 18 (2006), nos. 1-3. ISSN 0891-3811. http://www.criticalreview.com. ©2006 Critical Review

Foundation.

Originally published in David E. Apter, ed., Ideology and Its Discontents (New York: The Free

Press of Glencoe). Republished by permission of the author and the editor.

Philip E. Converse is Professor Emeritus, Department of Political Science, University of

Michigan, 5602 Haven Hall, Ann Arbor, MI 48109.

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2 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

with measurement strategies, not simply because we propose to deal

with belief systems or ideologies, but also because of the specific questions

that we shall raise about them. Our focus in this article is upon

differences in the nature of belief systems held on the one hand by elite

political actors and, on the other, by the masses that appear to be “numbered”

within the spheres of influence of these belief systems. It is our

thesis that there are important and predictable differences in ideational

worlds as we progress downward through such “belief strata” and that

these differences, while obvious at one level, are easily overlooked and

not infrequently miscalculated. The fact that these ideational worlds differ

in character poses problems of adequate representation and measurement.

The vertical ordering of actors and beliefs that we wish to plumb

bears some loose resemblance to the vertical line that might be pursued

downward through an organization or political movement from the

narrow cone of top leadership, through increasing numbers of subordinate

officials, and on through untitled activists to the large base formally

represented in membership rolls. It is this large base that Michels noted,

from observations of political gatherings, was rarely “there,” and analogues

to its physical absence do not arise accidentally in dealing with

belief systems. On the other hand, there is no perfect or necessary “fit”

between the two orderings, and this fact in itself has some interest.

That we intend to consider the total mass of people “numbered”

within the spheres of influence of belief systems suggests both a democratic

bias and a possible confusion between numbers and power or between

numbers and the outcomes of events that power determines. We

are aware that attention to numbers, more or less customary in democratic

thought, is very nearly irrelevant in many political settings. Generally,

the logic of numbers collides head on with the logic of power, as

the traditional power pyramid, expressing an inverse relation between

power and numbers, communicates so well. “Power” and “numbers” intersect

at only one notable point, and that point is represented by the

familiar axiom that numbers are one resource of power. The weight of

this resource varies in a systematic and obvious way according to the

political context. In a frankly designed and stable oligarchy, it is assumed

to have no weight at all. In such a setting, the numbers of people associated

with particular belief systems, if known at all, becomes important

only in periods of crisis or challenge to the existing power structure.

Democratic theory greatly increases the weight accorded to

numbers in the daily power calculus. This increase still does not mean

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 3

that numbers are of overriding importance; in the normal course of

events it is the perception of numbers by democratic elites, so far as they

differ from “actual” numbers, that is the more important factor. However

this may be, claims to numbers are of some modest continuing importance

in democratic systems for the legitimacy they confer upon demands;

and, much more sporadically, claims to numbers become

important in nondemocratic systems as threats of potential coercion.

I. SOME CLARIFICATION OF TERMS

A term like “ideology” has been thoroughly muddled by diverse uses.2

We shall depend instead upon the term “belief system,” although there

is an obvious overlap between the two. We define a belief system as a

configuration of ideas and attitudes in which the elements are bound

together by some form of constraint or functional interdependence.3 In

the static case, “constraint” may be taken to mean the success we would

have in predicting, given initial knowledge that an individual holds a

specified attitude, that he holds certain further ideas and attitudes. We

depend implicitly upon such notions of constraint in judging, for example,

that, if a person is opposed to the expansion of Social Security,

he is probably a conservative and is probably opposed as well to any nationalization

of private industries, federal aid to education, sharply progressive

income taxation, and so forth. Most discussions of ideologies

make relatively elaborate assumptions about such constraints. Constraint

must be treated, of course, as a matter of degree, and this degree can be

measured quite readily, at least as an average among individuals.4

In the dynamic case, “constraint” or “interdependence” refers to the

probability that a change in the perceived status (truth, desirability, and

so forth) of one idea-element would psychologically require, from the

point of view of the actor, some compensating change(s) in the status

of idea-elements elsewhere in the configuration. The most obvious

form of such constraint (although in some ways the most trivial) is exemplified

by a structure of propositions in logic, in which a change in

the truth-value of one proposition necessitates changes in truth-value

elsewhere within the set of related propositions. Psychologically, of

course, there may be equally strong constraint among idea-elements

that would not be apparent to logical analysis at all, as we shall see.

We might characterize either the idea-elements themselves or entire

belief systems in terms of many other dimensions. Only two will interest

us here. First, the idea-elements within a belief system vary in a

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4 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

property we shall call centmlity, according to the role that they play in

the belief system as a whole. That is, when new information changes

the status of one idea-element in the belief system, by postulate some

other change must occur as well. There are usually, however, several

possible changes in status elsewhere in the system, any one of which

would compensate for the initial change. Let us imagine, for example,

that a person strongly favors a particular policy; is very favorably inclined

toward a given political party; and recognizes with gratification

that the party’s stand and his own are congruent. (If he were unaware

of the party’s stand on the issue, these elements could not in any direct

sense be constrained within the same belief system.) Let us further

imagine that the party then changes its position to the opposing side of

the issue. Once the information about the change reaching the actor

has become so unequivocal that he can no longer deny that the change

has occurred, he has several further choices. Two of the more important

ones involve either a change in attitude toward the party or a change in

position on the issue. In such an instance, the element more likely to

change is defined as less central to the belief system than the element

that, so to speak, has its stability ensured by the change in the first element.

5

In informal discussions of belief systems, frequent assumptions are

made about the relative centrality of various idea-elements. For example,

idea-elements that are logically “ends” are supposed to be more

central to the system than are “means.” It is important to remain aware,

however, that idea-elements can change their relative centrality in an

individual’s belief system over time. Perhaps the most hackneyed illustration

of this point is that of the miser, to whom money has become

an end rather than a means.

Whole belief systems may also be compared in a rough way with respect

to the range of objects that are referents for the ideas and attitudes

in the system. Some belief systems, while they may be internally quite

complex and may involve large numbers of cognitive elements, are

rather narrow in range: Belief systems concerning “proper” baptism rituals

or the effects of changes in weather on health may serve as cases in

point. Such other belief systems as, for example, one that links control

of the means of production with the social functions of religion and a

doctrine of aesthetics all in one more or less neat package have extreme

ranges.

By and large, our attention will be focused upon belief systems that

have relatively wide ranges, and that allow some centrality to political

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 5

objects, for they can be presumed to have some relevance to political

behavior. This focus brings us close to what are broadly called ideologies,

and we shall use the term for aesthetic relief where it seems most appropriate.

The term originated in a narrower context, however, and is

still often reserved for subsets of belief systems or parts of such systems

that the user suspects are insincere; that he wishes to claim have certain

functions for social groupings; or that have some special social source or

some notable breadth of social diffusion.6 Since we are concerned here

about only one of these limitations—the question of social diffusion—

and since we wish to deal with it by hypothesis rather than by definition,

a narrow construction of the term is never intended.

II. SOURCES OF CONSTRAINT ON IDEA-ELEMENTS

It seems clear that, however logically coherent a belief system may seem

to the holder, the sources of constraint are much less logical in the classical

sense than they are psychological—and less psychological than social.

This point is of sufficient importance to dwell upon.

Logical Sources of Constraint

Within very narrow portions of belief systems, certain constraints may

be purely logical. For example, government revenues, government expenditures,

and budget balance are three idea-elements that suggest

some purely logical constraints. One cannot believe that government

expenditures should be increased, that government revenues should be

decreased, and that a more favorable balance of the budget should be

achieved all at the same time. Of course, the presence of such objectively

logical constraints does not ensure that subjective constraints will

be felt by the actor. They will be felt only if these idea-elements are

brought together in the same belief system, and there is no guarantee

that they need be. Indeed, it is true that, among adult American citizens,

those who favor the expansion of government welfare services

tend to be those who are more insistent upon reducing taxes “even if it

means putting off some important things that need to be done.”7

Where such purely logical constraint is concerned, McGuire has reported

a fascinating experiment in which propositions from a few syllogisms

of the Barbara type were scattered thinly across a long questionnaire

applied to a student population. The fact that logical

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6 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

contingencies bound certain questions together was never brought to

the attention of the students by the investigator. Yet one week later the

questionnaire was applied again, and changes of response to the syllogistic

propositions reduced significantly the measurable level of logical

inconsistency. The conclusion was that merely “activating” these objectively

related ideas in some rough temporal contiguity was sufficient to

sensitize the holders to inconsistency and therefore to occasion readjustment

of their beliefs.8

On a broader canvas, such findings suggest that simple “thinking

about” a domain of idea-elements serves both to weld a broader range

of such elements into a functioning belief system and to eliminate

strictly logical inconsistencies defined from an objective point of view.

Since there can be no doubt that educated elites in general, and political

elites in particular, “think about” elements involved in political belief

systems with a frequency far greater than that characteristic of mass

publics, we could conservatively expect that strict logical inconsistencies

(objectively definable) would be far more prevalent in a broad public.

Furthermore, if a legislator is noted for his insistence upon budgetbalancing

and tax-cutting, we can predict with a fair degree of success

that he will also tend to oppose expansion of government welfare activities.

If, however, a voter becomes numbered within his sphere of

influence by virtue of having cast a vote for him directly out of enthusiasm

for his tax-cutting policies, we cannot predict that the voter

is opposed as well to expansion of government welfare services. Indeed,

if an empirical prediction is possible, it may run in an opposing

direction, although the level of constraint is so feeble that any

comment is trivial. Yet we know that many historical observations rest

directly upon the assumption that constraint among idea-elements

visible at an elite level is mirrored by the same lines of constraint in

the belief systems of their less visible “supporters.” It is our argument

that this assumption not only can be, but is very likely to be,

fallacious.

Psychological Sources of Constraint

Whatever may be learned through the use of strict logic as a type of

constraint, it seems obvious that few belief systems of any range at all

depend for their constraint upon logic in this classical sense. Perhaps,

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 7

with a great deal of labor, parts of a relatively tight belief system like

that fashioned by Karl Marx could be made to resemble a structure of

logical propositions. It goes without saying, however, that many sophisticated

people have been swept away by the “iron logic” of Marxism

without any such recasting. There is a broad gulf between strict logic

and the quasi-logic of cogent argument. And where the elements in

the belief system of a population represent looser cultural accumulations,

the question of logical consistency is even less appropriate. If one

visits a Shaker community, for example, one finds a group of people

with a clear-cut and distinctive belief system that requires among other

things plain dress, centrality of religious concerns, celibacy for all members,

communal assumptions about work and property, antagonism to

political participation in the broader state, and a general aura of retirement

from the secular world. The visitor whose sense of constraint has

been drawn from belief configurations of such other retiring sects as

the Amish is entirely surprised to discover that the Shakers have no abhorrence

of technological progress but indeed greatly prize it. In their

heyday, a remarkable amount of group energy appears to have been reserved

for “research and development” of labor-saving devices, and

among the inventions they produced was a prototype of the washing

machine. Similar surprise has been registered at idea-elements brought

together by such movements as Peronism and Italian Fascism by observers

schooled to expect other combinations. Indeed, were one to

survey a limited set of ideas on which many belief systems have registered

opposite postures, it would be interesting to see how many permutations

of positions have been held at one time or another by someone

somewhere.

Such diversity is testimony to an absence of any strict logical constraints

among such idea-elements, if any be needed. What is important

is that the elites familiar with the total shapes of these belief systems

have experienced them as logically constrained clusters of ideas, within

which one part necessarily follows from another. Often such constraint

is quasi-logically argued on the basis of an appeal to some superordinate

value or posture toward man and society, involving premises about

the nature of social justice, social change, “natural law,” and the like.

Thus a few crowning postures—like premises about survival of the

fittest in the spirit of social Darwinism—serve as a sort of glue to bind

together many more specific attitudes and beliefs, and these postures are

of prime centrality in the belief system as a whole.

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8 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

Social Sources of Constraint

The social sources of constraint are twofold and are familiar from an

extensive literature in the past century. In the first place, were we to

survey the combinations of idea-elements that have occurred historically

(in the fashion suggested above), we should undoubtedly fmd that

certain postures tend to co-occur and that this co-occurrence has obvious

roots in the configuration of interests and information that characterize

particular niches in the social structure. For example, if we were

informed that dissension was rising within the Roman Catholic

Church over innovations designed to bring the priest more intimately

into the milieu of the modern worker, we could predict with a high degree

of success that such a movement would have the bulk of its support

among the bas-clergS and would encounter indifference or hostility

at the higher status levels of the hierarchy.

Of course, such predictions are in no sense free from error, and surprises

are numerous. The middle-class temperance movement in America,

for example, which now seems “logically” allied with the smalltown

Republican right, had important alliances some eighty years ago

with the urban social left, on grounds equally well argued from temperance

doctrines.9 Nonetheless, there are some highly reliable correlations

of this sort, and these correlations can be linked with social structure in

the most direct way. Developmentally, they have status similar to the

classic example of the spurious correlation—two terms that are correlated

because of a common link to some third and prior variable. In the

case of the belief system, arguments are developed to lend some more

positive rationale to the fact of constraint: The idea-elements go together

not simply because both are in the interest of the person holding

a particular status but for more abstract and quasi-logical reasons

developed from a coherent world view as well. It is this type of constraint

that is closest to the classic meaning of the term “ideology.”

The second source of social constraint lies in two simple facts about

the creation and diffusion of belief systems. First, the shaping of belief

systems of any range into apparently logical wholes that are credible to

large numbers of people is an act of creative synthesis characteristic of

only a minuscule proportion of any population. Second, to the extent

that multiple idea-elements of a belief system are socially diffused from

such creative sources, they tend to be diffused in “packages,” which

consumers come to see as “natural” wholes, for they are presented in

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 9

such terms (“If you believe this, then you will also believe that, for it

follows in such-and-such ways”). Not that the more avid consumer

never supplies personal innovations on the fringes—he is very likely to

suppress an idea-element here, to elaborate one there, or even to demur

at an occasional point. But any set of relatively intelligent consumers

who are initially sympathetic to the crowning posture turns out to

show more consensus on specific implications of the posture as a result

of social diffusion of “what goes with what” than it would if each

member were required to work out the implications individually without

socially provided cues.

Such constraint through diffusion is important, for it implies a dependence

upon the transmission of information. If information is not

successfully transmitted, there will be little constraint save that arising

from the first social source. Where transmission of information is at

stake, it becomes important to distinguish between two classes of information.

Simply put, these two levels are what goes with what and why.

Such levels of information logically stand in a scalar relationship to one

another, in the sense that one can hardly arrive at an understanding of

why two ideas go together without being aware that they are supposed

to go together. One the other hand, it is easy to know that two ideas go

together without knowing why. For example, we can expect that a very

large majority of the American public would somehow have absorbed

the notion that “Communists are atheists.”What is important is that this

perceived correlation would for most people represent nothing more

than a fact of existence, with the same status as the fact that oranges are

orange and most apples are red. If we were to go and explore with

these people their grasp of the “why” of the relationship, we would be

surprised if more than a quarter of the population even attempted responses

(setting aside such inevitable replies as “those Communists are

for everything wicked”), and, among the responses received, we could

be sure that the majority would be incoherent or irrelevant.

The first level of information, then, is simple and straightforward.

The second involves much more complex and abstract information,

very close to what Downs has called the “contextual knowledge” relevant

to a body of information.10 A well informed person who has received

sufficient information about a system of beliefs to understand

the “whys” involved in several of the constraints between idea-elements

is in a better position to make good guesses about the nature of other

constraints; he can deduce with fair success, for example, how a true

believer will respond to certain situations. Our first interest in distin-

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io Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

guishing between these types of information, however, flows from our

interest in the relative success of information transmission. The general

premise is that the first type of information will be diffused much more

readily than the second because it is less complex.

It is well established that differences in information held in a crosssection

population are simply staggering, running from vast treasuries of

well organized information among elites interested in the particular

subject to fragments that could virtually be measured as a few “bits” in

the technical sense. These differences are a static tribute to the extreme

imperfections in the transmission of information “downward” through

the system: Very little information “trickles down” very far. Of course,

the ordering of individuals on this vertical information scale is largely

due to differences in education, but it is strongly modified as well by

different specialized interests and tastes that individuals have acquired

over time (one for politics, another for religious activity, another for

fishing, and so forth).

Consequences of Declining Information for Belief Systems

It is our primary thesis that, as one moves from elite sources of belief

systems downwards on such an information scale, several important

things occur. First, the contextual grasp of “standard” political belief

systems fades out very rapidly, almost before one has passed beyond the

10 percent of the American population that in the 1950s had completed

standard college training.11 Increasingly, simpler forms of information

about “what goes with what” (or even information about the

simple identity of objects) turn up missing. The net result, as one moves

downward, is that constraint declines across the universe of idea-elements,

and that the range of relevant belief systems becomes narrower

and narrower. Instead of a few wide-ranging belief systems that organize

large amounts of specific information, one would expect to find a

proliferation of clusters of ideas among which little constraint is felt,

even, quite often, in instances of sheer logical constraint.12

At the same time, moving from top to bottom of this information

dimension, the character of the objects that are central in a belief system

undergoes systematic change. These objects shift from the remote,

generic, and abstract to the increasingly simple, concrete, or “close to

home.”Where potential political objects are concerned, this progression

tends to be from abstract, “ideological” principles to the more obviously

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 11

recognizable social groupings or charismatic leaders and finally to such

objects of immediate experience as family, job, and immediate associates.

Most of these changes have been hinted at in one form or another in

a variety of sources. For example, “limited horizons,” “foreshortened

time perspectives,” and “concrete thinking” have been singled out as

notable characteristics of the ideational world of the poorly educated.

Such observations have impressed even those investigators who are

dealing with subject matter rather close to the individual’s immediate

world: his family budgeting, what he thinks of people more wealthy

than he, his attitudes toward leisure time, work regulations, and the like.

But most of the stuff of politics—particularly that played on a national

or international stage—is, in the nature of things, remote and abstract.

Where politics is concerned, therefore, such ideational changes begin to

occur rapidly below the extremely thin stratum of the electorate that

ever has occasion to make public pronouncements on political affairs.

In other words, the changes in belief systems of which we speak are

not a pathology limited to a thin and disoriented bottom layer of the

lumpenproletariat; they are immediately relevant in understanding the

bulk of mass political behavior.

It is this latter fact which seems to be consistently misunderstood by

the sophisticated analysts who comment in one vein or another on the

meaning of mass politics. There are some rather obvious “optical illusions”

that are bound to operate here. A member of that tiny elite that

comments publicly about political currents (probably some fraction of i

percent of a population) spends most of his time in informal communication

about politics with others in the same select group. He rarely encounters

a conversation in which his assumptions of shared contextual

grasp of political ideas are challenged. Intellectually, he has learned that

the level of information in the mass public is low, but he may dismiss

this knowledge as true of only 10 to 20 percent of the voters, who affect

the course of mass political events in insignificant ways if at all.13 It is

largely from his informal communications that he learns how “public

opinion” is changing and what the change signifies, and he generalizes

facilely from those observations to the bulk of the broader public.14

III. ACTIVE USE OF IDEOLOGICAL DIMENSIONS OF JUDGMENT

Economy and constraint are companion concepts, for the more highly

constrained a system of multiple elements, the more economically it

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12 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

may be described and understood. From the point of view of the actor,

the idea organization that leads to constraint permits him to locate and

make sense of a wider range of information from a particular domain

than he would find possible without such organization. One judgmental

dimension or “yardstick” that has been highly serviceable for simplifying

and organizing events in most Western politics for the past century

has been the liberal-conservative continuum, on which parties,

political leaders, legislation, court decisions, and a number of other primary

objects of politics could be more—or less—adequately located.15

The efficiency of such a yardstick in the evaluation of events is quite

obvious. Under certain appropriate circumstances, the single word

“conservative” used to describe a piece of proposed legislation can

convey a tremendous amount of more specific information about the

bill—who probably proposed it and toward what ends, who is likely to

resist it, its chances of passage, its long-term social consequences, and,

most important, how the actor himself should expect to evaluate it if

he were to expend further energy to look into its details. The circumstances

under which such tremendous amounts of information are conveyed

by the single word are, however, twofold. First, the actor must

bring a good deal of meaning to the term, which is to say that he must

understand the constraints surrounding it. The more impoverished his

understanding of the term, the less information it conveys. In the limiting

case—if he does not know at all what the term means—it conveys

no information at all. Second, the system of beliefs and actors referred

to must in fact be relatively constrained: To the degree that constraint is

lacking, uncertainty is less reduced by the label, and less information is

conveyed.

The psychological economies provided by such yardsticks for actors

are paralleled by economies for analysts and theoreticians who wish to

describe events in the system parsimoniously. Indeed, the search for adequate

overarching dimensions on which large arrays of events may be

simply understood is a critical part of synthetic description. Such syntheses

are more or less satisfactory, once again, according to the degree

of constraint operative among terms in the system being described.

The economies inherent in the liberal-conservative continuum were

exploited in traditional fashion in the early 1950s to describe political

changes in the United States as a swing toward conservatism or a “revolt

of the moderates.” At one level, this description was unquestionably

apt. That is, a man whose belief system was relatively conservative

(Dwight D. Eisenhower) had supplanted in the White House a man

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 13

whose belief system was relatively liberal (Harry Truman). Furthermore,

for a brief period at least, the composition of Congress was more

heavily Republican as well, and this shift meant on balance a greater

proportion of relatively conservative legislators. Since the administration

and Congress were the elites responsible for the development and

execution of policies, the flavor of governmental action did indeed take

a turn in a conservative direction. These observations are proper description.

The causes underlying these changes in leadership, however, obviously

lay with the mass public, which had changed its voting patterns

sufficiently to bring the Republican elites into power. And this change

in mass voting was frequently interpreted as a shift in public mood from

liberal to conservative, a mass desire for a period of respite and consolidation

after the rapid liberal innovations of the 1930s and 1940s. Such

an account presumes, once again, that constraints visible at an elite level

are mirrored in the mass public and that a person choosing to vote Republican

after a decade or two of Democratic voting saw himself in

some sense or other as giving up a more liberal choice in favor of a more

conservative one.

On the basis of some familiarity with attitudinal materials drawn

from cross-section samples of the electorate,16 this assumption seems

thoroughly implausible. It suggests in the first instance a neatness of organization

in perceived political worlds, which, while accurate enough

for elites, is a poor fit for the perceptions of the common public. Second,

the yardstick that such an account takes for granted—the liberalconservative

continuum—is a rather elegant high-order abstraction, and

such abstractions are not typical conceptual tools for the “man in the

street.” Fortunately, our interview protocols collected from this period

permitted us to examine this hypothesis more closely, for they include

not only “structured” attitude materials (which merely require the respondent

to choose between prefabricated alternatives) but also lengthy

“open-ended” materials, which provided us with the respondent’s current

evaluations of the political scene in his own words. They therefore

provide some indication of the evaluative dimensions that tend to be

spontaneously applied to politics by such a national sample. We knew

that respondents who were highly educated or strongly involved in politics

would fall naturally into the verbal shorthand of “too conservative,”

“more radical,” and the like in these evaluations. Our initial analytic

question had to do with the prevalence of such usage.

It soon became apparent, however, that such respondents were in a

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14 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

very small minority, as their unusual education or involvement would

suggest. At this point, we broadened the inquiry to an assessment of the

evaluative dimensions of policy significance (relating to political issues,

rather than to the way a candidate dresses, smiles, or behaves in his private

life) that seemed to be employed in lieu of such efficient yardsticks

as the liberal-conservative continuum. The interviews themselves suggested

several strata of classification, which were hierarchically ordered

as “levels of conceptualization” on the basis of a priori judgments about

the breadth of contextual grasp of the political system that each

seemed to represent.

In the first or top level were placed those respondents who did indeed

rely in some active way on a relatively abstract and far-reaching

conceptual dimension as a yardstick against which political objects and

their shifting policy significance over time were evaluated. We did not

require that this dimension be the liberal-conservative continuum itself,

but it was almost the only dimension of the sort that occurred empirically.

In a second stratum were placed those respondents who mentioned

such a dimension in a peripheral way but did not appear to

place much evaluative dependence upon it or who used such concepts

in a fashion that raised doubt about the breadth of their understanding

of the meaning of the term. The first stratum was loosely labeled “ideologue”

and the second “near-ideologue.”

In the third level were placed respondents who failed to rely upon

any such over-arching dimensions yet evaluated parties and candidates

in terms of their expected favorable or unfavorable treatment of different

social groupings in the population. The Democratic Party might be

disliked because “it’s trying to help the Negroes too much,” or the Republican

Party might be endorsed because farm prices would be better

with the Republicans in office. The more sophisticated of these groupinterest

responses reflected an awareness of conflict in interest between

“big business” or “rich people,” on the one hand, and “labor” or the

“working man,” on the other, and parties and candidates were located

accordingly.

It is often asked why these latter respondents are not considered full

“ideologues,” for their perceptions run to the more tangible core of

what has traditionally been viewed as ideological conflict. It is quite

true that such a syndrome is closer to the upper levels of conceptualization

than are any of the other types to be described. As we originally

foresaw, however, there turn out to be rather marked differences, not

only in social origin and flavor of judgmental processes but in overt

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 15

political reactions as well, between people of this type and those in the

upper levels. These people have a clear image of politics as an arena of

group interests and, provided that they have been properly advised on

where their own group interests lie, they are relatively likely to follow

such advice. Unless an issue directly concerns their grouping in an obviously

rewarding or punishing way, however, they lack the contextual

grasp of the system to recognize how they should respond to it without

being told by elites who hold their confidence. Furthermore, their interest

in politics is not sufficiently strong that they pay much attention

to such communications. If a communication gets through and they

absorb it, they are most willing to behave “ideologically” in ways that

will further the interests of their group. If they fail to receive such

communication, which is most unusual, knowledge of their group

memberships may be of little help in predicting their responses. This

syndrome we came to call “ideology by proxy.”

The difference between such narrow group interest and the broader

perceptions of the ideologue may be clarified by an extreme case. One

respondent whom we encountered classified himself as a strong Socialist.

He was a Socialist because he knew that Socialists stood four-square

for the working man against the rich, and he was a working man. When

asked, however, whether or not the federal government in Washington

“should leave things like electric power and housing for private businessmen

to handle,” he felt strongly that private enterprise should have

its way, and responses to other structured issue questions were simply

uncorrelated with standard socialist doctrine. It seems quite clear that, if

our question had pointed out explicitly to this man that “good Socialists”

would demand government intervention over private enterprise or

that such a posture had traditionally been viewed as benefiting the

working man, his answer would have been different. But since he had

something less than a college education and was not generally interested

enough in politics to struggle through such niceties, he simply

lacked the contextual grasp of the political system or of his chosen

“ideology” to know what the appropriate response might be. This case

illustrates well what we mean by constraint between idea-elements and

how such constraint depends upon a store of relevant information. For

this man, “Socialists,” “the working man,” “non-Socialists” and “the

rich” with their appropriate valences formed a tightly constrained belief

system. But, for lack of information, the belief system more or less

began and ended there. It strikes us as valid to distinguish such a belief

system from that of the doctrinaire socialist. We, as sophisticated ob-

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

16 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

servers, could only class this man as a full “ideologue” by assuming that

he shares with us the complex undergirding of information that his

concrete group perceptions call up in our own minds. In this instance, a

very little probing makes clear that this assumption of shared information

is once again false.

The fourth level was, to some degree, a residual category, intended to

include those respondents who invoked some policy considerations in

their evaluations yet employed none of the references meriting location

in any of the first three levels. Two main modes of policy evaluation

were characteristic of this level. The first we came to think of as a “nature

of the times” response, since parties or candidates were praised or

blamed primarily because of their temporal association in the past with

broad societal states of war or peace, prosperity or depression. There

was no hint in these responses that any groupings in the society suffered

differentially from disaster or profited excessively in more pleasant

times: These fortunes or misfortunes were those that one party or the

other had decided (in some cases, apparently, on whim) to visit upon

the nation as a whole. The second type included those respondents

whose only approach to an issue reference involved some single narrow

policy for which they felt personal gratitude or indignation toward a

party or candidate (like Social Security or a conservation program). In

these responses, there was no indication that the speakers saw programs

as representative of the broader policy postures of the parties.

The fifth level included those respondents whose evaluations of the

political scene had no shred of policy significance whatever. Some of

these responses were from people who felt loyal to one party or the

other but confessed that they had no idea what the party stood for.

Others devoted their attention to personal qualities of the candidates,

indicating disinterest in parties more generally. Still others confessed

that they paid too little attention to either the parties or the current

candidates to be able to say anything about them.17

The ranking of the levels performed on a priori grounds was corroborated

by further analyses, which demonstrated that independent measures

of political information, education, and political involvement all

showed sharp and monotonic declines as one passed downward through

the levels in the order suggested. Furthermore, these correlations were

strong enough so that each maintained some residual life when the

other two items were controlled, despite the strong underlying relationship

between education, information, and involvement.

The distribution of the American electorate within these levels of

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 17

Table 1. Distribution of a Total Cross-Section Sample of the American

Electorate and of 1956 Voters, by Levels of Conceptualization

I. Ideologues

II. Near-ideologues

III. Group interest

IV Nature of the times

V. No issue content

Proportion of

total sample

2’A%

9

42

24

22’A

100%

Proportion

of voters

3%%

12

45

22

17*

100%

conceptualization is summarized in Table 1. The array is instructive as a

portrait of a mass electorate, to be laid against the common elite assumption

that all or a significant majority of the public conceptualizes

the main lines of politics after the manner of the most highly educated.

Where the specific hypothesis of the “revolt of the moderates” in the

early 1950s is concerned, the distribution does not seem on the face of

it to lend much support to the key assumption. This disconfirmation

may be examined further, however.

Since the resurgence of the Republicans in the Eisenhower period

depended primarily upon crossing of party lines by people who normally

considered themselves Democrats, we were able to isolate these

people to see from what levels of conceptualization they had been recruited.

We found that such key defections had occurred among Democrats

in the two bottom levels at a rate very significantly greater than

the comparable rate in the group-interest or more ideological levels. In

other words, the stirrings in the mass electorate that had led to a change

in administration and in “ruling ideology” were primarily the handiwork

of the very people for whom assumptions of any liberal-conservative

dimensions of judgment were most far-fetched.

Furthermore, within those strata where the characteristics of conceptualization

even permitted the hypothesis to be evaluated in its own

terms, it was directly disproved. For example, the more sophisticated of

the group-interest Democrats were quite aware that Eisenhower would

be a more pro-business president than Stevenson. Those of this group

who did defect to Eisenhower did not, however, do so because they

were tired of a labor-oriented administration and wanted a businessoriented

one for a change. Quite to the contrary, in the degree that

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18 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

they defected they did so in spite of rather than because o/such quasi-ideological

perceptions. That is, their attitudes toward the respective interests

of these groups remained essentially constant, and they expressed

misgivings about an Eisenhower vote on precisely these grounds. But

any such worries were, under the circumstances, outweighed by admiration

for Eisenhower’s war record, his honesty, his good family life, and

(in 1952) his potential for resolving the nagging problem of the Korean

War. Among respondents at higher levels (ideologues and near-ideologues),

there was comparable attraction to Eisenhower at a personal

level, but these people seemed more careful to hew to ideological considerations,

and rates of Democratic defection in these levels were lower

still. In short, then, the supposition of changing ideological moods in

the mass public as a means of understanding the exchange of partisan

elites in 1952 seems to have had little relevance to what was actually

going on at the mass level. And once again, the sources of the optical

illusion are self-evident. While it may be taken for granted among well

educated and politically involved people that a shift from a Democratic

preference to a Republican one probably represents a change in option

from liberal to conservative, the assumption cannot be extended very

far into the electorate as a whole.

IV. RECOGNITION OF

IDEOLOGICAL DIMENSIONS OF JUDGMENT

Dimensions like the liberal-conservative continuum, as we have observed,

are extremely efficient frames for the organization of many political

observations. Furthermore, they are used a great deal in the more

ambitious treatments of politics in the mass media, so that a person

with a limited understanding of their meaning must find such discussions

more obscure than enlightening. Aside from active cognitive use,

therefore, the simple status of public comprehension of these terms is a

matter of some interest.

It is a commonplace in psychology that recognition, recall, and habitual

use of cognized objects or concepts are rather different. We are capable

of recognizing many more objects (or concepts) if they are directly

presented to us than we could readily recall on the basis of more indirect

cues; and we are capable of recalling on the basis of such hints

many more objects (or concepts) than might be active or salient for us in

a given context without special prompting. In coding the levels of conceptualization

from free-answer material, our interest had been entirely

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Converse ‘The Nature of Belief Systems in Mass Publics 19

focused upon concepts with the last status (activation or salience). It

had been our assumption that such activation would be apparent in the

responses of any person with a belief system in which these organizing

dimensions had high centrality. Nevertheless, we could be sure at the

same time that if we presented the terms “liberal” and “conservative”

directly to our respondents, a much larger number would recognize

them and be able to attribute to them some kind of meaning. We are

interested both in the proportions of a normal sample who would

show some recognition and also in the meaning that might be supplied

for the terms.

In a i960 reinterview of the original sample whose 1956 responses

had been assigned to our levels of conceptualization, we therefore asked

in the context of the differences in “what the parties stand for,” “Would

you say that either one of the parties is more conservative or more liberal

than the other?” (It was the first time we had ever introduced these

terms in our interviewing of this sample.) If the answer was affirmative,

we asked which party seemed the more conservative and then, “What

do you have in mind when you say that the Republicans (Democrats)

are more conservative than the Democrats (Republicans)?” When the

respondent said that he did not see differences of this kind between the

two parties, we were anxious to distinguish between those who were

actually cynical about meaningful party differences and those who took

this route to avoid admitting that they did not know what the terms

signified. We therefore went on to ask this group, “Do you think that

people generally consider the Democrats or the Republicans more

conservative, or wouldn’t you want to guess about that?” At this point,

we were willing to assume that if a person had no idea of the rather

standard assumptions, he probably had no idea of what the terms

meant; and indeed, those who did try to guess which party other people

thought more conservative made a very poor showing when we

went on to ask them (paralleling our “meaning” question for the first

group), “What do people have in mind when they say that the Republicans

(Democrats) are more conservative than the Democrats (Republicans)?”

In responding to the “meaning” questions, both groups were

urged to answer as fully and clearly as possible, and their comments

were transcribed.

The responses were classified in a code inspired by the original work

on levels of conceptualization, although it was considerably more detailed.

Within this code, top priority was given to explanations that

called upon broad philosophical differences. These explanations in-

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20 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

eluded mentions of such things as posture toward change (acceptance of

or resistance to new ideas, speed or caution in responding to new problems,

protection of or challenge to the status quo, aggressive posture towards

problems vs. a laissez-faire approach, orientation toward the future

or lack of it, and so forth);posture toward the welfare state, socialism, free enterprise,

or capitalism (including mention of differential sensitivity to social

problems, approaches to social-welfare programs, governmental interference

with private enterprise, and so forth); posture toward the

expanding power of federal government (issues of centralization, states’

rights, local autonomy, and paternalism); and relationship of the government

to the individual (questions of individual dignity, initiative, needs, rights,

and so forth). While any mention of comparably broad philosophical

differences associated with the liberal-conservative distinction was categorized

in this top level, these four were the most frequent types of reference,

as they had been for the full “ideologues” in the earlier openended

materials.

Then, in turn, references to differences in attitude toward various interest

groupings in the population; toward spending or saving and fiscal

policy more generally, as well as to economic prosperity; toward various

highly specific issues like unemployment compensation, highway-building,

and tariffs; and toward postures in the sphere of foreign policy were

arrayed in a descending order of priority, much as they had been for

the classification into levels of conceptualization. Since respondents had

been given the opportunity to mention as many conservative-liberal

distinctions as they wished, coding priority was given to the more “elevated”

responses, and all the data that we shall subsequently cite rests on

the “best answer” given by each respondent.18

The simple distributional results were as follows. Roughly three respondents

in eight (37 percent) could supply no meaning for the liberal-

conservative distinction, including 8 percent who attempted to say

which party was the more conservative but who gave up on the part of

the sequence dealing with meaning. (The weakest 29 percent will, in

later tables, form our bottom stratum “V,” while the 8 percent compose

stratum “IV.”) Between those who could supply no meaning for the

terms and those who clearly did, there was naturally an intermediate

group that answered all the questions but showed varying degrees of

uncertainty or confusion. The situation required that one of two polar

labels (conservative or liberal) be properly associated with one of two

polar clusters of connotations and with one of two parties. Once the

respondent had decided to explain what “more conservative” or “more

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 21

liberal” signified, there were four possible patterns by which the other

two dichotomies might be associated with the first. Of course, all four

were represented in at least some interviews. For example, a respondent

might indicate that the Democrats were the more conservative because

they stood up for the working man against big business. In such a case,

there seemed to be a simple error consisting in reversal of the ideological

labels. Or a respondent might say that the Republicans were more

liberal because they were pushing new and progressive social legislation.

Here the match between label and meaning seems proper, but the party

perception is, by normal standards, erroneous.

The distribution of these error types within the portion of the sample

that attempted to give “meaning” answers (slightly more than 60

percent) is shown in Table 2. The 83 percent entered for the “proper”

patterns is artificially increased to an unknown degree by the inclusion

of all respondents whose connotations for liberalism-conservatism were

Table 2. Association of Ideological Label with Party and Meaning

Ideological

label

Conservative

Liberal

Conservative

Liberal

Conservative

Liberal

Conservative

Liberal

Meaning

Conservative

Liberal

Liberal

Conservative

Conservative

Liberal

Liberal

Conservative

Party

Republican

Democrat

Republican

Democrat

Democrat

Republican

Democrat

Republican

Proportion of those

giving some answer

83%

5

6

6

100%

a. While this pattern may appear entirely legitimate for the southern respondent reacting

to the southern wing of the Democratic Party rather than to the national

party, it showed almost no tendency to occur with greater frequency in the South

than elsewhere (and errors as well as lacunae occurred more frequently in general

in the less well educated South). Data from a very different context indicate that

southerners who discriminate between the southern wing and the national Democratic

Party take the national party as the assumed object in our interviews, if the

precise object is not specified.

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22 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

sufficiently impoverished so that little judgment could be made about

whether or not they were making proper associations (for example,

those respondents whose best explanations of the distinction involved

orientations toward defense spending). The error types thus represent

only those that could be unequivocally considered “errors.” While

Table 2 does not in itself constitute proof that the error types resulted

from pure guesswork, the configuration does resemble the probable results

if 20—25 percent of the respondents had been making random

guesses about how the two labels, the two polar meanings, and the two

parties should be sorted out. People making these confused responses

might or might not feel confused in making their assessments. Even if

they knew that they were confused, it is unlikely that they would be

less confused in encountering such terms in reading or listening to political

communications, which is the important point where transmission

of information is concerned. If, on the other hand, they were

wrong without realizing it, then they would be capable of hearing that

Senator Goldwater, for example, was an extreme conservative and believing

that it meant that he was for increased federal spending (or

whatever other more specific meaning they might bring to the term).

In either case, it seems reasonable to distinguish between the people

who belong in this confused group at the border of understanding and

those who demonstrate greater clarity about the terms. And after the

confused group is set aside (stratum HI in Tables 3—4), we are left with a

proportion of the sample that is slightly more than 50 percent. This figure

can be taken as a maximum estimate of reasonable recognition.

We say “maximum” because, once within this “sophisticated” half of

the electorate, it is reasonable to consider the quality of the meanings

put forth to explain the liberal-conservative distinction. These meanings

varied greatly in adequacy, from those “best answers” that did indeed

qualify for coding under the “broad philosophy” heading (the

most accurate responses, as defined above) to those that explained the

distinction in narrow or nearly irrelevant terms (like Prohibition or

foreign-policy measures). In all, 17 percent of the total sample gave

“best answers” that we considered to qualify as “broad philosophy.”19

This group was defined as stratum I, and the remainder, who gave narrower

definitions, became stratum II.

Perhaps the most striking aspect of the liberal-conservative definitions

supplied was the extreme frequency of those hinging on a simple

“spend-save” dimension vis-a-vis government finances. Very close to a

majority of all “best” responses (and two-thirds to three-quarters of all

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Converse ‘The Nature of Belief Systems in Mass Publics 23

such responses in stratum II) indicated in essence that the Democratic

Party was liberal because it spent public money freely and that the Republican

Party was more conservative because it stood for economy in

government or pinched pennies. In our earlier coding of the levels of

conceptualization, we had already noted that this simple dimension

seemed often to be what was at stake when “ideological” terms were

used. Frequently there was reason to believe that the term “conservative”

drew its primary meaning from the cognate “conservation.” In one

rather clear example, a respondent indicated that he considered the Republicans

to be more conservative in the sense that they were ” . . . more

saving with money and our natural resources. Less apt to slap on a tax for

some non-essential. More conservative in promises that can’t be kept.”

(Italics ours.)

Of course, the question of the proportion of national wealth that is

to be spent privately or channeled through government for public

spending has been one of the key disputes between conservative and

liberal “ideologies” for several decades. From this point of view, the

great multitude of “spend-save” references can be considered essentially

as accurate matching of terms. On the other hand, it goes without saying

that the conservative-liberal dialogue does not exhaust itself on this

narrow question alone, and our view of these responses as an understanding

of the differences depends in no small measure on whether

the individual sees this point as a self-contained distinction or understands

the link between it and a number of other broad questions. On

rare occasions, one encounters a respondent for whom the “spendsave”

dimension is intimately bound up with other problem areas. For

example, one respondent feels that the Republicans are more conservative

because ” . . . they are too interested in getting the budget balanced—

they should spend more to get more jobs for our people.”

More frequently when further links are suggested, they are connected

with policy but go no further:

[Republicans more conservative because] “Well, they don’t spend as

much money.” [What do you have in mind?] “Well, a lot of them

holler when they try to establish a higher interest rate but that’s to get

back a little when they do loan out and make it so people are not so

free with it.”

Generally, however, the belief system involved when “liberal-conservative”

is equated with “spend-save” seems to be an entirely narrow

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24 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

one. There follow a number of examples of comments, which taken

with the preceding citations, form a random drawing from the large

group of “spend-save” comments:

[Democrats more conservative because] “they will do more for the

people at home before they go out to help foreign countries. They are

truthful and not liars.”

[Republicans more liberal judging] “by the money they have spent

in this last administration. They spent more than ever before in a peace

time. And got less for it as far as I can see.”

[Republicans more conservative because] “Well, they vote against

the wild spending spree the Democrats get on.”

[Republicans more conservative because] “they pay as you go.”

[Democrats more conservative because] “I don’t believe the Democrats

will spend as much money as the Republicans.”

[Republicans more conservative because] “it seems as if the Republicans

try to hold down the spending of government money.” [Do you

remember how?] “Yes,” [by having] “no wars.”

From this representation of the “spend-save” references, the reader

may see quite clearly why we consider them to be rather “narrow”

readings of the liberal-conservative distinction as applied to the current

partisan scene. In short, our portrait of the population, where recognition

of a key ideological dimension is concerned, suggests that about 17

percent of the public (stratum I) have an understanding of the distinction

that captures much of its breadth. About 37 percent (strata IV and

V) are entirely vague as to its meaning. For the 46 percent between,

there are two strata, one of which demonstrates considerable uncertainty

and guesswork in assigning meaning to the terms (stratum III)

and the other of which has the terms rather well under control but appears

to have a fairly limited set of connotations for them (stratum II).

The great majority of the latter groups equate liberalism-conservatism

rather directly with a “spend-save” dimension. In such cases, when the

sensed connotations are limited, it is not surprising that there is little

active use of the continuum as an organizing dimension. Why should

one bother to say that a party is conservative if one can convey the

same information by saying that it is against spending?

Since the i960 materials on liberal-conservative meanings were

drawn from the same sample as the coding of the active use of such

frames of reference in 1956, it is possible to consider how well the two

codings match. For a variety of reasons, we would not expect a perfect

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 25

Table 3. Levels of Conceptualization (1956) by Recognition and Understanding

of Terms “Conservatism” and “Liberalism” (i960)

LEVELS OF CONCEPTUALIZATION

Nature No

Near Group of the issue

Stratum Ideologue ideologue interest times content

I

Recognition II

and III

understanding3 IV

V

Number of cases

51%

43

2

2

2

100%

(45)

29%

46

10

5

10

100%

(122)

13%

42

14

6

25

100%

(580)

16%

40

7

7

30

100%

(288)

1 0%

2 2

7

12

49

100%

(290)

a. The definitions of the strata are: I. recognition and proper matching of label,

meaning, and party and a broad understanding of the terms “conservative” and “liberal”;

II. recognition and proper matching but a narrow definition of terms (like

“spend-save”); III. recognition but some error in matching; IV. recognition and an

attempt at matching but inability to give any meaning for terms; V. no apparent

recognition of terms (does not know if parties differ in liberal-conservative terms

and does not know if anybody else sees them as differing).

fit, even aside from coding error. The earlier coding had not been limited

to the liberal-conservative dimension, and, although empirical instances

were rare, a person could qualify as an “ideologue” if he assessed

politics with the aid of some other highly abstract organizing dimension.

Similarly, among those who did employ the liberal-conservative

distinction, there were no requirements that the terms be defined. It

was necessary therefore to depend upon appearances, and the classification

was intentionally lenient. Furthermore, since a larger portion of

the population would show recognition than showed active use, we

could expect substantial numbers of people in the lower levels of conceptualization

to show reasonable recognition of the terms. At any rate,

we assumed that the two measures would show a high correlation, as

they in fact did (Table 3).

Of course, very strong differences in education underlie the data

shown in Table 3. The 2 percent of the sample that occupy the upper

left-hand cell have a mean education close to seven years greater than

that of the 11 percent that occupy the lower right-hand cell. Sixty-two

per cent of this lower cell have had less formal education than the least

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26 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

Table 4. Levels of Conceptualization (1956) and Term Recognition

(i960) by Mean Years of Formal Education

LEVELS OF CONCEPTUALIZATION

Nature No

Near Group of the issue

Stratum Ideologue ideologue interest times content

Recognition

and

understanding13

I

II

III

IV

V

14.93

13-9

*

*

*

14.2

11.9

11.1

10.0

12.3

10.7

10.6

10.4

9-5

11.1

10.7

9.8

9-9

8.5

11.9

11.5

9.6

10.3

8.2

* Inadequate number of cases.

a. The cell entry is mean number of years of formal education. Partial college was

arbitrarily assumed to represent an average of 14 years, and work toward an advanced

degree an average of 18 years.

b. See Table 3 for definitions of the five strata.

educated person in the upper corner. The differences in education

show a fairly regular progression across the intervening surface of the

table (see Table 4). Although women have a higher mean education

than men, there is some sex bias to the table, for women are disproportionately

represented in the lower right-hand quadrant of the table.

Furthermore, although age is negatively correlated with education,

there is also rather clear evidence that the sort of political sophistication

represented by the measures can accumulate with age. Undoubtedly

even sporadic observation of politics over long enough periods of time

serves to nurture some broader view of basic liberal-conservative differences,

although of course the same sophistication is achieved much

more rapidly and in a more striking way by those who progress greater

distances through the educational system.

It is not surprising that political sophistication goes hand in hand

with political activism at the “grass roots” (Table 5). The relationship is

certainly not perfect: About 20 percent of those in the most sophisticated

cell engaged in none of the forms of participation beyond voting

that were surveyed (see note a, Table 5) in either the 1956 or i960 election

campaigns, and there is more “stray” participation than has sometimes

been suspected among those who express little interest in politics

or comprehension of party differences yet who may, for example, hap-

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 27

Table 5. Amount of 1956—1960 Political Activity by Level of Conceptualization

(1956) and Term Recognition (i960)

LEVELS OF CONCEPTUALIZATION

Nature No

Near Group of the issue

Stratum Ideologue ideologue interest times content

I 3.8s 2.6 2.5 2.6 2.2

Recognition II 3.4 3.0 1.7 1.8 1.3

and III * 2.5 2.2 1.5 1.1

understanding15 IV * * 1.9 1.5 .8

V * 17 i.o .8 .4

* Inadequate number of cases.

a. The cell entry represents a mean of the number of acts of political participation

exclusive of voting reported for the two presidential campaigns of 1956 and i960.

For 1956, a point was awarded to each respondent for party membership, campaign

contributions, attendance at political rallies, other party work, attempts to convince

others through informal communication, and displaying campaign buttons or stickers.

In i960, essentially the same scoring applied, except that on two items more

differentiated information was available. A point was awarded for attending one or

two political rallies, two points for three to six rallies, and three points for seven or

more. Similarly, a second point was awarded for people who reported having attempted

in i960 to convince others in more than one class (friends, family, or

coworkers) .A total score of 15 was possible, although empirically the highest score

was 14. Only about 1 percent of the sample had scores greater than 9.

b. See Table 3 for definitions of the five strata.

pen on a political rally. Furthermore, even the active hard core is not

necessarily sophisticated in this sense: Two of the thirteen most active

people fall in the lower right half of the table, and their activism is

probably to be understood more in terms of mundane social gratifications

than through any concern over the policy competition of politics.

Nonetheless, persistent and varied participation is most heavily concentrated

among the most sophisticated people. This fact is important,

for much of what is perceived as “public reaction” to political events

depends upon public visibility, and visibility depends largely upon

forms of political participation beyond the vote itself. Anyone familiar

with practical politics has encountered the concern of the local politician

that ideas communicated in political campaigns be kept simple and

concrete. He knows his audience and is constantly fighting the batde

against the overestimation of sophistication to which the purveyor of

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

28 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

Table 6. The Sophistication Composition of a “Typical” Political

Rally, Compared to the Composition of the Total Electoratea

High

Low

High

5%

6

0

A

5%

8

5

0

2

RALLY

11%

II

9

1

7

11%

11

0

*

1

Low

2%

4

*

0

High

2%

1

*

THE

3%

4

1

1

ELECTORATE

6%

18

6

3

11

3%

9

1

2

7

Low

2%

5

2

3

11

*Less than half of 1 percent.

a. Both five-by-five matrices are those employed in Tables 3, 4, and 5. Aside from

rounding error, the proportions entered in each matrix total 100 percent. The table

should be read by observing differences between proportions in the same regions of

the two tables. For example, the three least sophisticated cells in the lower righthand

corner constitute 21 percent of the electorate and 1 percent of a typical rally

audience.

political ideas inevitably falls prey. Yet, even the grass-roots audience

that forms a reference point for the local politician is, we suspect, a

highly self-selected one and quite sophisticated relative to the electorate

as a whole.

Since we have i960 information on the number of political rallies

attended by each of our respondents, we may simulate the “sophistication

composition” of the typical political gathering. “Typical” is loosely

used here, for real gatherings are various in character: A dinner for the

party faithful at $15 a plate obviously attracts a different audience from

the one that comes to the parade and street rally. Nonetheless, the contrast

between the electorate and an hypothetical average rally is instructive

(Table 6). People located in the three upper left-hand corner cells

of the matrix (6 percent of the electorate) form more than 15 percent

of the composition of such rallies, and probably, in terms of further

rally participation (vocal and otherwise), seem to form a still higher

proportion. Yet on election day their vote (even with a 100 percent

turnout) is numerically outweighed by those votes mustered by people

in the single cell at the opposite corner of the table who do not attend

at all.

One of the most intriguing findings on the surface of the matrix is

that strength of party loyalty falls to one of its weakest points in the

upper left-hand corner cell of the matrix. In other words, among the

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 29

most highly sophisticated, those who consider themselves “independents”

outnumber those who consider themselves “strong” partisans,

despite the fact that the most vigorous political activity, much of it partisan,

is carried on by people falling in this cell. If one moves diagonally

toward the center of the matrix, this balance is immediately redressed

and redressed very sharply, with strong partisans far outnumbering independents.

In general, there is a slight tendency (the most sophisticated

cell excepted) for strength of party loyalty to decline as one moves diagonally

across the table, and the most “independent” cell is that in the

lower right-hand corner.20

This irregularity has two implications. First, we take it to be one

small and special case of our earlier hypothesis that group-objects (here,

the party as group) are likely to have less centrality in the belief system

of the most sophisticated and that the centrality of groups as referents

increases “lower down” in the sophistication ordering. We shall see

more handsome evidence of the same phenomenon later. Second, we

see in this reversal at least a partial explanation for the persistence of

the old assumption that the “independent voter” is relatively informed

and involved. The early cross-section studies by Lazarsfeld and his colleagues

turned up evidence to reverse this equation, suggesting that the

“independent voter” tends instead to be relatively uninformed and uninvolved.

Other studies have added massively to this evidence. Indeed,

in many situations, the evidence seems so strong that it is hard to imagine

how any opposing perceptions could have developed. The perception

is somewhat easier to understand, however, if one can assume that

the discernment of the informed observer takes in only 5,10, or 15 percent

of the most sophisticated people in the public as constituting “the

public.” This “visible” or “operative” public is largely made up of people

from the upper left-hand corner of our preceding tables. The illusion

that such people are the full public is one that the democratic sample

survey, for better or for worse, has destroyed.

V. CONSTRAINTS AMONG IDEA-ELEMENTS

In our estimation, the use of such basic dimensions of judgment as the

liberal-conservative continuum betokens a contextual grasp of politics

that permits a wide range of more specific idea-elements to be organized

into more tightly constrained wholes. We feel, furthermore, that

there are many crucial consequences of such organization: With it, for

example, new political events have more meaning, retention of political

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

30 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

information from the past is far more adequate, and political behavior

increasingly approximates that of sophisticated “rational” models, which

assume relatively full information.

It is often argued, however, that abstract dimensions like the liberalconservative

continuum are superficial if not meaningless indicators: All

that they show is that poorly educated people are inarticulate and have

difficulty expressing verbally the more abstract lines along which their

specific political beliefs are organized. To expect these people to be able

to express what they know and feel, the critic goes on, is comparable to

the fallacy of assuming that people can say in an accurate way why they

behave as they do. When it comes down to specific attitudes and behaviors,

the organization is there nonetheless, and it is this organization that

matters, not the capacity for discourse in sophisticated language.

If it were true that such organization does exist for most people,

apart from their capacities to be articulate about it, we would agree out

of hand that the question of articulation is quite trivial. As a cold empirical

matter, however, this claim does not seem to be valid. Indeed, it

is for this reason that we have cast the argument in terms of constraint,

for constraint and organization are very nearly the same thing. Therefore

when we hypothesize that constraint among political idea-elements

begins to lose its range very rapidly once we move from the

most sophisticated few toward the “grass roots,” we are contending that

the organization of more specific attitudes into wide-ranging belief

systems is absent as well.

Table 7 gives us an opportunity to see the differences in levels of

constraint among beliefs on a range of specific issues in an elite population

and in a mass population. The elite population happens to be candidates

for the United States Congress in the off-year elections of 1958,

and the cross-section sample represents the national electorate in the

same year. The assortment of issues represented is simply a purposive

sampling of some of the more salient political controversies at the time

of the study, covering both domestic and foreign policy. The questions

posed to the two samples were quite comparable, apart from adjustments

necessary in view of the backgrounds of the two populations involved.

21

For our purposes, however, the specific elite sampled and the specific

beliefs tested are rather beside the point. We would expect the same

general contrast to appear if the elite had been a set of newspaper editors,

political writers, or any other group that takes an interest in politics.

Similarly, we would expect the same results from any other broad

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 31

Table 7. Constraint between Specific Issue Beliefs for an Elite Sample

and a Cross-Section Sample, 1958s

DOMESTIC

Employment

Congressional candidates

Employment

Aid to education

Federal housing

EE.P.C.

Economic aid

Military aid

Isolationism

Educatior

.62

Housing

•59

.61

O

F.E.P.

•35

•53

•47

0

Econ

.26

•50

•41

•47

FOREIGN

r

Milit;

.06

.06

– 0 3

.11

•19

Isolationis

•17

•35

• 30

•23

•59

•32

Party pref erence

.68

•55

.68

•34

•25

-.18

.05

Party preference

Cross-Section Sample

Employment — .45

Aid to education —

Federal housing

EE.P.C.

Economic aid

Soldiers abroadb

Isolationism

Party preference

.08

.12

•34

.29

.08

-.04

.06

-.06

.24

. 1 0

.14

. 0 2

•13

.16

—.22

-.17

.07

. 0 2

•33

.21

. 2 0

.16

.18

-.04

-.07

.12

– 0 3

a. Entries are tau-gamma coefficients, a statistic proposed by Leo A. Goodman and

William H. Kruskal in “Measures of Association for Cross Classifications,”_/o«ma/ of

the American Statistical Association, 49 (Dec, 1954), No. 268, 749. The coefficient was

chosen because of its sensitivity to constraint of the scalar as well as the correlational

type.

b. For this category, the cross-section sample was asked a question about keeping

American soldiers abroad, rather than about military aid in general.

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

32 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

Table 8. Summary of Differences in Level of Constraint within and

between Domains, Public and Elite (based on Table 7)

Elite

Mass

Within

domestic

issues

•53

•23

Average

Between

domestic

and foreign

•25

.11

Coefficients

Within

foreign

issues

•37

•23

Between

issues

and party

•39

.11

sampling of political issues or, for that matter, any sampling of beliefs

from other domains: A set of questions on matters of religious controversy

should show the same pattern between an elite population like

the clergy and the church members who form their mass “public.”

What is generically important in comparing the two types of population

is the difference in levels of constraint among belief-elements.

Where constraint is concerned, the absolute value of the coefficients

in Table 7 (rather than their algebraic value) is the significant datum.

The first thing the table conveys is the fact that, for both populations,

there is some falling off of constraint between the domains of domestic

and foreign policy, relative to the high level of constraint within each

domain. This result is to be expected: Such lowered values signify

boundaries between belief systems that are relatively independent. If

we take averages of appropriate sets of coefficients entered in Table 7

however, we see that the strongest constraint within a domain for the

mass public is less than that between domestic and foreign domains for

the elite sample. Furthermore, for the public, in sharp contrast to the

elite, party preference seems by and large to be set off in a belief system

of its own, relatively unconnected to issue positions (Table 8).22

It should be remembered throughout, of course, that the mass sample

of Tables 7 and 8 does not exclude college-educated people, ideologues,

or the politically sophisticated. These people, with their higher

levels of constraint, are represented in appropriate numbers, and certainly

contribute to such vestige of organization as the mass matrix

evinces. But they are grossly outnumbered, as they are in the active

electorate. The general point is that the matrix of correlations for the

elite sample is of the sort that would be appropriate for factor analysis,

the statistical technique designed to reduce a number of correlated

variables to a more limited set of organizing dimensions. The matrix

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 33

representing the mass public, however, despite its realistic complement

of ideologues, is exactly the type that textbooks advise against using

for factor analysis on the simple grounds that through inspection it is

clear that there is virtually nothing in the way of organization to be

discovered. Of course, it is the type of broad organizing dimension to

be suggested by factor analysis of specific items that is usually presumed

when observers discuss “ideological postures” of one sort or

another.

Although the beliefs registered in Table 7 are related to topics of

controversy or political cleavage, McClosky has described comparable

differences in levels of constraint among beliefs for an elite sample (delegates

to national party conventions) and a cross-section sample when

the items deal with propositions about democracy and freedom—topics

on which fundamental consensus among Americans is presumed.23

Similarly, Prothro and Grigg, among others, have shown that, while

there is widespread support for statements of culturally familiar principles

of freedom, democracy, and tolerance in a cross-section sample, this

support becomes rapidly obscured when questions turn to specific cases

that elites would see as the most direct applications of these principles.

24 In our estimation, such findings are less a demonstration of cynical

lip service than of the fact that, while both of two inconsistent

opinions are honestly held, the individual lacks the contextual grasp to

understand that the specific case and the general principle belong in the

same belief system: In the absence of such understanding, he maintains

psychologically independent beliefs about both. This is another important

instance of the decline in constraint among beliefs with declining

information.

While an assessment of relative constraint between the matrices rests

only on comparisons of absolute values, the comparative algebraic values

have some interest as well. This interest arises from the sophisticated

observer’s almost automatic assumption that whatever beliefs “go together”

in the visible political world (as judged from the attitudes of

elites and the more articulate spectators) must naturally go together in

the same way among mass public. Table 7 makes clear that this assumption

is a very dangerous one, aside from the question of degree of constraint.

For example, the politician who favors federal aid to education

could be predicted to be more, rather than less, favorable to an internationalist

posture in foreign affairs, for these two positions in the 1950s

were generally associated with “liberalism” in American politics. As we

see from Table 7, we would be accurate in this judgment considerably

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

34 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

more often than chance alone would permit. On the other hand, were

we to apply the same assumption of constraint to the American public

in the same era, not only would we have been wrong, but we would

actually have come closer to reality by assuming no connection at all.

All the correlations in the elite sample except those that do not depart

significantly from zero exhibit signs that anybody following politics

in the newspapers during this period could have predicted without hesitation.

That is, one need only have known that Democrats tended to

favor expansion of government welfare activities and tended to be internationalists

in foreign affairs, to have anticipated all the signs except

one. This exception, the —.18 that links advocacy of military aid abroad

with the Republican Party, would hold no surprises either, for the one

kind of international involvement that Republicans came to accept in

this period limited foreign aid to the military variety, a view that stood

in opposition to “soft” liberal interests in international economic welfare.

If these algebraic signs in the elite matrix are taken as the culturally

defined “proper” signs—the sophisticated observer’s assumption of

what beliefs go with what other beliefs—then the algebraic differences

between comparable entries in the two matrices provide an estimate of

how inaccurate we would be in generalizing our elite-based assumptions

about “natural” belief combinations to the mass public as a whole.

A scanning of the two matrices with these differences in mind enhances

our sense of high discrepancy between the two populations.

To recapitulate, then, we have argued that the unfamiliarity of

broader and more abstract ideological frames of reference among the

less sophisticated is more than a problem in mere articulation. Parallel

to ignorance and confusion over these ideological dimensions among

the less informed is a general decline in constraint among specific belief

elements that such dimensions help to organize. It cannot therefore be

claimed that the mass public shares ideological patterns of belief with

relevant elites at a specific level any more than it shares the abstract

conceptual frames of reference.

Constraints and Overt Behavior

There is still another counter-hypothesis that deserves examination.

This view would grant that the political belief systems of the less well

educated may be more fragmented and chaotic. It would maintain at

the same time, however, that this fact is inconsequential in the determi-

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 35

Figure 1. The Correlation of Occupation and Vote Preference within

Levels of Conceptualization

30-

.2

20-

IS 10-

O d

-* .9

00-

Key

I Ideologues

G Group benefit

T Nature of times

N No issue content

Insufficient cases II. ll. Ill I G T N

(a) Total sample

G T N

(b) Women

G T N

(c) Men

nation of behavior. The presence, absence, or incoherence of these “intervening”

psychological states is thus epiphenomenal: Social structure

commits behavior to certain channels quite independent of specific

cognitions and perceptions of the actors themselves.25 In other versions,

researchable intervening mechanisms are suggested. The “opinion

leader” model is one of them. If it is true that the mass of less knowledgeable

people rely upon informal communication from a few more

informed people for cues about desirable or appropriate behavior, then

the lines of behavior choices followed in politics might indeed show

strong sociostructural patterns, even though many uninformed actors

have little of the opinion leaders’ coherent and organized understanding

of why one behavior is more appropriate than another. What these

points of view have in common is the insistence that strong constraints

can be expected to operate between sociostructural terms and conscious

behavior choices quite apart from the presence or absence of appropriate

intervening psychological “definitions of the situation.”

Figure 1 is addressed to such arguments. The graphs indicate the

varying degrees of association between objective class position and partisan

preference in the 1956 presidential election, as a function of differences

in the nature of political belief systems captured by our “levels of

conceptualization.” If objective locations in the social structure served

to produce behavioral consequences regardless of the presence or absence

of relevant intervening organizations of conscious beliefs, then

we would not expect any particular slope to the progression of bars

within each graph. As Figure 1 (a) shows for a sample of the adult electorate

as a whole, however, the differences in intervening belief organi-

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

36 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

zation produce very marked and orderly differences in the degree to

which partisanship reflects sociostructural position. Of course, from one

point of view, this observation seems only common sense, yet the doctrinaire

position that the intervening psychological terms are unimportant

or epiphenomenal continues to be argued with more vehemence

than empirical evidence.

Since it can be seen that a perfectly functioning opinion-leader

model would also produce something approaching a rectangular distribution

of bars in Figure 1, the slope depicted in Figure i(a) can also be

taken as a commentary on the practical imperfections with which

opinion leader processes operate in this domain. That is, the “ideologues”

and “near-ideologues” represented by the first bar of each

graph are opinion leaders par excellence. While they tend to be disproportionately

well educated, they nevertheless include representatives

from all broad social milieux. Empirically they differ sharply from the

less sophisticated in their attention to new political events and in the

size of their store of information about past events. They get news firsthand

and, presumably, form opinions directly from it. By their own report,

they are much more likely than the less sophisticated to attempt to

persuade others to their own political opinions in informal communications.

Finally, much social data leads us to assume that the bulk of

these informal communications is addressed to others within their own

social milieu. Since social-class questions are important for these opinion

leaders and since their own partisan preferences are rather clearly

geared to their own class, we would suppose that “opinion leading”

should serve to diffuse this connection between status and behavior

through less knowledgeable members of their milieu, whether or not

the more complicated rationales were diffused. In other words, most of

what goes on in the heads of the less informed of our respondents

would indeed be irrelevant for study if the respondents could at least be

counted upon to follow the lead of more informed people of their

own milieu in their ultimate partisanship. And to the extent that they

can be counted on to behave in this way, we should expect Figure 1 to

show a rectangular distribution of bars. The departure from such a pattern

is very substantial.

Now there is one type of relationship in which there is overwhelming

evidence for vigorous opinion-leading where politics is concerned

in our society. It is the relationship within the family: The wife is very

likely to follow her husband’s opinions, however imperfectly she may

have absorbed their justifications at a more complex level. We can do a

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 37

fair job of splitting this relationship into its leader-follower components

simply by subdividing our total sample by sex. As Figure 1 (b) suggests,

our expectation that the presence or absence of intervening belief systems

is of reduced importance among sets of people who are predominantly

opinion followers is well borne out by the relatively flat and disordered

progression of bars among women. Correspondingly, of course,

the same slope among men becomes steeper still in Figure i(c).26

The fact that wives tend to double their husbands’ votes is, from a

broader “system” point of view, a relatively trivial one. If we are willing

to consider the family as the basic voting unit, then Figure i(c) suggests

that diffusion of the sociostructurally “proper” behavior without diffusion

of understanding of that behavior through simple opinion-leading

processes is a very feeble mechanism indeed across the society as a

whole, at least where political decisions of this sort are concerned.27

The organization of partisanship among those who give no evidence of

intervening issue content shows no trace whatever of those residual effects

that should be left by any systematic opinion-following (and that

are visible among comparable women). Thus, while we are in no way

questioning the existence of some opinion-leading, it seems doubtful

that it represents the dominant, effective phenomenon sometimes supposed,

a phenomenon that succeeds in lending shape to mass politics

despite the absence of more detailed individual comprehension of the

political context.28

Much more broadly, we have become convinced that this class of

finding—the declining degree of constraint between a term representing

social structure and one representing an important political choice

as one moves from the more to the less politically sophisticated in the

society—is a powerful and general one. It is powerful (for readers not

accustomed to the statistics employed) in the simple sense that the variation

in constraint as a function of sophistication or involvement is extremely

large: There are no other discriminating variables that begin to

separate populations so cleanly and sharply as these measures. It is a

general finding in at least two senses. First, it replicates itself handsomely

across time: In every instance within the span of time for which

appropriate data are available, the finding is present where class and partisanship

are concerned. Secondly, it has some incipient claim to generality

where sociostructural terms other than “social class” are concerned:

The same sharp finding emerges, for example, when the

relationship between religion and partisanship (Protestant vs. Catholic)

is examined.

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

38 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

And, of course, if class or religious membership is considered to constitute

one set of idea-elements and the predispositions that lead to particular

partisan preferences and final choice to form another, then the

whole phenomenon takes its place as another large class of special cases

of the decline of constraints and the narrowing of belief systems to

which this paper is devoted.

VI. SOCIAL GROUPINGS AS CENTRAL OBJECTS

IN BELIEF SYSTEMS

While for any unbiased sampling of controversial belief items we

would predict that the relevant elite would show a higher level of internal

constraint among elements than those shown by their publics, we

would predict at the same time that it would be possible to bias a

choice of issues in such a way that the level of constraint in the public

could surpass that among the elites. This possibility exists because of

the role that visible social groupings come to play as objects of high

centrality in the belief systems of the less well informed.29

Such a reversal of the constraint prediction could be attained by

choosing items that made it clear that a particular grouping, within the

population and visible to most respondents, would be helped or hurt by

the alternative in question. Consider, by way of illustration, the following

set of items:

Negroes should be kept out of professional athletics.

The government should see to it that Negroes get fair treatment in

jobs and housing.

The government should cut down on its payments (subsidies) on

peanuts and cotton, which are raised mainly by Negroes in the

South.

The government should give federal aid only to schools that permit

Negroes to attend.

Even though it may hurt the position of the Negro in the South, state

governments should be able to decide who can vote and who cannot.

If this country has to send money abroad, the government should send

it to places like Africa that need it, and not to countries like Britain

and France.

The strategy here is obvious. The questions are selected so that the

same group is involved in each. In every case but one, this involvement

is explicit. Some American adults would not know that Africa’s popula-

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 39

tion is largely Negro; for these people, the level of constraint between

this item and the others would be relatively low. But the majority

would know this fact, and the total set of items would show a substantial

level of constraint, probably higher than the general level shown by

the “mass” items in Table 7. Furthermore, the items are chosen to cut

across some of those more abstract dimensions of dispute (states’ rights,

the strategy of economic development abroad, the role of the federal

government in public education, and so forth) customary for elites,

which means that constraint would be somewhat lowered for them.

The difference between the mass and elite responses would spring

from differences in the nature of the objects taken to be central in the

beliefs represented. For the bulk of the mass public, the object with

highest centrality is the visible, familiar population grouping (Negroes),

rather than questions of abstract relations among parts of government

and the like. Since these latter questions take on meaning only with a

good deal of political information and understanding, the attitude items

given would tend to boil down for many respondents to the same single

question: “Are you sympathetic to Negroes as a group, are you indifferent

to them, or do you dislike them?” The responses would be affected

accordingly.

While we have no direct empirical evidence supporting this illustration,

there are a few fragmentary findings that point in this direction.

For example, following the same format as the issue items included in

Table 7, we asked our cross-section sample an attitude question concerning

the desirability of action on the part of the federal government

in the desegregation of public schools. Since we had also asked the

question concerning fair treatment for Negroes in jobs and housing,

these two items form a natural pair, both of which involve Negroes.

The correlation between the two (in terms comparable to Table 7) is

.57, a figure very substantially greater than the highest of the twentyeight

intercorrelations in the “mass” half of Table 7. It seems more than

coincidence that the only pair of items involving the fortunes of a visible

population grouping should at the same time be a very deviant pair

in its high level of mutual constraint.

A parallel question was asked of the elite sample of Table 7, although

the comparability was not so great as for those items presented in the

table. This question was, “If Congress were to vote to give federal aid to

public schools, do you think this should be given to schools which are

segregated?” While the question was worded in such a manner as to

avoid responses based on attitudes toward federal aid to education, a

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

40 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

number of elite respondents insisted on answering in the negative, not

because they were necessarily against desegregation, but rather because

they were against any kind of federal aid to education. (The additional

element of federal aid to schools was not present at all in the item for

the cross-section sample). Setting aside those respondents who gave indications

that they were deviating from the intention of the question (7

percent of the elite sample), the correlation between the desegregation

item and the F.E.P.C. item was nevertheless only .31, or very much to

the low side of the elite intercorrelations on domestic issues, instead of

being uniquely to the high side as it was for the mass sample.

We may summarize this situation in the following manner. Out of

twenty-eight “trials” represented by the intercorrelations in Table 7, in

only three cases did the mass sample show an intercorrelation between

issues that was of the same sign and of greater absolute magnitude than

its counterpart for the elite sample. Two of these “reversals” were completely

trivial (.02 and .04), and the third was not large (.08). With respect

to the only pair of items that explicitly involved the fortunes of a

well-known social grouping, however, there not only was a reversal, but

the reversal was large: The constraint for the mass sample, by a simple

difference of coefficients, is .26 greater. This isolated test certainly provides

some striking initial support for our expectations.

Up to this point, we have discussed two broad classes of findings.

The first, as exemplified by Table 7 and our more recent elaborations

on it, suggests that groups as attitude objects (groups qua groups) have

higher centrality in the belief systems of the mass than of the elite. The

second is exemplified by the many findings that the alignment of an individual’s

social-group membership (like class or religious membership)

and his political behavior is sharpest among the most politically involved

and sophisticated third of a mass sample and fades out progressively

as involvement and sophistication decline.

In case these propositions do not seem to square perfectly with one

another, Figure 2 provides a schematic view of the situation that may

clarify the matter for the reader. Of course, the details of the figure

(like the precise characters of the functions) are sheer fancy. But the

gross contours seem empirically justified. The elite of Table 7 would

naturally be represented by a line along the top of Figure 2, which

would be thin to the vanishing point. The “relative elite” of the mass

sample, which defines “the public” as perceived by most impressionistic

observers, might sweep in the top 2 percent, 5 percent, or 10 percent of

the graph, as one chose. In the upper reaches of the group centrality

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 4.1

Figure 2. Political Information and the Centrality of Groups as Objects

in Belief Systems.

Amount of political information Centrality of groups qua groups

_ . — _ , High

. 10% •

20%

• 30% \—

• 40% —

• 50% •

• 6 0 % •

• 7 0 % •

• 8 0 % •

• 9 0 % •

• Low •

graph, we have already seen glimmers of the inverse relationship between

group centrality and sophistication in such diverse items as the

falling-off of party loyalty at the very “top” of the mass sample or the

lowered constraint for the Negro items in the elite sample.

On the other hand, why is it that when we work downward from

the more sophisticated third of the population, the centrality of groups

begins once again to diminish? We are already committed to the proposition

that differences in information are crucial, but let us consider this

point more fully. The findings that lead us to posit this decline come

from a class of situations in which the actor himself must perceive some

meaningful link between membership in a particular group and preference

for a particular party or policy alternative. These situations are

most typically those in which the link is not made explicit by the very

nature of the situation (as we made it explicit in our battery of Negro

questions above). In these cases, the individual must be endowed with

some cognitions of the group as an entity and with some interstitial

“linking” information indicating why a given party or policy is relevant

to the group. Neither of these forms of information can be taken for

granted, and our key proposition is that, as the general bulk of political

information declines, the probability increases that some key pieces of

information relevant to this group-politics equation will not show up.

The first item—the individual’s cognition that a group exists—is a

very simple one and may not even seem plausible to question. For cer-

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

42 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

tain groups at certain times and places, however, the possibility that

such a cognition is absent must be recognized. All groups, including

those that become important politically, vary in their visibility. Groups

delimited by physical characteristics “in the skin” (racial groups) are

highly visible, if specimens are present for inspection or if the individual

has been informed in some rather vivid way of their existence. Similarly,

groups that have buildings, meetings, and officers (church, congregation,

and clergy for example) are more visible than groups, like social

classes, that do not, although the salience of any “official” group qua

group may vary widely according to the individual’s contact with its

formal manifestations.

Some groups—even among those to which an individual can be said

to “belong”—are much less visible. Two important examples are the social

class and the nation. Where social class is concerned, virtually all

members of a population are likely to have absorbed the fact that some

people have more means or status than others, and most presumably experience

some satisfaction or envy on this score from time to time.

Such perceptions may, however, remain at the same level as reactions to

the simple fact of life that some people are born handsome and others

homely; or, as Marx knew, they may proceed to cognitions of some

more “real” and bounded groups. The difference is important.

Much the same kind of observation may be made of the nation as

group object. On the basis of our analysis, it might be deduced that nationalist

ideologies stand a much better chance of penetrating a mass

population than would, for example, the single-tax ideology of the

physiocrats and Henry George, for nationalist ideologies hinge upon a

simple group object in a way that single-tax notions do not. This kind

of deduction is perfectly warranted, particularly if one has in mind

those Western nations with systems of primary education devoted to

carving the shape of a nation in young minds as a “real” entity. But

Znaniecki has observed, for example, that the vast majority of peasants

in nineteenth-century Tsarist Russia was “utterly unconscious that they

were supposed to belong to a Russian society united by a common culture.”

Again he reports that a 1934—1935 study in the Pripet marshes

showed that nearly half of those inhabitants who were ethnically White

Ruthenian had no idea that such a nationality existed and regarded

themselves as belonging at most to local communities.30 The nation as

a bounded, integral group object is difficult to experience in any direct

way, and its psychological existence for the individual depends upon the

social transmission of certain kinds of information. What is deceptive

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 43

here, as elsewhere, is that decades or even centuries after the literati have

come to take a nation concept for granted, there may be substantial

proportions of the member population who have never heard of such a

thing.31

While cognitions of certain groups are not always present, the much

more typical case is one in which the interstitial or contextual information

giving the group a clear political relevance is lacking. For example,

a substantial proportion of voters in the United States is unable to predict

that any particular party preference will emerge in the votes of different

class groupings, and this inability is particularly noticeable among

the least involved citizens, whose partisan behavior is itself essentially

random with respect to social class.32

One important caveat must be offered on the generalization represented

in Figure 2. From a number of points we have made, it should

be clear that the figure is intended to represent an actuarial proposition

and nothing more. That is, it has merit for most situations, given the

typical state of distribution of political information in societies as we

find them “in nature.” In certain situations, however, the cues presented

to citizens concerning links between group and party or policy are so

gross that they penetrate rapidly even to the less informed. In such

cases, the form representing group centrality in Figure 2 would taper

off much less rapidly with declining over-all information in the lower

strata of the population.

For example, the linking information that made religion particularly

relevant in the i960 election was extremely simple, of the “what goes

with what” variety. It was expressible in five words: “The Democratic

candidate is Catholic.” Studies have shown that, once Kennedy was

nominated, this additional item of information was diffused through almost

the entire population with a speed that is rare and that, we suspect,

would be impossible for more complex contextual information.

The linking information that made social class unusually relevant after

World War II was, however, precisely this vague, contextual type.33 It

can be readily demonstrated with our data that the impact of the religious

link in i960 registered to some degree in the behavior of even

the least sophisticated Protestants and Catholics, while the incremental

impact of social-class cues in the earlier period had not registered at

these lower levels.

The precise form of the centrality function in Figure 2 depends

heavily therefore upon the character of the linking information at issue

in the special case. Furthermore, if we wished to “tamper,” it would not

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44 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

be difficult to supply a poorly informed person with a very tiny increment

of linking information, too small to change his over-all amount

of political information visibly yet large enough to increase considerably

the centrality of a specific group in a specific situation. However

this may be, Figure 2 is valid in an actuarial sense, for in “natural” populations

the probability that any given individual possesses such linking

information declines as over-all information becomes less.

VII. THE STABILITY OF BELIEF ELEMENTS OVER TIME

All of our data up to this point have used correlations calculated on aggregates

as evidence of greater or lesser constraint among elements in

belief systems. While we believe these correlations to be informative indicators,

they do depend for their form upon cumulations among individuals

and therefore can never be seen as commenting incisively upon

the belief structures of individuals.

It might then be argued that we are mistaken in saying that constraint

among comparable “distant” belief elements declines generally as

we move from the more to the less politically sophisticated. Instead, the

configuration of political beliefs held by individuals simply becomes increasingly

idiosyncratic as we move to less sophisticated people. While

an equally broad range of belief elements might function as an interdependent

whole for an unsophisticated person, we would find little aggregative

patterning of belief combinations in populations of unsophisticated

people, for they would be out of the stream of cultural

information about “what goes with what” and would therefore put belief

elements together in a great variety of ways.

For the types of belief that interest us here, this conclusion in itself

would be significant. We believe however, that we have evidence that

permits us to reject it rather categorically, in favor of our original formulation.

A fair test of this counterhypothesis would seem to lie in the

measurement of the same belief elements for the same individuals over

time. For if we are indeed involved here in idiosyncratic patterns of belief,

each meaningful to the individual in his own way, then we could

expect that individual responses to the same set of items at different

points in time should show some fundamental stability. They do not.

A longitudinal study of the American electorate over a four-year period

has permitted us to ask the same questions of the same people a

number of times, usually separated by close to two-year intervals.

Analysis of the stability of responses to the “basic” policy questions of

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 45

the type presented in Table 7 yields remarkable results. Faced with the

typical item of this kind, only about thirteen people out of twenty

manage to locate themselves even on the same side of the controversy

in successive interrogations, when ten out of twenty could have done

so by chance alone.

While we have no comparable longitudinal data for an elite sample,

the degree of fit between answers to our issue items and congressional

roll-calls is strong enough to suggest that time correlations for individual

congressmen in roll-call choice on comparable bills would provide a

fair estimate of the stability of an elite population in beliefs of this sort.

It is probably no exaggeration to deduce that, in sharp contrast to a

mass sample, eighteen out of twenty congressmen would be likely to

take the same positions on the same attitude items after a two-year interval.

In short, then, we feel very confident that elite-mass differences

in levels of constraint among beliefs are mirrored in elite-mass differences

in the temporal stability of belief elements for individuals.

We observed much earlier that the centrality of a specific belief in a

larger belief system and the relative stability of that belief over time

should be highly related. From our other propositions about the role of

groups as central objects in the belief systems of the mass public, we

can therefore arrive at two further predictions. The first is simply that

pure affect toward visible population groupings should be highly stable

over time, even in a mass public, much more so in fact than beliefs on

policy matters that more or less explicitly bear on the fortunes of these

groupings. Second, policy items that do bear more rather than less explicitly

upon their fortunes should show less stability than affect towards

the group qua group but more than those items for which contextual

information is required.

Figure 3 gives strong confirmation of these hypotheses.34 First, the

only question applied longitudinally that touches on pure affect toward

a visible population grouping is the one about party loyalties or identifications.

As the figure indicates, the stability of these group feelings for

individuals over time (measured by the correlation between individual

positions in two successive readings) registers in a completely different

range from that characterizing even the most stable of the issue items

employed.35 This contrast is particularly ironic, for in theory of course

the party usually has little rationale for its existence save as an instrument

to further particular policy preferences of the sort that show less

stability in Figure 3. The policy is the end, and the party is the means,

and ends are conceived to be more stable and central in belief systems

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46 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

Figure 3. Temporal Stability of Different Belief Elements for Individuals,

i958-6oa

.80 -1

.70 –

.60 –

.50 –

.40 –

.30 –

Party identification

School desegregation

F.E.P.C.

Guaranteed employment

Isolationism

Federal aid to education

Foreign economic aid

Foreign military aid

Federal housing

.20 – 1

a. The measure of stability is a rank-order correlation (tau-beta) between individuals’positions

in 1958 and in i960 on the same items.

than means. The reversal for the mass public is of course a rather dramatic

special case of one of our primary generalizations: The party and

the affect toward it are more central within the political belief systems

of the mass public than are the policy ends that the parties are designed

to pursue.

Figure 3 also shows that, within the set of issues, the items that stand

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 47

out as most stable are those that have obvious bearing on the welfare of

a population grouping—the Negroes—although the item concerning

federal job guarantees is very nearly as stable. In general, we may say

that stability declines as the referents of the attitude items become increasingly

remote, from jobs, which are significant objects to all, and

Negroes, who are attitude objects for most, to items involving ways and

means of handling foreign policy.

Although most of the less stable items involve foreign policy, the

greatest instability is shown for a domestic issue concerning the relative

role of government and private enterprise in areas like those of housing

and utilities. Interestingly enough, this issue would probably be chosen

by sophisticated judges as the most classically “ideological” item in the

set, and indeed Table 7 shows that the counterpart for this question in

the elite sample is central to the primary organizing dimension visible

in the matrix. Since the item refers to visible population groupings—

“government” and “private business”—we might ask why it is not

geared into more stable affect toward these groups. We do believe that

measures of affect toward something like “private business” (or better,

perhaps, “big business”) as an object would show reasonable stability for

a mass public, although probably less than those for more clearly

bounded and visible groups like Negroes and Catholics. The question,

however, is not worded in a way that makes clear which party—government

or private business—will profit from which arrangement.

Lacking such cues, the citizen innocent of “ideology” is likely to make

rather capricious constructions, since the issue is probably one that he

has never thought about before and will never think about again except

when being interviewed.

In short, all these longitudinal data offer eloquent proof that signs of

low constraint among belief elements in the mass public are not products

of well knit but highly idiosyncratic belief systems, for these beliefs

are extremely labile for individuals over time. Great instability in itself is

prima facie evidence that the belief has extremely low centrality for the

believer. Furthermore, it is apparent that any instability characterizing

one belief sets an upper limit on the degree of orderly constraint that

could be expected to emerge in static measurement between this unstable

belief and another, even a perfectly stable one. While an aggregate

might thus show high stability despite low constraint, the fact of low

stability virtually ensures that constraint must also be low. This kind of

relationship between stability and constraint means that an understand-

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48 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

Figure 4. Pattern of Turnover Correlations between Different Time

Points

ing of what underlies high instability is at the same time an understanding

of what underlies low constraint.

The fact that we have asked these questions at more than two points

in time provides a good deal of leverage in analyzing the processes of

change that generate aggregate instability and helps us to illuminate the

character of this instability.36 For example, in Figure 4 we discover, in

comparing our indicators of the degree of instability associated with

any particular belief as they register between t2 and t.3 with the same

figures for tj and t2, that estimates are essentially the same. This result is

an important one, for it assures us that within a medium time range

(four years), differences among issues in degree of response stability are

highly reliable.

Far more fascinating, however, is another property that emerges.

Quite generally, we can predict t$ issue positions of individuals fully as

well from a knowledge of their t^ positions alone as we can from a

knowledge of their t2 positions alone. In other words, the turnover correlations

between different time points for these issues tend to fit the

scheme shown in Figure 4.

It can be shown that there is no single meaningful process of change

shared by all respondents that would generate this configuration of

data.37 In fact, even if we assume that there is a relatively limited number

of change processes present in the population, we find that only

two such models could generate these observations. The first of these

models posits that some of the respondents managed in a deliberate

way to locate themselves from one measurement to another on the opposite

side of an issue from the one they had selected at the preceding

measurement. It would have to be assumed that a person who chose a

leftish alternative on a certain issue in the first measure would be motivated

to remember to seek out the rightish alternative two years later,

the leftish again two years after that, and so on. Naturally, an assumption

that this behavior characterizes one member of the population is sufficiently

nonsensical for us to reject it out of hand.

Once this possibility is set aside, however, there is only one other

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 49

model involving a mixture of two types of process of change that fits

the observed data. This model is somewhat surprising but not totally

implausible. It posits a very sharp dichotomy within the population according

to processes of change that are polar opposites. There is first a

“hard core” of opinion on a given issue, which is well crystallized and

perfectly stable over time. For the remainder of the population, response

sequences over time are statistically random. The model does

not specify what proportions of the population fall into these two categories:

This matter is empirically independent, and it is clear that the

size of the turnover correlations between any two points in time is a

simple function of these relative proportions.38

In view of our earlier remarks, this “black and white” model is credible

in its assumption that a mass public contains significant proportions

of people who, for lack of information about a particular dimension of

controversy, offer meaningless opinions that vary randomly in direction

during repeated trials over time. We may be uncomfortable, however, at

using a model that suggests such a rigid and polar division of the population,

leaving no room for the “gray” area of meaningful change of

opinion or “conversion.” In this respect, while the randomness posited

by the model is a discouraging property substantively, it is an empowering

property mathematically, for aggregate randomness has certain predictable

consequences. For example, if the model were to fit the data,

we would know that some people who are responding to the items as

though flipping a coin could, by chance alone, supply the same responses

at three trials in a row and would therefore have response paths

indistinguishable from those of perfectly stable respondents but for entirely

different reasons. While we could not enter the stable group and

“tag” such random people, we would at least have an excellent estimate

of the number of them that lingers after three trials to pollute the set of

genuinely stable respondents. Most important, however, is the fact that

the very character of the model makes it possible to test quite rigorously

the goodness of fit of the data to the model.

For our initial test, we singled out the issue that seemed on a priori

grounds most likely to fit the model. It was the most “ideological” item

in the battery yet the one that had shown the highest degree of temporal

instability: the question about the respective roles of private enterprise

and government in areas like housing and electrical power. It is important

to understand in detail the grounds on which this item was chosen. The

model requires that some people have unswerving beliefs on the subject

and that other people have no beliefs at all. It also requires that there be

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50 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

no middle ground, no set of people whose beliefs on the subject are in

the process of evolution. For these requirements, the “government vs.

private enterprise issue,” more than any of the others, seemed “sheltered”

from meaningful change. This isolation was true in two senses. First, it involved

a very basic area of political controversy, and people understanding

the stakes involved in a more ideological way would not be readily

dissuaded from their respective positions. Secondly, while events like the

crisis at Little Rock and exposes of waste in foreign aid were occurring

in this period to touch off meaningful evolutions of opinion, little was

occurring that might intuitively be expected to shake true beliefs on one

side or the other. At the same time, of course, the relationships to be

judged in the item were sufficiently remote and abstract from the experience

of most people to make many meaningless responses likely.

The fit between the data collected at three time points on this issue

and our black and white model was virtually perfect.39 This result lends

remarkable assurance that our understanding of the “change” processes

affecting the issue responses was accurate: The only change that occurred

was random change. We naturally went on to apply this test of

fit to the other issues, for which the black and white model had seemed

less credible. And indeed, these other items showed a somewhat poorer

fit with the model. None strays a great distance, but it is unlikely that

any would survive significant tests of goodness of fit.40 What, then, can

we say about the character of beliefs touched by these other items?

Strictly speaking, as soon as we encounter data that depart in any significant

measure from the black and white model, we lose all mathematical

anchors, in the sense that, unless we insert a variety of restrictive

assumptions, the number of models (even simple ones) that could

logically account for the data becomes very large indeed. Despite this

loss of power, the existence of one issue that does fit the black and

white model perfectly provides at least an intuitive argument that those

that depart from it in modest degrees do not require a totally different

class of model. In other words, we come to suppose that these other

items depart from the model only because of the presence of a “third

force” of people, who are undergoing meaningful conversion from one

genuine opinion at tj to an opposing but equally genuine opinion at 13.

This “third force” is small, and the dominant phenomenon remains the

two segments of the population, within one of which opinions are random

and within the other of which opinions have perfect stability.

Nevertheless, the presence of any third force suffices to disrupt the fit

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 51

between the data and the black and white model, and the degree of departure

is a function of the size of the third force.

It should be reiterated that this view cannot be subjected to any unequivocal

mathematical test but rather depends for its reasonableness

upon the excellence of the fit shown by one issue and the approaches

to fit shown by the others. It seems likely that responses to other issues

of a similar type are generated in similar fashion. And while it is true

that competing attitude models could be applied to describe most of

these data, their assumptions simply lose all plausible ring when confronted

with the results from the private-enterprise issue.41

Or, in another vein, the discouragingly large turnover of opinion on

these issues in the total mass public might be taken as evidence that the

questions were poorly written and thus extremely unreliable—that the

main lesson is that they should be rewritten. Yet the issues posed are

those posed by political controversy, and citizens’ difficulties in responding

to them in meaningful fashion seem to proffer important insights

into their understanding of the same political debates in real life. More

crucial still, what does it mean to say that an instrument is perfectly reliable

vis-a-vis one class of people and totally unreliable vis-a-vis another,

which is the proper description of the black and white model?

The property of reliability is certainly not inherent solely in the instrument

of measurement, contrary to what is commonly supposed.

As another check on the question of reliability, we decided to examine

the temporal stability of belief elements of this sort among very

limited sets of people whose broader interviews gave us independent

reasons to believe they had particular interest in narrower belief areas

(like the Negro question). We took advantage once again of interviews

with a good deal of open-ended material, sifting through this voluntary

commentary to find people who had shown “self-starting” concern

about particular controversies. Then we went back to the relevant structured

issue questions to examine the stability of these belief elements for

these people over time. The turnover correlations for these limited subpopulations

did increase substantially, beginning to approach the levels of

stability shown for party identification (see Figure 3). Once again, the

evidence seemed clear that extreme instability is associated with absence

of information, or at least of interest, and that item reliability is adequate

for people with pre-existing concern about any given matter.42

The substantive conclusion imposed by these technical maneuvers is

simply that large portions of an electorate do not have meaningful beliefs,

even on issues that have formed the basis for intense political con-

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52 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

troversy among elites for substantial periods of time. If this conclusion

seems self-evident, it is worth reflecting on the constancy with which it

is ignored and on the fact that virtually none of the common modes of

dealing empirically with public beliefs attempts to take it into account.

Instead, it is assumed that a location must be found for all members of a

population on all dimensions of controversy that are measured. Our

data argue that, where any single dimension is concerned, very substantial

portions of the public simply do not belong on the dimension at

all. They should be set aside as not forming any part of that particular

issue public. And since it is only among “members” of any given issue

public that the political effects of a controversy are felt (where such “effects”

include activated public opinion expressed in the writing of letters

to the editor, the changing of votes, and the like), we come a step

closer to reality when we recognize the fragmentation of the mass public

into a plethora of narrower issue publics.

VIII. ISSUE PUBLICS

Our longitudinal data on eight specific political issues permit us to

sketch crudely the boundaries of a sampling of eight issue publics.43

While details of specific publics are not appropriate here, the general

picture that emerges provides some final confirming glimpses into the

character of political belief systems in a mass public.

First, of course, these publics vary in size, although none embraces

any clear majority of the electorate. As would be expected, relative size

is almost perfectly correlated with the ranking of issue stability (Figure

3), and the smallest issue public (that associated with the “ideological”

private-enterprise issue) includes less than 20 percent of the electorate.

Since all members of the same population fall either within or outside

eight different issue publics, a second analytic question involves the

structure that would be revealed were we to map several issue publics at

once. What proportions of the electorate would fall at the intersection

of two, three, or even more issue publics? One logically possible outcome

of such mapping would be a set of concentric rings, suggesting

that these issue concerns are cumulative in Guttman’s sense. That is, the

picture might show that, if a person fell within the bounds of one fairly

narrow issue public embracing only 20 percent of the population, then

he would be nearly certain to fall within some other related issue public

encompassing 40 percent of the population.

The reality does not approach such neatness, however. Memberships

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 53

and overlapping memberships in issue publics are quite dispersed phenomena,

although distribution is not entirely random. It can be shown,

for example, that the number of respondents who warrant inclusion in

all eight of the issue publics exceeds chance expectation by a factor

greater than five. Exactly the same is true for the number of people

who fall in none of the eight issue publics. Furthermore, the proportions

of people who lie at the intersections of two or more issue

publics tend to show increments above the chance level that, while

much smaller, are nevertheless relatively large where the joint content

of the issues would lead one to expect greater overlap. At any rate, the

departure from a Guttman cumulative structure is extreme, and the

simple conclusion seems to be that different controversies excite different

people to the point of real opinion formation. One man takes an

interest in policies bearing on the Negro and is relatively indifferent to

or ignorant about controversies in other areas. His neighbor may have

few crystallized opinions on the race issue, but he may find the subject

of foreign aid very important. Such sharp divisions of interest are part

of what the term “issue public” is intended to convey.

Since one of our early comparisons in this paper had to do with the

general levels of constraint among an elite and a mass public on a sampling

of belief elements, it is interesting to ask what degree of constraint

can be found among the belief elements of those who fall at the

intersection of any pair of issue publics. In such a case, we have some

assurance that both sets of beliefs are important to the actor, and it is

not therefore surprising that these correlations tend to be much

stronger. A matrix of intercorrelations parallel to those of Table 7 for

people at these respective intersections looks more like the elite matrix

than like the mass matrix. Of course, this “intersection” matrix is a spurious

one, representing no particular population: Very few people contribute

to all of the intercorrelations, a substantial number contribute to

none, and the set contributing to each cell is quite variable in composition.

Nevertheless, the fact remains that removal from analysis of individuals

who, through indifference or ignorance, lie outside the issue

publics in question serves to close much of the gap in constraint levels

between mass and elite publics.

IX. SUMMARY

Our discussion of issue publics has brought us full circle, for there is an

obvious relationship among the divisions of the common citizenry into

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54 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

relatively narrow and fragmented issue publics, the feeble levels of constraint

registered among specific belief elements of any range, and the

absence of recognition or understanding of overarching ideological

frames of reference that served as our point of departure. For the truly

involved citizen, the development of political sophistication means that

the absorption of contextual information makes clear to him the connections

of the policy area of his initial interest with policy differences

in other areas; and that these broader configurations of policy positions

are describable quite economically in the basic abstractions of ideology.

Most members of the mass public, however, fail to proceed so far. Certain

rather concrete issues may capture their respective individual attentions

and lead to some politically relevant opinion formation. This engagement

of attention remains narrow however: Other issue concerns

that any sophisticated observer would see as “ideologically” related to

the initial concern tend not to be thus associated in any breadth or

number. The common citizen fails to develop more global points of

view about politics. A realistic picture of political belief systems in the

mass public, then, is not one that omits issues and policy demands completely

nor one that presumes widespread ideological coherence; it is

rather one that captures with some fidelity the fragmentation, narrowness,

and diversity of these demands.

Such a description is not particularly economical, and the investigator

is confronted by the fact that, in coping with a poorly constrained

system, he must choose between parsimony and explanatory power.

This dilemma confronts him only in the degree that he insists upon

dealing with the issue or ideological base of mass politics. That is, the

very diffusion of this issue base at the mass level means that many of

the threads cancel themselves out and can be ignored at one level of

description. With good information on basic party loyalties in a population,

with knowledge of sudden disruptions of economic expectations,

and with freedom to treat other short-term perturbations in mass political

behavior in terms of such inelegant factors as candidate popularity,

there is no reason to feel that mass political phenomena are difficult to

understand or predict in relatively economical terms. But such accounts

do not probe to the level that supplies for many the fundamental “why”

of politics—its issue or ideological base.

If we insist on treating this base and choose economy over explanatory

power, then we are likely to select one or two ideological threads

to follow, with recognition that the consequences of substantial numbers

of other threads must be ignored. If the limited threads are well

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 55

chosen, this strategy has a number of strengths, and a “good” choice of

threads is likely to involve visible and competing population groupings,

for reasons sketched above.

This latter strategy is essentially that employed by Lipset in tracing

the imprint of social class upon mass political behavior across time and

nationality in Political Man. His choice of threads is good, in part because

of the ubiquity of social-class differences historically and crossnationally

and in part because, among issue threads, social class is one of

the more reliably prominent. Despite the great diversity of issue concerns

in the American public in the 1950s, if one were required to pick

the single thread of ideological relevance most visible and persistent, it

undoubtedly would be related to social class.

On the other hand, there is a major sacrifice of explanatory power

here. For example, when we argue that social-class concerns represent

the most prominent, unitary “issue” thread in mass American politics in

the past decade, the scope of our statement should not be overestimated.

Given the diversity and number of such threads, it need only

mean (as is probably the case) that such concerns have made some

greater or lesser contribution to the significant political behaviors—for

the mass, largely in voting—of 20 to 40 percent of the American population

in this period. This contribution is enough, of course, to leave a

clear imprint on mass political phenomena, although it does not constitute

even substantial explanation.44

Furthermore, it may well be that, in pluralist societies with other

highly visible group cleavages, these cleavages may often have greater

penetration into mass publics than do class differences, as far as consequences

for political behavior are concerned. Religious pluralism is a

case in point. While class differences mark every society, not all current

democracies contain fundamental religious differences. Where such differences

exist and can in some measure be separated from social class

differences—the Netherlands, Austria, and the United States are good

examples—there is fair reason to believe that they are fully as important,

if not more important, in shaping mass political behavior than are

class differences. Even in current France, one can predict with greater

accuracy whether a citizen will be a partisan of the “left” or of the

“right” by knowing his position on the “clerical question” than by

knowing his position on the more central class issues typically associated

with the left-right distinction. And this accuracy is possible despite

several decades during which French elites have focused primary atten-

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

56 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

tion on other more gripping controversies and have frequently attempted

to deflate the clerical question as a “phony” issue.45

Whatever problems are posed for description by the diffuseness of

the issue base of mass politics, the most important insights are to be

gained from the fact that ideological constraints in belief systems decline

with decreasing political information, which is to say that they are

present among elites at the “top” of political systems, or subsystems, and

disappear rather rapidly as one moves “downward” into their mass

clienteles. We see the importance of this fact in a number of standard

phenomena of both routine and crisis politics.

Perhaps the simplest and most obvious consequences are those that

depend on the fact that reduced constraint with reduced information

means in turn that ideologically constrained belief systems are necessarily

more common in upper than in lower social strata. This fact in turn

means that upper social strata across history have much more predictably

supported conservative or rightist parties and movements than

lower strata have supported leftist parties and movements.

These facts have further bearing on a number of asymmetries in political

strategy, which typically arise between elites of rightist and leftist

parties. These elites operate under rather standard ideological assumptions,

and therefore recognize their “natural” clienteles in the upper and

lower strata of the society respectively. The cultural definitions that separate

upper and lower in most if not all modern societies are such that

the lower clientele numerically outweighs the upper. The net result of

these circumstances is that the elites of leftist parties enjoy a “natural”

numerical superiority, yet they are cursed with a clientele that is less dependable

or solidary in its support. The rightist elite has a natural clientele

that is more limited but more dependable.

Asymmetrical elite strategies therefore emerge. They are best

summed up perhaps in terms of an increasingly overt stress on group

loyalty and cohesion per se as one moves from right to left across party

spectra in most political systems. This difference has a great number of

concrete manifestations. For example, where political institutions encourage

multiparty development, there is likely to be less party fragmentation

on the left than on the right. Where political institutions

permit interparty differences in the stringency of party discipline at the

legislative level, it is common to find a rather steady progression in

strength of discipline exacted as one moves from right to left. At an

electoral level, rightist candidates are more likely to run as individual

notables, dissociating themselves from party per se or claiming positions

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 57

“above the parties” and priding themselves on the independence of

their consciences from party dictation.

Entirely parallel asymmetries arise in the relations between party

elites and elites of organized interest groups based “outside” the political

order as it is narrowly conceived. These relations tend to be more

overtly close as one moves from the right to the left. Trade unions have

with some frequency created or coalesced with leftist parties, and,

where such coalition has not occurred, trade unions (and particularly

those with the less politically sophisticated memberships) publicize political

endorsements that link them rather unequivocally with specific

leftist parties. Associations of professional and business people, to the

degree that they perform public political activity at all, tend toward

non-partisan exhortations to “work for the party of your choice” and

in other ways maintain or are kept at a “proper” distance from rightist

parties so far as self-publicized connections are concerned. All these differences

flow from the simple fact that, for leftist parties, the transmission

of gross, simple, group-oriented cues is a functional imperative. For

rightist parties, there is much to lose and nothing to gain in such publicity,

for the basic clientele can be counted on for fair support without

blatant cues, and the tactical needs are to avoid the alienation of potentially

large-scale “haphazard” support from the lower-status clientele.

These simple social biases in the presence of ideological constraints

in belief systems thus register to some degree in the calculations of

practical political elites. Fully as interesting, however, are the miscalculations

that arise when the low incidence of these constraints in the middle

and lower reaches of mass publics is forgotten. While this forgetting

is more common among academic commentators than among practical

politicians, it is sometimes hard to avoid—particularly where an elite

with a distinctive ideology captures a broad surge of mass support. Here

it is difficult to keep in mind that the true motivations and comprehensions

of the supporters may have little or nothing to do with the distinctive

beliefs of the endorsed elite. Yet we believe that such hiatuses

or discontinuities are common and become more certain in the degree

that (1) the distinctive elements of the elite ideologies are bound up in

abstractions or referents remote from the immediate experience of the

clientele; (2) and that the clientele, for whatever reason, is recruited

from the less informed strata of the population. We shall close by applying

these propositions to historical cases.

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

$8 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

Abolition and the Rise of the Republican Party

Historians have devoted a great deal of prose to the rise of abolitionist

ferment in the North after 1820. Popular sentiment against slavery

seems to have gathered momentum in the relatively unbroken line that

is so typical of successful reform movements, from the persistent agitations

of Lundy and William Lloyd Garrison through the formation of

antislavery societies in the 1830s, the development of the underground

railroad, the birth of the Republican Party in the name of abolition,

and its final electoral triumph in a popular majority for Lincoln outside

the South in i860. A number of figures are commonly cited to express

the deep penetration of the ferment into the consciousness of the general

public, including the membership of 200,000 attracted by the

American Anti-Slavery Society in the seven short years after 1833 and

the truly remarkable sales of Uncle Tom’s Cabin in 1852 and after.

We obviously do not challenge the mountains of evidence concerning

the high pitch of this controversy. We assume from the outset that

this ferment among the elites and near-elites was in point of fact most

noteworthy and has been accurately described. If we take the figures at

face value, for example, we can compute that the Anti-Slavery Society’s

membership amounted to between 3 and 4 percent of the adult population

outside of the South at that time.46 Against what we have considered

to be the commonly “visible” part of the political public (5 to

15 percent of the total adult public), this figure does indeed represent a

vigorous development of antislavery sentiment. What interests us instead

is the gap between the figure of 4 percent indicative of a sturdy

ideological movement, and the 46 percent of the nonsouthern popular

presidential vote won by the Republican Party two years after its conception

in Wisconsin and birth in Michigan under the pure banner of

abolition. The question is, Essentially what part did beliefs in abolition

play in attracting the votes of the mass base that made the Republican

Party a political success?

The question seems particularly worth asking, for among events or

causes that have commonly been assumed to have had some substantial

resonance among the mass public in American history, few would strike

us as less plausible than abolition. Panics, the promise of free land in the

West, railroad charges for transportation of farm produce, and competition

by immigrants for urban jobs could all be expected to have had

some immediate impact on at least limited portions of the mass public.

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 59

Similarly, the threat of abolition would have had some concrete and

day-to-day meaning for many citizens in the South. But it is hard to

imagine that the ordinary nonsoutherner in 1855 would have had reason

to be concerned about the plight of his “black brother” in a land

several days’journey away—certainly not reason sufficient to make any

visible contribution to his political responses. Indeed, we are tempted to

the heresy that there were very substantial portions of the nonsouthern

population in that period who were only dimly aware that slavery or a

controversy about it existed.

If this latter statement seems dubious in the light of the torrents of

literature poured out on the subject in the 1850s, the reader might reflect

upon the feeble impact registered in the mass public by “the communist

hysteria” of the McCarthy era in the early 1950s. At an elite

level, the controversy was bitter and all-pervasive for a considerable period

of time. Yet, during the nationally televised hearings that climaxed

the affair, Stouffer found that 30 percent of a cross-section public could

not think of any senator or congressman investigating internal communism,

and the low salience of the whole controversy for most of the

public was clearly demonstrated in other ways as well.47 In the 1952

presidential campaign, the Republican charges against the Democratic

Party were summed up in the handy slogan “Corruption, Korea and

Communism.” Our materials drawn at the time from a mass electorate

showed a strong spontaneous response to the issues of corruption and

Korea (although there was little understanding of the “Great Debate”

that was in full swing over how the Korean conflict should be terminated)

but almost no response at all to the third item, even though it referred

to a controversy that, like abolition in the 1850s, has tended to

remain in elite minds as the principal struggle of its period.48 And evidence

of this lack of public recognition or resonance emerges despite

the existence of a population that relative to that of 1850, was highly

literate, leisured, and exposed to mass media of a speed, breadth, and

penetration that simply had no counterpart in an earlier day.49 The

controversy over internal communism provides a classic example of a

mortal struggle among elites that passed almost unwitnessed by an astonishing

portion of the mass public. Quite clearly, there is no necessary

connection between the noise, acrimony, or duration of an elite debate

and the mass penetration of the controversy, however automatically the

equation is made. A better guide to penetration seems to be the character

of the issue itself.

A student recently decided to analyze the contents of caches of let-

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

60 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

ters from the 1850s and 1860s, which had been preserved by old families

in the various attics of a small Ohio community. He was interested in

tracing the development of abolitionist sentiment, and Ohio had been

the first state to give the new Republican Party a mass base in the election

of 1854. The problem was that no references to abolition were ever

found in any of the letters, despite the fact that their writers necessarily

represented the “upper” stratum of the community, the stratum that, by

all odds, would be most likely to have some awareness of the controversy.

In letters written on the eve of the Civil War, there were increasing

“ideological” references to the disruption of the Union. Once political

events had passed to the dramatic point at which the South was

clearly in treasonable rebellion against the Union, the mass penetration

of the controversy in the North is not difficult to understand. But it is

likely that this stage was reached at a mass level much later than is customarily

assumed. And for the preceding period, the Ohio letters betrayed

no concern for abolition.50

There is, furthermore, a major leap from some awareness that a controversy

is in the air to opinion formation of a strength sufficient to

register in an individual’s own political behavior. Once again, modern

data are instructive. Although civil rights and the race question have

been primary controversies in the past five years and although a very

large majority of the public was aware of the struggles at Little Rock

and the University of Mississippi, opinion formation on the subject

among a cross-section of nonsouthern whites was far from intense.

While everybody responds to opinion items on the matter, the true

issue publics are made up very disproportionately of Negroes and

southerners. A sprinkling of nonsouthern whites shows some genuine

interest in the issue, and the bulk of them is positively disposed toward

the Negro. But a measure of the salience of the Negro question as a

political problem stringent enough to register two-thirds of nonsouthern

Negroes as intensely concerned leaves scarcely one nonsouthern

white out of ten qualifying at the same level. It should be remembered

that this indifference is evident at a time when the Negro has become

an important problem in urban areas outside the South, a situation that

did not exist in 1850 or i860. Most northern whites with intense positive

or negative concern also live in areas where Negroes live or are inordinately

interested in politics. In the hinterland, opinion is superficial

or indifferent.

If the population of the hinterland that gave initial mass impetus to

the Republican Party had indeed felt some deep humanitarian con-

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 61

cern about the plight of the Negro in the South, then we would be

forced to conclude that empathy in human nature has suffered an astonishing

decline in the past century. In fact, however, there are

enough anomalies in the voting records of the period to leave room

for fair doubt about the nature of the Republican mass base in its first

three years. Fringe votes for the earlier abolitionist parties (the Liberty

and Free Soil Parties) were never strong in the urban centers—Boston

and New York—which were generating much of the intellectual ferment

about abolition, although they were concentrated in smaller

towns in Massachusetts and New York outside these centers and

probably reflect the lines of genuine if thinly sprinkled abolitionist

feeling. When, however, the Whig Party no longer presented itself as

an alternative to the Democrats and when broad-gauged mass support

had to turn either to the Republicans or to the anti-Catholicism of

the “Know-Nothing” American Party, the patterns were somewhat

different. In 1856 the largest northeastern centers (excluding all but

the potentially abolitionist North),51 where intellectuals had pursued

abolition most doggedly and where Catholic immigrants were accumulating,

gave the Know-Nothings their clearest mass support and

the Republicans their weakest harvest of former Whig or Free-Soil

votes. The capacity to move these votes into the Republican column

was greater in those surrounding areas that had shown the strongest

traces of support for the earlier abolition parties, although in many of

these areas the Know-Nothings cut into the vote as well. The least

blemished successes of the new Republican party lay in the deeper

hinterland, which had given the feeblest support to abolition in preceding

elections.52

While any evidence pertaining to the thoughts and motivations of

the mass of citizens who did not make public speeches or leave written

records must be circumstantial, it is worth suggesting that there was

probably an important discontinuity between the intransigent abolitionism

associated with the Republican Party at an elite level in its early

phases and its early mass successes. How great this discontinuity was we

do not and doubtless shall not ever know, although we have some confidence

that, if the truth were known, the discontinuity would be large

enough to shock many students of documents and data from more elite

levels.

Of course, from the point of view of historical outcomes, all that is

important is that this particular conjunction of circumstances occurred

when it did and was interpreted as it was by political elites in both

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

62 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

North and South. These facts shaped history and placed the abolitionist

movement in the forefront of “popular” American reforms, set apart

from other reforms that have either achieved general elite acceptance

without need for mass support or have faded into semioblivion because

times were not propitious for the capture of a mass base. Nonetheless,

our understanding of history may be improved at some points if we

recognize the possibility that such discontinuities can occur.

The Mass Base of the Nazi Party

The rise of the Nazi Party in Germany between the two World Wars

entrained such a tragic sequence of events that the experience has provoked

diagnoses from every school of thought concerned with people,

politics, or societies. Typically, the question has been, How could the

German people have lent support to a movement with an ideology as

brutal and authoritarian as that of the Nazis? Some years ago, Bendix

argued that it was important to differentiate between the top Nazi leaders,

the party members, and the masses whose sudden surge of support

at the polls converted the National Socialists from simply another extremist

fringe group of the sort that many societies harbor much of the

time to a prominence that permitted them to become masters of Germany

soon after 1932.53

Few would now question that the simple magnitude of economic

collapse Germany suffered in the wake of World War I was the critical

catalyst, both for the organizational strength the cadre of Nazi activists

had attained prior to 1930 and for the sweeping successes they attained

at the polls in that year. Once this point is made, however, we concur

with Bendix that the explanatory paths for the mass and the elite are

likely to diverge. Our interest here has to do solely with the relationship

between the new-found mass of Nazi voters and the ideology of

the movement they endorsed.

Who was particularly attracted to this mass base? Once again, there is

fair agreement among analysts that there was a significant connection

between the marked increase in voter turnout and the sudden surge in

Nazi votes that marked the 1928—1932 period. Bendix noted that the

staggering increase of 5^ million votes picked up by the Nazi Party in

1930 over its 1928 totals coincided with a rapid influx into the active

electorate of nearly iV% million adults who had failed to vote in 1928.

These figures for new voters are exclusive of the estimated 1,760,000

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 63

young people who became eligible and voted for the first time, and

there is reason to believe that these young people flocked to the Nazis

in disproportionate numbers.54 In addition, there is convincing evidence

from Heberle and others that, among older voters, the most dramatic

shifts from other parties to the Nazi Party occurred in rural areas

and especially among peasants.55 We conclude therefore that, whatever

the social backgrounds or motivations of the activist cadre of the Nazis,

its mass base was disproportionately recruited from among customary

nonvoters, the young and the peasantry.

Of course, chronic nonvoters would lie at the bottom of any scale of

political sophistication or ideological comprehension. In a matrix constructed

after the fashion of Table 3, there is a very sharp gradient in

voting fidelity from the upper left-hand corner to the lower right. As

we have noted, too, there is a decline in average age from the upper

right-hand corner to the lower left, despite the negative correlation between

age and education: The young are also the most politically unsophisticated

age grade, despite their higher average education. Finally, for

American data at least, it is clear that political information and political

involvement decline systematically with declining mean education from

urban areas to increasingly rural areas. Even taken as a whole, farmers in

modern America are more remote from and comprehend less of the

normal political process than do the lower echelons of the urban occupational

hierarchy.56 Furthermore, the Heberle data for Germany suggest

that, among farmers, it was the most isolated and the poorest educated

who shifted in the most dramatic proportions to the Nazi ticket

in the crucial years.57 In sum, it seems safe to conclude that the mass

base of the Nazi movement represented one of the more unrelievedly

ill-informed clienteles that a major political party has assembled in a

modern state.

Heberle, who was anxious to show that Nazi popularity in

Schleswig-Holstein was not the result of an ingrained antidemocratic

bias, commented on how incredible it seemed that the Nazis should

be so widely acceptable to these “generally sober-minded and freedom-

loving North Germans, who were not at all accustomed to a

tradition of authoritarian government.” He devoted a lengthy analysis

to an attempt to find comparable belief elements in earlier ideational

movements of Schleswig-Holstein that could explain the area’s receptiveness

to the new ideology. While occasional common threads could

be discerned, their number was meager enough to be quite accidental,

and antithetical elements predominated.58 Heberle concluded that

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64 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

farmers and other rural people respond to politics less in terms of

“ideologies and general political ideals” than in terms of “concrete

advantages and disadvantages” of one party relative to another, and

he closed with the hope that, under better circumstances, these rural

people would “revert” to their more innocuous attitudes of the

past.59

Even had the clientele of the Nazi Party been of average education

and political sophistication, there would be strong reason to doubt the

degree to which prior awareness of Nazi ideology among its voters

could be claimed. In view of the actual peculiarities of its mass base,

the question verges on the absurd. The Nazis promised changes in a

system that was near collapse. Under comparable stresses, it is likely that

large numbers of citizens in any society (and particularly those without

any long-term affective ties to more traditional parties) would gladly

support ad hoc promises of change without any great concern about

ideological implications. And typically, they would lack the contextual

information necessary to assess these implications, even if some stray

details were absorbed. We believe this response would be true of any

mass public and not only those that, like Germany, had experienced

only a brief democratic tradition.60

To the farmers in particular, the Nazis promised a moratorium on,

if not an abolition of, all debts.61 Furthermore, they had the disciplined

and motivated party organization capable of disseminating

such propaganda through the hinterland. While they had conceived of

themselves as an urban party (which by origin and personnel they

were), the Nazis appeared to have made a conscious discovery in the

late 1920s that a golden harvest of votes had ripened in rural areas,

and they set about to exploit this fact systematically, having become

quite discouraged with their lack of progress in urban areas. The

Communists had preceded them among the peasantry—but in an earlier

and less propitious period—and they had relaxed their efforts.

Furthermore, in view of Marxist dogma on the dubious political utility

of the peasant, it is unlikely that their energies had ever been concentrated

in quite the same manner. In principle, however, there is no

reason to believe that, had the Communists instead of the Nazis arrived

freshly on the rural scene at the same point and with similar

vigor and sketchy propaganda, European history would not have

taken a dramatically different turn. All evidence suggests that, in this

historical case, the link between specific ideology and mass response

was probably of the weakest.

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 65

X. CONCLUSION

We have long been intrigued, in dealing with attitudinal and behavioral

materials drawn from cross-section publics, at the frequency with which

the following sequence of events occurs. An hypothesis is formed that

seems reasonable to the analyst, having to do with one or another set of

systematic differences in perceptions, attitudes, or behavior patterns.

The hypothesis is tested on materials from the general population but

shows at best some rather uninteresting trace findings. Then the sample

is further subdivided by formal education, which isolates among other

groups the 10 percent of the American population with college degrees

or the 20 percent with some college education. It frequently turns out

that the hypothesis is then very clearly confirmed for the most educated,

with results rapidly shading off to zero within the less educated

majority of the population.

We do not claim that such an analytic approach always produces

findings of this sort. From time to time, of course, the hypothesis in

question can be more broadly rejected for all groups, and, on rare occasions,

a relationship turns out to be sharper among the less educated

than among the well-educated. Nevertheless, there is a strikingly large

class of cases in which confirmation occurs only, or most sharply,

among the well educated. Usually it is easy to see, after the fact if not

before, the degree to which the dynamics of the processes assumed by

the hypothesis rest upon the kinds of broad or abstract contextual information

about currents of ideas, people, or society that educated people

come to take for granted as initial ingredients of thought but that

the most cursory studies will demonstrate are not widely shared. As experiences

of this sort accumulate, we become increasingly sensitive to

these basic problems of information and begin to predict their results in

advance.

This awareness means that we come to expect hypotheses about

wide-ranging yet highly integrated belief systems and their behavioral

consequences to show results among relative elites but to be largely disconfirmed

below them. It is our impression, for example, that even

some of the more elaborate “ideological” patterns associated with the

authoritarian personality syndrome follow this rule. Some recent results

that have accumulated in connection with the Protestant-ethic hypothesis

of Weber seem to hint at something of the same pattern as well.62

In this paper, we have attempted to make some systematic comments

on this kind of phenomenon that seem crucial to any understanding of

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

66 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

elite and mass belief systems. We have tried to show the character of

this “continental shelf” between elites and masses and to locate the

sources of differences in their belief systems in some simple characteristics

of information and its social transmission.

The broad contours of elite decisions over time can depend in a vital

way upon currents in what is loosely called “the history of ideas.” These

decisions in turn have effects upon the mass of more common citizens.

But, of any direct participation in this history of ideas and the behavior it

shapes, the mass is remarkably innocent.We do not disclaim the existence

of entities that might best be called “folk ideologies,” nor do we deny for

a moment that strong differentiations in a variety of narrower values may

be found within subcultures of less educated people. Yet for the familiar

belief systems that, in view of their historical importance, tend most to

attract the sophisticated observer, it is likely that an adequate mapping of

a society (or, for that matter, the world) would provide a jumbled cluster

of pyramids or a mountain range, with sharp delineation and differentiation

in beliefs from elite apex to elite apex but with the mass bases of the

pyramids overlapping in such profusion that it would be impossible to

decide where one pyramid ended and another began.

NOTES

1. Karl Mannheim, Ideology and Utopia (New York, 1946), especially pp. 39 ff.

2. Minar has compiled a useful if discouraging survey of this diversity. See David

W. Minar, “Ideology and Political Behavior,” Midwest Journal of Political Science,

V (November, 1961), No. 4, 317-31.

3. Garner uses the term “constraint” to mean “the amount of interrelatedness of

structure of a system of variables” when measured by degree of uncertainty reduction.

Wendell R. Garner, Uncertainty and Structure as Psychological Concepts

(New York, 1962), pp. 142ff. We use the term a bit more broadly as relief from

such polysyllables as “interrelatedness” and “interdependence.”

4. Measures of correlation and indices of the goodness of fit of a cumulative scale

model to a body of data are measures of two types of constraint.

5. Definitions of belief systems frequently require that configurations of ideas be

stable for individuals over long periods of time. The notion of centrality fulfills

this requirement in a more flexible way. That is, once it is granted that changes

in the perceived status of idea-elements are not frequent in any event and that,

when change does occur, the central elements (particularly in large belief systems)

are amply cushioned by more peripheral elements that can be adjusted, it

follows that central elements are indeed likely to be highly stable.

6. Minar, loc. cit.

Downloaded At: 12:49 22 November 2010

Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 67

7. See A. Campbell, P. E. Converse, W. Miller, and D. Stokes, The American Voter

(New York, 1960), pp. 204-9.

8. William J. McGuire, “A Syllogistic Analysis of Cognitive Relationships,” in

Milton J. Rosenberg, Carl I. Hovland, William J. McGuire, Robert P. Abelson,

and Jack W. Brehm, Attitude Organization and Change, Yale Studies in Attitude

and Communication, Vol. 3 (New Haven, 1960), pp. 65-111.

9. Joseph R. Gusfield, “Status Conflicts and the Changing Ideologies of the

American Temperance Movement,” in Pittman and Snyder, eds., Society, Culture

and Drinking Patterns (New York, 1962).

10. Anthony Downs, An Economic Theory of Democracy (New York, 1957), p. 79.

11. It should be understood that our information dimension is not so perfectly correlated

with formal education as this statement implies. Since educational strata

have a more ready intuitive meaning, however, we shall use them occasionally as

convenient ways of measuring off levels in the population. In such cases, the

reader may keep in mind that there are always some people of lesser education

but higher political involvement who are numbered in the stratum and some

people with education befitting the stratum who are not numbered there because

their interests lie elsewhere and their information about politics is less

than could be expected.

12. There is a difference, of course, between this statement and a suggestion that

poorly educated people have no systems of belief about politics.

13. This observation is valid despite the fact that surveys showing ignorance of

crucial political facts are much more likely to run in a range from 40-80 percent

“unaware.” At the height of the 1958 Berlin crisis, 63 percent of the

American public did not know that the city was encircled by hostile troops. A

figure closer to 70 percent is a good estimate of the proportion of the public

that does not know which party controls Congress.

14. In this regard, it was enlightening to read the stunned reactions of the political

columnist Joseph Alsop when, during the 1960 presidential primaries, he left

the elite circuits of the East Coast and ventured from door to door talking politics

with “normal” people in West Virginia. He was frank to admit that the

change in perceived political worlds was far greater than anything he had ever

anticipated, despite his prior recognition that there would be some difference.

15. The phrase “less adequately” is used to show recognition of the frequent complaint

that the liberal-conservative dimension has different meanings in different

politics at different times. More importantly, it takes into account the fact that

in most politics new issues are constantly arising that are difficult before the fact

to relate to such a yardstick. Some of these intrinsically “orthogonal” issues may

remain unrelated to the dimension, and, if they become of intense importance,

they can split existing parties and redefine alignments. More typically, however,

elites that are known on some other grounds to be “liberal” or “conservative”

ferret out some limited aspect of an issue for which they can argue some liberal-

conservative relevance and begin to drift to one of the alternative positions

in disproportionate numbers. Then, either because of the aspect highlighted or

because of simple pressures toward party competition, their adversaries drift to-

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68 Critical Review Vol. 18, Nos. 1-3

ward the opposing position. Thus positions come to be perceived as “liberal” or

“conservative,” even though such alignments would have been scarcely predictable

on logical grounds. After the fact, of course, the alignments come to

seem “logical,” by mechanisms discussed earlier in this paper. Controversy over

British entry into the European Common Market is an excellent example of

such a process. Currently the conservatives are officially pro-entry, and Labour

leadership has finally declared against it, but the reverse of this alignment had

frequently been predicted when the issue was embryonic.

16. All American data reported in this paper, unless otherwise noted, have been

collected by the Survey Research Center of The University of Michigan under

grants from the Carnegie Corporation, the Rockefeller Foundation, and the

Social Science Research Council.

17. This account of the “levels of conceptualization” is highly abbreviated. For a

much more detailed discussion and rationale, along with numerous illustrations

drawn at random from interviews in each stratum, see Campbell, et al., op. cit.,

Chapter 10.

18. Some modest internal support for the validity of the distinction between those

who spoke in terms of broad philosophy and those who offered narrower explanations

may be seen in the fact that only 5 percent of the former category

had previously judged the Democrats to be more conservative than the Republicans.

Among those giving less elevated “best answers,” 14 percent deemed the

Democrats the more conservative party. And, to give some sense of the “continental

shelf” being explored here, among those who had responded that a certain

party was more conservative than the other but who subsequently confessed

that they did not know what the distinction implied, 35 percent had

chosen the Democrats as the more conservative, a figure that is beginning to

approach the 50-50 assignment of sheer guesswork.

19. In all candor, it should probably be mentioned that a teacher grading papers

would be unlikely to give passing marks to more than 20 percent of the attempted

definitions (or to 10 percent of the total sample). We made an effort,

however, to be as generous as possible in our assignments.

20. This cell is laden, of course, with people who are apathetic and apolitical, although

more than half of them vote in major elections. Flanigan, working with

the total sample, set aside those who never vote as politically inconsequential

and then set about comparing the remainder of self-styled independents with

strong partisans. Some of the customary findings relating political independence

with low involvement and low information then became blurred or in

some cases reversed themselves altogether. Our highly sophisticated independents

contribute to this phenomenon. See William H. Flanigan, “Partisanship

and Campaign Participation” (Unpublished doctoral dissertation, Yale University,

1961).

21. As a general rule, questions broad enough for the mass public to understand

tend to be too simple for highly sophisticated people to feel comfortable answering

without elaborate qualification. The pairing of questions, with those

for the mass public given first, are as follows:

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 69

Employment. “The government in Washington ought to see to it that

everybody who wants to work can find a job.” “Do you think the federal

government ought to sponsor programs such as large public works in

order to maintain full employment, or do you think that problems of

economic readjustment ought to be left more to private industry or state

and local government?”

Aid to Education. “If cities and towns around the country need help to

build more schools, the government in Washington ought to give them

the money they need.” “Do you think the government should provide

grants to the states for the construction and operation of public schools,

or do you think the support of public education should be left entirely to

the state and local government?”

Federal Housing. “The government should leave things like electric power

and housing for private businessmen to handle.” “Do you approve the use

of federal funds for public housing, or do you generally feel that housing

can be taken care of better by private effort?”

F.E.P.C. “If Negroes are not getting fair treatment in jobs and housing,

the government should see to it that they do.” “Do you think the federal

government should establish a fair employment practices commission to

prevent discrimination in employment?”

Economic Aid. “The United States should give economic help to the

poorer countries of the world even if those countries can’t pay for it.”

“First, on the foreign economic aid program, would you generally favor

expanding the program, reducing it, or maintaining it about the way it

is?”

Military Aid. “The United States should keep soldiers overseas where they

can help countries that are against Communism.” “How about the foreign

military aid program? Should this be expanded, reduced, or maintained

about as it is?”

Isolationism. “This country would be better off if we just stayed home

and did not concern ourselves with problems in other parts of the

world.” “Speaking very generally, do you think that in the years ahead the

United States should maintain or reduce its commitments around the

world?”

22. We are aware that drawing an average of these coefficients has little interpretation

from a statistical point of view. The averages are presented merely as a

crude way of capturing the flavor of the larger table in summary form. More

generally, it could be argued that the coefficients might be squared in any

event, an operation that would do no more than heighten the intuitive sense of

contrast between the two publics. In this format, for example, the elite-mass

difference in the domestic-issue column of Table VIII would shift from .53 vs.

.23 to .28 vs. .05. Similarly, that in the party column would become .15 vs. .01.

23. Herbert McClosky, “Consensus and Ideology in American Politics,” American

Political Science Review, LVIII (June, 1964), No. 2.

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70 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

24. James W. Prothro and C. W. Grigg, “Fundamental Principles of Democracy:

Bases of Agreement and Disagreement,” Journal of Politics, 22 (May, 1960), No.

2, 276-94.

25. There is unquestionably a class of social behaviors for which this description is

more rather than less apt, although one need not have recourse to mystical or

unexplained terms to understand the processes involved. In any social system,

some beliefs and behavior patterns are learned by the young in such a way that

there is no awareness of the possibility of alternatives. Where beliefs are concerned,

a phrase like “unspoken cultural assumptions” provides an appropriate

description, and there are analogues in socially learned behaviors. Most of politics,

however, involves competition between explicit alternatives, which means

that conscious belief systems and conscious behavior choices have an important

influence—which is not to say that these belief systems are not often better understood

if one takes account of the sociostructural position of the actor who

holds them. It is to say that, whether or not they are present is not a matter of

indifference for the course of behavior, as we shall see.

26. The reader is cautioned, in comparing Figures 1(b) and 1(c), that women

classed (for example) as “no issue content” are not necessarily the wives of husbands

who are also “no issue content.” Indeed, the point of the comparison is

that wives tend themselves to be qualified at less elevated levels than their husbands

but organize their behavior in terms of their husband’s “opinion leadership.”

27. It should be remembered in assessing Figure 1(c) that the complete absence of

this kind of opinion-leading would not produce a graph with a single tall bar

at the left and an absence of height for the three other bars. That is, opinionleading

quite aside, we should expect some kind of slope, albeit a steep one,

since people represented by the second and (to a fainter degree) the third bars

have cruder versions of the intervening images of politics that we are arguing

have key behavioral importance. It is only the people represented by the fourth

bar who give no evidence of this type of intervening organization at all.

28. The empirical base for this argument becomes even more dramatic than is

shown by Figure 1 if we consider all the psychological terms that a class orientation

in voting presupposes. That is, Figure 1 treats the relationship between

objective status and vote. To the degree that there are ideologues whose class

identifications are not what their objective statuses would lead us to expect,

they lower the degree of the association. Figure 13-3 of Campbell, et al., op. cit.,

p. 352, which is conceptually parallel to Figure I of this paper, shows that ideologues

with reported awareness of their social classes have a towering monopoly

on the association of subjective status and vote partisanship.

29. Much of the ensuing passage can be read as a slight restatement of Herbert

Hyman’s insights concerning “reference groups.” If we add anything at all, it is

to suggest some of the circumstances under which groups qua groups are more

or less likely to be central in individual belief systems (more or less potent as

points of reference), as opposed to other kinds of belief object.

30. Florian Znaniecki, Modem Nationalities (Urbana, 1952), pp. 81-2.

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 71

31. Even in the modern United States, there are scattered pockets of the population

that are rather vague about national identity. We encounter respondents, for

example, who when asked if they were born in the United States, answer “No,

I was born in Georgia,” in what is clearly ignorance rather than a throwback to

secession or kittenish state pride.

32. McClosky observes more generally: “Members of the active minority” [the political

elite sample] “are far better able than the ordinary voter to name reference

groups that fit both their party affiliation and their doctrinal orientation.

. . . Clearly the political stratum has a much better idea than the public has of

where its political sympathies lie and who its ideological friends and enemies

are. The ability to recognize favorable or unfavorable reference groups is, on the

whole, poorly developed in the populace at large.” McClosky, op. cit.

33. With regard to the postwar increase in relevance of social class, see Philip E.

Converse, “The Shifting Role of Class in Political Attitudes and Behavior,” in

E. L. Maccoby, T. W. Newcomb, and E. E. Hartley, eds., Readings in Social Psychology

(New York, 1958), p. 388.

34. The items portrayed in Figure 3 are the same as those in Table VII and are described

at that point.

35. We regret that we did not get measures of pure affect for other groupings in

the population, for all population members. A copious literature on intergroup

attitudes in social psychology contains, however, much presumptive evidence of

extreme stability in these attitudes over time.

36. Unfortunately we lack the longitudinal data for elites that would permit the

following analysis to be comparative. Let us keep in mind, however, that the relatively

high constraint among belief elements already demonstrated for elites is

almost certain proof of high stability of these elements over time as well. The

phenomenon we are analyzing is thus a mass not an elite phenomenon.

37. More technically, such a configuration is mathematically incompatible with the

assumption based on simple Markov chain theory that a single matrix of transition

probabilities can account for the change process. For the benefit of the

nontechnical reader, we use the phrase “change process” in the singular to denote

a single specified matrix of transition probabilities.

38. This model has been discussed as a hypothetical case in Lee M. Wiggins,

“Mathematical Models for the Interpretation of Attitude and Behavior

Change: The Analysis of Multi-Wave Panels” (Unpublished doctoral dissertation,

Columbia University, 1955).

39. The logic of the test is rather simple. If the model pertains, then any respondents

who change sides of an issue between t1 and t2 are from the random part of the

population, while those who do not change sides are a mixture in known proportions

of perfectly stable people and random people who happened to have

chosen the same side twice by chance. If we divide the population into these two

parts on the basis of their t1-t2 patterns and if the model is appropriate to the situation,

then the turnover correlations between t2 and t3 for each of the two divisions

of the population are determinate. The purely random group should show

a correlation of .00 between t2 and t3; the adulterated stable group should show a

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72 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

correlation that falls short of unity as a direct function of the known proportions

of random people still in the group. For our critical test, the original total-population

turnover correlation (1956-1958) was .24. With the population properly

subdivided as suggested by the model, this over-all correlation could be expected

to fork into two correlations between t2 and t3 of .00 and .47, if the model was applicable.

The empirical values turned out to be .004 and .49.

40. For instance, in terms parallel to the expectations of the final sentence of Note

39, the correlations may fork into a pair that are .07 and .35, rather than .00 and

.47.

41. For example, a random path of responses would be laid down over time by a

set of people for whom the content of the item was very meaningful, yet put

each individual in such a quandary that his pro-con response potential balanced

exactly at .50-.50. In such cases, it could be assumed that slight rewording of

the item, making it “harder” or “easier” in a Guttman sense, would shift the response

potentials away from this .50-.50 balance and would thus begin to produce

correlations between individual responses over time. This view cannot be

challenged in any decisive way for issues generating responses that depart from

our black and white model, since, in these cases, a distribution of the population

continuously across the total range of response probabilities is entirely

compatible with the data. It is even possible to describe the empirical situation

surrounding the private-enterprise item in these terms. The problem is that

such a description seems patently absurd, for it implies that the question was

somehow constructed so that the content drew highly unequivocal responses

from one class of people but left all the rest in perfect and exquisite conflict.

Intermediate classes—people with probabilities of responding to the content

positively at a level of .6, .7, .8 or .9—are simply not necessary to account for

the data. Such a description lacks verisimilitude. Our assumption is rather that,

had the private-enterprise item been rendered “harder” or “easier” in a

Guttman sense, the respondents we call “random” would have continued to respond

randomly, at least across a zone of items so broad as to bracket any plausible

political alternatives. In other words, the problem is not one of specific

wording that puts the respondent in particularly delicate conflict; it is rather

that the whole area from which this item is drawn is so remote to the respondent

that he has not been stimulated to any real opinion formation within it.

42. Results of this sort lend considerable weight to Scott’s proposals for assessing

cultural values through analysis of responses to open-ended questions. William

A. Scott, “Empirical Assessment of Values and Ideologies,” American Sociological

Review, 24 (June, 1959), No. 3, 299-310.

43. The definition of these boundaries is necessarily crude. While we have means

of improving upon it in the future, it rests for the moment upon the exclusion

of those people with unstable opinions, along with those who at one point or

another confessed that they had no opinions. We know that each public, so defined,

contains some respondents who give stable patterns of response by

chance alone and therefore do not belong in the issue-public conceptually. On

the other hand, for those issues where it is necessary to posit some small “third

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Converse • The Nature of Belief Systems in Mass Publics 73

force” undergoing conversion on the issue, these people are inadvertently overlooked.

Nonetheless, these two contingents appear to be small, and the issuepublic

boundaries are thus roughly accurate.

44. And if we take as a goal the explanation of political changes touched off by

movements in mass political decisions in this period, as opposed to questions of

more static political structure, then the explanatory utility of the social-class

thread is almost nil, for the ideological class voters were least likely to have

contributed to these changes by corresponding changes in their voting patterns.

45. P. E. Converse and G. Dupeux, “Politicization of the Electorate in France and

the United States,” Public Opinion Quarterly, 26 (Spring, 1962). For complementary

evidence covering an earlier period, see Duncan MacRae, “Religious and

Socioeconomic Factors in the French Vote, 1945-1956,” American Journal of Sociology,

LXIV (November, 1958), No. 3.

46. This figure is for 1840, and it undoubtedly advanced further in the next decade

or two, although one deduces that the expansion of membership slowed down

after 1840. Our estimates do not take into account, however, the standard inflation

of claimed membership (intentional or unintentional) that seems to characterize

all movements of this sort.

47. S. A. Stouffer, Communism, Conformity and Civil Liberties (New York, 1955).

48. Campbell, et al., op. cit., pp. 50-51.

49. In 1954, the average circulation of daily newspapers amounted to about 20 percent

more papers than households. In 1850, one newspaper had to stretch across

five households. These estimates are calculated from Bureau of the Census figures

in Historical Statistics of the United States (Washington, D.C., 1961).

50. Informal communication from Professor Robert L. Crane.

51. We set aside Pennsylvania, Delaware, and Maryland, all of which had been slow

in moving toward complete abolition and which tended to follow southern

voting patterns through the election of 1856.

52. A simple ordering of potentially abolitionist states according to apparent success

in transfer of 1852 Free-Soil and Whig votes to the Republicans in 1856 is

negatively correlated with an ordering of these states according to the relative

amount of fringe support they had tended to contribute to the abolitionist parties

of the 1840s.

53. Reinhard Bendix, “Social Stratification and Political Power,” in Bendix and S.

M. Lipset, eds., Class, Status and Power (New York, 1953), pp. 596-609.

54. Bendix, ibid., 604-5.

55. Rudolf Heberle, From Democracy to Nazism (Baton Rouge, 1945). See also

Charles P. Loomis and J. Allen Beegle, “The Spread of German Nazism to

Rural Areas,” American Sociological Review, 11 (December, 1946), 724-34.

56. See Campbell et al., op. cit., Chap. 15. The above remarks on the Nazi movement

are a condensation of a case study originally written as part of this chapter.

57. The most extreme shifts to the Nazis, arriving at a peak of between 80 and 100

percent of the votes in some hamlets, occurred in the central zone of

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74 Critical Review Vol. 18, Nos. 1—3

Schleswig-Holstein, the Geest. To the East and West lay the sea, a somewhat

more cosmopolitan coast, better farmland with larger estates, and a more stratified

rural population. While the farmers of the Geest owned their own family

farms and have been designated as “lower middle class,” they appear to have

been subsistence farmers on land that did not interest gentry. Heberle describes

them as being “in mentality and habits still more of a real peasant” than farmers

in the other sectors, who regarded the Geest farmer “very much as the Southern

hillbilly or redneck is looked upon by the planters.” Heberle, ibid., p. 39.

58. Heberle and others have argued that the Nazi Party had particular appeal for

villagers and rural people living in simple gemeinschaft societies because it demanded

a degree of active and disciplined participation not required by other

parties and such rural folk had a need to give themselves totally to a cause. At

another point, however, Heberle implies that, although Schleswig-Holstein was

the “most Nazi” province at the polls in both 1930 and 1932, it contributed but

a meager share of activists or members to the party. See Heberle, ibid., p. 87.

What the mass base of the Nazi Parry in its urban and rural segments seemed

to share, in addition to a desperate desire for a change that would bring respite

from economic duress, was low education or, in the case of the young, low political

sophistication.

59. Heberle, ibid., pp. 100, 124.

60. This is not to challenge the importance of a lengthening democratic tradition

or of the bearing of its absence in the German case. But we suspect that once

beyond the stabilizing influence of mass identifications with standard parties,

the primary salutary effects of a longer democratic tradition are limited to elite

political processes. Two hundred years of democracy and several decades of elementary

civics courses in the United States have not given the model citizen

much capacity to recognize antidemocratic maneuvers and movements, particularly

when they occur “at home.”

61. Heberle, ibid., pp. 112.

62. All investigators have had success in showing high “achievement motivation”

among American Jews (a remarkably well educated group). Furthermore, some

early findings confirmed Weber’s thesis, in a modern setting, by showing higher

achievement motivation among Protestants than among Catholics. Veroff, Feld,

and Gurin, working with a national sample, were able, however, to replicate

these findings only among higher-status Catholics and Protestants (with income

the criterion) in the Northeast. This more sophisticated subpopulation is

alleged to be the one within which the original confirmations were found. See

J. Veroff, S. Feld, and G. Gurin, “Achievement Motivation and Religious Background,”

American Sociological Review, 27 (April, 1962), No. 2, 205. While even

poorly educated adherents of differing creeds can probably be counted on for

fairly accurate knowledge of concrete matters of ritual and mundane taboos,

they would be much less likely to absorb the broad and abstract theological

conceptions that are the crucial “intervening variables” in the Weberian hypothesis.

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fevereiro 16, 2011 / rodaecruz

Humanitarianism: Its General Principles and Progress [H. S. Salt, Londres, 1891]

Humanitarianism: Its General Principles and Progress (Humanitarismo: Seus Princípios Gerais e Desenvolvimento).

H.S. Salt. William Reeves, 185 Fleet Street, Londres, 1891. 30 pp.

Informação: Esta pequena obra foi escrita como uma introdução ao Humanitarismo e contém referências às obras de Anna Kingsford e Edward Maitland. Claramente, H.S. Salt era um companheiro de trabalhos e ideais de Kingsford e Maitland. Abaixo temos o texto completo da obra, ainda em inglês:

PUBLICAÇÕES DA LIGA HUMANITÁRIA. No. I.

HUMANITARIANISMO: SEUS PRINCÍPIOS GERAIS E PROGRESSO

DE H. S. SALT

(Reimpresso da Westminster Review.) —x— LONDRES WILLIAN REEVES, 185 FLEET STREET. 1891 (p. 3)

HUMANITARIANISMO I

A Trajetória do Progresso Humanitário no Passado

            THE importance of names, not only as indicating the source of certain moral sentiments, but also as reacting in turn, according as they are well or ill constructed, on the minds of those who use them, has long been admitted. I am afraid the term “Humanitarianism” is not altogether a very happy or satisfactory compound. It is true that it begins auspiciously, by placing in its forefront so catholic and expressive a word as humanity; but having done this, it proceeds to disfigure its human aspect, like a centaur or a mermaid, by taking unto itself a series of formless and ungainly suffixes, until it finally “tails off” into that most unprepossessing of all terminations – an -ism. There is, moreover, an unfortunate ambiguity attaching to words of this class. The connection between human and humane is, indeed, of deep and natural significance, humaneness being felt to be essentially a property of humankind; but here the scholar steps in, and, claiming for himself the title of humanist, would see in the “Humanities,” as he calls them, nothing more than the study of polite literature; while the theologist, on his part, would interpret “humanitarian” as one who denies the divinity of Christ. I wish, therefore, at the outset to avow that by humanitarianism I mean nothing more and nothing less than the study and practice of humane principles – of compassion, love, gentleness, and universal benevolence.

(p. 4)

If the word, in the sense in which I use it, is associated in the minds of any of my readers with “sickly sentimentality,” I ask them to divest themselves of all such prejudice, until we have had time to look more closely into the principle in question.

            The existence of this principle, by whatever name we may choose to call it, has not escaped the notice of philosophers, from Aristotle to the present time. Here is a concise definition given by Wollaston in his Religion of Nature, published in 1759. “There is something in human nature, resulting from our very make and constitution, which renders us obnoxious to the pains of others, causes us to sympathize with them, and almost comprehends us in their case. It is grievous to see or hear (and almost to hear of) any man, or even any animal whatever, in torture.” It will be seen that the definition I have adopted is based on an intuitive appeal to consciousness, rather than on the utilitarian view of morals as a product of social life; there is, however, no need here to discuss the differences of the two schools of ethics, intuitive and utilitarian, on this point, since the principle itself is sufficiently recognized by both. Whether we follow Butler, in his assertion that compassion is “an original, distinct, particular, affection in human nature,” (1) or Hobbes, in his contrary contention, that it is “imagination, or fiction of future calamity to ourselves, proceeding from the sense of another man’s calamity,” (2) the result is much the same to the modern humanitarian, who is convinced that, in this question, natural feelings and the promptings of an enlightened self-interest must work towards the same end, so that it practically matters little whether the original motive-power is to be attributed to benevolence or

(p. 5)

selfishness. “All that the intuitive moralist asserts,” says Lecky, in his History of European Morals, “is that we know by nature that there is a distinction between humanity and cruelty, that the first belongs to the higher or better part of our nature, and that it is our duty to cultivate it.”

            But this view of humanity, as belonging to our higher nature, implies also the recognition of a lower nature, of which cruelty is a part. There appear to be two diverse and antagonistic impulses in the human mind, the one prompting to injury and destruction, the other to gentleness and love; while civilization itself is a record of the partial extinction of the baser element and the gradual development of the nobler. I would further premise that if humanity is to be regarded as a rational and consistent principle, to which civilized men may appeal with full confidence in its ultimate triumph and acceptance, it must rest on broad, firm grounds, and include, not men only, but all sentient beings, within the scope of its benevolence. “It is abundantly evident,” says Lecky, “both from history and from present experience, that the instinctive shock, or natural feelings of disgust, caused by the sight of the sufferings of men, is not generically different from that which is caused by the sight of the sufferings of animals.” “At one time,” says the same authority, “the benevolent affections embrace merely the family; soon the circle expanding includes first a class, then a nation, then a coalition of nations, then all humanity; and finally its influence is felt in the dealings of man with the animal world.”

            We see, therefore, that humanitarianism, in this large sense of far reaching benevolence, means something more than “philanthropy,” on the one hand, or “kindness to animals,”

(p. 6)

on the other; yet, important as the question is acknowledged to be, it is unfortunately a fact, that, with a few notable exceptions, writers on morals have not shown an inclination to discuss it very thoroughly, or fully to face the conclusions which it seems to indicate; they have bequeathed to us tomes of learned disquisitions on various interesting speculations, while they have for the most part stood aloof from a subject which might afford a substantial basis for a practical system of morals. Here, however, it may be well, before entering on a consideration of modern humanitarianism, to glance backward and take a brief historical retrospect of the progress of that principle to which the humanitarian appeals.

            Passing over, as mythical, the legends of the Golden Age (which, however, at least show that the idea of gentleness and humanity was in existence in very early times), we find the first definite inculcation of love and compassion for all sentient beings in the doctrines of Buddha, some five hundred years before the Christian era. “He who is humane,” says the Buddhist canon, “does not kill; this principle is imperishable.” Buddha himself, in the legends that have collected round his name, is represented as both preaching and practicing “love to all that live”; though the regenerating influences of the faith seem to have been somewhat deadened and restricted, in the later Buddhist church, by a despondent and pessimistic view of life and an excessive proneness to ritual observances. Almost contemporaneous with the rise of Buddhism in the East, and bearing a close resemblance to it in many of its doctrines, was the system established by Pythagoras in the West, which, though based on religious and social grounds rather than humanitarian, included among its ordinances the injunction “not to kill or injure any innocent

(p. 7)

animal,” while the doctrine of metempsychosis, which was a vital point in the Pythagorean, as well as in the Buddhist philosophy, must have extended human sympathies by creating a link, not only between man and man, but between mankind and the rest of animated Nature.

            Whether the teaching of Pythagoras exercised much permanent influence on subsequent Greek thought, as regards this question of humaneness, appears doubtful; but the natural humanity of the Greek temperament, as compared with that of other nations of antiquity, has often been the subject of remark. The Greek felt an instinctive repugnance to cruelty, bloodshed, and tyranny – a feeling which finds expression in many passages of Hellenic history and literature, and is illustrated by the significant fact that among the altars erected by the Athenians for the worship of various deities there was one sacred to Compassion. It is true that this gentleness was aesthetic rather than moral and that many terrible instances of cruelty and oppression might be quoted to the contrary from the records of the Peloponnesian wars. “With all their intellect and all their subtlety,” says a recent authority, (1) “the Greeks were wanting in heart. Their humanity was spasmodic, not constant. Their kindness was limited to friends and family, and included no chivalry to foes or to helpless slaves.” Nevertheless, after the conquests of Alexander and the consequent spread of civilization, this Greek humanity became distinctly cosmopolitan; and it was possibly to Greek influence that the Essenes – that strange Jewish sect whose history is still a matter of conjecture – owed somewhat of the singularly humane and benevolent spirit of their institutions. To the

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Essenes belongs the honour of having been the first who condemned, deliberately and on principle, the practice of slavery; they were themselves both communists and vegetarians; and, ascetics though they were, anticipated in an extraordinary degree some of the best features of modern humanitarianism. “They had in many respects,” says a writer in the Encyclopedia Britannica, “reached the very highest elevation attained by the ancient world; they were just, humane, benevolent, and spiritually minded.”

            The Romans were by nature far less humane than the Greeks, their policy as a conquering nation being to maintain, at whatever cost to their general character, a high standard of personal courage and hardihood, as exemplified in the typical instance of Cato the Censor, who, whatever his other virtues may have been, was assuredly not conspicuous for humanity. The two curses of the Roman Empire were the slave-system and the gladiatorial games; the latter especially being the cause of a frightful amount of human and animal suffering, against which the impassive Stoic philosophy, which may be called the religion of the early Empire, was unwilling or powerless to protest. Yet, in spite of this plague-spot of the amphitheatre, and the demoralisation resulting there from, the very immensity of the Roman dominions brought with it a sense of brotherhood and equality which took shape in humane thought and humane legislation, especially in reference to the position of slaves, even before the influence of Christianity was felt. Terence’s famous line –

Homo sum; humani nihil a me alienum puto,

was the forerunner of many humane sentiments, concerning both mankind and the lower creation, which may be found scattered through the works of Lucretius, Cicero, Virgil, Ovid,

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and all the writers of the Augustan era. But it was reserved for two philosophers of the first century to preach, in Latin and Greek respectively, in a fuller and more consistent form, the doctrine of compassion. Seneca’s ethical writings, and especially his essay on Clemency, were thoroughly steeped in humanitarian feeling; he condemned the harshness of masters to slaves, the inhuman treatment of criminals, the horrors of the Colosseum, and the cruel gluttony of the Roman table. Plutarch, developing still further the same line of reasoning, treated of the whole subject of man’s relations to the lower animals with tenderness and an insight far in advance of the ordinary thought of the present day. “He was probably,” says Lecky, “the first writer who advocated very strongly humanity to animals on the broad grounds of universal benevolence, as distinguished from the Pythagorean doctrine of transmigration. (…) He urges that duty with an emphasis and a detail to which no adequate parallel can, I believe, be found in the Christian writings for at least seventeen hundred years.”

            This brings us to a consideration of the influence exercised by the Christian religion on the ethics of humanity. The failure of the Pagan philosophers in this, as in other branches of moral science, had been due to no lack of personal wisdom and virtue on their part, but rather to their inability to supply any direct motive and quickening impulse, which should make humaneness the property, not of the select few, but of the less cultured many. This impulse was now, to some extent, supplied by the rise of a religion which, as regards mankind, was a gospel of love, peace, and good-will, though, as regards the lower animals, it was far less liberal and consistent than the

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morality of Plutarch and Pythagoras. The sacredness of human life, which was one of the fundamental doctrines of the early Christians, was instrumental in leading to the abolition or mitigation of much human suffering; the Church, at any rate in its earlier stages, gave no sanction to the barbarities of warfare and capital punishment, while it strongly condemned the practice of infanticide, so common under the Roman Empire, and laboured to mitigate the condition of slaves and prisoners, by recognizing the natural equality of all human beings. The institution of hospitals, in the West, was due to Christian influence, and charity, though not unknown to the Pagan world, was now organized and practised as it had never been before, and on principles which might put to shame much of the bastard almsgiving of modern times. “Some of the Fathers,” says Lecky, “proclaimed charity to be a matter, not of mercy, but of justice, maintained that all property is based on usurpation, that the earth by right is common to all men, and that no man can claim a superabundant supply of its goods, except as an administrator for others.” (1) Finally, the greatest and most unquestionable service rendered by the Christian Church to the cause of humanity, was the abolition of the gladiatorial contests in the Roman amphitheatre, with all their attendant horrors and bloodshed.

            Under the Churchdom of the Middle Ages, from the fifth to the fifteenth centuries, there was little progress in any sort of humaneness. The militant and tyrannical spirit of established Christianity, with its theological dogmatising, its “holy” wars, its cruel persecutions, its religious intolerance, and monstrous fiction of an eternal hell hereafter, was a

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grievous deterioration from the benign gentleness of its Founder; while the harsh and morbid asceticism of mediaeval thought contrasted unfavourably with the humane philosophy of such men as Seneca and Plutarch. “It should seem,” says a modern writer, (1) “as if the primitive Christians, by laying so much stress upon a future life, in contradistinction to this life, and placing the lower creatures out of the pale of hope, placed them at the same time out of the pale of sympathy, and thus laid the foundation for this utter disregard of animals in the light of our fellow-creatures.” The Catholic Church has at no period made adequate recognition of the rights of animals – the hermit-legends being all that it can claim in this direction during the Middle ages; and even the influence of the hermits over the animals they tamed was used to point a religious rather than a humane moral. St. Francis of Assisi was, however, a noble exception in this respect, his deep sympathy and sense of brotherhood with beast and bird standing out in strong contrast to that prevailing tone of cruelty and indifference which has caused Buddhists to speak of Christendom as the “hell of animals.” The best that we can say of these “dark ages,” on the score of humanity, is that the monasteries, like the old heathen temples, afforded a refuge to the outcast; that the establishment of hospitals and charitable institutions was further continued; and that the cessation of the gladiatorial contests was followed, in the seventh century, by the prohibition of the slaughter of animals in the arena – the Spanish bull-fights, however, surviving to modern times as an ugly relic of medieval barbarity.

            When the curtain rises, after this interval of a thousand

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years, on the drama of moral progress, we see at first a “revival of learning” in literature and science rather than in humane feeling; it is to the humanist rather than to the humanitarian that the Renaissance belongs. The age was a rough and cruel one, full of wars and plunderings, tortures and persecutions, inhumanity to man and beast, oppressive forest laws, and savage pastimes; it was, moreover, at this period that the System of negro-slavery began to come into existence; while, in Descartes’ theory, that animals are devoid of consciousness, was found a fresh excuse for their remorseless ill-usage. Nevertheless – since there is really a vital connection between humanity and humanism – there are many traces in the Renaissance literature of a reviving advocacy of the principle of compassion; More and Erasmus condemn the folly and cruelty of sport; humane sentiments are common in the writings of Shakespeare and Bacon; the essays of Montaigne in particular, breathe almost the spirit of eighteenth century humanitarianism. For not until the eighteenth century can we discover a deliberate and systematic recognition of humanitarian ethics – the eighteenth century was the age of “sensibility”; of the claims of man on man; of growing pity for the victims of war, pestilence, famine, and oppression; of a more humane and gentler tone in every branch of life. This tone is predominant in the works of a long list of poets of this epoch: Thomson, Gay, Pope, Goldsmith, Shenstone, Blake, Burns, and Cowper. Nor were the philosophers behindhand, Voltaire especially, as the chief exponent of the new gospel, declaring that “without humanity, that virtue which comprehends all virtues, the name of philosopher would be little deserved.” (1)

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            The agitation to abolish the slave-trade, commencing in the latter half of the eighteenth century and attaining its purpose in 1807, was one of a large number of similar philanthropic movements, which, from that time to this, have done much to humanize modern life, and to mitigate the harshness of various social institutions where cruelty had previously existed unchecked and almost unnoticed. From the date when Beccaria published his work On Crimes and Punishments in 1764, and Howard, a few years later, made his first inspection of prisons, public attention was attracted to the inhumanities of the Penal Code, with its frequent sentences of capital punishment or transportation for comparatively venial crimes; and it began to be recognized that the legislator’s object should be, not the degradation, but the reclamation, of the criminal. Lunacy also, which before the eighteenth century had been regarded as a species of diabolic possession or malice prepense on the part of the lunatic, now for the first time excited the pity of society; and madmen, instead of being burnt for witchcraft or chained and tortured like wild-beasts, were treated as suffering fellow-beings. The Factory Acts, again, are another and later example of the working of the same humane spirit; while the Poor Laws (though their present administration is too much in the interests of the wealthy classes, and forms an exception to the general humanitarianism of the age) were at least humane in their origin. Nor have the benefits of this great humanitarian movement of the last hundred and fifty years been restricted to mankind alone. Bentham, one of the most earnest advocates of animal’ rights, asserted boldly that “the question is not can they reason? Nor can they speak? But can they suffer?” And in 1822 the English Parliament, by the passing of “Martin’s Act,” inaugurated a

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new and important chapter in the history of humanity, by conceding the principle that the non-human races have a claim to legislative protection – a precedent which has since been emphasized by a series of similar enactments.

            To enumerate the humane writers of a period where all are more or less tinged with humanitarian sentiment, is neither desirable nor possible; it must be stated, however, that in the writings of Schopenhauer humanitarianism has attained its fullest and most philosophical development. In his Foundation of Morality he takes as his moral basis “a compassion without limits, which unites us with all living beings”; in this, he adds, “we have the most solid, the surest guarantee of morality.” On this underlying sentiment of Compassion he grounds the two cardinal virtues of Justice and Love – the former a negative, the latter an active, principle; the one restraining us from doing injury and wrong, the other prompting us to help, succour, and relieve. Whether Schopenhauer be correct in the exact position he assigns to Justice and Love in their relation to Compassion, is open to question; but it seems certain that the sense of compassion and the sense of justice are in some measure akin; the pity which the humanitarian feels for suffering is usually evoked by, or connected with, the belief that this suffering is undeserved – in other words, it is a protest against the injustice of destiny or man. The humanitarian movement is thus founded on natural sympathy, and this being so, it will be advanced, and not retarded, by the doctrine of evolution, which tends to restore, on a scientific basis, the old Pythagorean notion of the unity of man with Nature, and the sense of universal fellowship and brotherhood. “The doctrine of metempsychosis,” says Strauss, (1)

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“knits men and beasts together here [in the East], and unites the whole of Nature in one sacred and mysterious bond. It is remarkable that at present a deeper sympathy with the animal world should have arisen among the more civilized nations, which manifests itself here and there in societies for the prevention of cruelty to animal. It is thus apparent that what on the one hand is the product of modern science – the giving up of the spiritualistic isolation of man from Nature – reveals itself simultaneously through the channel of popular sentiment.”

NOTES (to Part I)

(4:1) Sermon on “Compassion.”

(4:2) Human Nature, IX, 10.

(7:1) Prof. Mahaffy, in his Social Greece.

(10:1) History of European Morals, II, 86.

(11:1) Mrs. Jameson, Book of Thoughts, Memories, and Fancies (1854).

(12:1) Quoted in Mr. Howard Williams’ Ethics of Diet (Heywood, 1883), a work to which I am indebted for many of the facts above mentioned.

(14:1) The Old Faith and the New, p. 234, translated by Mathilde Blind.

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II

A Atual Posição do Humanitarismo

            SUCH being the course of humane progress in the past, let us now consider what is the present position of humanitarianism, its purpose, and its scope. It is founded, if I understand it rightly, on the instinct of compassion, an instinct which, if not original in our nature, is an acquisition of such an early date as to be practically original – while closely allied with this compassion is the kindred sense of justice. The object of humanitarianism is to prevent the perpetration of cruelty and wrong – to redress the sufferings, as far as is possible, of all sentient life; to effect which, it must attempt to educate and organize this innate instinct into a definite and rational principle. I say as far as is possible; for I do not, of course, deny that compassion, when it assumes a practical form, must experience, for a time at any rate, restrictions and limitations. We cannot always give effect to our compassionate

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promptings, since in some cases they may be curtailed or negatived by the other and still more powerful motive of self-preservation, or by a rival and countervailing impulse of compassion itself. But such limitation, so far from rendering the duty of humaneness nugatory and void, seems, on the contrary, to emphasize its urgency and importance in all cases where there is no obstacle that is confessedly insurmountable.

            There can be no doubt whatever as to the immense amount of present suffering which claims the attention of the humanitarian. Indeed, one is inclined to believe that as the virtue of compassion becomes more conscious, rational, and pronounced, so too does the corresponding vice of cruelty or indifference become more malignant and incorrigible, retreating stubbornly as it is driven back, point by point, from argument to argument, and ever ready to fortify itself anew in some remaining stronghold of intellectual sophistry. The demon of misery, like the Proteus of Greek legend, takes new forms as we strive to bind him with the bonds of reason and humanity; the curse of one age is physical violence – exorcise it, and it rises up again in the shape of plutocratic ascendency. Human life, which is now so carefully safeguarded against pillage and slaughter, is ever being slowly undermined by the insidious ravages of poverty, which at the present time is probably the cause of tenfold more human misery than any other plague whatsoever; we are aghast at the notion of open bloodshed, but meantime starvation is doing its fatal work in our great cities, more quietly perhaps, but with none the less deadly effect. So, too, with the sufferings of animal; we have left far behind us the cruelties of the old religious sacrifice, the Roman amphitheatre, and the medicinal nostrum; but we tolerate,

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or even applaud, the professions of the butcher, the sportsman, and the vivisector; the rage for “killing something” is one of the most popular fashions of modern times – “everywhere,” it has been well said, “it is absolutely a capital crime to be an unowned creature.”

            The saddest fact of all is that our class-supremacy is so largely and directly based on class-degradation, and that the society of to-day, in its frenzied hunt for wealth, has so completely lost sight of that old Roman adage – “one man’s profit is another man’s ruin.” (1) It is the simple truth that our ordinary, average, well-to-do Englishmen, through no individual fault or special hard-heartedness of their own, but through the callous indifferentism of the society of which they are a product and a part, are in great measure fed, clothed, sheltered, and amused by a long-continued series of human and animal suffering; it may be said of them, in the words of Keats:

“For them the Ceylon diver held his breath,

            And went all naked to the hungry shark;

For them his ears gush’d blood; for them in death

            The seal on the cold ice with piteous bark

Lay full of darts; for them alone did seethe

            A thousand men in troubles wide and dark:

Half-ignorant, they turned an easy wheel,

            That set sharp racks at work, to pinch and peel.”

            Against these and other forms of human and animal suffering the humanitarian protests, appealing to that common instinct of humanity and justice which he assumes, and rightly assumes, to be inherent, however imperfectly developed, in every human heart. And if the appeal is too often made in vain,

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the cause of such failure is to be sought in the lack of any well-defined and unmistakable standard of humaneness, which might form the basis of a mutual understanding, since in so complex a society more is needed than the mere appeal to the original instinct of compassion. For here it is that infinite mischief is done by the too common confusion between sentiment and sentimentality. Much of our so-called “charity” and “philanthropy” is purely sentimental, succeeding only in diverting interest and enthusiasm from these enterprises in which some thoroughly humane purpose is at stake. It is only by the adoption of some broad and rational principle that the energy at present absorbed into this partial and short-sighted philanthropy can be reclaimed and turned to good account in the service of humanitarianism; and the same remedy is indispensable if we are ever to overcome the cruelty, or let us rather call it indifference, with which the well-to-do classes too often reject the appeals that are made to them on behalf of the victims of social injustice. For, putting out of consideration the active vindictiveness which may be engendered of anger or malice, cruelty, in nine cases out of ten, is duo to a want of sensibility and sympathy – in other words, of imagination; the cruel man is cruel because he cannot put himself in the place of these who suffer, cannot feel with them and imagine the misfortunes from which he is himself exempt. The cure for cruelty is therefore to induce men to cultivate a sympathetic imagination; but the difficulty of effecting this is enormously increased by the fact that the duty of humanity, as at present preached and understood, is so very vague, partial, and intermittent. As long as certain favoured aspects of humaneness are exclusively insisted on, as long as pity is felt and expressed for this or that particular form of human suffering,

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while others of equal or greater importance are neglected or ridiculed; as long as the compassion which is claimed for men is denied to animal or extended only to certain classes of animal – so long will it be difficult to appeal successfully from the narrow selfishness of personal interests to the higher and nobler sentiment of universal brotherhood.

            That a lack of humanity in any particular direction tends ultimately to produce an indifference to humanity in general, is, I think, indisputable. I do not mean, of course, to assert that all individuals who are cruel in one instance are thereby, to any perceptible degree, incapacitated from being humane in others; on the contrary, it has been part of my object to show that the inconsistency of men in this respect is a real and honest inconsistency, and for that very reason the more difficult to cope with; the human mind possessing an extraordinary faculty for seeing one fact very plainly, while it overlooks others that are equally within its scope. Hogarth, in his Four Stages of Cruelty, depicts his villain, Tom Nero, first as a boy torturing a dog; then as a coachman ill-using his horse; then as the murderer of his sweetheart; and, finally, as the corpse of a hanged criminal undergoing surgical dissection. This is certainly a very remarkable and appalling chain of events; but I doubt if the Tom Neros of real life could ever “be greatly impressed by it, for it savours too much of that inventive school of morality which, in defiance of real facts, inculcates the pious theory that Don’t-care comes to a bad end. There is far more truth in Lecky’s statement that human affections are so capricious that the same man may be both kind and cruel without conscious self-contradiction. He instances Spinoza, who, being one of the gentlest of men, used nevertheless, to amuse himself by putting flies into spiders’-webs; and

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Marat, who, though of a contrary disposition, used to keep doves. A “humane sportsman” is, properly speaking, a contradiction in terms; and when Izaak Walton remarks, “I am not of a cruel nature; I love to kill nothing but fish,” one is reminded of Byron’s utterance concerning a certain “old cruel coxcomb.” Yet, in a narrower sense, gentleness and ungentleness (such is the inconsistency of human nature) are often observed to be alternate inmates of the same mind; humane torture there cannot be, but the torturer may, at other times, and under other aspects, be humane. “There are unquestionably,” says Leigh Hunt, (1) “many amiable men among sports men, who, as the phrase is, would not ‘hurt a fly’ – that is to say, on a window; at the end of a string the case is altered.”

            But while admitting the existence of this duality of temperament in individual cases, I cannot doubt that familiarity with the sight of suffering, whatever that suffering may be, must insensibly, in the long run, affect and weaken the operation of the compassionate instinct, and that humaneness, as a general, principle, must suffer from being confined to certain favoured objects. “The legislator,” says Bentham, (2) “ought to interdict everything which may serve to lead to cruelty. The barbarous spectacles of gladiators without doubt contributed to give the Romans that ferocity which they displayed in their civil wars. A people accustomed to despise human life in their games could not be expected to respect it amid the fury of their passions. It is proper for the same reason, to forbid every kind of cruelty towards animal, whether by way of amusement or to gratify gluttony. (…) Why should the law

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refuse its protection to any sensitive being? The time will come when humanity will extend its mantle over everything which breathes. We have begun by attending to the condition of slaves; we shall finish by softening that of all the animal which assist our labours or supply our wants.”

            The moral of the whole matter appears to be that, if we are to study humanitarianism with profit either to ourselves or to the objects of our benevolence, we must study it rationally, as a definite branch of moral science, and not as a dilettante, fair-weather amusement, to be taken up here, and let alone there, according as may suit our passing whims and inclinations. A year or two ago there was an account in the newspapers of a pathetic sermon addressed by a London clergyman to a fashionable West-end audience concerning the sufferings of cab-horses, and “many were the tears,” said the reporter, “that were shed on the sumptuous sealskins of that deeply affected congregation.” Here was exactly the sort of spasmodic sentimentality to which I have made allusion – a cheap compassion for the ill-used cab-horse, side by side with complete forgetfulness of the equally ill-used sea-cow. The hunting of the seal, it is well-known, involves such brutalities that even the roughest sailors and fishermen need first to become hardened to the work; ladies, however, like to wear sealskin mantles, on which they shed tears of compassion – not for the evil condition of animal in general, nor even for the sea-cow in particular, but at the picture drawn by a popular preacher of that system of vehicular traffic into which (when the tears are dried) they will doubtless continue to sell their own superannuated chargers.

            Again, can we wonder, all things considered, that,

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in spite of the outcry raised about “slaughtered songsters,” women still persist in wearing feathered corpses, and fragments of corpses, in their hats and bonnets? And who shall blame them for doing so, unless he is able to refer them to some unmistakable standard of humanity, under which such hideous ornamentation would be impossible? There are a number of futile cries that are raised at times on these matters, as, for instance, the desperate appeal to the tender mercies of women. “I think women could do a great deal in this question,” says Sir Arthur Helps, in his Animal and their Masters. What can women do, where men fail? And how can either men or women do much, unless they know their own minds and have thought the matter out with some approach to consistency? So, too, with the equally impotent plea for mercy to the lower animal because they are “dumb.” “What an immense exhortation,” says Sir Arthur Helps, “that is to pity.” But in reality it is men who are deaf, rather than animal who are dumb, and it is to be feared that epithets and names of this sort, so far from being an incentive to kindness, have a precisely contrary effect. Richard Jefferies characteristically denounced the term pauper as an “inexpressibly wicked word”; and in like manner there is a sinister influence in the nomenclature which has invented such phrases as “brute beasts,” “live-stock,” and “dumb animal.”

            In thus pointing out how a partial and one sided humanitarianism may retard the progress of a rational philosophy of compassion, I do not, of course, forget that many noble deeds have being done, and are still being done in the service of humanity, by men who have singled out some particular form of cruelty for exposure and reprobation. Whatever short-sightedness may at times be

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detected in philanthropic endeavour, there is a far greater inconsistency in the attitude of most so-called “men of the world,” who, while practically admitting the validity of the instinct of compassion (for there are very few who do not in some way practise or appeal to it), not only refrain from cultivating it in their own characters, but are often ready to ridicule and withstand the humanitarianism of others. If compassion be not in reality a virtue, or do not possess the importance attributed to it by philosophers and moralists, then by all means let the fact be avowed by these who hold this opinion, and let them frame a programme for the future guidance of society in which pity shall have no part. But if we still believe in the efficacy of sympathy, love, and the link of universal brotherhood, then I submit that this compassionate instinct demands from us a more systematic study than it has hitherto received: it deserves better than to be rejected with cold indifference or advocated with ill-balanced enthusiasm. Why should we drift on without a guiding principle – saving life with one hand, only to take it with the other; asserting the sacredness of human existence, while we know that fellow-creatures all around us are worse than dying under the death-in-life of penury and distress; sentimentalising, when we walk abroad, about our love for the beasts and birds in meadow and woodland, and then returning home to display our still stronger liking for them, as they appear on our dinner-tables in their other and more familiar aspect? Instead of fostering that dull insensibility which is closely allied to cruelty, we must cultivate the higher and more imaginative moral instincts, so that the immense power of habit, which has hitherto been uniformly opposed to humaneness, may now be enlisted in its behalf. But the humaneness which we advocate must, if not wholly

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consistent, be at least consistent enough to harmonize with our compassionate instincts, so far as they are yet developed.

            I make this limitation, because it must be conceded that in humanitarianism, as in other branches of ethics, absolute consistency is impossible. Morality being progressive, there is no given point in our moral development where we can hold a perfectly logical and unassailable position; there are always indications of a further forward movement and an expansion of the whole moral horizon; so that it may be prognosticated that our sympathies, as they advance, will embrace a wider and ever widening circle, and there will never be a final and absolute standard of humanitarian ethics. For this reason, humanitarians need not be greatly concerned, if, in advocating the further extension of the scope of benevolence, they lay themselves upon to the time-honoured argument which usually begins with the formula, “Where will you draw the line?” Let the line be drawn – if where all is shifting and progressive there can be said to be a line at all – at the point indicated by human compassion, provided always that this compassion has been allowed free growth, and has not been artificially stunted and crippled by prejudice and habit.

            It must be granted that there are certain complex and difficult questions (as, for instance, the right of civilized nations to interfere with savage tribes, or the right of mankind to enslave the lower animal), the full solution of which must be left to some future generation, the time being not yet ripe for the moralization of subjects which at present do not evoke any definite moral feeling. But because the whole journey cannot be accomplished at one stride, it does not follow that no step should be taken; the humanitarian should attack the worst

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abuses first, and decline to be led astray from the path of reform by the reproach that he has not attained to an absolute and impossible consistency. But that other incongruity, of attacking minor abuses, while he leaves the grosser ones unchallenged, he cannot afford to overlook; for if he do so he cuts the ground from under his own feet, and retards the very movement of which he desires the advancement. These gradations of humanity, which, if not logical, are at least natural and unavoidable, are indicated, as I have already said, by the instinct of compassion, which is excited in proportion, not only to the amount of the suffering, but also to the nearness, and, above all, the sensibility of the sufferer. The more keenly the agony is felt, the greater is the duty of the humanitarian to relieve it.

            At the same time I venture to surmise (at the risk of being thought too fanciful) that the scope of humane feeling will gradually be expanded until it includes much that is at present held to be outside the pale of sympathy. “There is a certain respect, and a general duty of humanity,” says Montaigne, “that ties us not only to beasts that have life and sense, but even to trees and plants. We owe justice to men, and grace and benignity to other creatures that are capable of it. There is a natural commerce and mutual obligation betwixt them and us.” This suggests the further reflection, that humaneness bears a close affinity to the love of beauty, there being a natural connection between the horror with which we witness human or animal torture and the disgust excited by the wanton desecration of any beautiful scene – the destruction of a growing tree, or the pollution of a clear river. There could scarcely be a better profession of the humanitarian faith than that contained

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in one of the rules of Ruskin’s Society of St. George. “I will not kill nor hurt any living creature needlessly, nor destroy any beautiful thing; but will strive to save and comfort all gentle life, and guard and perfect all natural beauty upon the earth.” Which is to prevail – the humane instinct, which has been developed, step by step, into this doctrine of humanitarianism, or the savage instinct, a relic of prehistoric barbarity, which prompts us to a cruel self-aggrandisement without regard to the sufferings of others? It is no exaggeration to say that the answer which history shall give to this question will largely determine the future course of civilized society.

            The present age is confessedly one of transition, in religious and moral belief; the old faiths are dying or dead, and we look for some new motive-power to take their place in the future. This coming creed, which shall interpret and reconcile the Babel of conflicting utterances by which we are now bewildered, seems likely to be none other than a religion of humanity – humanity in no narrower sense than compassion, love, justice for every living creature; for in proportion as such gentleness is more and more inculcated and practised shall we be drawing nearer and nearer to a true civilization, a society in which all harmless and healthy life shall be free to develop itself unrestricted and uninjured. It has been the object of this paper to show that there is a natural and necessary correlation between the various phases of humane sentiment, and that, if one be recognized, it is unreasonable to refuse acceptance to the rest.

            What has been said of humanitarianism as a saving and guiding faith is no mere supposition. Great changes cannot

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be effected in a day, and the existence and strength of the contrary tendency to that which I have advocated, must be admitted and reckoned with. But in Compassion, whether we regard it as a primary instinct or an acquired faculty, there is a solid and incontrovertible basis, on which may be founded, and indeed has been founded, an ethical creed, which has the advantage of being at once popular and philosophical, appealing unmistakably to the sympathy and the intellect of the wisest and the simplest of mankind. Humanitarianism has done much in the past to alleviate misery and suffering, in spite of the many obstacles by which its progress has been retarded: it will do still more in the future, if its leading principle, once deliberately adopted, be followed out, rationally and fearlessly, to its just and inevitable conclusion.

NOTES (to Part II)

(17:1) Lucrum sine damno alterius fieri non potest. Publius Syrus.

(20:1) Table Talk.

(20:2) Principles of Penal Law, chap. XVI.

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Manifesto da Liga Humanitária

            THE Humanitarian League has been established in the belief that the promulgation of a high and positive system of morality in the conduct of life, in all its aspects, is one of the greatest needs of the time. It will assert as the basis of that system an intelligible and consistent principle of humaneness, viz.: that it is iniquitous to inflict suffering, directly or indirectly, on any sentient being, except when self-defence or absolute necessity can be justly pleaded – the creed expressed by Wordsworth in his well-known lines,

“Never to blend our pleasure or our pride

With sorrow of the meanest thing that feels.”

            This principle the Humanitarian League will apply and emphasise in those cases where it appears to be most flagrantly overlooked, and will protest not only against the cruelties inflicted by men on men, in the name of law, authority and conventional usage, but also (in accordance with the same sentiment of humanity) against the wanton ill-treatment of the lower animals.

            The Humanitarian League will therefore demand the thorough revision and more equitable administration of the present Criminal Code, under which a very large amount of injustice and oppression is still frequently perpetrated.

            It will deprecate the various provocations and incentives to aggressive warfare, and will point to the evils that result from the ever-increasing array of military and naval armaments.

            It will insist on the recognition by the community of its primary duty – the protection of the weak and helpless, and will urge the need of amending a condition of society under which a large portion of the people is in a state of chronic destitution.

            Furthermore, in view of the increasing evidence of the sufficiency of a non-flesh diet, the Humanitarian League will aim at the prevention of the terrible sufferings to which countless numbers of highly-organised animal are yearly subjected through the habit of flesh-eating, which is directly responsible for the barbarities of the cattle-traffic and the shambles, and will advocate, as an initial measure, the abolition of private slaughter-houses, the presence of which in our large centres is admitted to be a cause of widespread demoralisation.

            It will contend that the practice of vivisection is incompatible with the fundamental principles both of humanity and sound science, and that the infliction of suffering for ends purely selfish, such as sport, fashion, profit, and professional advancement, is largely instrumental in debasing the general standard of morality.

            The Humanitarian League will look to its members to do their utmost, both in private and public, to promote the above-mentioned scheme. Its work will involve no sort of rivalry with that of any existing institution; on the contrary, it is designed to supplement and reinforce such efforts as have already been organised for similar objects. The distinctive purpose and guiding policy of the League will be to consolidate and give consistent expression to these principles of humaneness, the recognition of which is essential to the understanding and realisation of all that is highest and best in Humanity.

Communications to be addressed to the Hon. Secretary,

38 Gloucester Road, Regents Park, London, N.W.

(p. 29)

LIGA HUMANITÁRIA

—- x —-

AOS ASSOCIADOS E AMIGOS

            THOSE who wish to help the Humanitarian League can do so in the following ways:

I. By becoming members and inducing others to do the same. The condition of membership is the acceptance of the general principle (not necessarily of the complete programme) set forth in the Manifesto.

II. By subscribing liberally. The minimum annual subscription is half-a-crown, a subscriber being entitled to receive a copy of each pamphlet issued by the League.

III. By uniting in simultaneous efforts to direct public attention to the purposes of the League. This can be done by personal influence, by public lectures, by papers read before debating societies, by letters addressed to local journals, etc. The Committee proposes to take up from time to time such questions as may seem to be especially urgent or opportune, and to issue a uniform series of numbered pamphlets dealing successively with these subjects.

IV. By bringing the League’s publications to the notice of Members of Parliament, County Councillors, vestrymen, newspaper editors, magistrates, ministers of religion, school-teachers, secretaries of clubs and ethical societies, librarians, lecturers, and all who are in a position to give help. Local booksellers should be requested to keep the series in stock. The publisher is Mr. Wm. Reeves, 185 Fleet Street, E.C. Members can obtain copies on special terms, by application to the Hon. Secretary.

V. By furnishing the Executive Committee with any information that is likely to be of value. Members or friends who have made a special study of any particular branch of humanitarianism, and are willing to lecture or write thereon, or to make a donation towards the issue of a pamphlet on that subject, are requested to communicate with the Hon. Secretary.

Communications to be addressed to the Hon. Secretary,

38 Gloucester Road, Regents Park, London, N.W.

(p. 30)

Livros/Revista Recomendadas

The Perfect Way. By Anna Kingsford and Edward Maitland.

The Perfect Way in Diet. By Anna Kingsford.

Clothed with the Sun: Being the Illuminations of Anna Kingsford. Edited by Edward Maitland.

Dreams and Dream Stories. By Anna Kingsford. Kegan Paul, Trench, Trubner & Co. Ludgate Hill.

Vegetarianism in Connection with the Religion of Humanity. By William Frey.

            Part I, Moral Considerations.

            Part II, Scientific Proofs. (Each part complete in itself.)

The Hygienic Advertiser. Monthly. From Ernest May, Harlesden Grove, London, N.W.

The Ethics of Diet. By Howard Williams, M.A.

A Plea for Vegetarianism, and other Essays. By H.S. Salt.

The Vegetarian Messenger. Monthly. The Vegetarian Society, 75, Princess Street, Manchester.

The Animal Guardian. Monthly. 32, Sackville Street, Piccadilly.

The Vegetarian. Weekly. Memorial Hall, Farringdon Street, E.C.

Seed-time. The Organ of the New Fellowship, Quarterly. 29, Doughty Street, W.C.

The Christian Socialist. Monthly. William Reeves, 185, Fleet Street, E.C.

Brotherhood. Monthly. William Reeves, 185, Fleet Street, E.C.

The Animal World. Monthly. Partridge, 9, Paternoster Row, E.C.

Band of Mercy. Monthly. Partridge, 9, Paternoster Row, E.C.

The Zoophilist. Monthly. 28, Little Queen Street, W.C.

Nature Notes. The Selborne Society’s Magazine, Monthly. H. Sotheran, 136, Strand.

The Herald of Health. Monthly. 23, Oxford Street.

(p. 31)

Printed by M. SAHUD, at the New Fellowship Press, 26, Newington

Green Road, London, N.

http://www.anna-kingsford.com/portugues/outras_obras_relacionadas/obras_relacionadas/OOR-P-SaltHuman.htm

fevereiro 15, 2011 / rodaecruz

Banco de dados: Religiões no mundo

Banco de Dados / Religiões no mundo

País Religião (% de cada religião) Ano
Albânia islamismo 38,8%, cristianismo 35,4% (católicos 16,8%, ortodoxos 16,1%, outros 2,6%), sem religião 16,6%, ateísmo 9%, bahaísmo 0,2% 2000
Alemanha cristianismo 75,8% (protestantes 37%, católicos 34,9%, outros 6,7% – dupla filiação 2,8%), sem religião 17,2%, outras 4,8%, ateísmo 2,2% 2000
Andorra cristianismo 93,4% (católicos 89,2%, outros 4,3%), sem religião 5%, outras 1,5% 2000
Angola cristianismo 94,1% (católicos 62,1%, protestantes 15%, outros 16,9%), crenças tradicionais 5%, sem religião e ateísmo 0,9% 2000
Arábia Saudita islamismo 93,7%, cristianismo 3,7% (católicos 2,9%, outros 0,9%), outras 2%, sem religião 0,6% 2000
Argentina cristianismo 92,9% (católicos 91,2%, outros 14,7% – dupla filiação 13%), outras 4%, sem religião 2,3%, ateísmo 0,8% 2000
Austrália cristianismo 79,3% (católicos 28,6%, anglicanos 21,5%, protestantes 13,9%, sem filiação 12,6%, outros 9,4% – dupla filiação 6,7%), sem religião 14,5%, outras 4,4%, ateísmo 1,7% 2000
Áustria cristianismo 89,8% (católicos 75,5%, outros 14,2%), sem religião 6,8%, outras 2,5%, ateísmo 0,8% 2000
Bahamas cristianismo 92,3% (protestantes 54,5%, católicos 15,6%, anglicanos 8,9%, outros 13,2%), sem religião 5,3%, outras 2,3% 2000
Barein islamismo 82,4%, cristianismo 10,5% (independentes 4,4%, católicos 4,1%, outros 2%), hinduísmo 6,3%, sem religião 0,5%, outras 0,4% 2000
Belarus cristianismo 70,3% (ortodoxos 48,7%, católicos 13,2%, sem filiação 5,9%, outros 2,5%), sem religião 24%, ateísmo 4,9%, outras 0,9% 2000
Bélgica cristianismo 88,3% (católicos 80,9%, outros 7,3%), sem religião 5,8%, outras 4,1%, ateísmo 1,7% 2000
Belize cristianismo 90,8% (católicos 56,8%, protestantes 16,4%, sem filiação 9%, outros 8,7%), bahaísmo 2,9%, hinduísmo 2,3%, outras 3,2%, sem religião 0,8% 2000
Benin crenças tradicionais 51,5%, cristianismo 28% (católicos 20,8%, outros 7,2%), islamismo 20%, sem religião e ateísmo 0,3%, outras 0,3% 2000
Bolívia cristianismo 94,1% (católicos 88,3%, protestantes 6,4%, outros 3,9% – dupla filiação 4,5%), outras 4,1%, sem religião e ateísmo 1,7% 2000
Bósnia-Herzegóvina islamismo 60%, cristianismo 35% (ortodoxos 17,6%, católicos 17,2%, outros 0,2%), sem religião e ateísmo 5% 2000
Brasil cristianismo (católicos 73,6%, evangélicos 15,4%), espiritismo, judaismo, cultos afro-brasileiros e outros (10,8%) 2000
Burkina Fasso islamismo 48,6%, crenças tradicionais 34,1%, cristianismo 16,7% (católicos 9,5%, outros 7,2%), sem religião 0,7% 2000
Burundi cristianismo 91,7% (católicos 57,2%, sem filiação 14,7%, protestantes 12%, outros 7,8%), crenças tradicionais 6,7%, outras 1,6%, sem religião 0,1% 2000
Cabo Verde cristianismo 95,1% (católicos 97,4%, outros 7,7% – dupla filiação 10%), outras 4,1%, sem religião 0,8% 2000
Camarões cristianismo 54,2% (católicos 26,5%, protestantes 20,7%, outros 7%), crenças tradicionais 23,7%, islamismo 21,2%, sem religião e ateísmo 0,4%, bahaísmo 0,4% 2000
Canadá cristianismo 79,5% (católicos 41,8%, protestantes 17,2%, sem filiação 14,5%, outros 11,3% – dupla filiação 5,3%), sem religião 10,9%, crenças populares chinesas 2,5%, ateísmo 1,7%, outras 5,4% 2000
Catar islamismo 82,7%, cristianismo 10,4% (católicos 6%, outros 4,3%), outras 4,6%, sem religião 2,3% 2000
Chade islamismo 59,1%, cristianismo 22,8% (protestantes 10,2%, católicos 6,6%, outros 6%), crenças tradicionais 17%, bahaísmo 1,1%, sem religião 0,1% 2000
Chile cristianismo 89,2% (católicos 77,6%, independentes 25,1%, outros 7% – dupla filiação 20,5%), sem religião 7%, ateísmo 2,5%, outras 1,2% 2000
Colômbia cristianismo 96,7% (católicos 96,1%, outros 4,6% – dupla filiação 2,8%, desfiliados 1,1%), outras 1,9%, sem religião e ateísmo 1,4% 2000
Congo cristianismo 91,2% (católicos 49,3%, protestantes 17%, outros 24,9%), crenças tradicionais 4,8%, sem religião e ateísmo 2,1%, outras 2% 2000
Costa do Marfim crenças tradicionais 37,6%, cristianismo 31,8% (católicos 14,8%, independentes 9,3%, outros 7,7%), islamismo 30,1%, sem religião 0,3%, outras 0,3% 2000
Costa Rica cristianismo 96,6% (católicos 91%, outros 13,2% – dupla filiação 7,6%), outras 1,8%, sem religião e ateísmo 1,7% 2000
Croácia cristianismo 95,2% (católicos 88,5%, outros 6,8%), outras 2,4%, sem religião e ateísmo 2,4% 2000
Cuba cristianismo 44,5% (católicos 39%, outros 5,4%), sem religião 29,8%, espiritismo 17,9%, ateísmo 7,2%, outras 0,6% 2000
Dominica cristianismo 94,8% (católicos 79,3%, protestantes 15,8%, outros 6,4% – dupla filiação 6,7%), outras 5%, sem religião 0,1% 2000
El Salvador cristianismo 97,6% (católicos 91,2%, outros 21,9% – dupla filiação 15,5%), sem religião e ateísmo 1,6%, outras 0,8% 2000
Emirados
Árabes Unidos
islamismo 75,6%, cristianismo 11,1% (católicos 5,1%, ortodoxos 2,9%, outros 3,1%), hinduísmo 7,6%, outras 4,6%, sem religião e ateísmo 1,2% 2000
Equador cristianismo 97,6% (católicos 94,1%, outros 5,5% – dupla filiação 2%), sem religião e ateísmo 1,5%, outras 0,8% 2000
Eslováquia cristianismo 85,6% (católicos 67,9%, protestantes 11,1%, outros 6,5%), sem religião 10,6%, ateísmo 3,7%, judaísmo 0,1% 2000
Eslovênia cristianismo 92,1% (católicos 83,5%, sem filiação 4,7%, outros 3,9%), sem religião 5,2%, ateísmo 2,6%, islamismo 0,1% 2000
Espanha cristianismo 93,6% (católicos 96,1%, outros 1,7% – dupla filiação 0,7%, desfiliados 3,5%), sem religião e ateísmo 5,7%, islamismo 0,5% 2000
Estados Unidos cristianismo 84,7% (independentes 28,2%, protestantes 23,2%, católicos 20,8%, outros 22,4% – dupla filiação 9,9%), sem religião 9%, outras 6%, ateísmo 0,4% 2000
Filipinas cristianismo 89,7% (católicos 82,4%, independentes 18,9%, outros 8,1% – dupla filiação 19,7%), islamismo 6,2%, outras 3,2%, sem religião e ateísmo 0,9% 2000
França cristianismo 70,7% (católicos 82,3%, outros 6,5% – dupla filiação 5,6%, desfiliados 12,5%), sem religião 15,6%, islamismo 7,1%, ateísmo 4%, outras 2,6% 2000
Gabão cristianismo 90,6% (católicos 60,8%, protestantes 19%, independentes 14,7%, outros 2,7% – dupla filiação 6,6%), islamismo 4,6%, outras 3,7%, sem religião e ateísmo 1,2% 2000
Granada cristianismo 97% (católicos 56,3%, protestantes 20,4%, anglicanos 15,4%, outros 5,7% – dupla filiação 0,8%), outras 2,5%, sem religião 0,5% 2000
Guatemala cristianismo 97,7% (católicos 84,3%, protestantes 12,7%, outros 14,4% – dupla filiação 13,7%), sem religião e ateísmo 1,8%, outras 0,4% 2000
Guiana cristianismo 51% (protestantes 19,6%, católicos 10,1%, anglicanos 8,9%, sem filiação 7,6%, outros 4,8%), hinduísmo 32,5%, islamismo 8,1%, outras 6,4%, sem religião e ateísmo 1,9% 2000
Guiné Equatorial crenças tradicionais 45,2%, islamismo 39,9%, cristianismo 13,2% (católicos 11,6%, outros 3,8% – dupla filiação 2,2%), sem religião e ateísmo 1,6% 2000
Guiné-Bissau cristianismo 88,4% (católicos 86,3%, outros 8,9% – dupla filiação 6,8%), islamismo 4,1%, sem religião e ateísmo 4,9%, outras 2,7% 2000
Haiti cristianismo 95,8% (católicos 79,3%, protestantes 17,5%, outros 10% – dupla filiação 11%), outras 2,7%, sem religião 1,4% 2000
Holanda
(Países Baixos)
cristianismo 80,4% (católicos 34,5%, protestantes 26,9%, sem filiação 15,3%, outros 3,9%), sem religião 12,9%, islamismo 3,8%, outras 1,6%, ateísmo 1,3% 2000
Honduras cristianismo 97% (católicos 86,2%, outros 14,3% – dupla filiação 3,5%) outras 1,9%, sem religião e ateísmo 1,1% 2000
Hungria cristianismo 87,3% (católicos 63,1%, protestantes 25,5%, outros 3% – dupla filiação 4,3%), sem religião 7,4%, ateísmo 4,2%, outras 1,1% 2000
Ilhas Salomão cristianismo 95,7% (anglicanos 38,2%, protestantes 35,8%, católicos 10,8%, outros 10,9%), outras 3,9%, sem religião 0,3% 2000
Irlanda cristianismo 97,2% (católicos 84,7%, outros 12,4%), sem religião e ateísmo 2,5%, outras 0,3% 2000
Israel judaísmo 77,1%, islamismo 12%, cristianismo 5,8% (católicos 2,7%, outros 3,1%), sem religião e ateísmo 4,8%, bahaísmo 0,3% 2000
Itália cristianismo 82,1% (católicos 97,2%, outros 2,6% – dupla filiação 0,7%, desfiliados 17%), sem religião 13,2%, ateísmo 3,4%, outras 1,4% 2000
Kiribati cristianismo 94,4% (católicos 52,9%, protestantes 44,4%, outros 5,4% – dupla filiação 8,3%), bahaísmo 5,2%, sem religião 0,4% 2000
Kuweit islamismo 83%, cristianismo 12,7% (católicos 8,9%, outros 3,9%), outras 3,3%, sem religião 1,1% 2000
Lesoto cristianismo 91% (católicos 37,5%, sem filiação 23,9%, outros 29,7%), crenças tradicionais 7,7%, outras 1,1%, sem religião 0,2% 2000
Letônia cristianismo 66,9% (protestantes 23,8%, ortodoxos 23,6%, católicos 20,8%, outros 5,1% – dupla filiação 6,4%), sem religião 26%, ateísmo 6%, outras 1% 2000
Líbano islamismo 62,4% (xiitas 34%, sunitas 21,3%, druzos 7,1%), cristianismo 37,6% (católicos 25,1%, ortodoxos 11,7%, protestantes 0,5%) 2000
Liechtenstein cristianismo 93% (católicos 74,2%, sem filiação 10,5%, outros 8,1%), sem religião 3,9%, outras 3,1% 2000
Lituânia cristianismo 87,6% (católicos 84,6%, outros 5,3% – dupla filiação 2,3%), sem religião 10,9, ateísmo 1,1%, outras 0,4% 2000
Luxemburgo cristianismo 93,9% (católicos 94,4%, outros 3,7% – dupla filiação 4,2%), sem religião e ateísmo 4,5%, outras 1,6% 2000
Madagáscar cristianismo 49,5% (protestantes 25,7%, católicos 23%, outros 7% – dupla filiação 6,2%), crenças tradicionais 48%, outras 2,3%, sem religião 0,3% 2000
Malauí cristianismo 76,8% (católicos 24,7%, protestantes 19,6%, independentes 16,8%, outros 15,7%), islamismo 14,8%, crenças tradicionais 7,8%, outras 0,4%, sem religião 0,3% 2000
Malta cristianismo 98,3% (católicos 94,5%, outros 3,7%), sem religião e ateísmo 1,1%, outras 0,6% 2000
Maurício hinduísmo 44%, cristianismo 32,6% (católicos 26,8%, outros 11,1% – dupla filiação 5,3%), islamismo 16,9%, outras 4%, sem religião e ateísmo 2,6% 2000
México cristianismo 96,3% (católicos 93,8%, outros 9,9% – dupla filiação 7,4%), sem religião e ateísmo 3,2%, outras 0,5% 2000
Micronésia cristianismo 93,1% (católicos 62,8%, protestantes 39,6%, outros 5,8% – dupla filiação 15,1%), crenças tradicionais 3,5%, outras 2,8%, sem religião 0,7% 2000
Moçambique crenças tradicionais 50,4%, cristianismo 38,4% (católicos 15,8%, protestantes 8,9%, outros 13,8%), islamismo 10,5%, outras 0,7%, ateísmo 0,1% 2000
Mônaco cristianismo 93,2% (católicos 89,3%, outros 3,9%), sem religião 4,4%, outras 2,3% 2000
Namíbia cristianismo 92,3% (protestantes 47,5%, católicos 17,7%, sem filiação 14,1%, outros 12,9%), crenças tradicionais 6%, sem religião 1,1%, outras 0,6% 2000
Nauru cristianismo 75% (protestantes 50,8%, católicos 25,4%, outros 9% – dupla filiação 10,2%), crenças populares chinesas 10,5%, bahaísmo 9,4%, sem religião 3,5%, budismo 1,4% 2000
Nicarágua cristianismo 96,3% (católicos 85,1%, protestantes 11,6%, outros 4,9% – dupla filiação 5,3%), outras 2,2%, sem religião e ateísmo 1,4% 2000
Nova Zelândia cristianismo 83,5% (protestantes 24,1%, anglicanos 21,4%, sem filiação 17,1%, católicos 12,8%, outros 8,1%), sem religião 12,7%, outras 2,8%, ateísmo 0,9% 2000
Palau cristianismo 95,7% (católicos 44,3%, protestantes 28,9%, independentes 21,1%, outros 4,6% – dupla filiação 3,2%), outras 2,6%, sem religião 1,8% 2000
Panamá cristianismo 88,2% (católicos 77,4%, protestantes 11,9%, outros 7,1% – dupla filiação 8,2%), islamismo 4,4%, outras 4,4%, sem religião e ateísmo 3% 2000
Papua
Nova Guiné
cristianismo 95,1% (protestantes 56,6%, católicos 30%, outros 25,8% – dupla filiação 17,3%), crenças tradicionais 3,6%, outras 1,1%, sem religião 0,3% 2000
Paraguai cristianismo 97,7% (católicos 90,1%, outros 9,3% – dupla filiação 0,7%, desfiliados 1%), sem religião e ateísmo 1,3%, outras 1,1% 2000
Peru cristianismo 97,2% (católicos 95,7%, outros 9,9% – dupla filiação 6,3%, desfiliados 2,1%), outras 1,3%, sem religião e ateísmo 1,4% 2000
Polônia cristianismo 97,4% (católicos 92,2%, outros 5,3%), sem religião e ateísmo 2,5% 2000
Portugal cristianismo 92,4% (católicos 90,8%, outros 5,6% – dupla filiação 4%), sem religião e ateísmo 6,5%, outras 1% 2000
Quênia cristianismo 79,3% (católicos 23,3%, independentes 22%, protestantes 21,2%, outros 17,2% – dupla filiação 4,4%), crenças tradicionais 11,5%, islamismo 7,3%, outras 1,8%, sem religião 0,1% 2000
República Centro-Africana cristianismo 67,8% (sem filiação 23,3%, católicos 18,4%, protestantes 14,4%, outros 11,8%), islamismo 15,6%, crenças tradicionais 15,4%, sem religião 0,9%, bahaísmo 0,3% 2000
República Democrática do Congo cristianismo 95,4% (católicos 50,9%, independentes 23,3%, protestantes 20,3%, outros 5,7% – dupla filiação 4,8%), outras 4,1%, sem religião 0,4% 2000
República Dominicana cristianismo 95,2% (católicos 88,6%, outros 7,2% – dupla filiação 0,6%), sem religião e ateísmo 2,5%, outras 2,4% 2000
República Tcheca cristianismo 63% (católicos 40,4%, sem filiação 16%, outros 6,6%), sem religião 31,9%, ateísmo 5%, judaísmo 0,1% 2000
Romênia cristianismo 88% (ortodoxos 85,1%, católicos 14,5%, outros 12,8% – dupla filiação 24,4%), sem religião 7,4%, ateísmo 3,3%, islamismo 1,3% 2000
Ruanda cristianismo 82,7% (católicos 51%, protestantes 21%, outros 10,8%), crenças tradicionais 9%, islamismo 7,9%, outras 0,4% 2000
Samoa cristianismo 96,6% (protestantes 71,1%, católicos 21,9%, outros 13,5% – dupla filiação 9,9%), bahaísmo 2,3%, sem religião 1,1% 2000
San Marino cristianismo 92,2% (católicos 88,7%, outros 3,5%), sem religião 5,1%, ateísmo 1,8%, bahaísmo 0,9% 2000
Santa Lúcia cristianismo 96,1% (católicos 75,1%, protestantes 13,2%, outros 8,5% – dupla filiação 0,7%), outras 3,7%, sem religião 0,2% 2000
São Tomé e Príncipe cristianismo 95,8% (católicos 75,3%, independentes 10,5%, outros 9,9%), outras 3,3%, sem religião 1% 2000
Seicheles cristianismo 96,9% (católicos 90,4%, outros 13,8% – dupla filiação 7,3%), sem religião 1,9%, outras 1,2% 2000
Senegal islamismo 87,6%, crenças tradicionais 6,2%, cristianismo 5,5% (católicos 4,7%, outros 0,9%), sem religião 0,4%, bahaísmo 0,2% 2000
Sri Lanka budismo 68,4%, hinduísmo 11,3%, cristianismo 9,4% (católicos 6,7%, outros 2,7%), islamismo 9%, sem religião e ateísmo 2,3%, outras 0,4% – dupla filiação 0,8% 2000
Sudão islamismo 70,3%, cristianismo 16,7% (católicos 10,7%, outros 11,8% – dupla filiação 5,8%), crenças tradicionais 11,9%, sem religião e ateísmo 1,2% 2000
Suíça cristianismo 88,4% (católicos 44,1%, protestantes 41,2%, outros 5,6% – dupla filiação 2,5%), sem religião 7,1%, outras 3,4%, ateísmo 1,1% 2000
Suriname cristianismo 50,4% (católicos 22,3%, protestantes 17,1%, outros 11,1%), hinduísmo 17,8%, islamismo 13,9%, sem religião e ateísmo 4,9%, novas religiões 4,8%, espiritismo 3,5%, outras 4,6% 2000
Tanzânia cristianismo 50,4% (católicos 24,7%, protestantes 16,5%, outros 13,4% – dupla filiação 4,2%), islamismo 31,8%, crenças tradicionais 16,1%, outras 1,4%, sem religião e ateísmo 0,4% 2000
Timor-Leste cristianismo 86% (católicos 100%), islamismo e crenças tradicionais 14% (1997) 2000
Togo cristianismo 42,6% (católicos 24,3%, protestantes 10,4%, outros 8%), crenças tradicionais 37,7%, islamismo 18,9%, outras 0,7%, sem religião 0,2% 2000
Tonga cristianismo 92,9% (protestantes 42,9%, independentes 21%, cristãos de fronteira 14,5%, católicos 14%, outros 2,6% – dupla filiação 2,1%), bahaísmo 6,7%, sem religião 0,2%, outras 0,2% 2000
Trinidad e Tobago cristianismo 64,6% (católicos 30,7%, protestantes 13,8%, anglicanos 11,9%, outros 8,2%), hinduísmo 22,8%, islamismo 6,8%, outras 3,6%, sem religião 2,2% 2000
Uganda cristianismo 88,7% (católicos 41,9%, anglicanos 39,4%, outros 8,3% – dupla filiação 0,9%), islamismo 5,2%, crenças tradicionais 4,4%, outras 1,1%, sem religião e ateísmo 0,6% 2000
Uruguai cristianismo 65,3% (católicos 78,2%, outros 9,1% – dupla filiação 4%, desafiliados 18%), sem religião 26,8%, ateísmo 6,3%, outras 1,6% 2000
Vanuatu cristianismo 93% (protestantes 53,7%, anglicanos 18,2%, católicos 15,5%, outros 13,1% – dupla filiação 7,5%), crenças tradicionais 3,5%, outras 3,2%, sem religião 0,4% 2000
Vaticano cristianismo 100% (católicos 98%, sem filiação 2%) 2000
Venezuela cristianismo 94,8% (católicos 94,4%, outros 5,6% – dupla filiação 5,2%), outras 3%, sem religião e ateísmo 2,2% 2000
Vietnã budismo 49,5%, sem religião 13,5%, novas religiões 11,3%, crenças tradicionais 8,5%, cristianismo 8,3% (católicos 6,7%, outros 1,5%), ateísmo 7%, outras 2,2% – dupla filiação 0,3% 2000
Zâmbia cristianismo 82,4% (católicos 33,5%, protestantes 29,5%, independentes 17,2%, outros 12,1% – dupla filiação 9,9%), crenças tradicionais 14,3%, outras 3%, sem religião e ateísmo 0,4% 2000

  

Religião – Número de praticantes
Cristianismo 2,1 bilhões / Islamismo 1,2 bilhões / Hinduísmo 900 milhões / Budismo 330 milhões /
Religiões chinesas 225 milhões / Religiões indígenas 190 milhões / Religiões africanas 20 milhões /
Sikhismo 18 milhões / Judaísmo 15 milhões / Jainismo 4 milhões / Shintoísmo 3 milhões

 

Estatísticas básicas sobre religião no mundo / De cada 100 pessoas

. 19 são muçulmanos (o islamismo é a religião que cresce mais rápido)
. 18 não têm religião ou são ateus
. 17 são católicos
. 17 são cristãos não-católicos (ortodoxos, anglicanos, protestantes, evangélicos, pentecostais)
. 14 são hindus
. 6 são budistas

 

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O Atlas das Religiões  

Principais conclusões do estudo: O Atlas das Religiões (publicado pelo diário Le Monde).

“De acordo com as projecções para 2050, precisamente estas duas religiões continuarão a crescer. Segundo o Atlas, o cristianismo continuará a ser a primeira religião, passando dos 1.747 milhões em 1990 (hoje os cristãos são uns 2.000 milhões) para 3.052 milhões. Mas será o número dos muçulmanos, que eram 962 milhões (hoje são 1.200 milhões), que mais aumentará, alcançando os 2.229 milhões.

O crescimento do hinduísmo e do budismo será mais moderado: os hindus passarão de 900 milhões para 1.175 milhões, e os budistas, de 323 milhões para 425 milhões. Os judeus, de 13 para 17 milhões.

(…)

A imensa maioria dos cristãos situa-se na América: uns 275 milhões na América do Norte e 530 milhões na América Latina. O catolicismo tem na América metade dos seus fiéis. É no continente africano que o cristianismo cresce mais rapidamente: uns 300 milhões de fiéis numa população de 800 milhões. Embora muito minoritário, crescerá na Índia e na China, mas tende a desaparecer lá onde nasceu: a Terra Santa. Na América e na Ásia, o protestantismo evangélico vive “um crescimento espectacular”.

A razão fundamental para o islão ser a religião que, proporcionalmente, mais se expande está no crescimento demográfico. Ao contrário da ideia corrente, a maioria dos muçulmanos não vive no Médio Oriente, mas na Ásia. Metade da comunidade islâmica vive em 4 países: Indonésia (o país com mais muçulmanos), Paquistão, Índia e Bangladesh. Na África, tem um terço da população. Na Europa, vivem 16 milhões e, nos Estados Unidos, 4 milhões. Importante é a observação de Olivier Roy, do CNRS, ao fazer notar que se operou uma mudança geopolítica no mundo muçulmano, pois “já não é percebido como um território cujas fronteiras é preciso defender, mas como uma comunidade mundial”.

(…)

O hinduísmo é a religião da sexta parte da Humanidade, sendo amplamente maioritário na Índia, com 83% da população. Também maioritário no Nepal, tem minorias importantes no Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka.

O budismo não ganhou fiéis na proporção do espaço que algumas das suas práticas alcançaram no mundo. Como escreve F. Midal, “a violência do niilismo” levou a que “em certo sentido, o Ocidente se torne em grande parte budista, sem o saber e sem que isso se exprima em conversões”.

Para uma leitura completa do artigo aceder através do link: As religiões em 2050

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fevereiro 15, 2011 / rodaecruz

A Reforma Política: Uma Proposta de Sistema de Governo, Eleitoral e Partidário para o Brasil, 2010

Relatório – Dezembro de 2010

SUMÁRIO

I. INTRODUÇÃO

II. SISTEMA DE GOVERNO

1. Atenuação da hegemonia do Poder Executivo no sistema nacional de

separação dos Poderes

2. Reeleição e prazo de mandato do Presidente da República

III. SISTEMA ELEITORAL

1. Sistema Distrital Misto

2. Sistema de lista fechada ou preordenada

IV. SISTEMA PARTIDÁRIO

1. Mecanismos para redução da infidelidade e da pulverização partidárias

2. Financiamento público de campanhas

V. CONCLUSÃO: SÍNTESE DAS PROPOSTAS APRESENTADAS PELA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL

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A pedido do Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante Jr., ajudei a organizar e fui o Relator-Geral de um Seminário sobre Reforma Política. O evento teve lugar em 16, 17 e 18 de novembro, no Conselho Federal, com a participação, em cada painel, de um jurista, um cientista político e um parlamentar. Os debates foram extremamente ricos.  O relatório final contém um conjunto de ideias que a OAB, após as deliberações internas próprias, irá levar à Presidente Dilma Roussef. Clique abaixo para ver o documento por mim apresentado, intitulado A Reforma Política: Uma Proposta de Sistema de Governo, Eleitoral e Partidário para o Brasil.

Luís Roberto Barroso
Professor Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ (graduação, mestrado e doutorado). Professor Visitante da Universidade de Brasília – UnB (mestrado-doutorado). Professor Visitante, na condição de conferencista, em Wroclaw, na Polônia, e Poitiers, na França. Pesquisador visitante em diversas Universidades norte-americanas, dentre as quais as de Miami, San Francisco, Georgetown, George Washington e Harvard. Mestre pela Yale Law School, e doutor e livre-docente pela UERJ.

Relatório Reforma Política – OAB